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quarta-feira, 18 de maio de 2011

João Paulo Capobianco: O código do atraso

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18 de maio de 2011

Por João Paulo R. Capobianco
Biólogo e ambientalista
No Le Monde Diplomatique


A discussão sobre florestas está nas primeiras páginas dos jornais e no horário nobre das emissoras de rádio e televisão. A boa notícia é que, dessa vez, o acalorado debate não é consequência da divulgação de números alarmantes de derrubadas na Amazônia.

Graças a uma atuação firme de combate ao desmatamento iniciada no primeiro governo Lula, que teve continuidade no segundo e, espera-se, prossiga no de Dilma Rousseff, os índices vêm diminuindo ano a ano.

O monstro, que parecia incontrolável e nos assombrou e envergonhou durante os séculos em que reinou na Mata Atlântica e na Caatinga e as décadas em que ditou as regras na Amazônia e no Cerrado, mostrou sua fragilidade ao ter que enfrentar compromisso político e ação firme do governo, impulsionado a agir pela pressão da sociedade.

A má notícia, entretanto, é que essa intensa discussão não é motivada pela evidente necessidade de aperfeiçoamento da legislação florestal, a fim de torná-la mais moderna e compatível com o atual momento em que vivemos. Momento este, marcado por um forte crescimento da consciência ambiental e da valorização dos princípios da sustentabilidade.

O que estamos assistindo, é uma disputa desigual entre os que querem impor uma flexibilização total das normas de conservação e os que, impossibilitados de fazer a agenda avançar, estão na defensiva, tentando garantir que o estrago seja o menor possível.

Essa não é a primeira vez que parlamentares da intitulada “bancada ruralista”, constituída pelo que há de mais atrasado no campo, tentam flexibilizar a legislação. Em 2000 quase conseguiram. Não fosse a vigorosa reação da opinião pública e a resistência de alguns poucos parlamentares, que levaram o então presidente Fernando Henrique Cardoso a intervir no processo, teria sido aprovado o famigerado relatório do Deputado Micheletto (PMDB-PR), que literalmente destruiria os instrumentos legais de proteção da vegetação nativa do país.

Um período de avanços
Desde essa última investida até agora, algumas coisas mudaram nos processos de degradação florestal. E a mudança foi, finalmente, após décadas de descontrole, para melhor.

Na Amazônia, entre 2004 e 2010, o desmatamento anual despencou de 27.423 km² para 6.451 km², atingindo a menor taxa registrada desde que teve início o monitoramento realizado pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), em 1988. Nos demais biomas o desmatamento também entrou em declínio, embora no Cerrado os índices ainda sejam alarmantes.

Para se chegar a esse resultado, ainda não completamente satisfatório, visto que o desmatamento, embora menor, continua em proporções muito altas, foi implementado um conjunto inédito de fortes medidas de controle.

Somente na Amazônia, onde o governo concentrou seus esforços no período de 2004 a 2010, foram criadas cerca de 261 mil km² de unidades de conservação e homologadas aproximadamente 180 mil km² de terras indígenas. Essas novas áreas protegidas tiraram do alcance de especuladores e grileiros uma área equivalente à soma dos territórios dos estados de São Paulo e do Paraná.

Para tornar ainda mais eficiente a ação contra a grilagem, um dos principais fatores de desmatamento na Amazônia, foram cancelados nos cadastros do Incra mais de 66 mil títulos de posses ilegítimas e modificados radicalmente os mecanismos e procedimentos para registro de posse.

Somaram-se a isso as operações do Ibama integradas com a Polícia Federal e polícias ambientais dos estados que levaram ao fechamento de aproximadamente 1.500 empresas clandestinas, apreensão de milhões de metros cúbicos de toras, desmonte de máfias da madeira e da especulação de terras públicas, que operavam há décadas na região, e a prisão centenas de pessoas, incluindo funcionários públicos dos governos federal e estaduais.

Complementando essas medidas, vieram outras no campo legal, como a aprovação da Lei de Gestão de Florestas Públicas (Lei 11.482/06) e da Lei da Mata Atlântica (Lei 11.428/06) e a edição de vários decretos, em especial os de números 6.321/07 e 6.514/08, que definiram mecanismos muito consistentes para fazer valer o cumprimento do Código Florestal.

Contraofensiva ruralista
Conhecendo esse contexto, fica evidente não ser mera coincidência o momento escolhido para esse grande esforço empreendido pelos ruralistas, no sentido de buscar promover a completa desestruturação da legislação de proteção à vegetação nativa do país. Ele é consequência direta da percepção de que os produtores rurais em situação irregular enfrentariam cada dia mais dificuldades para continuarem a deixar de aplicar as exigências legais, frente os novos mecanismos de controle e punição engendrados nos últimos anos.

O movimento antiambiental em andamento agora na Câmara, entretanto, tem uma diferença fundamental em relação ao de 2000: ele foi, dessa vez, minuciosamente preparado em todos os seus aspectos.

Do ponto de vista processual, ressuscitaram um projeto de 1999, que já tinha sido arquivado duas vezes e o submeteram à análise de uma comissão especial criada em setembro de 2009 pelo então presidente da Câmara, Michel Temer, composta quase que exclusivamente por parlamentares ligados ao setor ruralista.

Do ponto de vista político designaram o comunista Aldo Rebelo como relator. Ex-presidente da Câmara dos Deputados, Rebelo é detentor de profundo conhecimento dos processos legislativos, obtido em seus cinco mandatos consecutivos.

Do ponto de vista técnico foram ainda mais longe. Fizeram surgir dois relatórios produzidos por uma unidade da Embrapa, a “Embrapa Monitoramento por Satélite”, de resultados discutíveis, mas muito úteis às teses ruralistas.

Um deles intitulado “Alcance territorial da legislação ambiental e indigenista”, baseado em leitura tendenciosa dos dispositivos legais em vigor e em erros primários de aritmética, serviu de argumento para sustentar um suposto engessamento territorial da agropecuária brasileira pela legislação ambiental. Amplamente divulgado em audiências públicas e alardeado pelos líderes ruralistas por todo o país, o relatório chegou a afirmar que a área disponível para a agropecuária era “negativa” no Brasil.

Outro relatório, ainda mais questionável, intitulado “A dinâmica das florestas no mundo”, afirmava que nos últimos 8 mil anos o volume de florestas no Brasil teria saltado de 9,8% para 28,3% em relação ao total existente no planeta. Tal proeza, segundo os autores, deveria render louros e reconhecimento internacional e não mais pressões pela conservação.

O estudo só não esclareceu aos leitores que o desmatamento em nosso país atingiu taxas anuais de proporções tão grandes que, mantido o ritmo do início dos anos 2000, estaríamos repetindo em poucas décadas o mesmo erro cometido em séculos pelos demais países criticados no relatório.

Dessa forma, com uma comissão blindada pelos representantes do setor ruralista, um relator de reconhecida competência parlamentar e trânsito no Congresso Nacional e estudos técnicos de encomenda, o resultado não poderia ser outro. No dia 6 de julho de 2010, a Comissão Especial destinada a proferir relatório sobre o Projeto de Lei 1.876 de 1999, aprovou o substitutivo de Aldo Rebelo por treze votos a favor e cinco contra.

Com a justificativa de que há um enorme contingente de produtores rurais em situação irregular, o que é verdade, e que seria necessário aprimorar os mecanismos que estimulem, apoiem e facilitem a regularização, com o que todos concordam, o substitutivo modifica profundamente as exigências legais atualmente em vigor.

