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quinta-feira, 25 de julho de 2013

Validação Social: testemunhais, casos de sucesso e estatísticas

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Conheça os três tipos de feedback positivo que você deveria estar coletando para estimular o boca a boca e aumentar a validação social (quando as pessoas 'validam' seu trabalho)

Raúl Candeloro, 18 de julho de 2013
Uma das maneiras mais fortes e eficazes de aumentar as vendas de uma empresa é aumentando o que se costuma chamar de 'marketing boca a boca'. Como diz meu amigo Sérgio Almeida, seus melhores vendedores são seus clientes satisfeitos.

Os 3 tipos de feedback positivo que você deveria estar coletando para estimular o boca a boca e aumentar a validação social (quando as pessoas 'validam' seu trabalho) são:

1) Testemunhais

2) Estudos de Casos de Sucesso (ECS)

3) Estatísticas

Para você analisar se está fazendo tudo que pode em relação ao assunto "Validação Social", criei um questionário rápido de auto-avaliação para você dar-se uma nota em relação a este assunto.

Formulário de Avaliação: Validação Social (Raul Candeloro / VendaMais)

1) Estamos pedindo ativamente testemunhais para todos nossos clientes?
2) Estamos satisfeitos com a quantidade de testemunhais que recebemos?
3) Estamos satisfeitos com a qualidade dos testemunhais que recebemos?
4) Temos um sistema fácil, rápido e eficiente de coletar testemunhais de clientes automaticamente?
5) Estamos usando de maneira eficaz os testemunhais de clientes que recebemos?
6) Integramos de maneira inteligente e produtiva as mídias sociais na coleta de testemunhais?
7) Integramos de maneira inteligente e produtiva as mídias sociais na divulgação e promoção dos testemunhais que recebemos?
8) Utilizamos de maneira mais aprofundada os testemunhais dos nossos melhores clientes para criar estudos de caso de sucesso (ECS)?
9) Estamos usando de maneira eficaz números, estatísticas e tabelas para reforçar nossos diferenciais, nossa seriedadee nossa competência?
10) Estamos felizes com os resultados comerciais do uso de testemunhais, ECS e estatísticas?

Com base nesses resultados, você pode começar a planejar o que pode ser feito para melhorar.

E você: o que tem feito para estimular seus clientes a darem mais testemunhais?

Abraço e boas vendas,

Raul Candeloro

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Grandes economias estão divididas sobre acordo climático em 2015

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25/7/2013 - 09h54

Grandes economias estão divididas sobre acordo climático em 2015


por Redação do CarbonoBrasil
clima2 Grandes economias estão divididas sobre acordo climático em 2015 
O documento final do encontro da semana passada do Fórum das Grandes Economias (Major Economies Forum – MEF) mostra que existem divergências entre os países sobre a possibilidade de já estabelecer em 2015 um novo acordo climático internacional.

"Alguns [países] consideram que não será possível completar o processo até 2015, porque é preciso chegar a um consenso sobre as regras básicas e sobre partes relevantes do texto antes que sejam determinados os compromissos de mitigação nacionais", afirma o documento. "Outros consideram que é possível, assim como importante, incluir os compromissos em 2015."

A Convenção Quadro das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (UNFCCC) destaca que é preciso respeitar esse prazo para que todos os signatários tenham tempo para aprovar o acordo internamente – passando por votações nos congressos nacionais, por exemplo -, antes da expiração do Protocolo de Quioto, em 2020.

O MEF também avaliou se deveriam ser adotadas medidas caso o acordo não seja ambicioso o suficiente para lidar com as mudanças climáticas. Foram consideradas questões como prazos e transparência.

O documento destaca ainda que existe um consenso de que as próximas conferências do clima serão importantíssimas.

"Os participantes têm boas expectativas para Varsóvia [COP19, em novembro de 2013] e Lima [COP20, em 2014]. Eles concordaram que essas conferências são passos fundamentais para a ambição pré-2020 e em direção a um acordo bem sucedido em 2015."
O MEF voltará a se encontrar em setembro de 2013, em paralelo à Assembleia Geral da ONU, em Nova York.

