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quinta-feira, 14 de março de 2013

O monge e o executivo: entendendo o conteúdo, a essência e alguns equívocos

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Como disse outro dia em sala de aula, não li o livro, embora o tenha, mas sempre fico desconfiado quando muita gente idolatra alguma coisa, e depois de tantas resenhas, em sua maioria colocando-o como a "cocada preta" dos livros de gestão da atualidade, afinal Nelson Rodrigues já disse que toda unanimidade é burra. Sempre desconfie dessa unanimidade. Eis que surge mais uma voz, e é uma segunda voz, já que recentemente li outro artigo refutando os preceitos deste livro.

Sigamos sempre uma das leis de Descartes, não assuma nada como verdadeiro até se obter provas absolutamente irrefutáveis.

Aproveitem esta análise.

Quem perde a consciência crítica não verifica, não testa, não indaga, não duvida. E, assim, acaba não percebendo algo inacreditável

José Augusto, 11 de março de 2013

Atendendo a pedidos, vou tratar do conteúdo e da essência do livro O Monge e o Executivo. Mas, para começar, é preciso ficar claro o seguinte: uma coisa é ler e gostar do livro. Pode-se gostar de O Monge e o Executivo, assim como se gosta de Harry Potter, O Senhor dos Anéis, e muitos outros livros, inclusive, os de autoajuda como O Segredo. Outra coisa, muito diferente, é acreditar que O Monge e o Executivo aborda o tema liderança com profundidade, e não de forma superficial e com muitos lugares-comuns. Assim, a grande questão é saber qual a verdadeira natureza do livro. Se, de fato, é sobre a essência da liderança, ou se é um livro de ficção ou de autoajuda. Ou até mesmo sobre vendas: O que fazer quando se quer vender uma ideia, não importa qual seja. No caso, a de que "a essência da liderança está no líder servidor".
No primeiro capítulo do livro, "As Definições", o personagem John Daily, assim que chega ao mosteiro, pesquisa na internet sobre Leonard Hoffman, que no mosteiro tinha o nome de irmão Simeão. E constata que havia mais de mil itens sobre Leonard Hoffman, que havia sido um executivo brilhante e admirado.  Até na revista Fortune havia um artigo tecendo loas e proas sobre ele. E tem mais: Leonard, ou Len, Hoffman escreveu um livro chamado "The Great Paradox: To Lead You Must Serve" ("O Grande Paradoxo: Para Liderar Você Deve Servir"), que permaneceu entre os cinquenta mais vendidos do New York Times durante três anos e por mais cinco na lista dos dez mais vendidos do USA Today". Por fim, Len Hoffman foi responsável pela ressurreição de uma empresa gigante do setor aéreo, a Southeast Air, que vinha de um prejuízo de um bilhão e meio de dólares nos cinco anos anteriores à gestão de Hoffman como presidente.

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O monge e o executivo: um guia para quem quiser ser líder no mosteiro
E qual é o motivo de toda esta louvação a Leonard Hoffman? É para você ficar encantado com ele, assim como John Daily ficou. E qual é a consequência de se ficar encantado? É que se perde a consciência crítica e assim a nossa percepção e interpretação ficam muito prejudicadas. E uma coisa que os negociadores competentes sabem é que negociador encantado acaba virando sapo. Em suma, é um livro para mexer com a emoção. Começa com o mundo quase em chamas de John Daily e chega ao final com as suas lágrimas de felicidade. 

A consciência crítica: algumas observações e indagações fundamentais
Quem perde a consciência crítica não verifica, não testa, não indaga, não duvida. E, assim, acaba não percebendo algo inacreditável. Logo no início do primeiro capítulo do livro, "As Definições", existe uma citação de Margaret Thatcher. E se você desligou a consciência crítica, não vai se perguntar quem foi ela. Margareth Thatcher, também conhecida como a Dama de Ferro, foi primeira-ministra da Grã-Bretanha. Era considerada a líder mais enérgica da ala direita do Partido Conservador e de uma dureza implacável e sem a menor contemplação com seus opositores. Em suma, o exemplo real da negação e do oposto de tudo o que prega e recomenda o livro O Monge e o Executivo. 

Um dos episódios mais marcantes da sua gestão foi a grande greve do forte sindicato dos mineiros de carvão, no período 1984-85. Thatcher foi de uma dureza extrema criando leis que enfraqueceram o movimento sindical e reprimindo os grevistas com um forte esquema policial e uma grande violência, inclusive, usando e disseminando informações falsas na imprensa e utilizando agentes duplos infiltrados no sindicato. Em março de 1985, os trabalhadores, que cruzaram os braços por um ano, tiveram que voltar ao trabalho, completamente derrotados, sem que Thatcher, cedesse um centímetro em suas posições.
Só para lembrar mais ainda: Margareth Thatcher também era a primeira-ministra quando a Argentina invadiu as Ilhas Malvinas em 1982. A Grã-Bretanha reagiu prontamente à invasão, enviando às Malvinas uma força-tarefa com 28 mil combatentes - quase três vezes o tamanho das tropas argentinas, a quem impôs uma grande derrota.
  
Portanto, Thatcher podia ser tudo, menos uma líder servidora. Muito estranho este livro que cita como referência de apoio, e logo no início do capitulo um, alguém que era o exemplo vivo da negação de tudo o que prega e recomenda a seguir. E se você não percebeu este ponto, quantas outras coisas você pode não ter percebido?
Assim, quando li o livro, fiz com bastante cuidado, buscando um melhor entendimento. Analise esta afirmação: "Se o líder gritar ou perder o controle, podem estar certos de que o time também perderá o controle e tenderá a agir de forma irresponsável". Se esta frase fosse verdadeira, Bernardinho não poderia ser um treinador com medalha de ouro em Olimpíadas e um dos treinadores mais vitoriosos do vôlei mundial.

E um outro exemplo: o livro diz que a fábrica da Western Electric, em que houve um estudo clássico do australiano Elton Mayo, se situava em New Jersey. Hawthorne, na realidade, ficava em Chicago.

E ai me veio a pergunta: será que James C. Hunter é inglês e o livro é de um fino humor britânico em relação a tudo quanto é livro de autoajuda? Não, Hunter nasceu em Detroit - Michigan. E onde ficava o mosteiro beneditino? Em Michigan. Assim parece que o irmão Simeão era o próprio Hunter.

Segundo o livro, John Daily se formou em Administração de Empresas pela Universidade de Valparaíso. E a conclusão que se tira é que: ou John Daily foi um péssimo estudante e não merecia o diploma, ou esta escola de administração é muito fraquinha. Isto porque, ele desconhecia conceitos básicos de liderança, negociação com base em solução de problemas, administração de conflitos, motivação, dinâmica de grupo e comunicação. Ou seja, ele nunca tinha ouvido falar em comportamento organizacional. Assim, existem conceitos de liderança bem mais evoluídos dos que são apresentados pelo irmão Simeão como, por exemplo, a liderança situacional e o caminho-meta de House e Evans. E também de motivação, como a teoria da expectativa de Vroom. Isto sem considerar o modelo de organização como sistema sócio-técnico, desenvolvido pelo Tavistock Institute de Londres pelos anos de 1960.

Além disto, não conhecia nada sobre coaching. Só para lembrar: aquilo que muitos consideram o primeiro livro sobre o assunto, The Inner Game of Tennis, de Tim Gallwey, foi publicado em 1974. Assim, não resta a menor dúvida de que tem algo de muito estranho no Reino da Dinamarca e nesta história. Em suma, esta escola de administração me fez lembrar um artigo do Wagner Siqueira: "A pedagogia da planilha". Só para lembrar: Wagner é o atual Presidente do CRA/RJ - Conselho Regional de Administração do Estado do Rio de Janeiro.

Mais ainda: tente fazer uma pesquisa na internet para verificar se existe algum fundo de verdade no personagem Len Hoffman. Tente, por exemplo comprar o livro The Great Paradox: To Lead You Must Serve" ("O Grande Paradoxo: Para Liderar Você Deve Servir"). E também procure verificar se existe algum mosteiro beneditino em Michigan, conforme o descrito. Portanto, O Monge e o Executivo é um livro de ficção que quer fazer de conta que acontece no mundo real.

Mas mesmo um livro de ficção pode apresentar conceitos úteis. Assim sendo, vamos analisar e procurar verificar se alguns dos principais conceitos do livro são consistentes e úteis.

A definição de liderança 
De acordo com O Monge e o Executivo, "Liderança é a habilidade de influenciar pessoas para trabalharem entusiasticamente visando atingir objetivos identificados como sendo para o bem comum". E as fábricas de armas, os cassinos e a máfia como é que ficam? E os agrotóxicos? E outras indústrias cujos produtos acabam prejudicando a saúde das pessoas? Elas também precisam e tem líderes para funcionarem. Logo, esta definição não é universal, ou seja, não se aplica a todas as organizações. O fato é que o mundo das organizações é imenso. Para começar, as empresas ou organizações, podem ser com fins ou sem fins lucrativos. Podem estar nos setores agrícola, mineração, indústria ou serviços. Podem ser organizações de caridade ou criminosas. De empregados ou de voluntários. Podem ser ONGs, OSCIPs ou BOPE do Capitão Nascimento de Tropa de Elite. E não importa qual o tipo de organização, elas precisam de lideres para dar direção e sentido. E a pergunta é: o que diria o Capitão Nascimento se alguém viesse lhe propor que adotasse o estilo de liderança do líder servidor? É lógico que mandava fazer duzentas ou mais flexões até pedir para sair.

Assim, líder servidor só se for dos objetivos organizacionais e para fazer a organização crescer. E na pior das hipóteses sobreviver. Uma pesquisa revelou que um terço das empresas que um dia figuraram na lista das 500 mais da revista Fortune deixou de existir.
Que o líder deve exercer influência está fora de dúvida.  Mas vejam o que diz John Kotter no seu livro: Afinal o que fazem os líderes? "Quando essa influência (dos líderes) aponta na direção errada, ou não aponta em nenhuma direção, apesar das mudanças aceleradas, ou indica uma trajetória razoável, mas a uma velocidade inadequada, às consequências podem ser trágicas".

Quando se pensa em influência, é importante tratar da questão do poder.

A questão do poder
Quando James Hunter, ou o irmão Simeão, fala de influência, cita um livro do alemão Max Weber, um dos pais da sociologia e da ciência política. O livro, que foi publicado em 1922, dois anos após sua morte, tinha como foco o estudo da burocracia, que Weber acreditava ser superior a qualquer outro tipo de desenho organizacional. Portanto, o foco não era a liderança. 

Weber define poder como o potencial que alguém tem de ter sua vontade executada, sem enfrentar resistências ou, em circunstâncias extremas, como a capacidade de forçar as pessoas a obedecerem. Quanto à autoridade, para Weber, existem três tipos: carismática, tradicional e racional-legal. Os detentores da autoridade carismática são seguidos devido à fé de seus seguidores em suas notáveis qualidades. A tradicional está associada a líderes que têm autoridade herdada. Seja dos pais, dos costumes ou de precedentes. Já a racional-legal está associada à posição, cargo e funções do líder. Esse tipo de autoridade é exercido em organizações que Weber denominava por burocráticas, que também afirmava ser a forma mais eficiente de organização pois, segundo ele, o trabalho é conduzido com precisão, conhecimento, continuidade, unidade, subordinação e redução do atrito.

