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sábado, 27 de agosto de 2011

Fwd: Amazônia: a saída é a floresta de alimentos! – parte 1

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João Meirelles Filho
24 de Agosto de 2011

Biodiversidade. Ervas da Floresta. Crédito: Instituto Peabiru
A floresta de alimentos é a grande oportunidade para a Amazônia. Valorizar a floresta em pé, seu valor cultural, ambiental e econômico, em respeito aos povos que nela vivem. O que é a floresta? O índio a vê como shopping-center, tem tudo, oca-oikos; o caboclo, como provedora que complementa suas necessidades a todo momento; o madeireiro e o garimpeiro, como pilhagem, riqueza imediata; o pecuarista e o plantador de soja, como empecilho, dá boa fogueira, e depois, pasto-pra-sempre ou agricultura mecanizada, com mais fogo. O problema é que a visão destes últimos é a que prevalece, pois sucede que este modelo transformou 1/5 da Amazônia em cinzas[1], com pouca serventia para o Brasil.

Na lógica do progresso a qualquer custo, a floresta é inútil e, na maioria dos casos, nem a área de proteção permanente -- APP se respeita. Pesquisas preliminares com minhocas e outros seres microscópicos em florestas de refúgio de gado no Nordeste Paraense mostram que esta floresta é tão pobre quanto o próprio pasto.

E o consumidor, o que acha? Será que ao consumir o bifinho-nosso-de-cada dia o brasileiro considera que um em cada três bifes tem gosto de floresta amazônica queimada? Que cada bifinho, básico, de 250 gramas, significa 3 kg de CO², 3.500 litros de água, mudanças climáticas, caminhões de erosão, perda de biodiversidade e rios de lágrimas a povos tradicionais?

Não, o consumidor não pensa, engole a Amazônia do jeito que o supermercado a embala - mas, esta lógica é suicida! Resmungaria algum arguto observador, admirando-se desta história do achurrascamento da Amazônia. Sim, e qual é a saída? Se não se come carne (de boi), o que se come? Como os quatrocentos mil pecuaristas da Amazônia (pequenos, médios, grandes) viverão? Perguntam outros.

A proposta é simples: comer a Amazônia, devorar a Amazônia, a Amazônia-do-bem, com critério! E que critérios são estes? Primeiro, tem que ser bom pra saúde, alimentos com propriedades funcionais! Segundo, há que ser prazeroso, gostoso, só coisa boa! Terceiro, tem que encher a burra dos povos tradicionais que cuidam da floresta, e dos pequenos agricultores: floresta-bufunfa, ou seja, tem que ter valor, preço, respeito, prazo. Se o BNDES e Banco da Amazônia deram (do jeito que foi, doaram) R$ 2 bilhões aos pecuaristas, por que não dar o dobro às famílias que cuidam das florestas e rios? Quarto, tem que ser incorporado no bandejão do governo, no restaurante industrial das uber-empresas ( que atendem 300 mil refeições por dia, só na região), empresas que apregoam a sustentabilidade em seus relatórios, mas que não praticam na hora de levar o garfo à boca (preferem trazer frango de Santa Catarina, por exemplo).

E a sustentabilidade começa na merenda escolar: meu filho merece açaí com farinha e doce de cupuaçu e suco do camu-camu, e não esta bolacha cheia de gordura trans e salsicha em lata, com suco artificial, escolhida por mentecaptos carunchados em alguma esperta barafunda.

Quinto: tem que ser ético, moral. Não basta ser legal. Sexto, e penúltimo, quase: a Amazônia tá na moda. Como propõe o Senador Cristovam Buarque, vamos Amazonizar o Mundo, adaptemos o mundo à Amazônia e não o reverso, como foi nos últimos 400 anos. Façamos chique a moda de devorar a Amazônia! Chega de sushi de catupiri, kiwi com salmão!

Sétimo critério, prometo, último, tem que resolver o problema da fome. Não dá pra conservar a floresta se não for para quem nela e dela vive. E também melhorar a situação de quem entope as periferias de Manaus e Belém, atraídos pelas armadilhas das zonas francas e perspectivas de boa vida. Periferias de gordos e desnutridos, em tão precária, senão pior situação de quem ficou no interior.

O levantamento do IBGE sobre alimentação, o PNAD, realizado em 2004 e, cinco anos depois, em 2009, mostra que apesar de melhoras na insegurança alimentar, 40,3% dos domicílios da região Norte apresentam insegurança alimentar (nome moderno pra fome, o dobro das regiões Sul e Sudeste). E destes, ¼, ou seja, 9,2% do total, tem insegurança alimentar grave (cerca de três vezes a do Sudeste e quatro vezes a do Sul). Em 2004, era 10,9%. Ou seja, a situação não mudou. O boom econômico não chega na mesa do pobre da Amazônia. Além da piora na alimentação, há outros desafios, como o da monotonia alimentar: o consumo excessivo de farinha de mandioca, algum peixe e eventuais frutas e hortaliças resultam em distorções graves na saúde.

Perdão, esqueci-me, prometo, este é o ú-l-t-i-m-o: valorizar o que é seu! Se a gente da própria Amazônia não se valoriza ao que é seu, como o consumidor das outras plagas vai se interessar? Se o Brasil não valorizar o Brasil, o que será de nós? Cópia da cópia da cópia? Pesquisa científica já existe o suficiente, estão aí o INPA, a EMBRAPA, o Goeldi, a UFPA, a UFAM e outros centros mostrando o caminho e, isto, há décadas. A questão é que, quem define as políticas públicas acredita que o boi é a redenção, que comida regional é coisa sem futuro, que farinha e açaí é comida de pobre. Erraram redondamente, açaí é o ultra-chic!

____________________________
[1] São 70 milhões de hectares de florestas e outros ambientes que viraram pasto em menos de quatro décadas. Aliás, esta visão prevalece no Brasil, 2/5 do território são de pastos pra boi. No mundo se passa algo similar, quarenta por cento das terras aráveis são utilizadas para animais, principalmente bois.



João Meirelles Filho, mora em Belém, Pará, dirige o Instituto Peabiru e é autor de livros sobre a região - Livro de Ouro da Amazônia (Ediouro, 2003) e Grandes Expedições à Amazônia Brasileira (Metalivros, 2009), e está aprendendo a devorar a Amazônia.

domingo, 21 de agosto de 2011

Já chega! A geração Y nunca existiu

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15 de agosto de 2011, às 18h01min
Os funcionários em sua empresa não são x, y, z ou qualquer outra classificação, mas pessoas mais ou menos resilientes; mais ou menos agressivas; mais ou menos ambiciosas
Por Eduardo Ferraz , www.administradores.com.br
A GfK, empresa especializada em pesquisas de mercado, desenvolveu um estudo envolvendo 29 países para analisar a satisfação dos jovens no mercado de trabalho. Entre os dados obtidos, um item chama a atenção: 39% dos entrevistados estão infelizes com o equilíbrio entre a vida pessoal e profissional. No Brasil, o descontentamento com a qualidade de vida é ainda mais impressionante: 59% dos jovens brasileiros têm "frequentemente" ou "quase sempre" esse sentimento.

Outro ponto surpreendente do estudo global é que 37% dos pesquisados alegaram que foram "forçados" a aceitar o trabalho no qual estão por causa da economia do seu país. Já entre os brasileiros, esse índice é mais baixo, 27%, por conta do aquecimento econômico. Só que aí, a tristeza fica para as corporações. Apesar das boas perspectivas de mercado, 69% das empresas, participantes de um estudo realizado pela CNI (Confederação Nacional das Indústrias), em abril deste ano, afirmaram que têm muita dificuldade em contratar mão-de-obra qualificada. Para agravar, até 2015, o país precisará de 8 milhões de novos empregos formais - 1,9 milhão ainda em 2011.

A solução encontrada pelas empresas nacionais para atenuar esse "apagão" de mão-de-obra tem sido contratar pessoas cada vez mais jovens. A tal geração Y – segundo os teóricos, pessoas intolerantes, impacientes e ambiciosas, que não param nos empregos e ficam desmotivados com muita facilidade. Neste contexto, acredito que essa história de geração X e Y (e agora Z) é uma simplificação que tem sido utilizada como um álibi para explicar as dificuldades em se reter pessoas. Na Espanha, por exemplo, como o desemprego entre os 18 e 24 anos é de quase 50% (no Brasil não chega a 15%) a rotatividade é baixíssima e os jovens que conseguem um emprego fazem o máximo para mantê-lo. Será que não há geração Y lá e em outros países com alto desemprego?