Todos os 17 países membros do MEF – África do Sul, Alemanha, Austrália, Brasil, Canadá, China, Coreia do Sul, Estados Unidos, França, Índia, Indonésia, Itália, Japão, México, Reino Unido e Rússia – participaram da reunião da semana passada. Também estiveram presentes representantes da Arábia Saudita, Cingapura, Nova Zelândia, Noruega, Peru e Polônia.
Veja o documento aqui.

* Publicado originalmente no site CarbonoBrasil.
(CarbonoBrasil)

Bertha Becker deixa legado sobre desenvolvimento da Amazônia ‘em pé’

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 Amazônia

Bertha Becker deixa legado sobre desenvolvimento da Amazônia 'em pé'

23 de julho de 2013


Bertha tinha paixão pela Amazônia e fez de tudo para exaltá-la Fábio Rossi / Fábio Rossi/24-11-2010

"A floresta precisa ter valor em pé". Este era o mantra da geógrafa política Bertha Becker, que faleceu no último dia 13, sábado, aos 83 anos, deixando um legado de quase meio século de estudos sobre a Amazônia. Para Bertha, era preciso pensar o desenvolvimento da floresta, não apenas sua preservação; dar motivos para aqueles que enriquecem, ou simplesmente tiram seu sustento da mata, quererem preservá-la. A geógrafa queria ver institutos de pesquisa e indústrias de ponta tomando espaço da economia predatória que destrói a Amazônia. Inteligente, engraçada e, não raro, polêmica, Bertha deixou sua marca em diversos institutos de pesquisa, nas políticas públicas do governo brasileiro, entre os diplomatas — foi professora no Instituto Rio Branco — e em todos que se aventuram em estudos sobre a região que ocupa mais de 60% do Brasil.

— O primeiro (legado de Bertha) é o do Brasil mudar o foco de seu olhar tradicional, de terra, para um de territórios. Ou seja, uma visão qualitativa e não quantitativa, com os atributos humanos, culturais, econômicos, em vez de uma visão de meros hectares — lembra Roberto Smeraldi, diretor da ONG Amigos da Terra, à qual a geógrafa era associada. — O segundo (legado), da geografia, e das ciências em geral, de se integrar melhor à política — continuou, ainda incluindo um terceiro, de mostrar as mudanças na formulação de políticas públicas na sociedade contemporânea.

Bertha defendia que cabia aos cientistas engajados em estudos na Amazônia abraçar seu papel político. Filha de imigrantes, ela era descrita como nacionalista e desenvolvimentista. Tinha verdadeira paixão pela Amazônia e defendia a ocupação de seu território pelos brasileiros. Foi abordada algumas vezes pelos tecnocratas de Brasília para se juntar a eles. Mas sempre disse não. Queria ser uma acadêmica. Política, mas acadêmica.

O Zoneamento Ecológico-econômico para os estados da Amazônia Legal e o Macrozoneamento da Amazônia Legal, recentemente transformado em política territorial para a região pelo Congresso Nacional, são apontados como as políticas públicas mais importantes sob influência de Bertha por Cláudio Egler, professor do Departamento de Geografia da UFRJ, autodeclarado discípulo da geógrafa. O trabalho é um estudo detalhado que destrincha a realidade amazônica e orienta ações estratégicas. Dessa forma, a área foi dividida em diversas partes, cada uma com seu papel, incluindo preservação rigorosa, aproveitamento para a agroindústria, entre outras. Bertha sabia dialogar.

— Bertha acreditava na colaboração entre os conhecimentos tradicionais e a ciência, tecnologia e inovação avançadas — conta Cláudio Egler.

Os estudos de Bertha sobre a região começaram nos anos 1970, depois de a pesquisadora começar a dar aulas a jovens diplomatas no Instituto Rio Branco — trabalho a que se dedicou por 10 anos. Mas talvez seja ela mesma a pessoa mais influenciada por suas aulas. Em entrevista à TV Univesp, de São Paulo, no ano passado, a estudiosa conta que, quando pesquisou para montar o curso para os diplomatas, encontrou a geografia política e "se casou" com ela.

Neste longo casamento, Bertha fez de tudo para descobrir a Amazônia em seus mínimos detalhes. Começou por um caminho inesperado: as cidades. Isso a orientou por toda a vida, pois Bertha estava sempre atenta, em todas as suas proposições, às mais de 20 milhões de pessoas que vivem na chamada Amazônia Legal.