E a pergunta é: o que isto pode ter de semelhança com a diferença entre poder e autoridade proposta por James Hunter no seu livro? Nada. Hunter apenas se apropriou de um tema que usa as mesmas palavras, mas utilizadas em outro contexto e com significados distintos. E para completar, diz que: "essas definições ainda são amplamente usadas hoje". Será mesmo? Ou Hunter utilizou Max Weber da mesma forma que já havia utilizado Margaret Thatcher, isto é, de forma equivocada?

Assim, o que deve ser observado é que de 1922 para cá, o que já se publicou de livros de administração e de psicologia, comportamento e desenvolvimento organizacional é imenso e Weber é apenas citado quando se fala de estrutura organizacional e burocracia. Mas quando se fala de liderança, o nome de Weber desaparece. Portanto, essas definições não são "amplamente usadas hoje". Existem outras bem mais utilizadas como as de J. R. French e B. Raven, que são de 1958. Assim, é inacreditável que alguém que fale contra a manipulação tenha uma frase destas. E isto sem considerar a citação de Margaret Thatcher.

Mas uma coisa é certa: a liderança importa em influência, mas apresentar esta influência sob a forma ou de poder ou de autoridade, é de um simplismo e de uma superficialidade comoventes. O que é certo é que a influência se dá através da utilização das fontes de poder. Existem muitas fontes de poder e o que está no livro de Hunter como sendo poder é apenas uma fonte de poder, o poder de punir. Mas só no livro de Herb Cohen, Você Pode Negociar Qualquer Coisa, existem 13 fontes de poder. E no meu livro Negociação Total, este tema é tratado tendo por base as estratégias e táticas de informação, tempo e poder.

Assim, não importa se alguém estiver liderando uma organização do primeiro, segundo ou terceiro setor, é preciso que conheça e diagnostique o contexto para saber que fontes de poder e táticas utilizar. E se o que o líder estiver fazendo não der resultado é preciso mudar. Mas para isto é preciso ter repertório.  Um líder sem repertório, facilmente acaba ficando de mãos e pés amarrados e reclamando da vida: "Oh! Como é difícil o terceiro setor".

De qualquer forma, não importa qual seja a fonte de poder que um líder utilizar, deve ficar claro que na era do trabalhador do conhecimento, mais do que nunca, respeito é fundamental. E se você quiser saber se há ou não respeito na sua empresa, veja como são as reuniões. O resto é discurso. Assim, pessoas que falam de respeito, ficam de conversas paralelas ou usando o celular, chegam atrasadas ou tem outras formas de comportamentos destrutivos. Portanto, diga-me como são as reuniões na sua empresa e eu lhe direi em que empresa você trabalha.

A organização: veja como Hunter se engana e acaba enganando o leitor 
Hunter apresenta uma pirâmide organizacional como sendo o velho paradigma. Mas na realidade, a forma como está apresentada é a de um paradigma equivocado e de um general perdedor, e se Napoleão Bonaparte a tivesse usado teria perdido todas as batalhas. É que Napoleão conhecia o livro de Sun Tzu, A Arte da Guerra, escrito no século IV a. C. "Se você conhece o inimigo e a si próprio, não é preciso temer nenhuma batalha; se você conhece a si mas não conhece o inimigo, para cada vitória haverá uma derrota; se você não conhece nem a si nem o inimigo, você irá sucumbir em todas as batalhas".

Assim, Sun Tzu recomendava conhecer a si mesmo e ao inimigo . Mas também recomendava que era importante conhecer o terreno. O fato é que Napoleão procurava conhecer o inimigo, melhor do que o inimigo conhecia a si mesmo. Isto quer dizer que todos devem ter contato e conhecer o inimigo, mas cada um de acordo com a função que exerce. E na pirâmide de Hunter, só quem está em contato com o inimigo são os soldados ou a tropa. Sorte de Napoleão ter lido Sun Tzu e não O Monge e o Executivo. Teria perdido logo de saída. De qualquer maneira, o melhor soldado do mundo, diante de uma estratégia equivocada do general, será aprisionado ou morto.

Numa empresa eficiente e voltada para o cliente, é a mesma coisa. Todos estão em contato com os clientes, mas cada um ao seu próprio nível. Assim, o presidente ou o alto comando da empresa, vão entrar em contato com o presidente ou o alto comando da outra empresa. Parece que Hunter nunca ouviu falar sobre almoços e jantares de negócios. Ou sobre as partidas de golfe jogadas entre os presidentes e altos estafes. Portanto, nem a pirâmide organizacional Hunter entendeu direito. Ou se entendeu, fez uma distorção grosseria para dar sustentação à sua história. A pirâmide, que representa o mundo organizacional, está inserida num contexto em que os clientes não estão somente na base da pirâmide, mas em todo lado externo. E mais ainda, o que está fora da pirâmide organizacional, ou seja, fora da empresa, não são só os clientes mas também os fornecedores, instituições de tecnologia, o governo, os concorrentes e todos os atores que, de uma forma ou outra, influenciam ou são influenciados pelo mundo organizacional.

Assim, o que deve ser entendido é que não adianta uma empresa ter um clima organizacional maravilhoso, com um ótimo relacionamento entre as pessoas, e ser detonada pela concorrência, como foi o caso da Lotus, que acabou sendo vítima de uma aquisição agressiva feita pela IBM. Há uns tempos atrás, o Lotus 1-2-3 era sinônimo de planilha e o que aconteceu foi que Bill Gates detonou com o Lotus 1-2-3. Hoje o Excel é que é sinônimo de planilha.

E mais: a pirâmide é rígida e não mostra a dinâmica do relacionamento entre as partes. Nas empresas, por exemplo, existe a liderança por circulação e a política de portas abertas. E os verdadeiros líderes, não importa o nível organizacional, não só entram em contato com os clientes, mas também procuram verificar como todos na empresa estão entrando em contato e atendendo os clientes. Assim, proporcionam treinamento, dão autoridade a quem deve ter e aperfeiçoam as estruturas e os sistemas internos, para que os clientes sejam atendidos com velocidade e qualidade, e que, entre outras coisas, não tenham que ficar ouvindo uma musiquinha insuportável por horas quando ligam para a empresa.

E o que Hunter fez no seu livro? Hunter utilizou um paradigma errado, de uma empresa não voltada para o cliente, inverteu e criou um novo paradigma errado, de uma outra empresa não voltada para o cliente. Assim, no modelo de Hunter, só os associados (empregados) então em contato com os clientes. Parece que Hunter não leu Sun Tzu, nem teoria geral dos sistemas e nem cibernética. E seu leu, Hunter criou um mundo de ficção para dar vida aos seus personagens. Uma história bem contada, é verdade, mas que não tem nada a ver com a essência da liderança. E uma empresa que usar como modelo a pirâmide organizacional invertida, considerando que só quem trata com os clientes é quem está na base da pirâmide, não é uma organização voltada para o cliente. Além disto, não considera todos os atores envolvidos no meio ambiente externo e, com certeza, está pedindo para sair.

Assim sendo, O Monge e o Executivo é um livro de ficção que quer fazer crer que trata da realidade objetiva e da essência da liderança. Mas como o livro aborda outros aspectos, vamos a eles.

O Monge e o Executivo sob a ótica do relacionamento interpessoal, desenvolvimento pessoal e da autoajuda
Não resta a menor dúvida de que relacionamento é um dos parâmetros extremamente importantes da liderança. E qual é a base do relacionamento? O diálogo. E não tenho registro de ter lido a palavra diálogo nenhuma vez no livro. E o irmão Simeão diz que: "ouvir é uma das habilidades mais importantes que um líder pode escolher desenvolver". Isto é pouco, porque não adianta ouvir se não compreender. Assim, uma pessoa pode repetir palavra por palavra o que outro disse, mas ter compreendido tudo errado. E para dialogar é preciso entender de comunicação. E como a comunicação é tratada no livro?  De uma forma muito superficial. A palavra comunicação aparece umas duas ou três vezes.

E para entender de comunicação, é preciso entender de linguagem, pois linguagem cria realidade. É preciso entender o poder da linguagem no pensamento e na ação. Você pode dizer que o líder deve fazer sacrifício ou dizer que deve pagar um preço, dentro de uma relação benefício/custo. É preciso entender que as palavras despertam emoção. Quem não entender disto pode ser manipulado facilmente, com palavras e metáforas. É um tema amplo, complexo e extremamente importante. E não é uma questão de vontade, mas de competência.

Mas vejamos algo extremamente importante sobre a vontade, que quando o livro apresenta o seu Modelo de Liderança, sob a forma de um triângulo invertido, está no vértice inferior e é apresentada como a base de tudo. Então vejamos. Na Copa do Mundo de futebol de 2006, Zinedine Zidane era o líder do time francês. Ele tinha vontade, autoridade e competência, mas mesmo assim fracassou. Por que? Porque entrou num estado mental e emocional fraco de recursos. E toda vez que alguém entra num estado mental e emocional fraco de recursos, vai fracassar. E este ponto tão importante não é abordado no livro, ou seja, se você tiver vontade, mas entrar em estado mental e emocional fraco de recursos, a sua vontade vai para o espaço como, por exemplo, no caso de uma fobia. E mais, vejamos o que diz R.N. Shrout no seu livro Hipnose Científica Moderna, "Em qualquer batalha entre a imaginação e a vontade, a imaginação invariavelmente vence, a despeito do protesto da maioria das pessoas". Este assunto é bem mais complexo do que a maneira superficial com que é apresentado no livro. E também vai depender, entre outros, da compreensão do que sejam crenças fragilizadoras e aquilo que Albert Ellis chamava de crenças irracionais.

O livro também fala de escolhas e não resta a menor dúvida de que tudo o que somos é resultado de nossas escolhas. Mas só que não mostra as dificuldades e nem diz que toda escolha é uma escolha entre alternativas, e que a sua escolha é tão boa quanto a melhor alternativa que você conseguiu encontrar ou criar. E também não trata da relação benefício/custo de cada alternativa, bem como da importância dos critérios de decisão. E se você não souber sobre isto, entre outras coisas, suas escolhas podem ser profundamente equivocadas sem que você se dê conta. Uma pesquisa feita por Paul Nutt, professor da Ohio State University, considerando as decisões tomadas por executivos e gerentes de 365 empresas num período de 19 anos, constatou que mais de 50% de todas as decisões fracassaram. Assim, saber escolher e implementar as escolhas é outra completamente diferente. Além do que, no livro não tem nada sobre as palavras assassinas internalizadas.
Muitas outras coisas poderiam ser ditas. Mas o que já foi escrito já permite compreender a essência, a profundidade e o acerto com que temas importantes são tratados no O Monge e o Executivo.