As alterações propostas fazem que, como num passe de mágica, as irregularidades deixem de existir e o que era um passivo ambiental de uma propriedade rural praticamente desapareça. Com isso, muito pouco do que foi ilegalmente desmatado permanece com a obrigação de ser recuperado ou compensado, como exige a legislação brasileira desde 1934.

Uma comparação com as iniciativas governamentais de regularização do pagamento de impostos, os chamados Programas de Recuperação Fiscal (Refis), pode ajudar a entender a questão.

O Refis visa criar oportunidades para o recolhimento de impostos atrasados, que dificilmente seriam pagos em condições normais de prazos e incidência de juros. Além disso, tem o objetivo de regularizar a situação dos contribuintes inadimplentes que ficam sem acesso ao credito público. Para tanto é dado um desconto e os valores são parcelados de forma a tornar viável o pagamento.

O substitutivo de Aldo Rebelo tenta criar uma espécie de “Refis para devedores de Reserva Legal e áreas de preservação permanente”. O problema é que ele propõe mudanças tão radicais na legislação que seriam comparáveis ao governo mudar a alíquota do imposto que está atrasado durante a negociação do pagamento da dívida. Ora, se a alíquota é alterada para menor, como exigir que os devedores paguem os valores atrasados calculados com uma alíquota que já não existe.

Contrariando a justificativa original de facilitar a regularização, o substitutivo retira propriedades da situação irregular, sem que o proprietário rural tenha que corrigir pelo menos parte do ato ilegal praticado.

Esse é um dos efeitos mais perversos do texto, pois acaba por beneficiar quem desmatou em detrimento de quem cumpriu a lei e possui parte de sua propriedade com Reserva Legal e APP conservada.

O outro efeito negativo, tão grave quanto o primeiro, é que ao diminuir a dimensão das áreas que devem ser mantidas com vegetação nativa, conforme veremos a seguir, o substitutivo torna possível a autorização de desmatamento de extensas áreas hoje protegidas pelo atual Código Florestal.

Estímulo aos desmatamentos
É forçoso reconhecer que o substitutivo de Rebelo foi engenhosamente construído. Salvo dispositivos escandalosamente antiambientais, a maioria dos problemas está nos detalhes de um texto que possui 55 artigos e 37 páginas. Os principais são expostos a seguir:

1. Introdução do conceito de “Área rural consolidada”. Ao definir essa nova figura legal, o substitutivo simplesmente converte para essa categoria as ocupações irregulares feitas até 22 de julho de 2008 em fragrante desrespeito à legislação ambiental. Mais do que um jogo de palavras, introduz uma ideia que será posteriormente defendida à exaustão, de que o que está feito não deve ser revertido. Uma espécie de direito adquirido para quem desrespeitou a legislação ambiental.

2. Ampliação do conceito de pequena propriedade rural, sem critérios socialmente adequados, possibilitando o aumento significativo de proprietários rurais beneficiados pelo tratamento diferenciado e preferencial dado aos pequenos produtores rurais, mesmo sem o serem.

3. Modificação do parâmetro para o cálculo das áreas de preservação permanente (APP) nas margens dos rios, levando à redução das áreas que se encontram em situação irregular e que, portanto, teriam que ser recuperadas, além de permitir futuras autorizações de desmatamento onde hoje é proibido.

4. Redução de 30 para 15 metros a faixa de proteção (APP) das margens de rios de até cinco metros. Essa modificação, combinada com a anterior, vai reduzir drasticamente a proteção legal das matas ciliares, desobrigando a recuperação ou viabilizando novos desmatamentos.

5. Liberação da ocupação e desmatamentos da vegetação nativa situada em altitude superior a 1.800 metros, hoje protegida como APP.

6. Eliminação da proteção das áreas de várzeas, que deixam de ser consideradas como APP, sujeitando os corpos d’água a terem suas áreas de inundação natural totalmente degradadas e contaminadas por uso intenso de pesticidas e adubos.

7. Eliminação da obrigatoriedade de recuperar a Reserva Legal para propriedades de até quatro módulos fiscais, equivalentes a seiscentos hectares na Amazônia.

8. Desconto de área equivalente a quatro módulos fiscais no cálculo da Reserva Legal degradada a ser recuperada nas médias e grandes propriedades.

9. Computo da área de preservação permanente no cálculo da Reserva Legal para todo o país, independentemente das dimensões da propriedade, reduzindo o montante de área ilegalmente desmatada a ser recuperada.

10. Anistia “branca” de cinco anos para desmatadores irregulares. Esse é um dos pontos mais graves e sofisticados do substitutivo. Estabelece a obrigatoriedade da União e dos estados elaborarem, no prazo de até cinco anos, Programas de Regularização Ambiental fixando os parâmetros e as condições para a recuperação da vegetação nativa nas propriedades rurais irregulares.

Durante o período de elaboração do tal Programa, o proprietário nada precisa fazer e está autorizado a continuar utilizando economicamente a área que desmatou ilegalmente. Além disso, suas multas e seus processos por desmatamento de antes de 22 de julho de 2008 ficam suspensos.

Há muitos outros aspectos nocivos no substitutivo, como a transferência de competências do Conselho Nacional do Meio Ambiente para os governos federal, estaduais e municipais, que podem editar decretos e atos normativos sem nenhum controle social ou a possibilidade ambientalmente equivocada de permitir a compensação da Reserva Legal em qualquer bioma.

O único dispositivo que tem um aparente caráter ambiental no substitutivo de Aldo Rebelo é a proposta de moratória para novos desmatamentos por um período de cinco anos, a partir da promulgação da lei. Entretanto, cotejando essa previsão com o conjunto de modificações, que tornarão praticamente impossível controlar e punir os desmatamentos ilegais, fica evidente a sua iniquidade.

O grau de acirramento do debate, resultado da radicalização do substitutivo e do próprio posicionamento de Aldo Rebelo, vem conduzindo a um impasse raras vezes visto. No esforço para impedir a desconstituição da legislação ambiental, praticamente nada está sendo feito para a definição de instrumentos legais de compensação aos que preservaram, seja por meio de mecanismos de pagamento por serviços ambientais, seja pela criação de um mercado que remunere a floresta como ativo econômico.

O que está mobilizando a academia, os empresários esclarecidos e os ambientalistas é a defesa de uma agenda preservacionista do século passado e não a do futuro onde será imperativo desenvolver instrumentos para viabilizar a coexistência entre o aumento da conservação e o aumento da produção. Esse é o desafio que deveria estar consumindo as energias dos envolvidos na discussão do Código Florestal.

Sem sinais de avanço, as reuniões se multiplicam no Congresso e no Palácio do Planalto. Uma comissão de negociação foi montada pelo atual presidente da Câmara, para se buscar um acordo que permita colocar o substitutivo em votação sem que vire uma polêmica capaz de gerar fissuras na base do governo, com graves repercussões junto à opinião pública. Até agora nenhum resultado concreto nessa direção foi obtido e multiplicam-se informações desencontradas e contraditórias sobre supostos acordos entre as partes envolvidas.

Nada parece ser suficiente para convencer a bancada ruralista e seu novo líder de que a proposta tal como está é um retrocesso inaceitável, incapaz de levar tranquilidade ao campo e, muito menos, estabelecer a tão desejada segurança jurídica para o pleno desenvolvimento da atividade agropecuária no país.

As lideranças ruralistas com forte influência e trânsito nos arcos, cúpulas e abóbadas de Brasília parecem ter certeza da aprovação de um substitutivo que finalmente as desobrigará do cumprimento de exigências que estão previstas em lei desde o governo do presidente Getúlio Vargas, quando foi editada a primeira versão do Código Florestal, em 1934.