A resposta é que o contexto muda, e as pessoas simplesmente se adaptam conforme o novo ambiente. Ou seja, sempre houve - há 30 ou 50 anos atrás, indivíduos impacientes e ambiciosos, como também os tranquilos e estáveis. Só que as regras eram outras, pois se cobrava resultados em longo prazo e, mesmo os agitados, se conformavam em ter um ou dois empregos durante a vida. Hoje a realidade é outra. Se uma empresa no Brasil contrata alguém que além de um bom currículo seja impaciente, ambicioso e competente e não dá oportunidades claras de crescimento, o que ocorre? Esse profissional arrumará outro emprego em pouco tempo! Seria um milagre se ele ficasse alguns anos (como ocorria há 30 anos) esperando ser notado, num mercado com desemprego baixíssimo e com enorme falta de mão-de-obra qualificada. Não cuidou bem, eles se mandam e aí aparece a clássica explicação: 'é que ele é da geração Y'. Aqui prevalece uma regra simples: tigre precisa de carne, não de alpiste.

Os funcionários em sua empresa não são x, y, z ou qualquer outra classificação, mas pessoas mais ou menos resilientes; mais ou menos agressivas; mais ou menos ambiciosas; e isso está ligado tanto com a personalidade (que mudará pouco) quanto com a atividade econômica (que continuará mudando muito). Se houver uma crise grave e o desemprego crescer, a geração "Y" desaparece e o jovem, antes exigente, aceitará o emprego que aparecer, ficando por lá até a situação melhorar. Sempre foi assim e sempre será.

O problema apontado pela pesquisa reflete o despreparo que sofrem muitas empresas, que não têm sabido escolher profissionais com perfis comportamentais adequados para cada função. A empresa contrata errado, o contratado fica infeliz (ele também não sabe o porquê), vai para outra empresa e ciclo vicioso se repete. A solução está no desenvolvimento de uma nova visão na área de Recursos Humanos, capaz de interpretar as necessidades, a personalidade e as atitudes das pessoas, independente da idade.

Para tanto, autoconhecimento e feedback 360 graus com frequência resolvem a maioria dos problemas. Infelizmente o processo de autoconhecimento e feedback interno ainda são vistos como uma atividade chata e até como desperdício de tempo. Para quebrar este paradigma, a participação e o comprometimento do CEO com o processo é indispensável, pois o exemplo vem de cima. Ele tem que demonstrar - a começar por si, que as pessoas certas nos lugares certos é o que fazem uma empresa ter alta performance, o resto é discurso.

Eduardo Ferraz é consultor em Gestão de Pessoas e especialista em treinamentos e consultorias "in company", com aplicações práticas da Neurociência comportamental, possuindo mais de 30.000 horas de experiência prática. É pós-graduado em Direção de Empresas, especializado em Coordenação e Dinâmica de Grupos e autor do livro "Por que a gente é do jeito que a gente é?", da Editora Gente. 

DIGA NÃO Á SEPARAÇÃO DO PARÁ

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EU DIGO NÃO!
        Aos Amigos e Profissionais de Outros Estados que moram e ganham seu sustento no Estado do Pará!

Tenho certeza que esta terra e seu povo te acolheram tão bem, que você não pensa mais em sair daqui. Esta é a forma de tratar do Paraense. Ao contrário de muitos estados do Brasil. Quando aqui se chega de fora, o paraense faz questão de levá-lo a todos os lugares para apresentá-lo a cidade e ao estado. A última visita é em sua própria casa, para almoçar um bom prato típico, regado a sorriso aberto e sincero, e ao bom bate papo entre amigos.

A você amigo de outro estado, peço que lembre que pode ter o Pará e ser bem recebido sempre, mas não seja desonesto e injusto a ponto de querer dividir nossa casa e tomá-la dos paraenses.

Não sou paraense, mas adotei este estado como minha casa e aqui vivo há quase 30 anos, sou testemunha do acolhimento do paraense e não posso concordar com isso. Me solidarizo com o povo daqui.

O Estado é grande, cabem muitos visitantes. Teremos o maior prazer em recebê-los sempre, mas não me venha com essa de deixar o Estado do Pará restrito a capital Belém e levar todas as NOSSAS, eu falei NOSSAS riquezas (do povo Paraense) embora.

Queremos dizer aqui, amigos. Se você vem mal intencionado, pode dar meia volta. Você não é bem vindo. Deixem-nos com nossos jacarés e voltem de onde vieram.

POVO PARAENSE E AMIGOS DE OUTROS ESTADOS QUE AQUI MORAM CONOSCO, não permitam que roubem nosso estado. Vamos unir forças para melhorar nossa casa juntos.

Nosso maior problema são os políticos e partiu deles esta idéia. Querem aumentar o número de políticos à nossas custas.

Serão 2 novos governadores, 6 novos Senadores, 16 novos deputados federais, sem falar de mais vereadores, secretários estaduais, assessores parlamentares e toda a corja de sanguessugas que sustentamos e que não nos ajuda em nada.

Ao povo paraense, peço que abram os olhos e não se deixem enganar com a história que sobrará mais dinheiro para melhorar a educação, a segurança, a saúde etc.

Já está provado que os três estados serão deficitários e dependerão da União para se manter.

Os novos estados terão um PIB insuficiente que consumirá toda a riqueza para custear apenas a burocracia e pagar a cambada de políticos corruptos.

Este é o maior golpe planejado da história contra um Estado da União.

É POR ISSO, E POR TER ADOTADO O PARÁ COMO LUGAR PARA VIVER E COMO BRASILEIRO QUE EU DIGO:

NÃO À SEPARAÇÃO!
E VOCÊ? VAI FICAR SÓ AÍ OLHANDO?
Repasse este e-mail a todos que amam o Pará

segunda-feira, 15 de agosto de 2011

11 tendências sustentáveis

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11 tendências sustentáveis

Como as empresas estão comunicando a sustentabilidade no mundo? E, principalmente, o que e de que modo vão comunicar o tema nos próximos anos?

 

Para responder a essas duas perguntas, Ideia Sustentável – usando a sua metodologia OTS (Observatório de Tendências em Sustentabilidade) – mapeou e identificou 11 tendências. São elas:

1) Consumidores exigentes, mais comunicação
Esse é um movimento que tende a se expandir em todo o mundo em resposta ao crescente interesse dos consumidores e às demandas por mais transparência.
O estudo sobre marcas verdes ImagePower (Cohn&Wolfe, Landor Associates e Penn Schoen Berland, em parceira com a Esty Environmental Partners), realizado em 2010  com 9 mil entrevistados em 8 países, incluindo o Brasil, revelou que 60% dos consumidores querem comprar produtos de empresas sustentáveis.
 
2) Inovação puxa comunicação de produtos
A valorização da sustentabilidade como vantagem competitiva tem levado cada vez mais empresas a comunicar não só aspectos convencionais como reciclagem e pegada de carbono, mas também iniciativas amplas relacionadas a produtos verdes.

Assim, compromissos efetivos com soluções para as mudanças climáticas seguem em alta nos Estados Unidos e na Europa, em virtude da relevância da questão e da crescente sensibilidade dos consumidores em relação a ela.

3) A velha história da lição de casa primeiro…
Cada vez mais empresas estão preocupadas em melhorar o desempenho em sustentabilidade antes de comunicá-la. A ideia parece óbvia, mas a história recente mostra que, contrariando o bom senso, muitas companhias quebraram a cara por botar o discurso a léguas da prática. Você, leitor, certamente conhece pelo menos uma empresa brasileira que cometeu esse equívoco. Arrisque fazer a sua listinha.

4) Mensagem valoriza o desempenho do produto, o bolso do consumidor e a contribuição para o planeta. Tudo ao mesmo tempo.
O desempenho do produto aliado à sustentabilidade é outra tendência que apareceu no radar. As primeiras ações de comunicação, adotavam um tom mais institucional. Agora, elas estão tratando a produção dos produtos e ainda contam com a "vantajosa" interação do consumidor.

Em um recente estudo sobre a comunicação da sustentabilidade no ponto de venda, a consultoria canadense Stratos identificou um crescimento no número de empresas que procuram "vender" ao consumidor a ideia de um benefício muito claro para a escolha de produtos mais sustentáveis. É o caso da P&G, com o seu papel-toalha Bounty Select a Size, que permite ao consumidor selecionar o tamanho das folhas de modo a evitar desperdício.

5) Simples é melhor
Considerando ainda o ponto de venda, observa-se uma tendência pela simplificação da mensagem da sustentabilidade. Um exemplo ilustrativo dessa tendência é a Marks&Spencer, maior rede de lojas de departamento do Reino Unido.

A rede britânica implantou uma campanha chamada Plano A, na qual transforma 100 compromissos em cinco pilares (Mudanças Climáticas, Resíduos, Matéria-Prima Reciclável, Parcerias Justas e Saúde), devidamente identificados por ícones. "Cinco anos. Cinco compromissos. 100 coisas para mudar. Porque temos apenas um mundo. E o tempo está acabando".

A intenção é comunicar rápido e de modo simples, com o intuito de fortalecer vínculos com consumidores cada vez mais bombardeados por informação verde. Uma inspiração para empresas varejistas brasileiras.