— Ela ajudou o governo a fazer uma política sem exageros. Nem exageradamente protecionista, no sentido de desenvolver, e também não exageradamente não-protecionista, no sentido de destruir — conta Lia Osório Machado, professora aposentada da UFRJ, amiga de Bertha desde 1959. — Ela procurava sempre conciliar as posições para obter algo de concreto.

Para a jornalista Míriam Leitão, colunista do GLOBO que entrevistou a geógrafa repetidas vezes, a ausência desta habilidade de Bertha, e de sua visão de futuro, serão sentidas nos debates sobre a região amazônica nas próximas décadas.

— Uma inteligência como a dela faz muita falta, principalmente neste momento em que o país ainda não sabe o que fazer com a Amazônia e ainda erra — diz Miriam.

A pesquisadora defendia opiniões polêmicas em nome de sua bandeira. Não era, por exemplo, a favor da Redução de Emissões de Desmatamento e Degradação (Redd), que prevê recompensas para aqueles que não desmatam a floresta. Para ela, o programa era prejudicial ao desenvolvimento de cadeias produtivas na região. Bertha queria ver o florescimento da indústria do guaraná, do açaí, dos fármacos, cosméticos. Queria ver a imensidão amazônica dando frutos biotecnológicos ao PIB brasileiro.

Bertha, contudo, sempre oferecia espaço a quem era contrário a suas ideias. O consultor em sustentabilidade e ambientalista pioneiro Fábio Feldmann admite ter tido suas divergências com a pesquisadora, mas sempre em tom de conciliação: — Ela era uma acadêmica muito aberta. Talvez a geógrafa brasileira mais respeitada no mundo hoje — conta. — Toda a discussão sobre Amazônia está permeada pela opinião da Bertha. Ela era uma pessoa indispensável para essas discussões no Brasil.

Por: Manuela Andreoni
Fonte: O Globo

A origem das 8 horas de trabalho e por que devemos repensá-las

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Dividir a jornada em ciclos menores e trabalhar menos tempo, acredite, pode ser mais produtivo

Leonhard Widrich, 19 de julho de 2013




Um dos elementos imutáveis da nossa vida hoje é o ideal de horas que devemos trabalhar - generalizando, todas as pessoas com quem conversei me disseram algo em torno de oito horas ao dia. E os dados estatísticos confirmam isto. Os americanos trabalham em média 8,8 horas todos os dias. Ao menos essas foram as estatísticas oficiais do Bureau of Labor Statistics (Escritório de Estatísticas do Trabalho, algo equivalente ao Caged no Brasil). 

Para a maioria de nós, a quantidade de horas trabalhadas diariamente por uma pessoa não é, necessariamente, um fator decisivo sobre sua eficiência ou produtividade. Ao menos é isso o que acho a partir da minha própria produtividade. Então, qual é, afinal, a jornada de trabalho diária ideal?

Com histórias de sucessos de pessoas que trabalham quatro horas por semana e outras de gente que trabalha 16 por dia, fica difícil saber se existe um tempo ideal. Então, em vez de seguir os meus instintos, que geralmente falham, eu decidi pesquisar sobre as horas de trabalho e como otimizá-las em prol da sua felicidade e sucesso. 

Em primeiro lugar, por que trabalhamos 8 horas diárias? 

Vamos começar com o que nós temos agora. As típicas oito horas de trabalho. Mas como nós inventamos isso? A resposta está escondida na história da Revolução Industrial. No final do século 18, quando as empresas começaram a maximizar seus lucros, as fábricas funcionavam sem parar, em regime 24/7. Para tornar as coisas mais eficientes, as pessoas tinham que trabalhar mais. A norma era que as pessoas trabalhassem entre 10 e 16 horas.  
Essas horas laborais incrivelmente longas estavam insustentáveis até que um homem corajoso chamado Robert Owen começou uma campanha para que essas pessoas não trabalhassem mais que 8 horas por dia. Seu slogan era "oito horas de trabalho, oito horas de lazer, oito horas de descanso." Não demorou muito para que a Ford implementasse, de fato, as oito horas diárias e mudasse os padrões.