Foi naquela época, há mais de oitenta anos, que foi estabelecido que as florestas eram “interesse comum de todos os habitantes do país” e definida a obrigatoriedade de preservação de 25% da vegetação nativa das propriedades rurais e das florestas protetoras, destinadas a conservar os recursos hídricos e evitar a erosão, entre outras funções.

Como em 2000 parece que restará a presidente atuar junto às lideranças do Congresso para evitar o pior.

João Paulo R. Capobianco é biólogo e ambientalista, é membro do Conselho Diretor do Instituto Democracia e Sustentabilidade, foi secretário nacional de Biodiversidade e Florestas e secretário executivo do Ministério do Meio Ambiente de 2003 a 2008.

terça-feira, 19 de abril de 2011

Néctar da Amazônia

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segunda-feira, 11 de abril de 2011
 





Mel de abelhas sem ferrão? 
 
Eu desconhecia esta iguaria de nossas florestas até que recebi uma amostra do produto oriundo das savanas amazônicas. O Nectar da Amazônia é um mel manejado pelas comunidades quilombolas do Amapá, onde o Instituto Peabiru desenvolve o Programa de Abelhas Nativas. Vale a pena provar, por muitas razões.

Suas características o diferenciam do mel tradicional. Tem um aroma suave e único de flores. O paladar é levemente ácido, devido à maior concentração de água, o que o torna menos enjoativo. A cor tem um dourado  marcante. É ótimo para adoçar alimentos e bebidas e vai bem com pães, substituindo a geléia.

É considerado um mel heterofloral, pois as abelhas Meliponina, como a Melipona paraensis, são os principais agentes polinizadores de inúmeras plantas nativas da Amazônia. Contribuem para a reprodução de frutíferas comuns à dieta da região, como açaí, bacaba, goiaba, taperebá, tucumã, ingá e murumuru.

O produto ainda é terapeutico, frequentemente utilizado por populações tradicionais locais como expectorante, devido a suas propriedades antibacterianas, antibióticas e anti-oxidantes. "Cientificamente, já sabemos que os méis das abelhas sem ferrão são ricos em flavonoides," explica Richarson Frazão, Gerente do Programa de Abelhas Nativas no Peabiru.

Pesquisadores, indústria e consumidores têm se interessado pelos compostos flavonoides por seu papel na prevenção do câncer, das doenças cardiovasculares e suas propriedades antienvelhecimento.

O trabalho que o Peabiru está orientando ajuda a conservar oito espécies de abelhas sem ferrão e envolve mais de 250 comunitários, além de 70 indígenas, nos estados do Amapá e Pará.

As abelhas sem ferrão são manejadas em caixas de madeira, conhecidas como colmeias racionais.  De modo geral, são bastante dóceis e de fácil manejo. Dispensam o uso de roupas e equipamentos de proteção tais como macacão, luvas, máscaras e fumegadores. Isso reduz os custos da operação produtiva e permite que essas abelhas sejam mantidas perto de residências ou de criadouros de animais domésticos. Como não exige força física ou dedicação prolongada, a criação de abelhas sem ferrão pode ser facilmente executada por jovens, mulheres e idosos.

Outro ponto forte do produto é a embalagem feita de miriti, uma fibra da palmeira também conhecida por buriti. O resultado é um estojo muito leve e eficiente, uma espécie de isopor natural, produzido pelos artesãos do Pará. Tanto o estojo quanto o rótulo do vidro de mel foram personalizados. O rótulo carrega a criatividade artística das crianças que desenharam a paisagem de suas comunidades refletindo a origem do produto. A embalagem, por sua vez, leva o selo do Fundo Vale, organização que comprou um lote do mel para brindar seus parceiros institucionais. O desenvolvimento da embalagem ficou por conta da Mapinguari Design.

sábado, 16 de abril de 2011

Análise socrática dos tempos atuais

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FREI BETO


Encontrei Daniela, 10 anos, no elevador, às nove da manhã, e perguntei: 'Não foi à aula?' Ela respondeu: 'Não, tenho aula à tarde'.


Comemorei: 'Que bom então de manhã você pode brincar dormir até mais tarde'. 'Não', retrucou ela, 'tenho tanta coisa de manhã...'


'Que tanta coisa?', perguntei. 'Aulas de inglês, de balé, de pintura, piscina', e começou a elencar seu programa de garota robotizada.


Fiquei pensando: 'Que pena, a Daniela não disse: 'Tenho aula de meditação!'


Estamos construindo super-homens e super-mulheres, totalmente equipados, mas emocionalmente infantilizados.


Uma progressista cidade do interior de São Paulo tinha, em 1960, seis livrarias e uma academia de ginástica; hoje, tem sessenta academias de ginástica e três livrarias! Não tenho nada contra malhar o corpo, mas me preocupo com a desproporção em relação à malhação do espírito.


Acho ótimo, vamos todos morrer esbeltos: 'Como estava o defunto?'. 'Olha uma maravilha, não tinha uma celulite!'


Mas como fica a questão da subjetividade? Da espiritualidade? Da ociosidade amorosa?


A palavra hoje é 'entretenimento' ; domingo, então, é o dia nacional da imbecilização coletiva. Imbecil o apresentador, imbecil quem vai lá e se apresenta no palco, imbecil quem perde a tarde diante da tela.


Como a publicidade não consegue vender felicidade, passa a ilusão de que felicidade é o resultado da soma de prazeres: 'Se tomar este refrigerante, vestir este tênis, usar esta camisa, comprar este carro, você chega lá!' O problema é que, em geral, não se chega! Quem cede desenvolve de tal maneira o desejo, que acaba precisando de um analista. Ou de remédios. Quem resiste, aumenta a neurose.


O grande desafio é começar a ver o quanto é bom ser livre de todo esse condicionamento globalizante, neoliberal, consumista. Assim, pode-se viver melhor. Aliás, para uma boa saúde mental três requisitos são indispensáveis: amizades, auto-estima, ausência de estresse.


Há uma lógica religiosa no consumismo pós-moderno. Na Idade Média, as cidades adquiriam status construindo uma catedral; hoje, no Brasil, constrói-se um shopping Center. É curioso: a maioria dos shoppings centers tem linhas arquitetônicas de  catedrais estilizadas; neles não se pode ir de qualquer maneira, é preciso vestir roupa de missa de domingo. E ali dentro sente-se uma sensação paradisíaca: não há mendigos, crianças de rua, sujeira pelas calçadas...


Entra-se naqueles claustros ao som do gregoriano pós-moderno, aquela musiquinha de esperar dentista. Observam-se os vários nichos, todas aquelas capelas com os veneráveis objetos de consumo, acolitados por belas sacerdotisas.


Quem pode comprar à vista, sente-se no reino dos céus. Se deve passar cheque pré-datado, pagar a crédito, entrar no cheque especial, sente-se no purgatório. Mas se não pode comprar, certamente vai se sentir no inferno... Felizmente, terminam todos na eucaristia pós-moderna, irmanados na mesma mesa, com o mesmo suco e o mesmo hambúrguer do Mc Donald...