6) Verificação externa funciona como avalista
Cada vez mais empresas estão recorrendo à verificação externa e independente para validar suas estratégias verdes e metas de sustentabilidade corporativas. Na França, Alemanha e China, por exemplo, os consumidores se orientam quase que exclusivamente pelos selos de certificação.

7) Natural em alta
Tudo o que é "natural" segue em alta. Cada vez mais empresas se socorrem no procedimento de comunicar, nos rótulos, o "quão natural" é o produto.

Reconhecida como a "marca mais verde" dos EUA, segundo o estudo ImagePower-2010, a Burt´s Bees, empresa de produtos de cuidados pessoais, informa em suas embalagens o percentual preciso de "naturabilidade" de cada um deles e apresenta aos consumidores os benefícios de produtos naturais em relação aos convencionais.

Em conjunto com a Natural Products Association, a Burt`s Bees desenvolveu ainda um padrão para produtos de cuidado pessoal naturais, com o objetivo de sensibilizar consumidores num contexto caracterizado pela inexistência de regulação oficial.

8 ) Redes sociais, aí vamos nós!
Cada vez mais empresas vêm utilizando as ferramentas de mídia social para dialogar com públicos de interesse e ampliar o alcance de sua comunicação da sustentabilidade. Os vídeos on-line estão em alta entre os norte-americanos.

9) Preferindo o todo, em vez das partes
Cresce o número de empresas que estão trocando ações pontuais por um posicionamento mais amplo de sustentabilidade. A Timberland é apontada como emblemática dessa tendência, graças à iniciativa do Green Index Label (Rótulo de Índice Verde). A partir de três critérios: emissões de carbono, utilização de produtos químicos e consumo de recursos (a porcentagem, em peso, de materiais reciclados, orgânicos e renováveis), a empresa qualifica de 1 a 10 a "sustentabilidade" do produto.

As informações são registradas em uma etiqueta e disponibilizadas aos consumidores no ponto de venda.

10) O que focam as mensagens
Uma análise do que está sendo mais comunicado no ponto de venda revela uma ênfase à mudanças climáticas e energia – consumo de energia no ciclo de vida e uso do produto, matérias-primas com padrões éticos e ambientais; produtos químicos com segurança, materiais naturais, orgânicos e produtos químicos excluídos; gestão e uso da água; ações relacionadas a causas locais e globais, tais como o comércio justo, que proporcionem algum tipo de economia ao cliente e resultados financeiros para organizações.

11) Marcas sustentáveis mobilizam consumidores, empregados e parceiros
Parece crescer a consciência de que a sustentabilidade é um componente ético fundamental na construção de marcas. E, ainda, que marcas sustentáveis geram uma aura de simpatia e interesse. Criam audiências, favorecem proximidade e despertam confiança.

 

Ricardo Voltolini é publisher da revista Ideia Sustentável e diretor da consultoria Ideia Sustentável. Twitter: @ricvoltolini. Topblog: http://www.topblog.com.br/sustentabilidade.

Fonte: Agenda Sustentável.

 

Portal HSM
23/02/2011


Belo Monte traz 'pesadelo' logístico para empresas

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Belo Monte traz 'pesadelo' logístico para empresas - 18/07/2011

Local: São Paulo - SP
Fonte: Valor Econômico
Link: http://www.valoronline.com.br/


André Borges

Uma das maiores obras de engenharia em curso no mundo, a usina hidrelétrica de Belo Monte terá de ser construída no meio da selva a partir do nada e criar até mesmo a infraestrutura que torne possível sua existência - um pesadelo logístico de R$ 26 bilhões

Peças de até 300 toneladas terão de vir pelo rio Xingu para um porto ainda inexistente.  O atual vive do tráfego de pequenas embarcações para transporte de passageiros e serve para pouca coisa.  Um ambiente de trabalho para 22 mil pessoas vai requerer um aeroporto de porte compatível e o de Altamira, feito apenas para aviões pequenos, dará lugar a outro em que pousem Boeings.  Não é uma tarefa fácil.  A Infraero chegou a lançar o edital para a reforma, mas com a dificuldade de abastecimento e de acesso à região, nenhuma empreiteira se candidatou.

A péssima Transamazônica, a BR-320, que se torna ainda pior no Pará, onde será erguida a hidrelétrica, precisará de 700 km asfaltados para a construção da usina.  Para movimentação de obras, homens e material, mais 400 km de estradas terão de ser abertas.

Se esses desafios fossem pouco, a natureza coloca vários outros, alguns intransponíveis.  Nos próximos meses começam a desembarcar unidades da série de 700 máquinas para as obras - de caminhões a retroescavadeiras, um total de R$ 4,5 bilhões em equipamentos - que virão principalmente pelo rio Xingu.  A oscilação de vazão entre períodos de cheia e de baixa do rio é grande e muda o calendário dos trabalhos.  "Quando se fala de janela hidrológica, não é brincadeira.  Nessa região você trabalha seis, sete meses por ano.  O resto do tempo é procurar um jeito de trabalhar", diz Luiz Fernando Rufato, diretor de construção do consórcio Norte Energia, responsável pelas obras.

Canteiros pioneiros, com tendas e ar-condicionado, começaram a ser erguidos no meio da mata.  Funcionários passarão seis meses nessas bases provisórias, para construir os três canteiros definitivos e quatro refeitórios que, juntos, produzirão até 70 mil refeições por dia.  Neles, haverá quartos com camas individuais, casa lotérica, caixa bancário, templo religioso, centros de lazer, lan house e lanchonete para vender, inclusive, cerveja.  Para reduzir a chance de conflitos, como os que ocorreram nas obras do rio Madeira, a contratação da mão de obra local terá prioridade.  Treze mil trabalhadores já se inscreveram, e só 287 são forasteiros.

Crises políticas são inimigas imprevisíveis de Belo Monte.  A suspensão temporária das licitações feitas pelo Dnit, do Ministério dos Transportes, poderá afetar a pavimentação da Transamazônica.

Energia: Infraestrutura precária exige plano detalhado para não atrasar obra

Bastaria camuflar máquinas e homens para que os primeiros movimentos que começam a se espalhar no entorno de Altamira (Pará) se confundissem com uma complexa operação do Exército.  Não é nada disso.  Mas o engenheiro Luiz Fernando Rufato prefere lançar mão de expedientes militares para definir o clima que passou a tomar conta das margens do rio Xingu.  "Começamos uma campanha de guerra.  Estamos longe de tudo e temos prazo para garantir o trânsito livre na região.  Nosso desafio se chama logística, e nós começamos a enfrentá-lo", diz.

Rufato é diretor de construção do consórcio Norte Energia, grupo de empresas responsável pela construção da hidrelétrica de Belo Monte.  Há dez dias, as primeiras máquinas que abrirão caminho até os pontos onde serão instalados os canteiros de obra desembarcaram no município de Vitória do Xingu.  São as primeiras ações práticas depois que o Ibama liberou a licença de instalação da obra e virou a página de 35 anos de alterações de projeto, protestos e críticas sem fim.

Os primeiros funcionários já estão em treinamento, aprendendo em videogames como operar caminhões, retroescavadeiras.  Hoje são algumas centenas de homens trabalhando em um pequeno centro de treinamento, em Altamira.  Em três anos, haverá 22 mil pessoas distribuídas em três canteiros de obra, no meio da mata da Volta Grande do Xingu, a cerca de 80 quilômetros dali.Os canteiros pioneiros, montados com tendas e ar condicionado, começaram a ser erguidos no meio da mata.  Funcionários passarão seis meses nessas bases provisórias, para construir os três canteiros definitivos e quatro refeitórios que, juntos, terão capacidade de produzir 70 mil refeições por dia.

A complexidade logística de Belo Monte, empreendimento orçado em R$ 26 bilhões, vai exigir todo o tipo de obra viária para que, durante seus nove anos de construção, o empreendimento transcorra como planejado.  Para tanto, o aeroporto de Altamira terá de ser ampliado e a rodovia Transamazônica, finalmente pavimentada.  Outros 400 quilômetros de estrada serão abertos.  No rio Xingu, o consórcio vai construir um novo porto, para apoiar a chegada de máquinas pesadas, parte delas vindas de outros países.

Para reduzir dificuldades, o consórcio construtor tem priorizado a contratação de quem vive na região.  Mais de 13 mil pessoas se cadastraram para trabalhar na obra.  Dessas, só 287 não são da região.  "O ideal seria contratar as 22 mil pessoas nos municípios próximos da obra, mas não será possível.  Por isso, vamos treinar e contratar todos que conseguirmos", diz Rufato.