Uma das primeiras empresas a implementar foi a Ford Motor Company, em 1914,  que não apenas rompeu com os padrões implementando as oito horas, mas também dobrando os salários dos empresários. Para a surpresa de muitas indústrias, isso resultou na mesma produtividade desses trabalhadores, mas em menos horas, aumentando a margem de lucro da Ford no período de dois anos. Isso incentivou outras companhias a adotarem um padrão de oito horas para os seus empregados.

Então, aqui está a razão pela qual nós trabalhamos 8 horas por dia. Não é científica ou pensada. É simplesmente uma norma secular para tornar as fábricas mais eficientes. 

Medir energia, não tempo

A quantidade de horas que nós trabalhamos todos os dias é pouco importante na economia criativa de hoje.

O foco correto está na sua energia, de acordo com o famoso autor Tony Schwartz: "administre sua energia, não seu tempo", diz ele.

Schwartz explica que, como humanos, nós temos quatro tipos de energia para administrar todos os dias:

1. Sua energia física - Quão saudável você está? 
2. Sua energia emocional - Você está feliz?
3. Sua energia mental - Você está conseguindo se concentrar?
4. Sua energia espiritual - Por que você está fazendo tudo isso? Qual o propósito? 
Uma das coisas que nós esquecemos é que, como humanos, nós somos diferentes das máquinas. Na essência, isso significa que as máquinas funcionam de forma linear e humanos se movem em ciclos. 

Para ter um dia produtivo, que respeite nossa natureza humana, a primeira coisa a se fazer é focar nos ritmos ultradianos. O entendimento básico é que a mente humana pode se concentrar em qualquer tarefa por 90 a 120 minutos. Após isso, é necessário um intervalo de 20 a 30 minutos para nós nos renovarmos e atingirmos uma boa performance para a próxima atividade. 

Então, em vez de pensar "o que eu posso fazer em oito horas no dia", eu comecei a pensar sobre o que eu posso fazer em uma sessão de 90 minutos. Agora que sabemos que precisamos dividir tudo em intervalos de 90 minutos, é hora de quebrar esses 90 minutos em novas sessões. 

O centro de um dia produtivo no trabalho: foco

O ponto crucial para entender como o trabalho flui está em como nós podemos nos concentrar. Em um ótimo projeto de pesquisa, Justin Gardner descobriu que para se concentrar de verdade o nosso cérebro utiliza um processo de 2 passos:

1 - Aumento da sensibilidade - Significa que você pode ver uma cena e pegar as informações apresentadas. Então, você foca naquilo que precisa da sua atenção. "Como uma foto embaçada que lentamente vai se focando", descreve Lifehacker. 

2 - Seleção eficiente - Isto é o "zoom" de quando estamos realizando uma tarefa. Isso nos permite entrar no que Mihály Csíkszentmihályi chama de estado de fluidez. Agora nosso trabalho começa de verdade.

A figura a seguir descreve melhor:

Na figura A, como nosso cérebro se apresentou com apenas uma tarefa, nós podemos separar as distrações (azul) do que é realmente importante (amarelo). Na figura B, como nós apresentamos várias tarefas ao mesmo tempo, nosso cérebro está se distraindo com mais facilidade e combina as tarefas atuais com as distrações.

A conclusão que Gardner sugere dos seus estudos é que nós tenhamos ambos:
- Pare  de fazer várias tarefas para evitar se distrair no seu ambiente de trabalho
- Elimine as distrações mesmo quando você só tiver apenas uma tarefa para cumprir

Parece muito óbvio, não é? Ainda assim, é mais fácil dito do que feito. A boa notícia é que ao final você pode transformar sua estrutura cerebral de aprendizado para foco.

Quatro dicas para melhorar seu dia de trabalho

- Aumente a relevância das tarefas

Muitos de nós ainda se esforçam para encontrar foco, especialmente se ninguém estabeleceu um deadline. Substituir seu sistema de atenção e criar seu próprio deadline, junto a uma recompensa, mostrou ser uma das melhores maneiras de melhorar o desempenho para completar as tarefas de acordo com o pesquisador Keikuke Fukuda. 