Para concluir
Se alguém fizer uma tese de mestrado sobre liderança e colocar na bibliografia O Monge e o Executivo, se a banca for rigorosa, corre o sério risco de ser reprovado. Se você ler como um livro de relacionamento interpessoal, desenvolvimento pessoal e de autoajuda, é um livro superficial e que até pode induzir a equívocos.  Existe muita coisa melhor no mercado. Mas se você ler como um livro de vendas a história é outra. Não resta a menor sombra de dúvidas de que James C. Hunter é um excelente vendedor e o título do livro deveria ser: "Como vender a ideia de que o líder servidor representa a essência da liderança". E se você descobrir como foi feito, você vai aprender a vender qualquer coisa. E neste sentido, cabe lembrar que os líderes também devem ser ótimos vendedores.

Nota Final: Você pode encontrar mais nos meus artigos sobre Foco, Compras e Palavras Assassinas Internalizadas.

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Não a melhor do mundo, mas sim a melhor para o mundo

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Sociedade
13/3/2013 - 09h40

por Ricardo Abramovay*
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Foto: Reprodução/Internet

As mais importantes certificações socioambientais existentes até hoje concentram-se em produtos ou em procedimentos produtivos. No caso do Forest Stewardship Council (o FSC, bastante conhecido no Brasil), por exemplo, o que se assegura é que a madeira ou a celulose foram produzidas em condições que não ferem o meio ambiente e respeitam a dignidade dos trabalhadores do setor.

Um selo orgânico garante que não foram usados fertilizantes químicos ou agrotóxicos no cultivo dos produtos. O "fair trade" (comércio justo) assegura boas condições de trabalho e termos de troca que, mais do que reflexos da oferta e da demanda, embutem a preocupação explícita de que uma parte significativa dos lucros da cadeia em questão vá aos que se encontram na base de sua pirâmide social.

Além destes selos, existem também organizações globais (como o Global Reporting Initiative), que auxiliam as empresas a elaborar relatórios voluntários pelos quais seus acionistas e os principais atores que com elas se relacionam possam conhecer seu desempenho socioambiental. É um fascinante processo evolutivo que já se encontra em sua quarta geração e que inclui um exame cada vez mais aprofundado de diferentes dimensões da atividade das empresas que dele participam.

Nenhuma dessas iniciativas, entretanto, tem objetivo tão ambicioso como o daquela que se formou nos Estados Unidos em 2006 e que hoje existe em 24 países, abrangendo 60 setores econômicos e mais de 700 empresas: Benefit Corporation é um movimento empresarial que se define explicitamente pela missão de usar o poder dos negócios para resolver problemas socioambientais. Esse movimento ganhou tal força que acabou por gerar uma legislação específica que prevê direitos e obrigações para empresas que assumam os compromissos de uma Benefit Corporation.

Não se trata apenas de atestar a qualidade de um produto ou de um processo produtivo, o que, sem dúvida é muito importante. Tampouco se trata de relatar os avanços graduais feitos por grandes organizações no que refere à emissão de gases de efeito estufa ou ao uso de água. O que marca o sistema Benefit Corporation não é, tampouco, algum atributo técnico ou científico que tenha revolucionado os próprios parâmetros de avaliação do comportamento empresarial.

O segredo da Benefit Corporation é que, embora se trate de um compromisso voluntário, uma vez assumido, ele passa a ter força legal, como explica Maria Emilia Corra, empresária chilena, neste vídeo em espanhol. A empresa se compromete a ser avaliada por um corpo independente que verifica se, de fato, ela tem um impacto material e significativo naquilo que se propõe a fazer. E este compromisso torna-se uma obrigação jurídica.

Se, por exemplo, a empresa Benefit Corporation passar por uma situação difícil em que ela queira adiar o cumprimento de seus compromissos socioambientais para preservar sua rentabilidade, sua direção pode ser processada e punida formalmente por descumprimento de cláusulas contratuais tão poderosas quanto a própria geração de lucros.

O Chile já está discutindo uma legislação em que esse tipo de empresa possa enquadrar-se. E certamente essa discussão também terá lugar no Brasil, onde já existe aquilo que nos países de língua espanhola vem sendo chamado de "empresas B". A que está agora articulando a montagem do sistema no Brasil é o CDI, empresa voltada para a inclusão digital e cujo site vale a pena ser visitado.

Guayaki, por exemplo, é uma empresa que atua no mercado norte-americano de refrigerantes e que tem como objetivo não apenas remunerar os acionistas, sem provocar destruição ou respeitando as leis, mas, mais que isso, regenerar a Mata Atlântica e valorizar o trabalho dos agricultores que cultivam a erva-mate. Seu site mostra o avanço já obtido nessas duas direções. Uma empresa chilena de construção fez da reinserção social de presidiários comuns uma das bases de sua atuação, com resultados impressionantes.

O mecanismo lembra a iniciativa do navegador mitológico Ulisses que, ávido para escutar o canto das sereias, mas sabedor de que tal melodia, fatalmente, atraía o ouvinte para o fundo do mar, cria um ardiloso artifício: tapa o ouvido de todos os membros da tripulação e amarra-se a um mastro do navio. Assim pode deleitar-se com o que ouve e, ao mesmo tempo, quando implora desesperado a seus companheiros que o deixem partir, seduzido pelo som encantador das sereias, estes não têm como cumprir suas ordens.

Ao se tornar uma Benefit Corporation, a empresa faz mais do que certificar um aspecto de suas atividades ou relatar o quanto evoluiu em suas práticas: ela assume um compromisso com parâmetros de desempenho que envolvem sua governança e sua transparência, a relação com seus empregados, com fornecedores, com clientes, com entidades beneficientes, com o território em que se situam, além de uma série de parâmetros ambientais. O importante é que a decisão de adotar esses compromissos com força legal acaba por nortear o próprio processo de inovação da empresa em direção a práticas socioambientalmente sustentáveis.

Nos Estados Unidos, em que as leis referentes à relação entre empresas e acionistas são estaduais, 11 Estados já possuem legislação prevendo esta forma de organização empresarial e espera-se que, ainda neste semestre, Delaware (onde se concentra grande número de corporações norte-americanas) também passe a permitir este tipo de firma
Um novo modelo de organização empresarial está surgindo e seu lema é muito emblemático: não se trata de ser a melhor do mundo, mas de ser a melhor para o mundo. Isso significa algo decisivo para o empreendedorismo que é uma redefinição do próprio sentido do êxito nas sociedades e nas economias contemporâneas.

Quando as empresas B se difundirem largamente, a separação entre empreendedorismo social e empreendedorismo privado vai soar como o resquício de uma era em que ainda havia hostilidade entre o mundo da economia e as aspirações da sociedade.

* Ricardo Abramovay é professor titular da FEA e do IRI-USP, pesquisador do CNPq e da Fapesp, e autor deMuito Além da Economia Verde, lançado na Rio+20 pela Editora Planeta Sustentável.

** Publicado originalmente no site Prêmio Empreendedor Social/Folha de S.Paulo.
(Prêmio Empreendedor Social/Folha de S.Paulo)

Modelos de negócios: por que os administradores estão tão atrasados?

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Não ache que o que você aprenderá na faculdade ou na pós-graduação será o suficiente, pois não é

Diego Andreasi, 13 de março de 2013

Shutterstock
Acabei de terminar e leitura do Best Seller Business Model Generation: inovação em modelos de negócios, escrito por Alex Osterwalder, Yves Pigneur e mais 470 coautores que trabalharam de maneira colaborativa via internet. Tal obra descreve o modelo Canvas (clique aqui para ler um resumo completo sobre esse modelo), um dos mais famosos e comentados ultimamente, isso dentro das comunidades de negócios é claro, porque garanto que nem 10% dos alunos de administração e MBA ouviram falar de tal obra em suas salas de aula, fato esse que comento adiante.

O livro por si só é sensacional, faz jus a fama que tem. Seu design é lindo e muito bem organizado, dentre os seus detalhes, seu formato retangular, seus capítulos separados por cores e suas fotos, fontes e desenhos dão a essa obra um valor único. Nele não há miséria de cores e nem de fotos em sua impressão, algo comumente visto em 90% como dos livros de negócios que existem no mercado, ansiosos por uma economia de custos.

Entretanto, apesar de toda sua fama e utilidade, já demonstrada por meio de inúmeros depoimentos e cursos existentes, tal método ainda é desconhecido por boa parte dos recém-formados na área de negócios, tantos os de graduação quanto os de pós-graduação. Mas por que esse atraso?

"O maior obstáculo para a inovação de Modelos de Negócios está nas pessoas que resistem a qualquer mudança até que um problema surja e precise ser corrigido"
Em minha visão, há duas prováveis opções:
1 - Os professores estão poupando seus alunos, pois entendem que os mesmos ainda não estão preparados para aprender algo novo e complexo, fato até que compreensível para alunos de graduação, mas inadmissível para alunos de pós-graduação.

2 - Os professores pararam no tempo, limitando-se a ensinar modelos aprendidos há décadas atrás, como o Modelo das 5 forças de Porter ou a Matriz BCG, o que é pouco, muito pouco mesmo, para preparar nossos futuros administradores para esse mercado dinâmico, ágil e competitivo de hoje.

Digo isso porque acabo de terminar meu MBA em Marketing, que foi aprovado com o selo "TOP MBA's" da revista Você S/A, tendo aula com doutores da FGV e ESPM e asseguro que em nenhum momento foi abordado qualquer comentário sobre o livro, mesmo este tendo sido escrito originalmente em 2010, com tradução para o português em 2011.
"O maior obstáculo para a inovação de Modelo de Negócios não é a tecnologia: somos nós, humanos e instituições nas quais vivemos"
É por isso que afirmo que nesses 2 anos de MBA aprendi muito mais lendo livros, blogs e portais de notícias do que propriamente dentro da sala de aula. Dela só aproveitei mesmo as amizades, 95% do que foi me ensinado lá eu não poderia aprender por conta própria, é claro que demandaria muito mais esforço, mas aprenderia.

Para quem está lendo este texto, fica o aviso. Não ache que o que você aprenderá na faculdade ou na pós-graduação será o suficiente, pois não é. Está mais do que provado que na área de negócios os alunos já se formam com o conteúdo defasado, ficando por sua conta atualizar-se perante as novidades do mercado.

Finalizo o texto com uma frase, que na visão do autor, melhor descreve o porquê desse modelo de negócios ainda não ser estar sendo adotado por grande maioria das empresas:
"As companhias mais bem-sucedidas frequentemente ficam cegas pelo "é assim que as coisas são feitas aqui" ou pelo "se não estiver quebrado, não conserte", e não enxergam o surgimento de Modelos de Negócios Inovadores".
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Post originalmente publicado em: www.jovemadministrador.com.br

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segunda-feira, 11 de março de 2013

Roube essa ideia

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Um velho ditado diz que se eu tenho uma maçã e te dou a maçã, você sai andando com uma maçã e eu fico sem nada. Se você tem uma ideia e a "dá" para mim, nós dois saímos com uma ideia

Fábio Zugman, 7 de março de 2013

O Oscar de melhor diretor para o filme "A Vida de Pi" me fez pensar em um velho tema quando falamos de inovação. Aparentemente, o autor do livro em que o filme é baseado roubou a ideia do escritor brasileiro Moacyr Scliar. Após uma resposta mal educada dizendo que sequer tinha lido o autor e referindo-se ao brasileiro como um "escritor menor", Yann Martel, autor de A Vida de Pi fez um agradinho citando o brasileiro no prefácio de seu livro.