Costumo advertir os balconistas que me cercam à porta das lojas:
'Estou apenas fazendo um passeio socrático.' Diante de seus olhares espantados, explico: 'Sócrates, filósofo grego, também gostava de descansar a cabeça percorrendo o centro comercial de Atenas. Quando vendedores como vocês o assediavam, ele respondia:


- "Estou apenas observando quanta coisa existe de que não preciso para  ser feliz!

quarta-feira, 13 de abril de 2011

10 qualidades indispensáveis para um bom profissional

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13 de abril de 2011, às 08h01min

Saiba o que as empresas esperam de você

Por Redação Administradores , www.administradores.com.br
A economia está mais pujante e, por isso, o mercado ficou mais exigente. Atender as expectativas dos empregadores hoje requer qualidade, esforço e dedicação. Ou seja: ter uma boa formação, inclusive continuada; estar disposto a correr atrás dos seus objetivos e comprometer-se a buscar os melhores resultados para a empresa.

"As exigências sempre vão ser muitas e vão aumentar. É um esforço constante, mas que tende a ser recompensado no final", afirma Marcelo Abrileri, presidente da Curriculum e especialista em recolocação profissional.

O executivo lembra também que a melhor hora de buscar um novo emprego é quando se está trabalhando e que o mercado de trabalho está repleto de oportunidades.

Abrileri indica as principais qualidades que o profissional precisa ter para conquistar espaços e se garantir no mercado. Confira abaixo.

1 - Capacitação técnica específica

Esta continua sendo a principal e fundamental exigência. Se você não estiver apto a exercer bem a função que pleiteia, dificilmente conseguirá conquistar a vaga. Uma boa formação, cursos adicionais, experiência na função são importantes na hora de competir por uma vaga de trabalho.

2 - Visão global

Além de ser bom no que faz, é importante que você compreenda quais os impactos de sua parte sobre o todo. Ter uma visão global ajuda na comunicação em geral, tanto com pares como superiores ou subordinados.

3 - Estar bem informado

Vivemos hoje na sociedade da informação. Quem é munido de conteúdo sempre sai na frente. Nada melhor do que conversar com alguém que sabe o que está acontecendo sobre a função que exerce. Você deve ser o ponto de referência na empresa quando o assunto estiver relacionado à sua área. Agora, se puder também se informar sobre atualidades, economia, lazer, artes, esportes, internet, negócios, entre outros assuntos, melhor ainda. Você se torna alguém bem mais aberto e com muito mais possibilidade de interagir com outros da companhia. Mas não se esqueça: o principal conhecimento que você deve ter é relacionado à sua área de atuação.

4 - Facilidade com tecnologia

O computador e a internet são hoje ferramentas fundamentais de trabalho e comunicação. Quem interage bem com estas tecnologias e tem familiaridade com elas tem uma grande vantagem competitiva.

5 - Internet e redes sociais

Quem navega bem na internet e utiliza as redes sociais de maneira correta sabe como tudo isso pode ajudar para se informar, encontrar respostas e resolver problemas, e da mesma forma ganha pontos frente aos demais concorrentes.

6 - Idiomas (inclusive um bom português)

Num mundo cada vez mais globalizado, ter conhecimento de outro idioma é muito importante, principalmente o inglês. O Brasil ainda é um país que carece de pessoas que tenham domínio sobre outras línguas. Quem tem conhecimento em inglês e espanhol tem ainda mais vantagens. Mas lembre-se: saber bem o nosso português, por mais óbvio que seja, faz muita diferença.

7 - Educação continuada

Workshops, cursos de curta duração, palestras e pós-graduação, entre outros, sempre será algo valorizado pelas companhias. Mas não aja de modo a apenas colecionar diplomas. Conhecimento é muito valioso, portanto empenhe-se e realmente aproveite as oportunidades para aprender e crescer como pessoa e profissionalmente.

8 - Trabalho voluntário

Ter no currículo experiências como voluntário mostra que você é um profissional preocupado com valores importantes. Ações como essa não são apenas bem vistas no âmbito profissional, mas amadurecem o ser humano.

9 - Elegância e cordialidade

Essas qualidades podem ser mostradas em diversos aspectos – na maneira de se vestir, em como falar, nas atitudes. Ser elegante e cordial sempre atrai. Tais características ajudam a conquistar e demonstram maturidade e simpatia. Todos querem estar ao lado de pessoas agradáveis.

10 - Bons valores

Caráter e valores têm sido mais valorizados pelos recrutadores. Às vezes são naturais e nascem com a pessoa, são do interior dela, outras vezes são aprendidos em casa, mas também podem ser cultivados através da percepção e da valorização correta destas qualidades. Qualquer que tenha sido a forma de absorvê-los, o importante é ter bons valores. Com eles você se torna não apenas um bom profissional, mas um ser humano exemplar e de bem com a vida.

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sábado, 9 de abril de 2011

Líder ou gladiador?

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Augusto Uchôa faz uma comparação entre as características de um líder e o filme Gladiador, ilustrando o papel fundamental que os líderes representam na eficácia do grupo ou da organização

O eterno filme do Ridley Scott, o Gladiador, pode nos ajudar neste tema. Vamos relembrar: o ano é 180 e o general romano Máximo (Russel Crowe), servindo ao seu imperador Marco Aurélio, prepara seu exército para impedir a invasão dos bárbaros germânicos.

Na segunda etapa do filme, enquanto Cômodo assume o trono, Máximo, que escapa da morte, torna-se escravo e gladiador, travando batalhas sangrentas no Coliseu, a nova forma de diversão dos romanos.

Máximo, disposto a vingar o assassinato de sua mulher e de seu filho, sabe que é preciso triunfar para ganhar a "confiança" da plateia. Este é apenas um resumo, o filme serve como ensejo para falarmos de liderança, pois no primeiro momento do filme nosso general ou gerente da grande corporação (o exército de Roma), Máximo, teria sua ascensão profissional ao ser convidado para assumir o comando/presidência do império romano, no posto de Marco Aurélio que, na trama, acaba morto pelo filho Cômodo.

Independente do revés da trama, percebemos logo no início que Máximo era um líder natural. Nos primeiros minutos do filme vemos catapultas, flechas incendiárias, lanças e espadas na floresta contra os bárbaros... e quem estava liderando a tropa no front? Ele, o próprio, Máximo, dando o exemplo para toda a tropa de milhares de soldados.

A liderança ilustrada na história é um tema importante para os gestores devido ao papel fundamental que os líderes representam na eficácia do grupo ou da organização. Os líderes são responsáveis pelo sucesso ou fracasso da organização na batalha do mercado.

Liderar nunca foi, tampouco será, uma tarefa simples. Liderança exige paciência, disciplina, respeito (que requer tempo) e compromisso, pois a organização é um "ser vivo", dotado de colaboradores dos mais diferentes tipos e perfis.

Liderar, de uma forma clara, pode ser entendido como a gestão eficaz e eficiente das pessoas de uma equipe, para que se atinjam os objetivos e as metas propostas pela organização. Entre os desafios apresentados por um ambiente mutável e complexo – assim como a guerra -, as organizações estão valorizando cada vez mais os gerentes que possuem habilidades de liderança. Qualquer pessoa que aspire ser um gerente eficaz deve também se conscientizar de praticar e desenvolver suas habilidades.

Ainda em paralelo com o filme, você deve estar pensando que, como citado no livro de Sun Tzu, a ''Arte da Guerra'', o perfil de liderança do General Máximo poderia ser imposto, pois o exército adota um modelo de liderança autocrático, com autoritarismo e ordem latentes.

Além do mais, ele obtinha a patente: era um general, não um soldado raso. Na prática o general é alguém estrategista, não poderia estar a frente da batalha com os soldados, apesar de não ter sido retratado desta forma no filme.