- Divida o seu dia em períodos de 90 minutos

Aqui está algo que eu comecei a fazer. Em vez de olhar para 8, 6 ou 10 horas de trabalho, divida o dia e perceba que você tem 4,5 ou tantos períodos de 90 minutos. Dessa forma, você terá quatro tarefas que pode fazer todos os dias com mais facilidade.

- Planeje seu descanso para que você possa de fato descansar

"A pessoa que está mais em forma não é aquela que corre a maior distância, mas a que otimizou seu tempo de descanso", disse Tony Schwartz. Muitas vezes, nós estamos tão ocupados planejando o nosso trabalho, que esquecemos 'como' descansar", afirma. Planeje de antemão o que vai fazer no seu descanso. Aqui algumas ideias: dormir, ler, meditar, lanchar.

- Zero notificações

Uma das melhores ideias que eu já tive foi seguir o conselho de Joel sobre Zero Notificações. Não ter nenhum contador no meu celular ou no computador mudando de 0 para 1 e sempre tirando minha atenção foi uma grande ajuda. Se você ainda não tentou isso, tente fugir de qualquer elemento digital que pode alertar. 

Pessoalmente, minha vida mudou completamente desde que implementei essas ideias. E eu não poderia estar mais feliz. Eu ganhei os dois: produzo mais e estou mais satisfeito, ao mesmo tempo. 

Agora vocês: qual estrutura consideram melhor para seus dias de trabalho? Deixem seus comentários.

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Segmentação: 5 dicas para criar negócios únicos

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Segmentação: 5 dicas para criar negócios únicos

Então, se você pensa em empreender ou se está reavaliando seu negócio, o que fazer na prática? Veja minhas cinco sugestões

Marcelo Lombardo, Administradores.com, 23 de julho de 2013

Shutterstock

Já parou para pensar no contexto em que, milênios atrás, um ancestral nosso começou a pintar cavernas? Penso que foi aí que nasceu o primeiro ser humano fora da curva. Afinal, o "normal" era caçar e não pintar. Podemos comparar o comportamento deste indivíduo com o de empreendedores capazes de cultivar a inovação e quebrar paradigmas.

A evolução permitiu ao ser humano o poder de empreender e buscar crescer em direções que antes eram impossíveis. O fato é que quanto mais ricos nos tornamos como espécie, menos "normais" acabamos sendo, pois temos oportunidade de fazermos mais e mais do que nos inspira.

Portanto, o processo de morte do "normal" é algo que vem acontecendo há muito tempo. Foi um longo caminho que percorremos entre a existência de um único modelo de automóvel até os dias de hoje, onde mais de cento e oitenta marcas de carros, cada uma com dezenas de modelos e cada modelo com dezenas de cores inundam o planeta. Temos cada vez mais escolhas personalizadas, e é por isso que vamos ao mercado e uma simples pasta de dente do mesmo fabricante pode ser encontrada em inúmeras versões.

Para colocar um pouquinho mais de tempero nesta história, a internet hoje é massivamente disseminada no mundo todo, em todas as classes sociais. Só no Brasil, são mais de 94 milhões de usuário ativos. O ritmo da falência do "normal" foi tremendamente acelerado pela rápida adoção do digital pelo consumidor.

Com a internet, cada um de nós pode dar vazão aos próprios gostos e preferências em termos de consumo e de comportamento com uma velocidade inesperadamente maior, e encontrar vários outros como nós mesmos mundo afora. O resultado disso é que temos cada vez mais coisas específicas para pequenos grupos de pessoas únicas. É a magia da segmentação.

O velho e bom "one size fits all" (expressão que significa "um modelo serve para todos") já era, pelo simples motivo que hoje não existe um consumidor que queira ser tratado igual a outro. Consumidores querem uma experiência personalizada, e o maior erro que se pode cometer no planejamento de um negócio é tentar agradar a todos.
Então, se você pensa em empreender ou se está reavaliando seu negócio, o que fazer na prática? Veja minhas cinco sugestões:

1 - Reposicione-se. Não caia na armadilha de "sendo mais genérico eu atendo um público maior (o dito consumidor normal)". Sendo generalista, a tendência é você atender de forma mediana ou parcial uma fatia do público que ainda tolera isso. Lembre-se que o consumidor "normal" está em extinção.
2 - Pense nos aspectos comerciais. Assim como existe um grupo de consumidores que curtem determinados recursos de um produto, existem aqueles que compram pela forma como ele é vendido. O que quero dizer é que a diferenciação pode estar na oferta comercial e não apenas no produto.
3 - Segmente sua atuação. Se está claro que você não atende a todo o mundo, quem você atende? Muitas vezes se faz confusão aqui. Segmentar é muito mais do que escolher um ramo de atividade como público alvo. Entram em questão critérios geográficos, psicográficos e até comportamentais.
4 - Faça tudo ao mesmo tempo. O ideal é que todas as frentes (produto, praça, preço e promoção) sejam diferenciadas ao mesmo tempo. Um produto inovador, para um público específico, ofertado de uma forma única. É disso que estamos falando!
5 - Use o marketing a seu favor. Marketing de massa virou um erro em si mesmo - ao menos para as pequenas empresas com recursos limitados para investir em divulgação. Se cada consumidor é único, a massa não é mais assim tão massa, e certamente boa parte do investimento (ou todo ele) será desperdiçado. Em suma, segmentando fica muito mais fácil descobrir onde está o seu cliente e dirigir seus esforços de forma mais eficiente.

Se você pensa em empreender, acreditem em mim: o mundo não precisa de mais gente medíocre fazendo coisas medianas para pessoas "normais". Considere morto o "normal" e aproveite as grandes oportunidades que esse novo universo pode abrir. Viva a individualidade!

Marcelo Lombardo é sócio fundador da NWG Tech, e criador do Omiexperience, software de gestão para micro e pequenas empresas.

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quarta-feira, 24 de julho de 2013

Caso interessante de Marketing de Redes sociais

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O inusitado SAC da Viação Cometa

Social Media da Viação Cometa dá show na administração de crise. Já a diretoria... Bom humor, respeito ao cliente, pitadas ponderadas de ousadia e foco na solução revertem, o que poderia ter sido um problema, em admiração.

Nelson Gonçalves, 21 de julho de 2013
Nesses dias bicudos e tecnológicos, a velocidade e a destreza na resolução de um problema são vitais para a sobrevivência das empresas e para a manutenção de suas marcas – mesmo que elas já sejam muito admiradas. E foi isso que aconteceu nessa semana: um bom exemplo de administração do que poderia vir a ser, senão um problema, uma boa aporrinhação.

No domingo, 14/07, os visitantes e curtidores da fanpage da Viação Cometa S/A no Facebook se depararam com o seguinte post on.fb.me/13mkFMw, do publicitário, internauta e cliente, Hilário Júnior:
- Adorei ligar agora pra vocês e a atendente falar em alto e bom som:
"AI, QUERIA TANTO CHUPAR UMA ROLA!" Daí percebeu a "mancada" desligou na minha cara. RISOS! Melhor equipe de atendimento. RISOS!

Imagino, por observação, que a Viação Cometa S/A, não disponha de monitoramento das redes sociais nos fins de semana. Mas na segunda-feira, às 9h48, a social média postou um pedido de desculpas dirigido ao cliente - aberto para a rede - sugerindo que ele, se quisesse, fizesse contato "in box" para as providências cabíveis. Até aí nada de novo, qualquer empresa faz isso para se limpar de uma eventual lambança corporativa. O genial foi que, na sequência, a social média postou o seguinte: "a propósito, o episódio foi Hilário TUDUMM PISSSHIHHH" (sic) – se você souber o que significa isso, por favor, me informe! Rsrs.

Ao brincar com a situação e fazer o trocadilho com o nome do cliente, a social média quebrou o protocolo e neutralizou quaisquer investidas de internautas mais pudicos ou conservadores, porque o próprio cliente entrou na onda e replicou, na sua própria rede, o desdobramento. Mas o fato é que a estória "bombou" na página da Viação Cometa S/A. A social média foi interagindo com leveza, seriedade, um pouco de picardia e muito foco na dissipação do problema. O episódio acabou se transformando em um case de administração de crise na rede, com milhares de likes, compartilhamentos, comentários e cumprimentos à postura adotada pela empresa. Com tamanha repercussão, o fato foi parar no UOL http://ow.ly/n7U60 e certamente ainda tem fôlego pra muita discussão e análise.