O filme continua sendo um trabalho fantástico. Uma boa história nas mãos de um brilhante diretor. A discussão sobre a cópia do texto, apesar de mexer com nossos brios nacionalistas, diminui o autor pela sua reação, mas não diminui a obra.

Acusações de roubo de ideias são tão antigas quanto a história das ideias em si. Há brigas famosas, como a de Isac Newton com Leibniz sobre quem teria inventado o cálculo. Outras mais próximas de nós, como a eterna ofensa dos brasileiros quando lembram que em outros lugares do mundo Santos Dummont não é considerado o "pai" da aviação.

No mundo acadêmico, a preocupação com cópias (os chamados plágios) virou algo quase que obrigatória, com instituições investindo em sistemas e treinamentos de professores para pegar alunos "roubando" conteúdo da Internet.

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Imagem: Shutterstock

E então eu lembro do velho ditado que diz que se eu tenho uma maçã e te dou a maçã, você sai andando com uma maçã e eu fico sem nada. Se você tem uma ideia e "dá" ela para mim, nós dois saímos com uma ideia.


Talvez, ao invés de perguntar se Scliar foi realmente plagiado em "As Aventuras de Pi", seja melhor perguntar por que, em um país tão grande e populoso, tão poucos autores atingem público internacional suficiente para serem copiados. Por que, se Santos Dummont é o pai da aviação, menos de um século depois eram os Russos e Norte Americanos que se lançavam à corrida espacial lançando satélites e colocando pessoas na Lua. Perguntar não se Newton ou Leibniz inventaram o cálculo, mas como ao longo da história algumas pessoas parecem ser altamente produtivas, enquanto a maioria de nós desaparece sem merecer uma nota de rodapé nos livros de história? Leibniz, afinal, era um grande matemático sem precisar inventar o cálculo. Newton, além de ser considerado um dos maiores cientistas que o mundo já viu, chegou à conclusão que a melhor forma de evitar a falsificação de moedas era gravar riscos em suas laterais - inovação que pessoas do mundo inteiro ainda carregam no bolso em suas moedas.

No mundo acadêmico, perguntar não "se" o aluno copiou a resposta, mas que educação é essa em que as respostas podem ser encontradas na Internet? Pior, que sistema é esse que espera que alunos memorizem fatos que hoje estão livremente disponíveis, ao invés de aprender a buscar e utilizar conhecimento, aprendendo a identificar o que é relevante e o que não é, e o valor de citar suas fontes, não para provar que leu ou homenagear outros autores, mas como forma de mostrar ao leitor de onde veio o raciocínio apresentado?

A verdade é que toda ideia, toda inovação precisa vir de algum lugar. Existe uma imagem de que grandes ideias nascem na cabeça de alguns "gênios" como se uma lâmpada acendesse. É uma imagem completamente errada. Toda grande ideia foi inspirada por outra ideia. A história da humanidade é baseada em melhorias, pessoas aprendendo algo, tomando ideias emprestadas e propondo suas próprias versões de algo que outros já criaram.

Uma história famosa, daquelas que só o mundo real é capaz de produzir, merece ser contada: Steve Jobs, tendo lançado pela Apple o primeiro computador estilo "desktop" (com gráficos, como hoje é natural), confrontou Bill Gates, fundador da Microsoft por ele estar copiando a ideia para o Windows. Bill Gates deu uma resposta que ficou famosa: "Me parece Steve, que nós dois tínhamos um vizinho rico chamado Xerox, e eu entrei na casa dele para roubar a televisão, mas você já a tinha roubado."

Quem inventou a metáfora de "mesa de trabalho" para computadores não foi a Apple nem a Microsoft. Foi a Xerox, que por sua vez copiou o modo como as pessoas organizavam suas mesas no escritório antes do computador ser inventado.

Lembre-se, caro leitor: ideias não são televisões. A ironia é que quanto mais compartilhada é uma ideia, mais valor ela toma ao longo do tempo. Imagine onde estaríamos se os monitores com gráficos estivessem até hoje escondidos em algum porão na Xerox como estavam quando Steve e Bill passaram por lá?

Se você mostrou uma grande ideia para o mundo, é justo que seja reconhecido por ela. Se sua empresa lançou um grande produto ou serviço, é justo que ganhe dinheiro. Autores, músicos, artistas e empresas devem sim receber pelas suas inovações. Uma vez que você comprou um livro, deu ao autor o retorno que ele espera pelo trabalho, as ideias ali passam a também ser suas. E você pode usá-las como e quando quiser.

Então, por favor, roube essa ideia.

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Complementando: "Cultura é tudo aquilo que você sabe depois de ter esquecido tudo o que já leu." Depois de você incorporar um conhecimento, ele passa a fazer parte de você, da SUA cultura, soma-se a outros que você já tem, e que será diferente de qualquer outro que exista.

domingo, 10 de março de 2013

Como construir um bom modelo de negócio

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A batalha do posicionamento no mercado é uma batalha de percepções, portanto, quanto mais claro o seu modelo de negócio, melhor o posicionamento da sua empresa na mente do consumidor.

Jerônimo Mendes, 3 de março de 2013
Sou fã incondicional de Al Ries e Jack Trout, autores do best seller Marketing de Guerra e também Posicionamento e Reposicionamento, essencialmente práticos, os quais eu recomendo sem titubear em todas as minhas palestras e treinamentos.

Quando li o primeiro livro citado, ainda na Faculdade, não dei muita bola. Tratei apenas como mais uma recomendação do Professor Daniel Godri, hoje palestrante respeitado e bem posicionado. Se tivesse acompanhado o seu raciocínio na época, estaria tão bem posicionado quanto ele, mas, isso é outra história.

A máxima do posicionamento é conhecida: "quem quer ser tudo para todos acaba não sendo nada". No mundo dos negócios, significa dizer que a empresa que não tem um posicionamento claro para o seu produto ou serviço, dificilmente conquista um espaço na mente do consumidor.

O posicionamento depende muito do modelo de negocio a ser adotado e este, por sua vez, deve ser construído com base em quatro questões fundamentais, as três primeiras formuladas por Peter Drucker e a quarta por Michael Porter.

No passado, qualquer um iniciava o empreendimento e, de tanto bater cabeça, acabava dando certo. Contudo, a maioria quebrava, por várias razões, dentre elas, a falta de um modelo de negócio e o posicionamento incorreto do produto ou serviço perante o consumidor.

Hoje, o negócio mudou. Em mercados de nicho, cada vez mais segmentados, não dá para sustentar um negócio sem uma mensagem clara o público-alvo. Talvez você não saiba como fazê-la, mas, o público sabe percebê-la, portanto, não inicie nada sem ter a resposta para todas elas. Vejamos:

1)  Em que negocio você está? Qual é o segmento de negócio, com quem você vai disputar mercado, quais são as forças competitivas que atuam no seu ambiente de negócio. Moda é um mercado amplo: masculina, feminina, infantil, juvenil, adulto, executiva, melhor idade, aventura, praia, lingerie, fitness, moda íntima e assim por diante. Em que negócio você está?

2)  O que você realmente vende? Uma coisa é você vender e organizar cerimônias de casamentos; outra coisa é você realizar sonhos e superar as expectativas do futuro casal. Uma coisa é você fazer a contabilidade da empresa; outra coisa é fechar os resultados com a máxima segurança de que o cliente deseja.

3)  Qual e o seu público-alvo? Vivemos num era de competição acirrada onde as estratégias genéricas de Porter definem a maioria dos modelos de negócio: ou você vende commodity e aperta nos custos ou o seu produto e tão interessante e desejado quanto uma Montblanc, uma Harley Davidson ou um Cirque du Soleil para se diferenciar e se distanciar da concorrência.

4)  Quais são as suas vantagens competitivas? Essa questão é mais delicada, a menos que você já tenha estudado minuciosamente as forças e franquezas da concorrência. A questão fundamental é: o que levaria alguém a comprar o seu produto ou serviço se existem milhares de opções no mercado? Preço, prazo, atendimento, desempenho, facilidade de uso, durabilidade? 

Ainda que você responda todas elas da melhor maneira possível, isso não garante o posicionamento correto da empresa, o qual depende, basicamente, da percepção de valor por parte do cliente em relação ao seu produto ou serviço. Contudo, é um bom começo.

Conquistar um bom posicionamento é uma tarefa árdua que começa desde o primeiro dia em que a empresa inicia suas atividades e se submete à prova do consumidor cada vez mais exigente. Leva tempo para conquistar a confiança do público. Sem uma mensagem consistente, não há posicionamento que resista.

Para esclarecer um pouco mais o conceito, tente associar um produto ou uma empresa aos seguintes atributos: durabilidade, segurança, design, entretenimento e hambúrguer de qualidade. Você pode escolher a primeira empresa ou o primeiro produto que vier à mente. No meu caso, eu pensaria em Duracell, Volvo, Apple, Cirque du Soleil e Disney e, por fim, Madero, sem titubear.

Como essas empresas conquistaram uma posição na minha mente? Em parte, o mundo acadêmico contribuiu para ampliar o meu interesse pelo assunto, mas, quando você começa a pensar a respeito, a percepção fica mais clara. Como diria Ries e Trout, a batalha do posicionamento é uma batalha de percepções.

O posicionamento não é uma bobagem criada pelos autores ou marqueteiros de plantão. Quando elaborado de maneira apropriada, representa a eficiência do modelo de negócio adotado. Já pensou no seu modelo?

As recomendações de Guy Kawasaki, ex-evangelista-chefe da Apple, empreendedor e autor do best seller Encantamento, ajudam a entender o conceito. Segundo ele, estes são os predicados que um bom posicionamento deve aspirar:

Seja positivo: os clientes não querem saber se você vai destruir o concorrente, mas, querem conhecer as vantagens que vão obter ao comprar os seus produtos e serviços. Exemplo: a missão do Cirque du Soleil é invocar o imaginário, estimular os sentidos e despertar a emoção das pessoas ao redor do mundo.

Focado no cliente: posicionar-se é dizer o que você pode fazer por seus clientes e não aquilo em que você quer se tornar. Exemplo: a missão da Disney é fazer as pessoas mais felizes; a da Nespresso, proporcionar o café perfeito.

Seja poderoso: os colaboradores e o público em geral precisam acreditar que o que a empresa faz torna o mundo melhor. Exemplo: a missão do Google é organizar as informações do mundo e torna-las mundialmente acessíveis e úteis.