Na cabeça dos gestores de Belo Monte está a preocupação de evitar os problemas que macularam as obras das usinas do Madeira, em Rondônia, além de dar uma resposta positiva à enxurrada de críticas que prevê o caos social, com a chegada de milhares de pessoas a uma região que é carente de todo o tipo de serviço básico.  Nos canteiros, estão previstos quartos com camas individuais, e não beliche.  Os locais terão casa lotérica, caixa bancário, templo religioso, centros de lazer, lan house e lanchonete vendendo de tudo, inclusive, cerveja.  "E com álcool", completa Rufato.  "Se você não consegue controlar algo, não adianta proibir.  Mas quem quiser, vai ter de pagar um preço alto."

quinta-feira, 14 de julho de 2011

"Se eu quiser falar com Deus..."

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"Deus não tem nenhuma linguagem exceto a linguagem do silêncio.

Então, se você fala em Hebráico, em Árabe ou em Sânscrito está perdendo seu tempo - ele não irá entender. Há três mil línguas na terra e os cientistas dizem que há pelo menos cinquenta mil terras onde a vida evoluiu até quase o mesmo ponto que aqui.
Assim você pode ver quantas línguas existem em todo o universo.
 

Falar para Deus é estupidez. E para haver oração é sempre necessário que você diga alguma coisa - isso é absolutamente errado.
 

Você precisa aprender a ser silencioso, numa profunda rendição e gratidão não-expressa, amor não-proferido, isso é oração.

Expresse-a e você a terá destruído, Profira-a e você a terá falsificado.
Diga-a e você a terá feito mundana. 


Deixe-a não-proferida, não-manifesta porque deus é não-manifesto. 

Se você puder deixar seu amor pela existência não-manifesta, assim há comunhão imediata e essa comunhão é oração.

Para mim, meditação e oração não são diferentes, são dois nomes para o mesmo fenômeno. Seja silencioso - você pode chamar isso de meditação, pode chamar de oração, mas aprenda a ser silencioso, aprenda a escutar a existência.

Em vez de falar com deus, escute-o!

E ele está falando: Através do vento passando pelos pinheiros, através do som das águas correntes, pelas fragrâncias das flores e pelas canções dos pássaros - estas são todas suas mensagens.

Em cada folha está a assinatura dele, a existência inteira é sua escritura.

Aprenda a ser silencioso, aprenda como escutar com gratidão, agradecido, em profunda confiança e amor, e assim você saberá o que é oração.

Ela é um fenômeno bem sutil. Ela é uma chama, uma luz no coração.

Uma radiação e uma dança no coração!"

(Osho)

terça-feira, 12 de julho de 2011

Inspire-se: turbine sua carreira aprendendo com os bons exemplos

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12 de julho de 2011, às 09h05min

Escolha alguns executivos de sucesso, observe suas competências e habilidades e elabore seu caminho profissional

O sucesso profissional depende de diversos elementos, como conhecimento, habilidades, comportamento, atitudes do profissional e, claro, das oportunidades que surgem ao longo do caminho. Mas na hora de elaborar seu plano de carreira, vale uma dica: selecione alguns executivos que chegaram ao topo e observe seus movimentos.
Muitos profissionais em início de carreira, e até aqueles mais experientes, apesar de saber onde querem chegar, não sabem exatamente o que fazer para atingir seus objetivos. Nesse sentido, escolher alguns profissionais de destaque pode ser uma boa ajuda. Mas atenção para não confundir o caminho percorrido pelo executivo com os resultados obtidos por ele.
Um diretor de RH, um diretor da área financeira, um presidente de uma companhia... cada um deles trilhou caminhos diferentes para chegar aonde chegaram, assim como você vai trilhar o seu, mas alguns aspectos do comportamento e das habilidades desses profissionais podem servir de parâmetros para o seu desenvolvimento.
Vernon Wiley/ iStockPhoto
 Escolha alguns exemplos de sucesso e observe suas competências


Escolha seus modelos
Antes de sentar para elaborar seu plano de carreira, estude um pouco os profissionais que estão a sua volta. De acordo com o diretor da Lydera, empresa focada em transformação de líderes, Ivan Abreu Paiva, "é muito difícil você olhar para uma pessoa só e ter todo o espelho que você precisa".
Paiva acredita que em todos os gestores, mesmo os que não sejam de grande destaque, é possível retirar elementos interessantes para o seu desenvolvimento e aprender com eles. As experiências reais, portanto, podem ser muito favoráveis a você. Será possível perceber, por exemplo, que nenhum profissional bem sucedido trabalhou das 8h às 18h.
Trabalhar mais não quer dizer necessariamente que você deve ficar mais tempo na empresa, mas sim que boa parte do seu tempo deve ser empregado no seu aperfeiçoamento profissional, através de estudo e do aprimoramento das habilidades técnicas ou comportamentais.

Analisando perfis
Selecionar algum modelo de profissional também é interessante, pois pode evitar que você desperdice muito tempo insistindo em uma carreira que talvez não seja para você. A diretora da Inthegra Talentos Humanos, Vianei Altafin, comenta exatamente um caso desse tipo no qual um jovem, ao observar o sucesso profissional do pai, um promotor muito bem posicionado na sua carreira, relatou que gostaria de ser como o pai.
 O problema é que ele simplesmente não tem o perfil requerido para ter o mesmo desempenho naquela carreira, "o pai é super expressivo, comunicativo, tem um networking excepcional, uma pessoa agradabilíssima, e o jovem, por sua vez, é fechado, calado e introvertido", avalia Vianei. Isso de forma alguma quer dizer que esse jovem está fadado ao fracasso, mas já indica que suas chances de ter sucesso profissional serão muito maiores se ele reconhecer seu perfil e entender para onde deve direcionar sua carreira.

Tenha atitude
Uma questão chave que Vianei levanta nesse processo tem a ver com a atitude. Muitas pessoas observam quais competências ou habilidades precisam desenvolver para se destacar, mas simplesmente não se movem. "Esse é um grande entrave das pessoas, muitas vezes elas simplesmente não saem da zona de conforto", avalia.
 De acordo com Vianei, sair da tal zona de conforto requer uma mudança de comportamento, e isso nem sempre é fácil. Aceitar que é preciso mudar e lutar pelos objetivos pode não ser uma tarefa simples, mas uma coisa é certa, qualquer que seja o referencial de sucesso que você tenha escolhido saiba que ele não se manteve na zona de conforto.

Alguns cuidados
Nessa estratégia, ao observar os profissionais de destaque que você selecionou, Ivan ressalta: "o que é importante saber é que não é apenas imitar comportamento e atitude. Você precisa ir muito além da simples reprodução de comportamento e atitudes, é preciso identificar o que faz o profissional trabalhar dessa ou daquela maneira".
 Observe então as habilidades que aquele profissional tem e em seguida tente entender como ele conseguiu desenvolvê-las. Só assim você poderá trazer isso para a sua realidade e trabalhar para que consiga atingir uma mudança plena no seu interior.

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sábado, 2 de julho de 2011

Profissional competente!

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12 de abril de 2011, às 09h40min

O sentido desse termo designa, em geral, o conjunto de capacidades e aptidões que habilitam alguém para uma multiplicidade de decisões e desempenhos sociais no campo do trabalho.


Apesar da noção de competência não ser nova, seu uso cada vez mais difundido nos discursos educacionais, científicos e sociais é relativamente recente e nos leva a inquirir sobre a significação do seu emprego.


O sentido desse termo designa, em geral, o conjunto de capacidades e aptidões que habilitam alguém para uma multiplicidade de decisões e desempenhos sociais. Seu significado no âmbito da formação para o trabalho do professor está intimamente ligado ao desempenho e à eficiência, existindo uma tendência em substituir outras noções que antes prevaleciam como saberes e conhecimentos.


Essa amplitude semântica evidencia diversidade de significação, gerando incertezas na conceituação geral. Às vezes o termo competência remete a capacidade, outras vezes à habilidade, ao conhecimento, às atitudes e ao desempenho.


Aqui vou citar uma relação de competências e habilidades básicas que permeiam o espaço desejado pelo profissional de qualquer área, como a capacidade de utilizar os conhecimentos adquiridos para o exercício de uma situação relacionado ao mundo do trabalho.