Eu poderia parar por aqui. Já contei o ocorrido, dei o link da página onde o post que originou o caso foi publicado, o link da repercussão na imprensa e já fiz meu elogio para a empresa e à social média. Mas, a meu ver, tem um detalhe nessa estória que não dá liga. A postura da empresa no desdobramento do caso não combina com a agilidade e leveza da mediadora da fanpage.
 
Na terça-feira, prevendo a repercussão do fato e os ensinamentos que dele poderia tirar, resolvi aprofundar a análise e compartilhar as respostas que, eventualmente, eu obtivesse junto à empresa no fechamento do episódio. No tocante à atendente: ela seria demitida ou levaria apenas um pito, para aprender a reservar seus desejos para os momentos de folga? Gostaria de saber mais sobre a profissional (cismei que é uma mulher!) que, com seu talento e perspicácia, administrou o problema; queria saber o real impacto do ocorrido na rede (total de likes, compartilhamentos, comentários) e a avaliação da empresa sobre a atitude do cliente, que passou a defendê-la nos posts mais críticos, agindo como um mediador colaborativo, etc. 

Mesmo tendo cobrado, por duas vezes, a empresa não me respondeu. Apenas a social média, agora, com bem menos agilidade, limitou-se a informar:"estou aguardando feedback da direção para saber se posso passar as informações para você. Assim que tiver retorno (ainda não tenho previsão) eu aviso". Corroborando minha opinião quanto à postura da empresa, observei que o UOL, no dia 18/07, também não havia logrado êxito nem mesmo junto à assessoria de imprensa da mesma, que ignorou a demanda.
  
Agora estou a pensar com os meus botões: Não obstante a elogiável performance da social média, nesse episódio, será que a extrovertida atendente não estava apenas de SAC cheio?

Nelson Gonçalves é palestrante e jornalista

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segunda-feira, 8 de julho de 2013

A importância da gentileza no dia-a-dia

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"Não espere receber para dar, nem gentileza para ser gentil. Tenha você grandes atitudes, doe a cada dia um pouco de si e faça com os outros apenas o que você gostaria que fizessem com você. Pois são nos pequenos gestos e atitudes que ficam as melhores lembranças." Reprinsz

Sonia Jordão, 3 de julho de 2013

Um ditado popular diz que gentileza gera gentileza. Quando se é gentil com os outros ajudamos a tornar o ambiente melhor. Ser gentil é ser amável, agradável e elegante. Uma pessoa gentil demonstra cortesia, é educada e atenciosa. Muitas vezes é considerada nobre e cavalheira. Por tudo isso é uma pessoa encantadora.

Luiz Gabriel Tiago disse que "a gentileza pode transformar uma vida, uma relação, um relacionamento profissional: basta praticar. A gentileza no ambiente de trabalho é o grande trunfo dos profissionais que estão prontos para fazer a diferença no mercado.". Gandhi dizia que "a gentileza não diminui com o uso. Ela retorna multiplicada.".
Gentileza é um gesto de cuidado com o outro, com a vida. Geralmente, a pessoa que é gentil com as outras acaba se destacando.

Reprinsz aconselhou: "Não espere receber para dar, nem gentileza para ser gentil. Tenha você grandes atitudes, doe a cada dia um pouco de si e faça com os outros apenas o que você gostaria que fizessem com você. Pois são nos pequenos gestos e atitudes que ficam as melhores lembranças.".

É muito difícil conviver com a falta de gentileza. Estudos comprovam que pessoas que praticam a gentileza aumentam o seu grau de felicidade. Isso porque a gentileza está ligada ao gene que libera a dopamina, neurotransmissor que proporciona bem-estar. Aqueles que ajudam os outros regularmente têm mais saúde mental e menos depressão. Pessoas solidárias têm menos probabilidade de sofrer de doenças crônicas, e seu sistema imunológico tende a ser melhor, porque existe uma relação direta entre bem-estar, felicidade e saúde. 

Pessoas gentis não são individualistas, respeitam o trabalho do colega, e com isso elas chegam mais longe, já que abrem caminhos de comunicação com os outros e se tornam mais acessíveis. 