Na prática, se você não construir um modelo de negócio positivo, focado no cliente e poderoso, não há esperança para ele. Minha missão é inspirar pessoas, disseminar ideias e prover soluções para empreendedores. No meu ponto de vista, é bem mais aceitável do que apenas vender livros, palestras e treinamentos.

Espero que isso o ajude a pensar melhor sobre a importância do modelo de negócio e do posicionamento da sua empresa. Qualquer farmacêutico pode fabricar um bom xarope, mas, vender um xarope com gosto de coca cola para ganhar a simpatia de milhões de consumidores, isso é outra história.

Pense nisso, empreenda e seja feliz!
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Fluidos de árvores se transformam em plástico biodegradável

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6 de março de 2013
 O pesquisador Chuanbing Tang, da Universidade da Carolina do Sul, descobriu que é possível produzir plástico biodegradável a partir de líquidos extraídos das árvores. O plástico alternativo tem características parecidas com a versão convencional e dispensa o uso do petróleo durante sua fabricação.

A sociedade científica norte-americana premiou o criador do projeto e vai incentivar o aprimoramento das pesquisas, para que o material se torne um concorrente viável do petróleo. As experiências indicam que os fluidos das árvores poderão ser utilizados não só para a fabricação de plástico, mas também para substituir os combustíveis fósseis utilizados nos dias atuais.

Durante os experimentos, Tang descobriu que a seiva dos pinheiros tem uma composição semelhante à do petróleo. Assim, o fluido é submetido a processos químicos de modificação, até que se transforme em um tipo de plástico biodegradável.

A matéria-prima é adquirida por meio do extrativismo vegetal, técnica empregada pela indústria do látex e utilizada para produzir óleos essenciais retirados das árvores das florestas equatoriais e tropicais. A atividade sustentável não causa danos às árvores, desde que seja executada cuidadosamente.

O plástico ainda está em fase de desenvolvimento para se tornar mais resistente, mas o criador mostra-se confiante em suas pesquisas. "Se conseguirmos estabelecer relações claras das propriedades estruturais, seremos capazes de alcançar os mesmos resultados que agora temos com os polímeros feitos a partir de petróleo", conclui Tang, que espera produzir um futuro mais sustentável por meio dos fluidos das árvores.

* Com informações do InHabitat.
Fonte: CicloVivo 

sexta-feira, 8 de março de 2013

Levantamento aponta crescimento de 16,2% do franchising em 2012 Entre os setores que mais se destacaram, Hotelaria e Turismo praticamente dobrou seu faturamento de 2011 Redação, Administradores.com, 6 de março de 2013 inShare1 Na última terça-feira (5), a Associação Brasileira de Franchising (ABF) divulgou os números consolidados sobre o desempenho do segmento em 2012. O faturamento total ficou na casa dos R$ 103 bilhões, crescimento 16,2% superior ao de 2011. De acordo com o estudo realizado anualmente pela ABF, o franchising brasileiro gerou em 2012 mais de 103 mil novos empregos diretos, crescimento de 12,3% em relação ao ano anterior e totalizando 941 mil empregados. Em número de redes, cresceu 19,4%, saltando de 2.031 marcas, em 2011, para 2.426 em 2012. Já em relação ao número de unidades ou pontos, o segmento expandiu de93.098 no ano de 2011, passando para 104.543 em 2012. Para 2013, a expectativa é de crescer 16% em faturamento, 9% em novas redes e 11% em nov

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Entre os setores que mais se destacaram, Hotelaria e Turismo praticamente dobrou seu faturamento de 2011

Redação, Administradores.com, 6 de março de 2013

Na última terça-feira (5), a Associação Brasileira de Franchising (ABF) divulgou os números consolidados sobre o desempenho do segmento em 2012. O faturamento total ficou na casa dos R$ 103 bilhões, crescimento 16,2% superior ao de 2011. 
De acordo com o estudo realizado anualmente pela ABF, o franchising brasileiro gerou em 2012 mais de 103 mil novos empregos diretos, crescimento de 12,3% em relação ao ano anterior e totalizando 941 mil empregados. Em número de redes, cresceu 19,4%, saltando de 2.031 marcas, em 2011, para 2.426 em 2012. Já em relação ao número de unidades ou pontos, o segmento expandiu de93.098 no ano de 2011, passando para 104.543 em 2012.
Para 2013, a expectativa é de crescer 16% em faturamento, 9% em novas redes e 11% em novas unidades. A ABF projeta ainda mais de 11% de crescimento na geração de novos postos de trabalho para este ano. 

O setor que mais cresceu em faturamento foi Hotelaria e Turismo, com 97,8%. Logo em seguida, vieram Limpeza e Conservação com crescimento de 44,5% e Informática e Eletrônicos com 32,5%. Por outro lado, os setores com menor desempenho foram, pela ordem, Fotos, Gráficas e Sinalização, com expansão de 1,6%, Negócios, Serviços e Outros Varejos, setor líder em faturamento, mas com apenas 2,6% de crescimento, e Educação e Treinamento, com 10,3%. 

Comportamento maduro
Para Cristina Franco, presidente da ABF, os números revelam a maturidade conquistada pelo franchising. "Crescer acima de 10 a 15% todos os anos, um sobre o outro, há quase uma década, revela a solidez adquirida pelo segmento. Se fôssemos um país, nosso crescimento seria mais que o dobro do da China, um fenômeno em matéria de desempenho", comemora a presidente. 

Na opinião de Ricardo Camargo, diretor executivo da entidade, é considerado normal que o comportamento do setor de Fotos, Gráficas e Sinalização tenha tido uma performance tão tímida, já que há uma mudança comportamental mundial do consumidor neste ramo. "As pessoas estão deixando de revelar e imprimir suas fotos e imagens fora de casa, estão fazendo isso em equipamentos caseiros, impactando diretamente no modelo do serviço. Certamente, haverá uma migração, uma transformação neste formato", prevê. 


Por outro lado, a ABF considerou extremamente positiva a explosão do setor de Hotelaria e Turismo (97,8%), bem como de Limpeza e Conservação (44,5%) ou mesmo de Informática e Eletrônicos (32,5%). "Assim como a vida moderna impactou negativamente na área de fotografia e gráficas, acabou permitindo um amplo crescimento em turismo, serviços e equipamentos eletrônicos. 

No caso de Limpeza e Conservação, podemos dizer que o fato de a mulher estar definitivamente trabalhando fora de casa e a elevação no valor dos salários das domésticas foram determinantes na expansão das franquias de lavanderias, como 5àSec e DryClean USA. 

Já no caso de Hotelaria e Turismo, o que motivou, especialmente, a expansão atípica desta categoria foi o ingresso de nov os players como a CVC, por exemplo, que adotou  o formato de franchising, trazendo consigo cerca de 700 novas unidades e um faturamento agregado considerável", avalia o diretor. 

Em Informática e Eletrônicos, ainda segundo Camargo, o que motivou a forte aceleração de 32,4% foi a entrada de fabricantes de equipamentos ou operadoras de telefonia expandindo suas operações pelo formato de franquias, caso da Nokia, Samsung e Oi Franquias.  

Novas redes e marcas
Avaliando o desempenho dos números por quantidade de novas redes ou marcas, não se constata uma explosão tão acentuada em nenhuma das categorias avaliadas, mas observa-se que Hotelaria e Turismo lidera o crescimento. "Como o franchising já está maduro, estabelecido e tínhamos, até o ano passado, mais de duas mil redes, é um crescimento bem alto termos 19,4% em novas marcas. Saltamos de 2.031 para 2.426. 

Este comportamento positivo pode ser explicado pelo ingresso de negócios que foram convertidos para o nosso formato. Também por marcas que realmente nasceram durante o ano passado, ou mesmo por redes que não apareciam, ainda não eram captadas por nossos radares e passaram a despontar em 2012", comenta a presidente. Também surgiram novos negócios em agências de intercâmbio ou redes de hotelaria, como o Grupo Wyndhan, rede americana que já surgiu com 15 unidades. 

No caso de Limpeza e Conservação, segunda categoria com destaque em expansão de redes (29,3%), diversas novas marcas ingressaram no sistema, como foi o caso de Maricotinha Arranjos de Roupas, Arranjos Express (marca nascida em Portugal) e diversas outras que esperam prosperar com o setor de atuação. No segmento de Móveis, Decoração e Presentes, com elevação de 25%, nota-se que segue forte a movimentação em franquias de colchões, com novas marcas entrantes, como a Castor, Premier e outras.

Ainda avaliando o estudo pelo comportamento de novas redes, Ricardo Camargo chama a atenção para a categoria de Alimentação, uma das mais pujantes e consolidadas do franchising e primeira colocada em número de redes. "Em 2012, tivemos a entrada de uma quantidade bem significativa de marcas internacionais, como o caso da Papa John's Pizza, Carl's Jr, Johnny Rockets, Quizno's, Chilis, MySandwich. Das nacionais, destaque para a Tostex,  marca do grupo Giraffas, e Box 30, do grupo Habib's", comenta Camargo. 

Mais de 100 mil unidades
Na comparação dos dados por Número de Unidades, cabe destacar que houve uma considerável recuperação do mercado em relação a 2011 por conta da desaceleração no aumento dos aluguéis de imóveis comerciais. Saltou-se de um baixo crescimento de 7,8% em 2011, para 12,3% em 2012. Graças a esta acomodação no mercado imobiliário, o franchising pulou de 93.098 pontos para 104.543 unidades.

Quando se analisam os primeiros colocados neste quesito, a liderança fica ainda mais acentuada no caso da categoria de Hotelaria e Turismo, com uma expansão de 113,9% em relação a 2011. Conforme mencionado anteriormente, quando avaliado no faturamento, o excelente desempenho desta categoria pode também ser atribuído ao crescimento constante de marcas abrindo muitas unidades, como a TAM Viagens, por exemplo, o que contribui para puxar para cima o desempenho deste setor.  

Em Informática e Eletrônicos, o crescimento de 39% pode ser justificado pela abertura de muitas unidades pela Samsung e Oi Franquia. Já em Móveis, Decoração e Presentes, destaque para as lojas de colchões que continuam abrindo grande quantidade de pontos. 

Microfranquia
Os negócios enquadrados como Microfranquia, aqueles com investimento inicial de até R$ 50 mil e faturamento mensal máximo de até R$ 30 mil, tiveram um crescimento considerado estável, quando comparado ao universo das franquias tradicionais. Em faturamento, as microfranquias cresceram 22% em 2012 sobre 2011, saltando de R$ 3,7 bilhões para R$ 4,5 bilhões. Em número de redes, saltou de 336 para 368, uma evolução de 10% de 2011 para 2012. Já em unidades, pulou de 12.561 para 13.352, uma expansão de 6%.
Na participação percentual em relação às franquias tradicionais, em 2012 as microfranquias representaram uma parcela de 4,4%. Em 2011, esta participação era de 4,2%. No caso das marcas, a participação era de 17% em 2011 e, em 2012, caiu para 15,2%. Já no número de unidades a participação era de 13,5% em 2011 e diminuiu para 12,8% em 2012.