Logo na segunda metade do filme, já como escravo sem patentes, sem comando imposto ou um nome (marca) respeitado, ele conseguiu, com esforço, suor e sangue, conquistar a confiança e o reconhecimento dos demais escravos que o fizeram seu líder.

Tornou-se líder ora por conhecimentos técnicos de batalha, adaptados para outro local/mercado (arenas e Coliseu), ora por sua postura proativa que o diferenciava de seus pares. Este escravo, líder de muitos outros, não era um líder de muitas palavras, porém de muitos exemplos.

Máximo não adotou um modelo de liderança paternalista, apesar do forte vínculo de amizade que o aproximava do escravo negro, Juba; tampouco adotou um modelo liberal, mesmo quando montou uma equipe madura após tantas batalhas em arenas menores, e ao final, no mais violento dos embates do filme, no Coliseu.

Máximo adotou uma liderança democrática e participativa. Tal liderança é voltada para as pessoas que compõem o grupo e nele, há participação dos liderados em todo o processo. Aqui, as diretrizes são decididas pelo grupo, devidamente estimuladas e divididas com ele, pelo líder.

O próprio grupo esboça as providências a fim de atingir o alvo, solicitando aconselhamento técnico ao líder, quando necessário. A divisão das tarefas fica a critério do próprio grupo e cada membro pode escolher seus próprios companheiros de trabalho. O líder não se impõe pela força que qualquer eventual cargo lhe proporciona. É um membro como os demais do grupo, reconhecido, porém, por sua capacidade de persuasão, em busca do objetivo em comum.

Como você pode notar, apesar de começar a ser estudada após 1930, a liderança, tema de uma série de filmes épicos, é algo antigo, nascida em qualquer momento onde duas ou mais pessoas compartilhem de um mesmo objetivo.

Independente do que tenha acontecido no passado ou que vivamos no presente, os modelos de liderança servem para nos orientar quanto às estratégias de gestão de pessoas a adotar para que se atinjam mais rápida, econômica e efetivamente, os objetivos das organizações onde nós, gestores (gladiadores), treinamos para as disputas sangrentas do mercado, nossa grande arena.

Augusto Uchôa (Formado em marketing, mestre pelo Ibmec, consultor de empresas, professor universitário, criador do site Marketing com Fritas e Chef fundador do Boteco do Conhecimento)

Portal HSM
28/03/2011

quarta-feira, 30 de março de 2011

A arte de preparar apresentações no trabalho

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30 de março de 2011, às 08h49min

Em primeiro lugar, é preciso elaborar um roteiro do trabalho para guiar o profissional no momento da apresentação, afirma especialista

Infomoney
Acostumado com reuniões semanais em diferentes empresas, o especialista em saúde mental Vagner Contrucci, 50 anos, prepara ao menos uma vez por semana um conjunto de slides destinados a apresentações.

Não bastasse o aparato tecnológico, o profissional ainda elabora uma espécie de discurso básico, repleto de informações sobre a área, e trabalha na desmistificação dos conceitos que pretende passar ao público.

"Procuro fazer uma apresentação dinâmica sempre. Aproveito de recursos como vídeo e slides para não deixar os ouvintes perderem o foco", afirma o profissional.
Sujeito a críticas de algum ouvinte "sem paciência", Contrucci afirma que ainda não sofreu nenhum tipo de avaliação negativa. "Quando conduzo alguma apresentação, sempre olho nos olhos das pessoas e faço com que elas participem deste processo".

Apresentações
Para o diretor da Global Network, Eberson Luiz Federezzi, para ter sucesso em uma apresentação, em primeiro lugar, é preciso elaborar um roteiro do trabalho para guiar o profissional.

Nesse roteiro, explica Federezzi, deverão estar os principais fatores para o bom andamento da palestra, como o tempo disponível para a apresentação, o público-alvo, o espaço físico, os recursos disponíveis, assim como o objetivo da apresentação.

Segundo o diretor da Global Network, o profissional que pretende atrair a atenção de seu público por meio de apresentações deve se ater aos seguintes conceitos:
  • manter o contato visual com as pessoas e observar o comportamento e as reações delas;
  • demonstrar segurança no que está falando;
  • ser conciso, cuidando para não se perder em longas explicações;
  • enfatizar com gestos, mas sem exagerar nos movimentos;
  • utilizar entonações, pausas e volume da voz para destacar os ganchos e os pensamentos principais;
  • sofisticar os recursos audiovisuais: slides e/ou transparências com gráficos, figuras, imagens, frases de efeito;
  • se o assunto for muito técnico, fazer comparações com situações do cotidiano e utilizar exemplos práticos;
  • falar com a plateia e não para a plateia, interagindo com as pessoas;
  • para manter o interesse do público, apresente argumentos interessantes, motivadores e seja criativo.
Precauções
Seguir somente as orientações acima, no entanto, não é suficiente. De acordo com Federezzi, quem faz uma apresentação deve se preocupar com gestos, dicção e, principalmente, comentários sobre algum tema.

"Cuidado com gestos repetitivos, pois o excesso deles pode transformar-se numa barreira visual. É bom não falar muito alto ou muito baixo, devagar ou muito rápido e evite piadas sem graça ou ofensivas para tentar conquistar a atenção da plateia", descreve.

O executivo chama a atenção ainda para erros gramaticais e pronúncias incorretas de termos estrangeiros e vícios de linguagem. Segundo ele, nas apresentações com slides, outras dicas são evitar utilizar muitas fontes diferentes, assim como cores que causem distração ou dificuldade na leitura.

quinta-feira, 24 de março de 2011

“Um homem Inteligente....Falando das Mulheres...

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Nunca podemos saber ao certo se a autoria deste texto é mesmo do Luiz Fernando Veríssimo devido aos inúmeros que aparecem com a assinatura dele e que ele mesmo nega essa autoria, mas a realidade é que o texto é bom e merece ser divulgado, e como não é meu, segue com a assinatura dele.
Falando das Mulheres...

O desrespeito à natureza tem afetado a sobrevivência de vários seres e entre os mais ameaçados está a fêmea da espécie humana.
Tenho apenas um exemplar em casa, que mantenho com muito zelo e dedicação, mas na verdade acredito que é ela quem me mantém. Portanto, por uma questão de auto-sobrevivência, lanço a campanha 'Salvem as Mulheres!'
Tomem aqui os meus poucos conhecimentos em fisiologia da feminilidade a fim de que preservemos os raros e preciosos exemplares que ainda restam:

Habitat
Mulher não pode ser mantida em cativeiro. Se for engaiolada, fugirá ou morrerá por dentro. Não há corrente que as prenda e as que se submetem à jaula perdem o seu DNA. Você jamais terá a posse de uma mulher, o que vai prendê-la a você é uma linha frágil que precisa ser reforçada diariamente.

Alimentação correta
Ninguém vive de vento. Mulher vive de carinho. Dê-lhe em abundância. É coisa de homem, sim, e se ela não receber de você vai pegar de outro. Beijos matinais e um 'eu te amo' no café da manhã as mantém viçosas e perfumadas durante todo o dia. Um abraço diário é como a água para as samambaias. Não a deixe desidratar. Pelo menos uma vez por mês é necessário, senão obrigatório, servir um prato especial.

Flores
Também fazem parte de seu cardápio – mulher que não recebe flores murcha rapidamente e adquire traços masculinos como rispidez e brutalidade.

Respeite a natureza
Você não suporta TPM? Case-se com um homem. Mulheres menstruam, choram por nada, gostam de falar do próprio dia, discutir a relação? Se quiser viver com uma mulher, prepare-se para isso.