                              
          Profissional competente:


1) É ter conhecimento profundo daquilo que ensina ou trabalha; ninguém é livre sem conhecimento, sem consciência;

2) É orientar e enriquecer os caminhos transitados, e não achar que tem o poder vital da situação;

3) É ter um coração que se emociona diante de cada situação problema que encontra em sala de aula;

4) É ter criatividade, imaginação para sugerir sempre;

5) É compreender todas as variações do ser humano;

6) É compreender que somos o resultado da época, do meio, da família;

7) É não ficar triste diante dos desenganos;

8) É ser poeta para inspirar;

9) É ser simples e ao mesmo tempo audacioso;

10) É saber ouvir, é ser fino, delicado, compreensível nas suas relações;

11) É ter uma força profunda para se erguer diante de uma dificuldade;

12) É saber que precisa estar em continuo aperfeiçoamento;

13) É ser ético e acreditar que é possível ter uma vida humana, com boas relações com outros seres humanos;

14) É estar sempre alegre, e demonstrar que viver é maravilhoso; É não duvidar das virtudes e das crenças de seus semelhantes;

15) É se relacionar bem com os sujeitos e compreender o comportamento do ser humano, tanto no plano individual, como no plano social;

16) É estar tranquilo com a sua consciência;

17) É saber deixar o mau humor na calçada do seu local de trabalho;

18) É gostar do novo, das pessoas;

19) É ter um ideal;

20) É saber ir e vir em redor desse mistério que existe em cada pessoa;

21) É ser capaz de reconhecer seus erros;

22) É ter liberdade, mas agir de acordo com os valores da nossa sociedade;

23) É saber valorizar a importância do conhecimento;

24) É saber utilizar a capacidade de pensar.

terça-feira, 14 de junho de 2011

O Professor de Administração

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13 de junho de 2011, às 22h36min

O texto analisa as diferentes facetas atitudinais e ideológicas pelo magistério no ensino de admninistração no Brasil

A maior parte das reflexões que ora lhes apresento pode estar viciada ou deformada por um erro lógico bastante conhecido, do qual eu certamente me deveria prevenir: a falsa generalização.
De pronto, peço-lhes desculpas por isso.
É preciso em relação ao tema da responsabilidade social do docente atentar para a sutileza na análise das circunstâncias, dos fatos, das realidades, das distinções e das subdistinções de cada caso, de cada realidade própria de cada organização. Mas do que tudo é preciso considerar a diferença!
Não podemos incidir no equívoco da falsa generalização, que pressupõe que todas as organizações são iguais, fabricadas por estereótipos análogos que afirmam, por exemplo, o mesmo equívoco de que todos os políticos são corruptos, de que todos os médicos são incompetentes ou insensíveis, de que todos os professores, como intelectuais, são arrogantes, vaidosos, cheios de si, donos da verdade, proprietários exclusivos do conhecimento.
Falar dos professores, de suas responsabilidades sociais como docentes, formadores de consciências, de valores e de opções éticas na gestão das organizações, como se todos pertencessem a um grupo homogêneo é uma insensatez.
Há distintas ideologias, níveis de engajamento, de participação e de comprometimento entre todos os professores na formação da estrutura de pensar dos alunos, futuros gestores e operadores das organizações que integram e compõem a sociedade nos mais distintos campos da ação humana.
Os professores de administração são transformadores das organizações, vale dizer, da sociedade.
Toda organização tem os seus formadores do poder ideológico, que marca o seu destino, conforma a sua existência, dá rumo e sentido, direção e norte à sua caminhada, à forma como se integra e se relaciona em sociedade, à maneira como trata os seus empregados, relaciona-se com seus circunstantes – fornecedores, competidores, autoridades governamentais e o público em geral.
A função dos professores como formadores do poder ideológico muda de organização para organização, de sociedade para sociedade, de época para época, assim como mudam as relações, ora de contraposição, ora de aliança, que os professores de administração mantêm com os demais poderes organizacionais.
É costume se dizer que os professores devem ser desconsiderados ou desaprovados no que afirmam em sala de aula, porque são sempre do contra. Dizem: "quem sabe faz, quem não sabe ensina". Ou, da mesma forma: "Teoria na prática é diferente". "Isto tudo aí que estão dizendo é muito bom para sala de aula, quero ver fazer isso no batente". São verdadeiros lugares-comuns que constituem o cotidiano de todos os que se ocupam da análise das realidades organizacionais.
Muitos dizem que os professores de administração devem ser execrados porque são conformistas, pretendem manter o status-quo das organizações. Berthold Brecht em Galileu Galilei afirma: "Viu-se o que é raro de se ver, um professor querer aprender". Assim, pressupõe-se que o professor tem o papel social de manter lacustre a organização, estável e conformista, por mais que se fale em mudanças. Como alguém já disse: "é preciso mudar alguma coisa para que tudo fique exatamente como está". Ou seja, o professor desempenha a função social de mantenedor do status-quo nas organizações e no mundo do trabalho.
É preciso educar aqueles que se dedicam à formação de administradores. Educar os educadores, eis a primeira condição para a real melhoria e eficácia dos cursos de administração no Brasil.
A responsabilidade social do docente certamente o conduz à mediação e à interlocução reflexiva e criativa. O método de ação do professor de administração em sala de aula é o diálogo racional e instigante, no qual os interlocutores discutem e apresentam uns aos outros argumentos raciocinados, experiências vivenciadas, cuja virtude essencial é a tolerância, a aceitabilidade e a serenidade para a diferença.
É preciso aprender a aprender, é preciso aprender com a experiência. Experiência não é o que acontece conosco, mas o que aprendemos com o que nos acontece. E nesse sentido, como também já se disse, "mestre é aquele que de repente aprende", com a discussão suscitada por seus alunos.
O professor tem uma enorme força moral sobre os seus alunos. Eis aí mais uma responsabilidade social básica da missão do professor em sala de aula. Aqui está, sem dúvida, a força política que engendra e articula junto aos seus alunos, mesmo que não esteja plenamente consciente desse seu papel. A voz do professor que inspire respeito e admiração ao aluno pode conduzi-lo efetivamente no caminho da verdadeira e adequada formação profissional.
Esta depende da grandeza moral e do caráter do professor: o conhecimento e a cultura que a encerra são transmitidos fundamentalmente pela força moral e pelo poder pessoal do professor. Não depende exclusivamente da busca espontânea do conhecimento pelos estudantes.
Na medida em que o professor defende e alimenta valores morais e elevados na gestão das organizações, ninguém o poderá acusar de estar a serviço de paixões partidárias, ou de modismos organizacionais, ou mesmo de repetidor não crítico de teorias ajustadas para outras realidades oriundas de países culturalmente distintos do Brasil. Na medida em que deliberadamente propugna em sua ação pedagógica de que determinados valores universais não podem ser desconsiderados por nenhuma organização, sua intervenção como educador e formador de consciências gerenciais torna-se crescentemente relevante para a sociedade da qual é cidadão.
O estudante não é apenas um repositório para as idéias dominantes de uma determinada época.
Ele pode e deve efetivamente aprender a pensar a sua própria experiência e produzir a partir dela novas visões e incrementar novos comportamentos, hábitos e atitudes. O conhecimento adquirido não é o que o aluno passa a saber, mas o que ele faz com o que sabe.
Faça-se, pois, o professor de administração, conscientemente e sem reservas, nem falsos pruridos de isenção ou de neutralidade, um agente ativo de transformação social de nossas organizações, contribuindo ideologicamente para torná-las humanizadas e comprometidas – é verdade – com o lucro, mas fundamentalmente como instrumentos do bem comum e de uma sociedade mais justa e fraterna.
Ortega y Gasset nos fala do "homem e de suas circunstâncias", da interpretação que cada um dá às circunstâncias em que está envolvido. A cultura é como ar que se respira. Os padrões de comportamento praticados por uma pessoa tendem a tornar-se tão fixos e arraigados que podem até ser chamados de sua "segunda natureza". Manifestam-se sem um momento de reflexão. Internalizam-se nas pessoas. A sua repetição faz com que se incorporem ao contexto da própria existência de cada um. A menor alusão à necessidade de mudar pode gerar resistência.
A organização também tem a sua "segunda natureza". Ela cega as pessoas. O que já é conhecido passa a ter maior penetração e encontra aceitação, quer seja certo ou errado.
Para que aprimoramentos ocorram, e para que as intervenções se tornem mais lúcidas e conseqüentes, o esforço de intervenção deve processar-se em dois níveis distintos: a) Indivíduos – com anos de experiências e vivências sociais; b) Culturas organizacionais – que se têm tornado bastante difícil diagnosticar criticamente o seu desempenho, em termos de processo decisório, motivação, planejamento e controle.