Para a ABF, este comportamento se justifica por certa acomodação no surgimento de novos negócios, bem como pela evolução de algumas marcas. "Muitos negócios, que eram enquadrados como microfranquias, evoluíram e deixaram de ser, quer seja pelo faturamento ou mesmo por um crescimento atípico nesta categoria nos anos anteriores. Era natural esta acomodação", finaliza Camargo.


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Marcas e celebróides: famosos nem sempre contribuem para o processo de branding

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Construção de marca é longo prazo, é consistência, é paixão aos detalhes. E não simplesmente pegar os celebróides do momento e usá-los como endosso para a marca

Marcos Hiller, 5 de março de 2013
Shutterstock

Reinaldo Gianechinni está hoje na campanha do Banco do Brasil e do site de empregos Catho. Neymar foi utilizado em campanhas recentes de Lupo, Nextel, Baruel Claro, Panasonic, Guaraná Antarctica, Santander, Unilever, Nike e Volkswagem Gol. O âncora do CQC Marcelo Tas está com You Move, Universidade Anhembi Morumbi e agora com Kaiser Barril, diga-se de passagem, marca de categorias absolutamente distintas. O global Luciano Huck está em Centrum e Banco Itaú.  Ivete Sangalo foi garota-propaganda de 11 campanhas: L'Oréal, Avon, TAM, Schincariol, Giraffas, Insinuante, Governo da Bahia, Credicard Hall, Conselho Nacional de Procuradores e Tramontina. Rodrigo Faro estampa as campanhas da Oral B e das câmeras Cybershot da Sony. Já Gisele Bündchen estrelou campanhas para C&A, ONU, P&G e Sky e, curiosamente, a modelo havia liderado a lista em 2011 das celebridades mais vistas na publicidade. 

Sim, todos eles atraem consumidores para essas marcas, e com isso enchem seus bolsos com cachês advindos dos gordos orçamentos de marketing dos anunciantes. E ao observarmos esse vasto cardápio de marcas e as suas celebridades escolhidas a dedo, percebemos que a maioria delas escolhem nomes que simplesmente estão em evidência no momento. Sendo que deveriam sim escolher pela evidência logicamente, mas principalmente também pelo nível de conexão que a celebridade dialoga com seu respectivo público-alvo, e mais que isso, o quanto o DNA da marca está alinhado com o DNA da celebridade. Aliás essa última variável deveria ser o principal critério de seleção de uma celebridade para protagonizar a campanha de uma marca.

A marca-ícone Louis Vuitton, que atua no segmento de moda há décadas, nunca tinha feito campanhas em mídias mais tradicionais. Mas no início dos anos 2000 começou a fazer... escolheu, de forma cirúrgica pessoas como Madonna, Francis Ford Coppola e sua filha Sophia Coppola, Bono, Maradona, Zidanne, Keith Richards, Pelé, Sean Connery, Angelina Jolie e até mesmo o ex-líder soviétivo Mikhail Gorbachev. O que todos têm em comum? Um perfeito alinhamento de DNA com a marca francesa. Todas são pessoas ícones no que fazem, e são raramente vistas em campanhas publicitárias. A marca de cafés especial da Nestlé, a Nespresso, também faz um trabalho impecável nesse sentido. George Clooney é a perfeita personificação da marca. Um homem meia idade, grisalho, charmoso, discreto, exatamente valores que estão presentes no DNA da boutique de cafés expressos em cápsulas. No entanto o que observamos, de forma mais latente aqui no Brasil, são marcas se associando a artistas simplesmente pela suposta potência midiática que ele carrega, e não pelo perfeito alinhamento da essência de ambas as partes.

Associar marcas a celebridade é uma prática antiga. O uso de celebridades-ícones sempre foi muito habitual. A atriz Michelle Pfeiffer com a marca Lux Luxo nos anos 80, Cindy Crawford com a marca Rolex nos anos 90, e mais recentemente Gisele Bündchen associando sua imagem a marcas como Colcci e Pantene. Elas possuem uma aura mítica, bela e sedutora sempre desejável, afinal a beleza pode ser um prenúncio da felicidade. Uma marca quando toma a decisão de se associar a uma celebridade está claramente assumindo riscos em nome de um calculado ganho exponencial de lembrança de marca e que, logicamente, se reverte em vendas.

Construção de marca é longo prazo, é consistência, é paixão aos detalhes. E não simplesmente pegar os celebróides do momento e usá-los como endosso para a marca. E o mais surpreendente nessa história é que, quando uma empresa escolhe uma celebridade, simplesmente pela suposta exposição que ela tem de arrebanhar consumidores e não pela sinergia das duas partes, percebemos que não há um processo consistente de branding. Mais que isso, há um processo de desconstrução da marca. Empresa que pensa em campanha, como a maiorias das que citamos no início desse texto, e não pensa em construção de marca, na verdade constrói a marca sim, mas não edifica sua liderança de categoria. 

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Comentário de Rui Martins:

A propósito da modelo Gisele Bünchen, li em um artigo, há algum tempo, que a imagem dela associada a uma marca chegou a aumentar em 5 pontos o valor da ação da empresa na Bolsa de Valores de NY. Aquele que apresenta, ou vincula sua imagem a uma marca também deve escolher muito. O princípio mencionado no artigo tem duas mãos, tanto da empresa, como da celebridade. A carreira do jogador de futebol tri campeão Gerson, na publicidade, foi extremamente prejudicada por uma marca de cigarros que nem era tão vendida e marcou sua vida até hoje com a expressão "lei de Gérson" em que relaciona a necessidade do brasileiro de ter de levar vantagem em tudo, de forma pejorativa, como uma má qualidade do brasileiro, de ética relativa.

domingo, 3 de março de 2013

”A concentração de CO2 hoje está beirando 400 partes por milhão.” Entrevista com professor Alexandre Costa

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27 de fevereiro de 2013
"Ciência é algo verificável, baseado em evidências e cumulativo.  Mesmo tendo titulação acadêmica, não se pode afirmar qualquer coisa, desconectando-se da realidade", considera o pesquisador. "

Este ano será divulgado o quinto relatório do Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas – IPCC e, apesar do conservadorismo da comunidade científica, as evidências são tão gritantes que, sem dúvida, algumas das afirmações do relatório referentes ao aquecimento global e ao papel antrópico vão ser mais fortes ainda que do quarto", informa Alexandre Araújo Costa, professor titular da Universidade Estadual do Ceará, em entrevista concedida, por telefone, à IHU On-Line.

Segundo ele, "o IPCC deixa muito claro que o aquecimento global é inequívoco. Ele existe e é antrópico. Não há como explicar esse aquecimento a não ser pelo aumento na concentração dos gases do efeito estufa. Se fosse pela atividade solar e outros efeitos naturais, teríamos tido, na realidade, um ligeiro resfriamento na metade final do século XX, uma diminuição da ordem de 0,1 a 0,2 graus e não um aquecimento de 0,8 graus".
Alexandre Araújo Costa (foto) é professor, pesquisador e um dos autores do primeiro relatório do Painel Brasileiro de Mudanças Climáticas. Mestre em Física pela Universidade Federal do Ceará, cursou doutorado em Ciências Atmosféricas pela Colorado State University e possui pós-doutorado pela Universidade de Yale. Foi gerente do Departamento de Meteorologia e Oceanografia da Fundação Cearense de Meteorologia e Recursos Hídricos. É professor titular da Universidade Estadual do Ceará e bolsista de produtividade do CNPq. 

Confira a entrevista.
IHU On-Line – O senhor faz parte da corrente de cientistas, que é a grande maioria, que sustenta que há, sim, aquecimento global relacionado à emissão de gases do efeito estufa, entre eles o CO2. Realmente existe o aquecimento global causado por esses gases ou a variação térmica do planeta está relacionada a fenômenos naturais?


Alexandre Araújo Costa – Ciência é algo bem estabelecido, verificável, baseado em evidências e cumulativo. Mesmo tendo titulação acadêmica, não se pode afirmar qualquer coisa, desconectando-se da realidade. Por exemplo, as espécies animais que existem hoje surgiram há 6 mil anos atrás do jeito que são? É evidente que não, pois isso contraria as evidências. Do mesmo modo, negar o aquecimento global é contrariar medições, dados, evidências. Então, é preciso ser bem claro. Não existe mais debate na comunidade científica quanto a isso. O pesquisador analisa dados, submete artigos, isso é debatido em congressos científicos, isso é avaliado para publicação em periódicos. E, obviamente como são hipóteses testáveis, esse processo é repetido várias vezes. No nosso caso específico, existe um corpo de evidências tão grande quanto o que existe a favor da evolução das espécies ou da gravitação universal. 

Caminho científico
O Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas – IPCC existe desde 1988, com o objetivo de contribuir para o entendimento dos processos climáticos. Sou um dos autores principais do primeiro relatório do Painel Brasileiro das Mudanças Climáticas, que funciona na mesma lógica, inclusive com a mesma distribuição de trabalho em grupos (bases físicas, vulnerabilidade e impactos e mitigação) e posso lhes dizer como funcionam os painéis. O IPCC não faz nada que não seja levantamento de literatura. Ou seja, não existe uma ciência produzida pelo IPCC à parte da ciência do clima e das demais áreas do conhecimento, que se reflete no que é publicado em revistas tais como a Science e a Nature, além de inúmeras publicações da área em outros meios. Junto à comunidade de cientistas ativos, que desenvolvem pesquisa independente e publicam, existe um claro consenso em torno da existência do aquecimento global e de suas causas. Infelizmente, existe uma distorção disso junto à opinião pública, que é, na verdade, consequência de uma exposição desproporcional dos que defendem a negação das mudanças climáticas, algo que se assemelha ao criacionismo ou do geocentrismo. 

Levantamento histórico
O que a ciência tem é atestado por medidas de superfície, de rádiossonda, de satélites. Outro ponto é que o aquecimento não se restringe à temperatura da superfície e do ar, pois existe um fluxo de calor para o planeta que interfere em outros componentes do sistema climático. Na Física básica, aprende-se que existe o calor sensível, que envolve mudança de temperatura sem mudar a fase e o calor latente, que, por exemplo, faz com que o gelo derreta sem mudar a temperatura. Quando dizem "não houve mudança significativa de temperatura, nos últimos 5, 6 anos", isso é uma meia verdade, pois houve um aumento do conteúdo de calor dos oceanos, sem contar que o que aconteceu com as calotas polares, que perderam massa, principalmente no Ártico. Tudo isso é perfeitamente compatível com o que é fundamental nesse processo todo, que é um desequilíbrio energético: existe mais energia chegando no planeta na forma de radiação de onda curta, isto é, solar, do que deixando o planeta na forma de radiação de onda longa, ou infravermelho. Por conta desse desequilíbrio energético, o planeta está aquecendo, conforme o esperado para uma concentração de CO2 beirando 400 partes por milhão. 