Não tolha a sua vaidade
É da mulher hidratar as mechas, pintar as unhas, passar batom, gastar o dia inteiro no salão de beleza, colecionar brincos, comprar muitos sapatos, ficar horas escolhendo roupas no shopping. Entenda tudo isso e apoie.

Cérebro feminino não é um mito
Por insegurança, a maioria dos homens prefere não acreditar na existência do cérebro feminino. Por isso, procuram aquelas que fingem não possuí-lo (e algumas realmente o aposentaram!). Então, aguente mais essa: mulher sem cérebro não é mulher, mas um mero objeto de decoração. Se você se cansou de colecionar bibelôs, tente se relacionar com uma mulher. Algumas vão lhe mostrar que têm mais massa cinzenta do que você. Não fuja dessas, aprenda com elas e cresça. E não se preocupe, ao contrário do que ocorre com os homens, a inteligência não funciona como repelente para as mulheres.

Não faça sombra sobre ela
Se você quiser ser um grande homem tenha uma mulher ao seu lado, nunca atrás. Assim, quando ela brilhar, você vai pegar um bronzeado. Porém, se ela estiver atrás, você vai levar um pé-na-bunda.
Aceite: mulheres também têm luz própria e não dependem de nós para brilhar. O homem sábio alimenta os potenciais da parceira e os utiliza para motivar os próprios. Ele sabe que, preservando e cultivando a mulher, ele estará salvando a si mesmo.
É, meu amigo, se você acha que mulher é caro demais, vire gay.
Só tem mulher quem pode!

Luiz Fernando Veríssimo"

terça-feira, 22 de março de 2011

Sustentabilidade: o imperativo dos negócios em um mundo interdependente

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Para Carmem Castro, o equiilíbrio entre o compromisso e as ações é o que permeia a concretização das ações sustentáveis da empresa. Confira!

A sustentabilidade surge como princípio fundamental para quem quer fazer negócio num mundo interdependente, sendo o alicerce para que as empresas mapeiem seu roteiro futuro.

O processo de globalização e a mundialização aos quais as organizações têm sido submetidas vêm demandando reação a questões relacionadas com o tripé da sustentabilidade e modificando a maneira como essas empresas se relacionam com o mundo ao seu redor.

Segundo Savitz (2007, p. 7), as empresas mais bem gerenciadas, grandes e pequenas, estão reagindo a esses desafios e esse processo de mudança tem sido acelerado com o advento da tecnologia da informação e internet.
Isso porque, um mundo mais globalizado, interconectado e, por sua vez, mais competitivo, o resultado financeiro deixa de ser o único e mais importante critério de avaliação de sucesso de uma organização.

Dentro dessa nova lógica de gestão, a empresa sustentável será aquela que, além de gerar lucro para os acionistas, conseguirá, ao mesmo tempo, proteger o meio ambiente e contribuir para a melhoria da qualidade de vida das pessoas com as quais mantém interação, aliando os interesses dos negócios aos interesses do meio ambiente e da sociedade. O resultado dessa união será a geração de oportunidades e a perpetuação do sucesso.

Todas essas mutações do ambiente empresarial têm contribuído para que o paradigma emergente da sustentabilidade se transforme em tendência dominante.

Assim, a maneira como as empresas conciliam e gerenciam objetivos comerciais e questões ambientais, sociais e econômicas torna-se parte fundamental da qualidade gerencial contemporânea, não só para a geração de lucro, mas para o sucesso organizacional.

Os dois principais componentes que precisam ser observados para a sustentabilidade são o impacto sobre o lucro (a lucratividade) e o impacto sobre o mundo (os benefícios sociais).

O que precisa estar claro é que a adoção de uma estratégia sustentável para os negócios aumenta não só o valor para os acionistas, mas cria também condições mais saudáveis para a operação das empresas. Assim, como observa Savitz, os gestores "precisam compreender essa transformação e convertê-la em vantagem para suas organizações".

No entanto, muitos líderes de negócios ainda compreendem a sustentabilidade de maneira superficial e ignoramseus princípios, transformando suas ações, em filantropia, o que é um grande erro.

O princípio da sustentabilidade nas estratégias de negócios das empresas implica em ações que não sejam de curto e médio prazo. São ações pontuais que visam não apenas o viés econômico (lucro).

Para Nogueira (2004, p. 5), "o que está em jogo não é somente a adesão a um movimento que tem ganhado força ao longo dos últimos anos e sim a filosofia da empresa e as razões que orientam suas escolhas".

Por isso o equilíbrio entre o efetivo compromisso da organização com a sociedade e a conciliação dos objetivos econômicos, ambientais e sociais, fará diferença frente às ações de investimento temporário.

Este objetivo não deve estar alicerçado na mera obtenção de ganhos de imagem, uma vez que, segundo Nogueira (2004, p. 7), poderá frear a racionalidade econômica que norteia as ações empresariais nos dias de hoje. No contraponto, ela pode sim gerar oportunidades que deem à sua organização uma vantagem competitiva sustentável.


Carmem Castro é Mestre em Ciências Sociais com ênfase em Sociologia Organizacional e professora do IBGEN (Instituto Brasileiro de Gestão de Negócios) carmem.lcastro@terra.com.br

Fonte: Agenda Sustentável.

Referências
SAVITZ, Andrew W. A empresa sustentável. Rio de Janeiro: Elsevier, 2007.

Portal HSM
23/02/2011

sábado, 12 de março de 2011

DESIDERATA (do latim - aquilo que se deseja, aspiração)

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Max Ehermann


Siga tranqüilamente entre a quietude e a pressa, lembrando-se de que há sempre paz no silêncio.

Tanto quanto possível, e sem humilhar-se, mantenha-se em harmonia com todos que o cercam.

Fale a sua verdade, clara e mansamente.

Escute a verdade dos outros, pois eles também têm a sua própria história.

Evite as pessoas agitadas e agressivas: elas afligem o nosso espírito.

Não se compare aos demais, olhando as pessoas como superiores ou inferiores a você: isso o tornaria superficial e amargo.

Viva intensamente os seus ideais e o que você já conseguiu realizar.

Mantenha o interesse no seu trabalho, por mais humilde que seja, ele é um tesouro na contínua mudança dos tempos.

Seja prudente em tudo que fizer, porque o mundo está cheio de armadilhas.

Mas não fique cego para o bem que sempre existe.

Em toda parte a vida está cheia de heroismo.

Seja você mesmo.

Sobretudo, não simule afeição e não tranforme o amor numa brincadeira, pois, no meio de tanta aridez ele é perene como a relva.

Aceite, com carinho, o conselho dos mais velhos e seja compreensivo com os impulsos inovadores da juventude.

Cultive a força do espírito e você estará preparado para enfrentar as surpresas da sorte adversa.

Não se desespere com os perigos imaginários: muitos temores tem origem no cansaço e na solidão.

Ao lado de uma sadia disciplina conserve, para consigo mesmo, uma imensa bondade.

Você é filho do universo, irmão das estrelas e árvores, você merece estar aqui e, mesmo se você não possa perceber, a terra e o universo vão cumprindo seu destino.

Procure, pois, estar em paz com Deus, seja qual for o nome que você lhe der.

No meio do seu trabalho e nas aspirações, na fatigante jornada pela vida, conserve, no mais profundo do seu ser, a harmonia e a paz.

Acima de toda mesquinhez, falsidade e desengano, o mundo ainda é bonito.