Aí se coloca mais uma relevante responsabilidade social do professor de administração como agente de mudança social. A conduta do docente de gestão deve ser embasada por uma forte vontade de influir e de participar das lutas e das contradições, das mudanças e dos conflitos que marcam a realidade das organizações do nosso tempo, mas sem permitir-se deixar alienar a ponto de se desantenar do processo histórico de que participa.
É preciso que seja suficientemente lúcido para não se identificar completamente com uma parte, uma teoria ou uma vertente de pensamento ideológico tomado como verdade absoluta, a ponto de tornar mais um porta-voz de palavras de ordens estabelecidas pelos gurus da administração internacional, que fixam conceitos e estabelecem práticas como científicas sem qualquer validação em pesquisa.
Fazem-se no mundo das organizações, nas ciências sociais aplicadas ao cotidiano de trabalho, afirmações tomadas como verdades absolutas que jamais se ousaria pensar em repetir no mundo das ciências físicas, em que tudo se fundamenta em rigorosas pesquisas científicas, testes de validação e experimentação para só então tornarem-se acessíveis ao uso comum.
No mundo das organizações, ao contrário, alguns estabelecem como verdades absolutas a descrição limitada e restrita de suas circunstâncias existenciais estreitas e as tornam verdades para todos, universalizando o particular, talvez apenas verdadeiro para aquela determinada realidade.
A teoria nunca é uma verdade definitiva e acabada, dogmática, pronta a ser assimilada. A teoria se faz e se aprofunda associada à prática, submetida à reelaboração a partir da experiência e da crítica, o que subverte as categorias abstratas e os esquemas intelectualistas estereotipados de seus formuladores. A teoria só é adequada quando exprime o real, a prática. Por isso, ela se reforma a cada instante, como insumo a novos estágios alcançados pela prática. Do contrário, a teoria confirmaria a ilusão idealista de que o discurso sobre a realidade é suficiente para transformá-la. Toda teoria organizacional só é válida quando nos servimos dela para ultrapassá-la.
É preciso que o professor mantenha ao descrever para os seus alunos, futuros gestores das organizações, a independência, mas não a indiferença em relação à pletora de conceitos e a literatura emergente relativa ao estudo e à análise do ambiente de trabalho e à realidade das organizações. Precaver-se para não se tornar garoto-propaganda de algumas delas.
A tarefa do professor é fazer o aluno pensar, refletir sobre a sua própria realidade, agitar idéias, levantar indagações, suscitar questões e problemas, discutir alternativas ou formular teorias gerais. A tarefa do aluno como integrante de uma organização, gestor de uma realidade, é a de tomar decisões. Toda decisão implica a escolha entre diversas alternativas, muitas convergentes e outras tantas contraditórias e divergentes.
O aluno em sua realidade de trabalho convive com a ambigüidade e a incerteza, caminha na corda bamba, como "o equilibrista com o seu chapéu côco", de que fala a música popular. Toda decisão por ser uma escolha é necessariamente uma limitação, uma afirmação e uma negação.
A tarefa do professor é convencer, persuadir ou dissuadir, de motivar ou desmotivar, estimular ou desestimular, de exprimir juízos, de discutir rumos alternativos, sugerir ou fazer propostas tentativas, de mobilizar os seus alunos para que adquiram opinião própria sobre as circunstâncias em que estão inseridos.
O aluno, como gestor, precisa extrair desse universo de reflexões e estímulos a que é exposto pelo professor, muitas vezes opostos e contraditórios, o seu próprio rumo, a linha de ação específica que deve seguir dada à sua própria realidade. A prática tem suas razões que muitas vezes a teoria não conhece. Mesmo a teoria mais adequadamente concebida e testada deve ser adaptada às circunstâncias de cada um.
Assim, o professor tem a responsabilidade social de desenvolver no aluno a sua competência diagnóstica e não a prescritiva. Como a medicina, também no mundo das organizações há que se fazer a diferenciação adequada entre doença e doentes, entendendo-se de que diferentes manifestações de doença apresentam-se diferentemente em diferentes doentes.
Tudo isso nos faz atentar mais para as peculiaridades dos problemas, para lhes aplicar as soluções adequadas. E para isso o aluno precisa aprender a diagnosticar com precisão as tipicidades do problema com o qual se defronta, para só então implementar a solução adequada, que é sempre a que melhor se ajusta a uma dada situação.
O professor precisa resistir ao simplismo do aluno que busca receitas de bolo, aprender soluções mágicas aplicáveis a quaisquer realidades. É preciso fazê-lo aprender a pensar e, conseqüentemente, formular criativamente soluções próprias ao problema que busca solucionar.
É preciso que o docente se precavenha contra a propensão que possa ter em dar conselhos práticos a seus alunos sobre o comportamento que devam adotar nas organizações.
A docência ou o magistério de administração ou de gestão das organizações não é destinado a profetas, a videntes ou a demagogos, mas, efetivamente, aos que se dispõem a fazer os seus alunos pensarem sobre as realidades organizacionais em que convivem, com o propósito de compreendê-las e transformá-las.
A formação profissional comprometida com um pragmatismo superficial e o desprezo pelo conhecimento e a cultura, a subordinação da inteligência às atividades necessárias à conquista do emprego são certamente causas estruturais do fracasso de alguém na sua própria realização como pessoa e profissional. As escolhas constroem o destino. Escolhendo o imediatismo da aplicação do conhecimento ao caso específico de trabalho, o professor de administração embota a inteligência de seus alunos, estreita os seus horizontes de consciência e de percepção e os condena ao mero adestramento profissional.
O valor das competências mudam ao longo do tempo. As competências essenciais de ontem são as rotinas de hoje.
É preciso uma educação gerencial que forme o gestor e não apenas que o profissionalize. Para isso, a sua formação deve estar comprometida com uma cultura voltada para a compreensão da vida e da realidade em que atua e não na exclusividade da capacitação ou da habilitação no manuseio de artefatos tecnológicos e operacionais que os sirvam ao imediatismo do pragmatismo do adestramento profissional.
A prevalência do tecnicismo e a mediocrização não são os verdadeiros caminhos para a formação adequada do gestor profissional, pois se aliena da cultura. Aqueles que tendem a atribuir grande peso ao conhecimento utilitário do especialista se antepõem à cultura humanística do gestor como generalista. Entenda-se aqui generalista como o especialista que transcende os limites de sua própria especialização, sendo assim capaz de integrar e articular o seu espaço específico de trabalho ao universo da organização e da sociedade. É aquele capaz de compatibilizar e fecundar pela interdependência do conhecimento e da ação áreas funcionais distintas, juntar o "lé" com o "cré", fazer a costura ou a interseção de diferentes funções e processos de trabalho.
O conhecimento estritamente especializado do administrador agrada ao egoísmo das organizações: quanto melhor a especialização e o adestramento, maior a produção e a produtividade, maiores os lucros e, assim, maior felicidade para os acionistas e os empregados.
Associa-se resultado obtido à felicidade. E, em conseqüência, cada vez mais atribui-se maior valor à ética dos resultados em detrimento da ética de convicções. Igualmente agrada às organizações porque busca formar profissionais adequados às instituições existentes, isto é, integrá-los através da aquisição de conhecimentos ajustados à conformidade.
A formação profissional focada na prevalência do desenvolvimento do conhecimento especializado dificulta a compreensão da organização pela visão humanista que deve caracterizar a formação de generalista do administrador.
No dizer de Gramsci todo homem é em si um filósofo. Traduzindo isso para o linguajar comum, podemos concluir que todo homem é em si um intelectual capaz de pensar a sua realidade no sentido de transformá-la. Não devemos julgar intelectual apenas o homem de punhos de renda, detentor de títulos de nobreza, modernamente chamados de MBA's e PHD's. Intelectual é aquele que pertencendo aos mais diversos segmentos sociais é capaz de interpretar as realidades desses segmentos, fazer propostas, repensar os seus destinos, seguir outros cursos de ação.
É capaz de antever o futuro e fazê-lo presente. Este certamente é o conceito de intelectual que os professores de administração precisam passar aos seus alunos, futuros agentes de mudança das organizações, formuladores de novas trajetórias e gestores de uma realidade em permanente mudança.
É preciso desestimular radicalmente os professores de administração que formam gestores de organizações para a conformidade e a submissão, tal como muitos eles próprios se comportam nos meios acadêmicos através de um aviltante oportunismo profissional.
A pregação dos valores da modernidade e a exaltação do sucesso não podem conduzir ao coroamento da mediocridade na formação de quadros, ao adestramento especializado e estreito do especialista, ao abandono da reflexão sobre a realidade organizacional, à vulgarização e à degradação do pensamento autóctone. A classe social emergente é a dos trabalhadores do conhecimento, aqueles que fazem uso produtivo do conhecimento.
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Profissionais satisfeitos rendem mais. No seu trabalho, já sabem disso?