Experimentos
É muito estranho e sinto até um certo constrangimento em ovir alguém dizer que o CO2 não exerce controle sobre o clima. Ora, a primeira estimativa do potencial de aquecimento do clima causada por um eventual aumento de CO2 foi feita ainda no século XIX por Arrhenius, uma estimativa razoável para a época. É um fato: nós estamos em meio a um experimento climático planetário involuntário de grandes proporções, que está mudando a face do planeta. Nas eras glaciais, a concentração desse gás era de 180 ppm e nos interglaciais dos últimos 800 mil anos não ultrapassou 300 ppm. Mais: não há registro na história da Era Cenozóica, nos últimos 65 milhões de anos, de existência da calota polar do Ártico em períodos com concentrações de CO2 acima de 400 partes milhão. Há 34 milhões de anos, quando surgiu a calota polar da Antártica, isso aconteceu justamente quando a concentração de CO2 baixou de 500 ppm (partes por milhão). Toda a história do nosso planeta mostra, portanto, uma relação íntima entre CO2 e temperatura. 

IHU On-Line – Centros de pesquisa como do Met Office, de Oxford a Berkeley, e entidades globais defendem que existe o aquecimento global. O senhor considera que há o risco destas instituições estarem envolvidas em manipulação de informações para defender interesses dos países ricos?
Alexandre Araújo Costa – Pensar nessa possibilidade é pensar em uma teoria da conspiração inteiramente fantasiosa, além do que chega a ser ofensivo para nós, cientistas. A comunidade científica do clima é a mais transparente que existe. Exatamente porque o clima não tem fronteiras, nossa ciência não tem fronteiras também. Os dados coletados, os resultados de modelos estão aí para todo mundo. Então a resposta é muito clara: não. Não há manipulação de dados pelos centros. Para que isso pudesse ser uma história coerente, teria que ter todos os cientistas da área envolvidos nessa conspiração. Além deles, todos os editores das revistas científicas que publicam artigos com os resultados. Teria que ter corrompido as empresas que fabricam sensores meteorológicos, porque os dados de muitos sensores chega automaticamente e por aí vaí… 

Interesses
Se há interesses em jogo, posso garantir que não há interesse maior do que o das companhias de combustíveis fósseis em confundir a opinião pública. É claro que há empresas que querem vender seus aerogeradores, seus painéis solares, etc. Sem dúvida alguma. Mas veja: entre as maiores empresas do mundo, a de maior faturamento é a Shell, a segunda é Exxon. Da lista de 12 maiores companhias do mundo, só o Walmart não pertence ao ramo do petróleo, automobilístico, do gás natural ou do carvão mineral. Há também uma pesquisa que mostra claramente o envolvimento desse setor com os bancos, com os executivos destes tendo assento no conselho deliberativo dessas companhias e vice-versa. E essas corporações poderosíssimas tentam confundir a opinião pública para atrasar as medidas necessárias para conter o aquecimento global, para que seus lucros gigantescos não se reduzam. É a mesma tática utilizada pela indústria do tabaco que, mesmo diante de todas as evidências de câncer ligado ao fumo, conseguiu ganhar muito tempo, semeando dúvidas que não deveriam existir. Sobre o clima, é até espantoso que nós cientistas tenhamos conseguido fazer minimamente que nossas descobertas sejam vistas, sejam ouvidas, passando por cima dessas corporações. 

IHU On-Line – É possível estabelecer um diálogo entre estas duas correntes, isto é, os que atribuem o aquecimento da superfície terrestre aos gases do efeito estufa e os que negam essa relação?
Alexandre Araújo Costa – O que existe é o método científico. A ciência é totalmente aberta e há um diálogo constante na comunidade científica com base neste método. Tipicamente, em suas pesquisas, obtêm-se resultados que devem ser reportados em um artigo e submetidos à apreciação editorial de revistas e periódicos. Os pares avaliam, questionam, verificam a correção do método, a qualidade e o mérito do trabalho. O que se pode chamar de diálogo se dá desta forma, através da literatura científica, porque em ciência é preciso estar amarrado em evidências. Nesse contexto, o IPCC cumpre justamente o papel de facilitar, acelerar e qualificar o diálogo na comunidade científica, ao produzir aquilo que são certamente o mais rico compêndio da ciência contemporânea: os seus relatórios. Neles, para se obter, digamos, uma estimativa da influência do sol ou do CO2 no clima nos últimos 250 anos, consideram-se as estimativas feitas por vários autores. O número que o IPCC mostra, que é uma média de todas essas estimativas (publicadas em artigos revisados), é que o acúmulo de energia devido ao CO2, em 2007, já era oito vezes maior que a contribuição das variações na atividade do sol. 

IHU On-Line – Quais foram os principais avanços científicos que permitem garantir que o aquecimento global, atualmente, decorre da intervenção humana no planeta?
Alexandre Araújo Costa – Agora temos uma rede de sensores observacionais bastante significativa. Uma das recentes lacunas, mas que está mais próxima de ser preenchida, são as medidas nos oceanos. Hoje existe uma rede de boias que permite quantificar o conteúdo de calor oceânico e entender melhor os fluxos de energia. Afinal, sabe-se que os continentes aquecem e esfriam muito rapidamente, e a maior contribuição para a termodinâmica do clima vem dos oceanos. Na verdade, mais de 90% do desequilíbrio energético associado ao aumento do CO2 é energia que vai para os oceanos. Uma fração menor vai para o gelo, outra para a superfície, outra para a atmosfera. Se formos verificar o que tem acontecido, perceberemos que o aquecimento é muito mais visível quando monitoramos os oceanos. 

Monitoramento instantâneo
Os satélites também têm permitido que nós possamos fazer o monitoramento global como nunca antes se imaginou, principalmente das calotas polares, onde os resultados são dramáticos. O gelo marinho não tem apenas diminuído em área; ele tem diminuído em volume. Além de estar cobrindo uma área menor, tendo chegado ao menor valor da história no ano de 2012, ele tem se tornado muito menos espesso. A estimativa em 1979 era de que o gelo marinho do Ártico ocupava 16.855 quilômetros quadrados. Em 2012, são apenas 3.261 quilômetros quadrados. 

Projeções conservadoras
Com base nessas novas observações e a partir dos relatórios do IPCC, é possível aferirmos as projeções com a realidade. Em termos da temperatura da superfície, a evolução recente da temperatura, tem estado perfeitamente dentro do intervalo de projeções, determinado a partir dos vários resultados de modelos diferentes, de vários grupos de pesquisa. Já nas outras questões, as projeções têm-se mostrado conservadoras. A expectativa era a de que os oceanos, no começo deste século, se elevassem a uma taxa de 2 milímetros por ano, mas o que a realidade mostra são 3,3 milímetros por ano, correspondendo ao valor mais "alarmista" dentre as projeções de 2007. Hoje, todos sabemos que a projeção de elevação do nível do mar vem sendo subestimada.
Outra projeção que se mostrou muito "cautelosa" é a de perda de gelo nas calotas. A média de degelo que se viu no Ártico em 2012 somente era esperada para 2030, pelo mais pessimista de todos os modelos e para 2060 considerando-se a média de todas as projeções. Havia até modelos que apontavam que chegaríamos no final do século e não teríamos o degelo de 2012. A questão é mais grave porque há, aí, mecanismos de retroalimentação. O gelo é mais brilhante do que o oceano e o solo, ou seja, tem maior albedo, então quando ele derrete expõe uma superfície mais escura, que absorve mais radiação solar, aquecendo o planeta mais rapidamente. Quando se tem um degelo na superfície, a tendência também é que a água de cima da superfície pressione o gelo e consiga perfurar a calota e chegar até a base, levando à ruptura de grandes blocos de gelo. Por fim, sabe-se hoje que o gelo mais novo deixa passar mais raios solares o que gera um aquecimento no oceano abaixo. Esses aspectos não eram levados em conta pelos modelos até recentemente, e isso faz muita diferença. 

IHU On-Line – Deseja acrescentar algo?
Alexandre Araújo Costa – Este ano será divulgado o quinto relatório do IPCC e, apesar do conservadorismo da comunidade científica, as evidências são tão gritantes que, sem dúvida, algumas das afirmações do relatório vão ser mais fortes ainda que do quarto. O IPCC deixa muito claro que o aquecimento global é inequívoco. Ele existe e é antrópico. 

Combustíveis fósseis
Nós sabemos que o aquecimento global vem da queima de combustíveis fósseis por uma razão muito simples. São vegetais soterrados há milhões de anos que se decompuseram e se transformaram em hidrocarbonetos. A composição isotópica é diferente entre a atmosfera e as plantas que, quando fazem fotossíntese, dão "preferência" ao carbono 12. Quando as plantas apodrecem, milhões de anos depois, os átomos de carbono permanecem. Portanto, os combustíveis fósseis têm uma composição de carbono 12 e 13 diferente da atmosfera, ou seja, são pobres em carbono 13. Se eu queimar combustíveis fósseis e colocar na atmosfera o resultado da queima, vou diminuir a proporção de átomos de carbono 13, que é exatamente o que está acontecendo! Sabemos que o planeta aquece, sabemos que isso se dá principalmente pela elevação das concentrações de CO2 e sabemos exatamente de onde esse aumento vem. Para mim, não há dúvida de que as distorções existentes entre a comunidade científica e o que é veiculado midiaticamente estão relacionadas aos interesses da indústria petroquímica e, no Brasil, a outro componente: o agronegócio. Basta ver o relatório do Aldo Rebelo, de desmanche do Código Florestal, que lançou mão de argumentos de negação do aquecimento global. 

Desigualdade, quem sofre são os mais pobres
Outra coisa que é fundamental ressaltar é a desigualdade no processo todo. Quem lucrou com as emissões foram meia dúzia de corporações. Quem é mais pobre é que sofre mais com os impactos. É sobre o pescador que depende dos peixes, que dependem dos corais e pequenos moluscos cuja sobrevivência está sendo comprometida por conta da acidificação dos oceanos, resultado da dissolução do CO2 acumulado na atmosfera. Também são esperados mais eventos extremos com os climas mais quentes, tanto mais enchentes quanto mais secas.

Não é à toa que habitantes de países insulares têm apresentado reivindicações muito claras em relação ao que se refere ao clima, porque buscam que a concentração de CO2 volte para 350 partes por milhão. Esse é o nível seguro que evitaria o aquecimento de um grau. Acima dessa concentração, como já estamos, os impactos esperados sobre esses países são enormes, não só devido à elevação dos oceanos, o que pode fazer alguns deles praticamente desaparecerem ao longo desse século, como também pode comprometer, já nos próximos anos, seus lençóis freáticos, ficando sem água potável. 

Energia renovável
O Brasil poderia dar um bom exemplo e sair dessa lógica de hidrelétricas de grande porte e termelétricas, que teve continuidade no governo Dilma, em relação ao de FHC. Hoje, 5% da energia total da Alemanha vem de energia solar, grande parte delas de cima do telhado das casas. Eles têm um plano de em dez anos desativar todas as usinas nucleares exatamente em função do crescimento da energia solar. O local do Brasil onde tem menos radiação solar tem 40% a mais que a Alemanha. Imagina se o governo subsidiasse estes painéis! Eu acho que para as famílias de baixa renda seria doar mesmo e, para a classe média, subsidiar ou criar linhas de crédito. Esse é o caminho.