Caminhe com cuidado, faça tudo para ser feliz e partilhe com os outros a sua felicidade.

segunda-feira, 7 de março de 2011

Decrescimento - para refletir muito

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Publicado em março 3, 2011
"O decrescimento é uma arte de viver. Uma arte de viver bem, em acordo com o mundo. O objetor do crescimento é também um artista. Alguém para quem o gozo estético é uma parte importante da sua alegria de viver."

A reflexão é do economista e filósofo francês Serge Latouche, conhecido defensor do "decrescimento sustentável", em artigo para o jornal L'Unità, 25-02-2011. O trecho faz parte de seu livro Come si esce dalla società dei consumi. Corsi e percorsi della decrescita, Ed. Bollati Boringhieri, 2011. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

Eis o texto.

A via do decrescimento é uma abertura, um convite a encontrar um outro mundo possível. Esse outro mundo nós o chamamos de sociedade do decrescimento.

O convite é a viver aqui e agora, e não em um hipotético futuro que, embora desejável, talvez não veremos nunca. Esse outro mundo, portanto, está também naquele em que vivemos hoje. Está também em nós. O caminho é também um olhar, um outro olhar sobre o nosso mundo, um outro olhar sobre nós. (…)

A "common decense"

A via do decrescimento é, portanto, acima de tudo, uma escolha. (…) É, em todo o caso, um caminho de saída da enorme decadência gerada pela sociedade do crescimento. Um caminho de saída para recuperar a estima de si mesmo. É o caminho para reconstruir uma sociedade decente. Uma sociedade decente, diz o ensaio, é uma sociedade que não humilha os seus membros. É uma sociedade que não produz lixo.

A via do decrescimento é também a "common decense" de George Orwell. A decência comum significa ter controle, estar atento, ser capaz de ter vergonha por aquilo que é feito ao mundo e às pessoas. "Ser desenvergonhado – diz Bernard Stiegler – significa ter se tornado incapaz de ter vergonha". A sociedade do crescimento é um mundo desenvergonhado, um mundo em que reina o desprezo. E o desejo de fugir do desprezo é uma aspiração universal (talvez a única verdadeiramente universal) que se realiza apenas nas sociedades decentes. A ausência de controle, a falta de atenção equivalem à ausência da decência comum definida por Orwell. Um mundo decente talvez não é mundo de abundância material, mas é um mundo sem miseráveis e sem sujeira. (…)

Quando dizemos que o decrescimento é um projeto político, entendemos que é também uma ética, porque, para nós, como para Aristóteles, a política não é concebível sem uma ética, e vice-versa, mesmo que seja oportuno não confundir os dois planos. Uma política que fosse apenas uma ética seria impotente ou terrorista, mas uma política sem ética (como a que vivemos principalmente a partir da reviravolta dos anos 90, do grande salto para trás neoliberal) vê o triunfo da banalidade do mal. (…)

A via do decrescimento é também o da emancipação e da conquista da autonomia. É a busca pela liberdade verdadeira e não da sua caricatura, a do hedonismo desenfreado e sem regras, proposta pela publicidade e pelo marketing e promovida pelo novo espírito do capitalismo, falsamente alegre e de fato mortífero. (…)

A via do decrescimento é uma saída de emergência do beco sem saída da imundialização [immondializzazione, jogo de palavras entre imundo e mundialização]. O caminho do crescimento é um exílio. É a travessia do deserto rumo à terra prometida, mas é também um oásis no deserto do crescimento. "A revolução – adverte Jérôme Baschet – não tem sentido se ela não é concebida, ao mesmo tempo, como uma festa, se é privada daquelas ocasiões tão importantes como um baile ou uma explosão de risos… É vão querer combater a alienação com formas alienadas… É preciso admitir a impossibilidade de conduzir uma verdadeira luta pela humanidade sem começar a perceber, no próprio processo dessa luta, a verdade da humanidade à qual se aspira, sem reconhecer o direito ao prazer e a necessidade de uma poesia que nada mais é do que o nome dado a uma existência verdadeiramente digna do homem".(…)

O decrescimento é uma arte de viver. Uma arte de viver bem, em acordo com o mundo. O objetor do crescimento é também um artista. Alguém para quem o gozo estético é uma parte importante da sua alegria de viver. (…) Fazer da sua própria vida uma obra de arte não é o objetivo, mas um dos resultados.

A via do decrescimento é uma ascese. Limitando-se ao aspecto curativo e à luta contra a toxicodependência do consumismo, pode-se retomar a ideia de Ivan Illich do "tecnojejum". O decrescimento é um exercício de emancipação das próteses técnicas, uma libertação da servidão voluntária e uma alienação à autonomia.

A via do decrescimento é uma conversão de si mesmo e dos outros. A conversão exigida para realizar a transformação social necessária e desejável pressupõe que se crie uma atitude de acolhida e de abertura a essa mudança. Essa educação é, ao mesmo tempo e indissoluvelmente, saber e ética, resistência e dissidência. (…)

A via do decrescimento é reconquista da realidade e da terra que é o seu princípio. Trata-se de habitar a terra como um território, um lugar de cumplicidade e de reciprocidade. De reencontrar a nossa intimidade com uma dimensão originária. "Hoje, uma linha de horizonte técnica – escreve de modo inspirado Xavier Bonnaud – separa o ser humano da fauna e da flora. Esses elementos que o ser humano tem afastado, enfraquecido e canalizado não produzem mais nele aquelas relações afetivas profundas que derivavam de um contato direto". (…)

A via do decrescimento é a da crítica livre. É a da autolimitação e não do desencadeamento sem freios das paixões tristes. O decrescimento quer retomar o programa de emancipação política da modernidade, enfrentando as dificuldades que a sua realização comporta. A experiência autenticamente democrática instaura uma experiência de transcendência do homem no homem que permite sair das aporias do igualitarismo. Como diz o filósofo belga Robert Legros: "Reconhecer uma limitação dos poderes do homem que não seja uma autolimitação significa claramente admitir uma heteronomia no centro da autonomia. Interpretar essa limitação como uma norma inscrita na humanidade do homem, e não como uma norma de origem religiosa, significa tentar compreender o sentido de uma heteronomia propriamente democrática".

Se o decrescimento e o projeto de construção de uma sociedade autônoma realizam o sonho de emancipação dos Iluministas e da modernidade, não fazem isso por meio de uma desvinculação da ligação com a natureza e do enraizamento na história, mas, ao contrário, reconhecendo a dupla herança da nossa naturalidade e da nossa historicidade. É preciso lutar contra a ilimitação do indivíduo e da sua relação com a natureza que pretendemos criar.

A via do decrescimento é essa luta. A via do decrescimento é uma emancipação da religião do crescimento. Requer, portanto, necessariamente, também um "descrer". É preciso abolir a fé na economia, renunciar ao ritual do consumo e ao culto do dinheiro. Para os teólogos Alex Zanotelli, Pe. Achille Rossi, Pe. Luigi Ciotti e Raimon Panikkar, assim como para Ivan Illich ou Jacques Ellul, a sociedade do crescimento apoia-se sobre uma estrutura de pecado.

Contrariamente à fórmula desventurada da encíclica Populorium progressio, o desenvolvimento não é o novo nome da paz, mas sim o da guerra, guerra pelo petróleo ou pelos recursos naturais em via de exaurimento. Na sociedade do crescimento, não haverá nunca mais nem paz nem justiça. Ao contrário, uma sociedade do decrescimento trará novamente ao seu próprio centro a paz e a justiça.