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25 de abril de 2011, às 08h47min

É preciso mudar o comportamento predominante nas organizações, afirma especialista

A falta de confiança é um dos motivos para que os profissionais não rendam o máximo possível dentro da empresa, segundo avalia o sócio-diretor da Muttare consultoria de gestão, Tatsumi Roberto Ebina. De acordo com ele, ao conceder poder de decisão aos seus colaboradores, as organizações podem sentir, até no curto prazo, algumas mudanças positivas, além de prevenir eventuais riscos.

"As empresas têm o poder de modificar o pensamento e alinhar os valores dos colaboradores com os seus. Porém, existe uma lacuna entre o que as empresas pregam em seus discursos e o que elas realmente praticam para dar mais autonomia aos seus funcionários. Impedir que eles exerçam um papel de maior destaque inibe que eles cresçam. E essa insatisfação pode resultar em comportamentos prejudiciais para as empresas", avalia Ebina .

Respeito

Além da falta de confiança, o especialista acredita que "muitas empresas não valorizam o colaborador", sendo que algumas sequer o respeitam. Tais comportamentos também acabariam por impactar no rendimento do profissional, que, muitas vezes, diz ele, precisa manter uma imagem para assegurar o crescimento dentro da companhia.

 Nyul/ iStockPhoto
É preciso mudar o comportamento predominante nas organizações, afirma
especialista


"Valorizar não se refere apenas à questão da remuneração. O que conta verdadeiramente é que as pessoas precisam ser respeitadas naquilo que elas são. Na medida em que estão dentro da empresa passaram por um processo de seleção que as qualificou e as identificou com os valores e competências requeridas para aquela organização. É preciso mudar o comportamento predominante nas organizações", afirma Ebina .

Na sua empresa, a liderança já se deu conta de tudo isso? Deixe seu comentário.


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terça-feira, 7 de junho de 2011

Vida e religião

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"A verdadeira religião é uma devoção para com a vida e a existência.
Lembre-se disso: Deus está em cada folha de grama. Ela é o gesto dele.
Em milhares de modos e em milhares de gestos ele está dançando por toda parte. Ele está dançando dentro e fora de você. Por isso digo para meus sannyasins dançarem, e dançar com tal abundância que você se perca na dança. Isso vai lhe dar o primeiro sabor do que é ter um encontro com Deus, o que é ter um caso com Deus.
Meu sannyas não é para ser sério, não é para ser triste. Meu sannyas tem que ser uma canção, uma celebração, um regozijo na vida. Eu não ensino renúncia pois para mim Deus é vida, e se você não puder descobri-lo na vida você não o encontrará em nenhum outro lugar.
Deus não é para ser encontrado nos monastérios ou nas cavernas dos Himalaya; ele é para ser encontrado na vida, em todos os tipos de situações que se encontram na vida. Deus tem que ser encontrado em tudo: Nas experiências amargas e nas doces experiências que a vida torna disponíveis a você; nos dias, nas noites, nos verões, nos invernos.
Nos espinhos, nas flores.
Deus precisa ser encontrado aqui no grosso da vida."
                                                                                            Osho

quarta-feira, 18 de maio de 2011

João Paulo Capobianco: O código do atraso

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18 de maio de 2011

Por João Paulo R. Capobianco
Biólogo e ambientalista
No Le Monde Diplomatique


A discussão sobre florestas está nas primeiras páginas dos jornais e no horário nobre das emissoras de rádio e televisão. A boa notícia é que, dessa vez, o acalorado debate não é consequência da divulgação de números alarmantes de derrubadas na Amazônia.

Graças a uma atuação firme de combate ao desmatamento iniciada no primeiro governo Lula, que teve continuidade no segundo e, espera-se, prossiga no de Dilma Rousseff, os índices vêm diminuindo ano a ano.

O monstro, que parecia incontrolável e nos assombrou e envergonhou durante os séculos em que reinou na Mata Atlântica e na Caatinga e as décadas em que ditou as regras na Amazônia e no Cerrado, mostrou sua fragilidade ao ter que enfrentar compromisso político e ação firme do governo, impulsionado a agir pela pressão da sociedade.

A má notícia, entretanto, é que essa intensa discussão não é motivada pela evidente necessidade de aperfeiçoamento da legislação florestal, a fim de torná-la mais moderna e compatível com o atual momento em que vivemos. Momento este, marcado por um forte crescimento da consciência ambiental e da valorização dos princípios da sustentabilidade.

O que estamos assistindo, é uma disputa desigual entre os que querem impor uma flexibilização total das normas de conservação e os que, impossibilitados de fazer a agenda avançar, estão na defensiva, tentando garantir que o estrago seja o menor possível.

Essa não é a primeira vez que parlamentares da intitulada “bancada ruralista”, constituída pelo que há de mais atrasado no campo, tentam flexibilizar a legislação. Em 2000 quase conseguiram. Não fosse a vigorosa reação da opinião pública e a resistência de alguns poucos parlamentares, que levaram o então presidente Fernando Henrique Cardoso a intervir no processo, teria sido aprovado o famigerado relatório do Deputado Micheletto (PMDB-PR), que literalmente destruiria os instrumentos legais de proteção da vegetação nativa do país.

Um período de avanços
Desde essa última investida até agora, algumas coisas mudaram nos processos de degradação florestal. E a mudança foi, finalmente, após décadas de descontrole, para melhor.

Na Amazônia, entre 2004 e 2010, o desmatamento anual despencou de 27.423 km² para 6.451 km², atingindo a menor taxa registrada desde que teve início o monitoramento realizado pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), em 1988. Nos demais biomas o desmatamento também entrou em declínio, embora no Cerrado os índices ainda sejam alarmantes.

Para se chegar a esse resultado, ainda não completamente satisfatório, visto que o desmatamento, embora menor, continua em proporções muito altas, foi implementado um conjunto inédito de fortes medidas de controle.

Somente na Amazônia, onde o governo concentrou seus esforços no período de 2004 a 2010, foram criadas cerca de 261 mil km² de unidades de conservação e homologadas aproximadamente 180 mil km² de terras indígenas. Essas novas áreas protegidas tiraram do alcance de especuladores e grileiros uma área equivalente à soma dos territórios dos estados de São Paulo e do Paraná.

Para tornar ainda mais eficiente a ação contra a grilagem, um dos principais fatores de desmatamento na Amazônia, foram cancelados nos cadastros do Incra mais de 66 mil títulos de posses ilegítimas e modificados radicalmente os mecanismos e procedimentos para registro de posse.

Somaram-se a isso as operações do Ibama integradas com a Polícia Federal e polícias ambientais dos estados que levaram ao fechamento de aproximadamente 1.500 empresas clandestinas, apreensão de milhões de metros cúbicos de toras, desmonte de máfias da madeira e da especulação de terras públicas, que operavam há décadas na região, e a prisão centenas de pessoas, incluindo funcionários públicos dos governos federal e estaduais.

Complementando essas medidas, vieram outras no campo legal, como a aprovação da Lei de Gestão de Florestas Públicas (Lei 11.482/06) e da Lei da Mata Atlântica (Lei 11.428/06) e a edição de vários decretos, em especial os de números 6.321/07 e 6.514/08, que definiram mecanismos muito consistentes para fazer valer o cumprimento do Código Florestal.

Contraofensiva ruralista
Conhecendo esse contexto, fica evidente não ser mera coincidência o momento escolhido para esse grande esforço empreendido pelos ruralistas, no sentido de buscar promover a completa desestruturação da legislação de proteção à vegetação nativa do país. Ele é consequência direta da percepção de que os produtores rurais em situação irregular enfrentariam cada dia mais dificuldades para continuarem a deixar de aplicar as exigências legais, frente os novos mecanismos de controle e punição engendrados nos últimos anos.

O movimento antiambiental em andamento agora na Câmara, entretanto, tem uma diferença fundamental em relação ao de 2000: ele foi, dessa vez, minuciosamente preparado em todos os seus aspectos.

Do ponto de vista processual, ressuscitaram um projeto de 1999, que já tinha sido arquivado duas vezes e o submeteram à análise de uma comissão especial criada em setembro de 2009 pelo então presidente da Câmara, Michel Temer, composta quase que exclusivamente por parlamentares ligados ao setor ruralista.

Do ponto de vista político designaram o comunista Aldo Rebelo como relator. Ex-presidente da Câmara dos Deputados, Rebelo é detentor de profundo conhecimento dos processos legislativos, obtido em seus cinco mandatos consecutivos.

Do ponto de vista técnico foram ainda mais longe. Fizeram surgir dois relatórios produzidos por uma unidade da Embrapa, a “Embrapa Monitoramento por Satélite”, de resultados discutíveis, mas muito úteis às teses ruralistas.

Um deles intitulado “Alcance territorial da legislação ambiental e indigenista”, baseado em leitura tendenciosa dos dispositivos legais em vigor e em erros primários de aritmética, serviu de argumento para sustentar um suposto engessamento territorial da agropecuária brasileira pela legislação ambiental. Amplamente divulgado em audiências públicas e alardeado pelos líderes ruralistas por todo o país, o relatório chegou a afirmar que a área disponível para a agropecuária era “negativa” no Brasil.

Outro relatório, ainda mais questionável, intitulado “A dinâmica das florestas no mundo”, afirmava que nos últimos 8 mil anos o volume de florestas no Brasil teria saltado de 9,8% para 28,3% em relação ao total existente no planeta. Tal proeza, segundo os autores, deveria render louros e reconhecimento internacional e não mais pressões pela conservação.

O estudo só não esclareceu aos leitores que o desmatamento em nosso país atingiu taxas anuais de proporções tão grandes que, mantido o ritmo do início dos anos 2000, estaríamos repetindo em poucas décadas o mesmo erro cometido em séculos pelos demais países criticados no relatório.