Zerando o desmatamento e com os recursos renováveis que temos em abundância, o Brasil poderia ser um país de emissão zero, exceto pelo transporte, que também pode evoluir com a necessária aposta no transporte público. O Brasil poderia, então, "falar grosso", não só com Estados Unidos, mas também com a Comunidade Europeia, com a China e com a Índia, que não têm cortado as emissões em níveis aceitáveis. Em relação às políticas públicas de incentivos ao transporte individual, como a redução de IPI, supostamente para preservar os empregos dos trabalhadores, o país criou algumas cidades com o trânsito totalmente inviabilizado, sem falar da emissão enorme de CO2. É preciso um transporte coletivo bom e barato. É um direito nosso de ir e vir, casado com a necessidade de reduzir emissões. 

Fonte: IHU On-Line

6 características do profissional do futuro

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Publieditorial, 27 de fevereiro de 2013

Ao pensarmos qual profissão será destaque nos próximos anos, pensamos nas áreas que pagarão melhor, as com escassez de mão de obra qualificada, as com maior ascensão, entre outros aspectos. 

Além das habilidades técnicas, conhecimentos aprofundados na área e constantes aperfeiçoamento através de especializações, o profissional de hoje, e dos próximos anos, requer mais que isso. Pois, independente de qual profissão seguir, além dos conhecimentos técnicos, as habilidades comportamentais também contam, e esse já é o novo diferencial no mercado e continuará sendo. 

Veja algumas habilidades que todo profissional deve ter, independente da área escolhida para atuar: 

- Saber lidar com imprevistos: desafios e imprevistos são normais no dia-a-dia das organizações, esteja sempre pronto, tenha jogo de cintura, e torne essas situações como desafios e o conduza de forma positiva;

- Ter boa comunicação: saiba transmitir sua mensagem e, sobretudo, saiba ouvir;
- Tomar iniciativa: seja proativo, dê sugestões, ideias e contribuições para melhorar a performance da organização;

- Seja flexível: tenha habilidade de lidar de maneira assertiva em determinadas situações;

- Atualização: aprenda coisas novas sempre. Faça especializações e invista também nos cursos de desenvolvimento humano;

- Seja criativo e inovador: profissionais criativos, e que inovam para melhorar a performance no trabalho, são altamente valorizados nas organizações.

As características citadas acima são algumas que os profissionais devem ter para atender ao mercado hoje e futuramente. É muito importante realizar aperfeiçoamento técnico e ampliar conhecimentos na área de atuação. Porém, esses devem estar alinhados com seu aprimoramento, como através de treinamentos de desenvolvimento humano.

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sábado, 2 de março de 2013

Pesquisadores estudam como foi a Amazônia nos últimos 20 milhões de anos

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Especialmente a turma de Métodos de Pesquisa, prestem atenção no planejamento da pesquisa, de grande envergadura e profundidade, exploratória e explicativa.

1 de março de 2013

O que aconteceu na Amazônia nos últimos 20 milhões de anos? Como era o ambiente e quais os organismos povoaram a região durante esse período? Qual é a explicação para tamanha biodiversidade encontrada hoje ali?

Para responder a essas e outras questões, pesquisadores brasileiros e estrangeiros trabalharão durante cinco anos em um Projeto Temático apoiado pela FAPESP e pela National Science Foundation (NSF) no âmbito de um acordo que prevê o desenvolvimento de atividades de cooperação entre os programas "Dimensions of Biodiversity" (NSF) e BIOTA (FAPESP).

Aprovado em setembro de 2012, os pesquisadores do projeto – especialistas de áreas diversas, de várias partes do Brasil, Estados Unidos, Europa, Canadá e Argentina – vão se reunir pela primeira vez na sede da FAPESP, em São Paulo, entre 4 e 8 de março.
O primeiro dia da reunião será aberto ao público e terá a forma de um simpósio, durante o qual membros da equipe do projeto apresentarão suas linhas de pesquisa e planos de trabalho para os próximos cinco anos.

As apresentações visam informar a comunidade científica e os próprios membros da equipe do projeto sobre os detalhes da linha de pesquisa de cada participante do projeto, a fim de estimular parcerias entre os integrantes da proposta e incentivar novas colaborações com a comunidade científica brasileira.

"O grande desafio de trabalhos amplos como este é fazer com que os pesquisadores pensem no projeto como um todo e se preocupem com ele como um esforço conjunto e não só com o módulo de pesquisa que cada um lidera individualmente", disse Lúcia Garcez Lohmann, professora no Departamento de Botânica da Universidade de São Paulo (USP). Ela é a pesquisadora principal da empreitada do lado brasileiro, enquanto Joel Cracraft, do American Museum of Natural History, é o pesquisador principal do lado americano.
"Temos uma equipe muito diversa, incluindo pesquisadores que trabalham com botânica, zoologia, geologia, paleontologia, sensoriamento remoto e ciclagem biogeoquímica", afirmou ela.

"Queremos aproveitar essa oportunidade para que todos se conheçam pessoalmente e comecem a explorar possibilidades para integração e colaboração. Além disso, como o projeto ainda está no começo, será uma oportunidade para que pesquisadores com interesses similares aos nossos aprendam mais sobre a proposta e se juntem a nós", disse Lohmann.

Evolução da biota
Os pesquisadores envolvidos no Projeto Temático tentarão entender a origem, a estruturação e a evolução dos organismos que povoam e povoaram a Amazônia a partir de quatro grandes grupos: plantas, primatas, borboletas e aves.

"Em uma primeira etapa, estudaremos a história evolutiva desses organismos e caracterizaremos o ambiente amazônico, incluindo informações sobre a história geológica e ciclos biogeoquímicos", disse a pesquisadora, especialista em sistemática de plantas, que estuda o parentesco e a história evolutiva de representantes da família Bignoniaceae, da qual fazem parte os ipês, os jacarandás e diversas espécies de cipós que compõem as florestas tropicais.

Na segunda etapa do projeto, esses dados serão integrados de forma a reconstruir a história passada da Amazônia nos últimos milhões de anos.
"Um dos aspectos inovadores é a união de dados de naturezas diferentes – taxonômicos, genéticos, ecológicos, geológicos, paleontológicos, entre outros – em uma proposta de trabalho muito integrada", disse.

Dentro dos grupos-modelo, os pesquisadores pretendem reconstruir a filogenia, ou seja, "árvores evolutivas" desses grupos, bem como realizar estudos ao nível populacional de organismos selecionados.

"Como ainda sabemos muito pouco sobre a biodiversidade amazônica, tivemos que selecionar grupos-modelo, pois seria absolutamente inviável estudar toda a biota amazônica durante o período de vigência deste projeto", afirmou Lohmann, que também é presidente da Association for Tropical Biology and Conservation (ATBC) e pesquisadora associada dos jardins botânicos de Nova York e do Missouri.

Dividido em três partes (documentação da biota, descrição do ambiente e reconstrução da história da biota), o simpósio buscará integrar os pesquisadores das diferentes áreas, que usarão técnicas e tecnologias distintas.

"Caracterizar a composição da biota e o ambiente atual da Amazônia já é uma tarefa bastante árdua. Mais complicado ainda é caracterizar esses aspectos ao longo dos últimos 20 milhões de anos. Para isso, usaremos metodologias diferentes e muita modelagem", afirmou Lohmann.

A portas fechadas
No restante da semana, segundo Lohmann, as reuniões fechadas ao público serão para definir em detalhes como a equipe do projeto dará andamento ao Projeto Temático – por exemplo, como será feita a integração e armazenagem dos dados, quais serão os produtos específicos e publicações.

"Como estamos trabalhando com pesquisadores com linhas de pesquisas variadas, que ainda por cima estão distribuídos em diferentes partes do planeta, precisamos que a equipe inteira se integre para que possamos gerar os produtos esperados desse projeto."

Fonte: Jornal do Brasil

Empresas com funcionários felizes são mais lucrativas, garante investidor

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Em 2005, Jerome Dodson resolveu criar um fundo que investe apenas em empresas que tenham ambientes de trabalho acolhedor e foi bem-sucedido na empreitada

Redação, Administradores.com, 28 de fevereiro de 2013
Shutterstock

Uma matéria publicada na Fast Company, escrita pelo jornalista Mark Crowley, chamou atenção para uma constatação que pode interessar às empresas brasileiras: organizações gentis com seus funcionários apresentam um crescimento melhor que as outras.

Enquanto muitas pessoas ainda não aceitam que seja uma boa ideia permitir que os funcionários, por exemplo, joguem videogame no horário de trabalho e acreditem que manter as pessoas sob constante pressão é o caminho para a produtividade, o investidor Jerome Dodson resolveu apostar em empresas que valorizam a felicidade dos seus funcionários. 

Em 2005, Dodson, criador da Parnassus Mutual Funds, dos EUA, resolveu criar um fundo que investe apenas em empresas que tenham ambientes de trabalho acolhedores. "A ideia de criar esse fundo surgiu a partir de um jornalista chamado Milton Moskowitz", lembra Dodson. Em 1998, Moskowitz supervisionou a produção da primeira lista das "Melhores empresas para se trabalhar" (publicada anualmente). O jornalista lhe contou sobre a experiência bem sucedida de um fundo de investimentos que resolveu apostar nas empresas que apareceram no ranking e foi bem sucedida. Após certa resistência, Dodson aceitou a ideia e sua companhia investiu 600 mil dólares nessas companhias.

Tratar bem as pessoas funciona

Segundo o texto, Dodson continou investindo em empresas que construíram uma reputação de tratar bem seus funcionários. Elas deviam acompanhar o crescimento da equipe desde o treinamento ao desenvolvimento pessoal. "Firmas que cuidam de seus funcionários como pessoas e não como mão-de-obra", afirma Dodson.

Outro critério importante na seleção das empresas foi a maneira com que elas fazem a divisão dos lucros: seguro de saúde, aposentadoria e o apoio dado às mães. A Parnassus provou obter lucro apostando nessas empresas. "Oito anos de depois, o desempenho do fundo confirma tudo em que acredito: tratar as pessoas bem e respeitá-las melhora a performance delas no trabalho, nós comprovamos", ressalta Dodson.

Durante os últimos cinco anos de recessão, o retorno da Parnassus foi de 10,81% contra 3.97%, do S&P Index, outro fundo de investimento tradicional nos EUA. Dodson acredita que essa diferença ocorre por que em momentos de dificuldades as pessoas que estão felizes com seu ambiente de trabalho se unem e se esforçam mais. 

Quando publicado, em 1997, o primeiro ranking das melhores empresas para se trabalhar foi considerado um "concurso de beleza". Mas Dodson e Moskowitz conseguiram provar que os líderes que valorizam, apóiam e desenvolvem seus funcionários são bem recompensados. 

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