Não queremos cair na ilusão de uma mítica sociedade perfeita, em que o mal seria erradicado definitivamente, mas sim inventar uma sociedade dinâmica, que enfrenta as suas inevitáveis imperfeições e contradições, dando-se como horizonte o bem comum, ao invés da avidez desenfreada. A via do decrescimento não é uma religião nem uma antirreligião: é uma sabedoria.

Para os objetores do crescimento, a busca dessa via é um dever, mas não é um imperativo categórico de tipo kantiano, embora assumamos o imperativo kantiano assim como reformulado por Hans Jonas:

"Age de modo que os efeitos da tua ação sejam compatíveis com a permanência de uma vida autenticamente humana sobre a terra".


(Ecodebate, 03/03/2011) publicado pelo IHU On-line, parceiro estratégico do EcoDebate na socialização da informação.

quinta-feira, 3 de março de 2011

No Centro

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 Por Ely Britto
 “Não há entusiasmo ou ausência dele quando estamos no caminho - há apenas o caminhar.”

Assim acontece a alquimia interna taoista. Este texto é uma tentativa de fazê-los experimentar o centro de uma forma bem literal e prática.

Há dentro de nós um local seguro, onde nada pode nos atingir e de onde podemos administrar nosso destino e dele nos libertar. Livres da tensão dos opostos, da luta infinita entre o Mal e o Bem; entre o céu e a terra, o homem e a mulher, vida e morte, felicidade e infelicidade e entre o Yin e o Yang.  Todos sabem que este local é no centro, mas poucos conhecem a tecnologia do deslocamento de nossa consciência para este centro, também chamado do caminho do meio. Esta tecnologia (arte do fazer e do conhecer) é muito simples, mas, se torna complexa quando tentamos realizá-la sem o apoio de alguém que conhece seus segredos.

Como indivíduos civilizados trazemos em nossa alma uma cisão, uma separação entre estes pares de opostos que precisam ser unidos e integrados para que seja possível irmos ao centro e de lá gerirmos a qualidade de nossa vida. A construção deste centro requer um preparo da mente, uma descida da energia vital do homem, na direção de um ponto que se localiza atrás do Umbigo, um pouco mais na direção da coluna, perto do ponto de energia chamado Ming Men (Porta da vida - localizado entre a segunda e a terceira vertebra lombar). Vocês poderiam perguntar a esta altura; mas como um local determinado dentro do corpo pode realizar a grande união destes opostos?

Acontece que não há realmente uma verdadeira fronteira entre o que chamamos de corpo, mente e espirito. Estes 3 centros de nossa atividade consciente formam um só corpo, se diferenciando apenas em sua densidade energética. Um corpo contém o outro, e um, afeta o outro. Se somente nossa cabeça pensa, ali centramos nossa energia e ali ela fica bloqueada - até que nos ensinem como e o que precisamos fazer para esta energia fluir e descer, distribuindo seu potencial de vida por todo o ser. 

Carl Gustav Jung estudou este processo e o chamou de Individuação. Ele aconselha a unificar os opostos dentro de um centro chamado Si- Mesmo, onde a energia dispersa dos complexos, da persona e da sombra encontram um abrigo e conseguem assim transcender a tensão dos opostos.

Para atingir este estado de individuação ele se utiliza dos arquétipos, dos mitos que os personificam e de uma técnica chamada de imaginação criativa. Uma conversa com os espíritos, ou a forças dissidentes que se apossaram da psique consciente. O problema com esta prática é que o corpo também é abandonado a sua própria sorte, e a integração  acontece em um espaço virtual, imaginaria  sem a integração do corpo e de suas energias mais densas.

As práticas Hindus também procuram a transcendência destes opostos elevando a alma para um patamar acima, fora da terra para que ali ela se liberte da tensão destes opostos dentro do vazio. Mas neste processo o pobre corpo é sacrificado e a morte prematura da maioria dos gurus indianos nos demonstra que embora esta união parcialmente se processe, o preço é a perda da vida e as doenças do corpo físico. Ele é abandonado a sua própria sorte, à morte e às doenças.

O I Ching e suas consultas também - nos levam a uma atitude interna menos conflitante, nos ensinando devagar e muito demoradamente a irmos suavemente em direção a este centro - mas também abandona o corpo à própria sorte. 

Desde os meus 20 anos tenho percorrido estradas espirituais em busca de um instrumento eficiente e realmente integrador, que nada sacrifique e que tenha uma verdadeira tecnologia de integração. Encontrei este processo nas práticas milenares da alquimia interna chinesa. Depois de 12 anos de dedicação e prática deste sistema, aprendi que em verdade tudo é muito simples e poderia ser ensinado em apenas alguns minutos se o aluno conseguisse abandonar suas opiniões a respeito de tudo, e permitisse que a energia trabalhasse por ele e realizasse esta integração. O treinamento para levar as pessoas a este centro atrás do umbigo é necessário e demora, exatamente porque colocamos condições demais para que este centro opere dentro de nós. Exigimos coisas, julgamos, colocamos empecilhos, duvidamos - ou seja - queremos que nossa mente se aposse do processo, do controle e nos prove como ele é possível.

Mas esta atitude só nos distancia deste centro e deste controle sem controle. Na verdade a única coisa que precisamos para operar e gerir nossa vida á partir do centro é nos desapegar de nossas opiniões.

Temos que observar como nosso ditador interno nos explora e engana, anotar e localizar o espaço interno onde ele mantém o seu poder de controle, renunciar a este controle e deixar a vida ser. Quando isto acontece, uma mudança mágica ocorre sem nenhum esforço consciente de nossa parte. Algo desce e se aloja ali, no centro de nosso corpo, e se torna transparente e vazio - permitindo que nada resista, nada interfira no processo glorioso que é a vida e sua diversidade essencialmente unificada.

O corpo de torna saudável e leve, a coluna respira e ondeia acompanhando cada movimento de nossa respiração. O caminho do meio se abre e compreendemos o seu "Momentum" único e eterno. 

Querem fazer uma experiência com o centro?

Seguem aqui as orientações, se estiver pronto saberá que aconteceu, se não estiver tente praticar esta formula, até conseguir que o seu "olhar" - olhe tudo através deste centro.

1. - Procure localizar de onde você está pensando. Observe dentro do cérebro de que local surgem seus pensamentos; de dentro ou acima de sua cabeça? - e de qual lado; do direito ou do esquerdo?

2. - Assim que tiver localizado qual o lado da cabeça e em que altura seus pensamentos acontecem, vire seus olhos para um local atrás do umbigo. (Á uns 3 dedos de distancia da segunda vértebra lombar.

3. - Leve todos os seus sentidos para este local e respire ali; escute este local, olhe para lá, sinta sua temperatura, saboreie a sensação doce que pressente estar vindo dali, sinta que dali vem um aroma suave e limpo, inspire e expire desse local.

4. - Mergulhe literalmente sua consciência neste local e de lá observe o mundo a sua volta, responda a este mundo dali. E...nunca mais se afaste deste centro.

 Observação:
várias vezes ao dia cheque sua atenção e sua respiração- observe onde ela se encontra - localize este onde - e depois  traga essa atenção e essa respiração para este centro quantas vezes você a encontrar perdida em algum espaço que não seja ai - no centro. Sempre que sentir ou pensar coisas, retire sua energia destes sentimentos e pensamentos - volte-se para o centro e deixe que eles (sentimentos e pensamentos ) se dissolvam no nada. Respire sempre á partir desse centro. É muito importante não querer tentar resolver estes pensamentos e sentimentos - é importante deixá-los passar como um rio.

Boa sorte!

Tel. 35 - 9141 7383