Dessa forma, com uma comissão blindada pelos representantes do setor ruralista, um relator de reconhecida competência parlamentar e trânsito no Congresso Nacional e estudos técnicos de encomenda, o resultado não poderia ser outro. No dia 6 de julho de 2010, a Comissão Especial destinada a proferir relatório sobre o Projeto de Lei 1.876 de 1999, aprovou o substitutivo de Aldo Rebelo por treze votos a favor e cinco contra.

Com a justificativa de que há um enorme contingente de produtores rurais em situação irregular, o que é verdade, e que seria necessário aprimorar os mecanismos que estimulem, apoiem e facilitem a regularização, com o que todos concordam, o substitutivo modifica profundamente as exigências legais atualmente em vigor.

As alterações propostas fazem que, como num passe de mágica, as irregularidades deixem de existir e o que era um passivo ambiental de uma propriedade rural praticamente desapareça. Com isso, muito pouco do que foi ilegalmente desmatado permanece com a obrigação de ser recuperado ou compensado, como exige a legislação brasileira desde 1934.

Uma comparação com as iniciativas governamentais de regularização do pagamento de impostos, os chamados Programas de Recuperação Fiscal (Refis), pode ajudar a entender a questão.

O Refis visa criar oportunidades para o recolhimento de impostos atrasados, que dificilmente seriam pagos em condições normais de prazos e incidência de juros. Além disso, tem o objetivo de regularizar a situação dos contribuintes inadimplentes que ficam sem acesso ao credito público. Para tanto é dado um desconto e os valores são parcelados de forma a tornar viável o pagamento.

O substitutivo de Aldo Rebelo tenta criar uma espécie de “Refis para devedores de Reserva Legal e áreas de preservação permanente”. O problema é que ele propõe mudanças tão radicais na legislação que seriam comparáveis ao governo mudar a alíquota do imposto que está atrasado durante a negociação do pagamento da dívida. Ora, se a alíquota é alterada para menor, como exigir que os devedores paguem os valores atrasados calculados com uma alíquota que já não existe.

Contrariando a justificativa original de facilitar a regularização, o substitutivo retira propriedades da situação irregular, sem que o proprietário rural tenha que corrigir pelo menos parte do ato ilegal praticado.

Esse é um dos efeitos mais perversos do texto, pois acaba por beneficiar quem desmatou em detrimento de quem cumpriu a lei e possui parte de sua propriedade com Reserva Legal e APP conservada.

O outro efeito negativo, tão grave quanto o primeiro, é que ao diminuir a dimensão das áreas que devem ser mantidas com vegetação nativa, conforme veremos a seguir, o substitutivo torna possível a autorização de desmatamento de extensas áreas hoje protegidas pelo atual Código Florestal.

Estímulo aos desmatamentos
É forçoso reconhecer que o substitutivo de Rebelo foi engenhosamente construído. Salvo dispositivos escandalosamente antiambientais, a maioria dos problemas está nos detalhes de um texto que possui 55 artigos e 37 páginas. Os principais são expostos a seguir:

1. Introdução do conceito de “Área rural consolidada”. Ao definir essa nova figura legal, o substitutivo simplesmente converte para essa categoria as ocupações irregulares feitas até 22 de julho de 2008 em fragrante desrespeito à legislação ambiental. Mais do que um jogo de palavras, introduz uma ideia que será posteriormente defendida à exaustão, de que o que está feito não deve ser revertido. Uma espécie de direito adquirido para quem desrespeitou a legislação ambiental.

2. Ampliação do conceito de pequena propriedade rural, sem critérios socialmente adequados, possibilitando o aumento significativo de proprietários rurais beneficiados pelo tratamento diferenciado e preferencial dado aos pequenos produtores rurais, mesmo sem o serem.

3. Modificação do parâmetro para o cálculo das áreas de preservação permanente (APP) nas margens dos rios, levando à redução das áreas que se encontram em situação irregular e que, portanto, teriam que ser recuperadas, além de permitir futuras autorizações de desmatamento onde hoje é proibido.

4. Redução de 30 para 15 metros a faixa de proteção (APP) das margens de rios de até cinco metros. Essa modificação, combinada com a anterior, vai reduzir drasticamente a proteção legal das matas ciliares, desobrigando a recuperação ou viabilizando novos desmatamentos.

5. Liberação da ocupação e desmatamentos da vegetação nativa situada em altitude superior a 1.800 metros, hoje protegida como APP.

6. Eliminação da proteção das áreas de várzeas, que deixam de ser consideradas como APP, sujeitando os corpos d’água a terem suas áreas de inundação natural totalmente degradadas e contaminadas por uso intenso de pesticidas e adubos.

7. Eliminação da obrigatoriedade de recuperar a Reserva Legal para propriedades de até quatro módulos fiscais, equivalentes a seiscentos hectares na Amazônia.

8. Desconto de área equivalente a quatro módulos fiscais no cálculo da Reserva Legal degradada a ser recuperada nas médias e grandes propriedades.

9. Computo da área de preservação permanente no cálculo da Reserva Legal para todo o país, independentemente das dimensões da propriedade, reduzindo o montante de área ilegalmente desmatada a ser recuperada.

10. Anistia “branca” de cinco anos para desmatadores irregulares. Esse é um dos pontos mais graves e sofisticados do substitutivo. Estabelece a obrigatoriedade da União e dos estados elaborarem, no prazo de até cinco anos, Programas de Regularização Ambiental fixando os parâmetros e as condições para a recuperação da vegetação nativa nas propriedades rurais irregulares.

Durante o período de elaboração do tal Programa, o proprietário nada precisa fazer e está autorizado a continuar utilizando economicamente a área que desmatou ilegalmente. Além disso, suas multas e seus processos por desmatamento de antes de 22 de julho de 2008 ficam suspensos.

Há muitos outros aspectos nocivos no substitutivo, como a transferência de competências do Conselho Nacional do Meio Ambiente para os governos federal, estaduais e municipais, que podem editar decretos e atos normativos sem nenhum controle social ou a possibilidade ambientalmente equivocada de permitir a compensação da Reserva Legal em qualquer bioma.

O único dispositivo que tem um aparente caráter ambiental no substitutivo de Aldo Rebelo é a proposta de moratória para novos desmatamentos por um período de cinco anos, a partir da promulgação da lei. Entretanto, cotejando essa previsão com o conjunto de modificações, que tornarão praticamente impossível controlar e punir os desmatamentos ilegais, fica evidente a sua iniquidade.

O grau de acirramento do debate, resultado da radicalização do substitutivo e do próprio posicionamento de Aldo Rebelo, vem conduzindo a um impasse raras vezes visto. No esforço para impedir a desconstituição da legislação ambiental, praticamente nada está sendo feito para a definição de instrumentos legais de compensação aos que preservaram, seja por meio de mecanismos de pagamento por serviços ambientais, seja pela criação de um mercado que remunere a floresta como ativo econômico.

O que está mobilizando a academia, os empresários esclarecidos e os ambientalistas é a defesa de uma agenda preservacionista do século passado e não a do futuro onde será imperativo desenvolver instrumentos para viabilizar a coexistência entre o aumento da conservação e o aumento da produção. Esse é o desafio que deveria estar consumindo as energias dos envolvidos na discussão do Código Florestal.

Sem sinais de avanço, as reuniões se multiplicam no Congresso e no Palácio do Planalto. Uma comissão de negociação foi montada pelo atual presidente da Câmara, para se buscar um acordo que permita colocar o substitutivo em votação sem que vire uma polêmica capaz de gerar fissuras na base do governo, com graves repercussões junto à opinião pública. Até agora nenhum resultado concreto nessa direção foi obtido e multiplicam-se informações desencontradas e contraditórias sobre supostos acordos entre as partes envolvidas.

Nada parece ser suficiente para convencer a bancada ruralista e seu novo líder de que a proposta tal como está é um retrocesso inaceitável, incapaz de levar tranquilidade ao campo e, muito menos, estabelecer a tão desejada segurança jurídica para o pleno desenvolvimento da atividade agropecuária no país.

As lideranças ruralistas com forte influência e trânsito nos arcos, cúpulas e abóbadas de Brasília parecem ter certeza da aprovação de um substitutivo que finalmente as desobrigará do cumprimento de exigências que estão previstas em lei desde o governo do presidente Getúlio Vargas, quando foi editada a primeira versão do Código Florestal, em 1934.

Foi naquela época, há mais de oitenta anos, que foi estabelecido que as florestas eram “interesse comum de todos os habitantes do país” e definida a obrigatoriedade de preservação de 25% da vegetação nativa das propriedades rurais e das florestas protetoras, destinadas a conservar os recursos hídricos e evitar a erosão, entre outras funções.

Como em 2000 parece que restará a presidente atuar junto às lideranças do Congresso para evitar o pior.

João Paulo R. Capobianco é biólogo e ambientalista, é membro do Conselho Diretor do Instituto Democracia e Sustentabilidade, foi secretário nacional de Biodiversidade e Florestas e secretário executivo do Ministério do Meio Ambiente de 2003 a 2008.