Segundo Rosana Braga, "gentileza é um modo de agir, um jeito de ser, uma maneira de enxergar o mundo. Ser gentil, portanto, é um atributo muito mais sofisticado e profundo que ser educado ou meramente cumprir regras de etiqueta, porque embora possamos (e devamos) aprender a ser gentil, trata-se de uma característica diretamente relacionada com caráter, valores e ética; sobretudo, tem a ver com o desejo de contribuir com um mundo mais humano e eficiente para todos. Ou seja, para se tornar uma pessoa mais gentil, é preciso que cada um reflita sobre o modo como tem se relacionado consigo mesmo, com as pessoas e com o mundo.".

Pessoas gentis tentam se colocar no lugar do outro, são bons ouvintes e praticam a arte da paciência. Além disso são capazes de pedir desculpas, quando descobrem que erraram, são solidários e companheiros. Procuram analisar as situações e serem justos. São capazes de resolver muitos conflitos, somente com seu jeito de ser.

É preciso praticar a gentileza com todos, sejam seus subalternos, familiares ou amigos próximos. Dizem que o favor é feito com o cérebro e a gentileza com o coração, ou seja, não é um gesto planejado.

Claro que precisamos também agradecer quando alguém for gentil conosco. Dizer "por favor", "obrigado" e "bom dia", faz com que sejamos vistos com simpatia. Claro que o tom de voz é tão importante quanto a palavra que dissermos. Se possível, faça um elogio, mas este precisa ser com sinceridade. E, além disso, tenha em mente que um sorriso pode abrir muitas portas.

Enfim, seja gentil com as pessoas e elas, provavelmente, serão gentis com você também. Lembre-se do que disse Shakespeare: "Eu aprendi que ser gentil é mais importante do que estar certo.".

Portal: http://www.soniajordao.com.br

Sobre o autor

Sonia Jordão
Professora, Conferencista, consultora organizacional e pessoal, facilitadora de cursos em organizações e escritora.

Atuou durante 14 anos em cargos de gerência nas áreas administrativa, comercial e industrial. Foi professora em MBA, curso superior e curso técnico durante 18 anos

Autora do livro "A arte de liderar – Vivenciando mudanças num mundo globalizado" e dos romances corporativos "E agora, Venceslau? - Como deixar de ser um líder explosivo" e "E agora, Lívia? - Desafios da liderança".

Sites: www.soniajordao.com.br, www.tecernegocios.com.br, www.umnovoprofissional.com.br.
e-mail: contato@soniajordao.com.br
Blog: http://soniajordao.blogspot.com
Siga-me no Twitter: http://twitter.com/soniajordao

Super-Homem: a evolução moral e estética de uma marca

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Criado pela dupla Joe Shuster e Jerry Siegel - ambos já falecidos - o herói original tinha características morais bem distintas do personagem que conhecemos hoje nos filmes, desenhos e quadrinhos

Eber Freitas, Administradores.com, 5 de julho de 2013
Alexandre Jubran/Divulgação
Em junho de 1938, a primeira edição da revista Action Comics exibia em sua capa um herói sobre-humano com roupa azul e capa vermelha suspendendo um fusca verde. Esse foi o início de uma das marcas mais bem-sucedidas do capitalismo, que gerou diversas franquias durante os seus 75 anos de história: o Super-Homem.

Criado pela dupla Joe Shuster e Jerry Siegel - ambos já falecidos - o herói original tinha características morais bem distintas do personagem que conhecemos hoje nos filmes, desenhos e quadrinhos. Mas o simbolismo não foi uma jogada ao acaso. Desde o início os autores sabiam o que queriam construir: o formato norte-americano do arquétipo grego do Herói.

"O que ele representa desde a sua criação, é um tipo de figura que tem algo de superior, mas em quem você pode confiar", analisa Alexandre Jubran, ex-desenhista da Marvel e professor de design da Mackenzie. "É uma versão de Aquiles, por exemplo. Humano, porém com características divinas; tem superpoderes, é indestrutível, mas tem um ponto fraco fatal", diz.

Ele batia pra valer

Kal-El - nome de nascimento de Clark Kent - costumava ser um pouco mais agressivo ao utilizar seus superpoderes. "Não era uma violência explícita, era algo mais ou menos como nos desenhos animados dos anos 40. Tipo, uma bomba quando explodia na cabeça de um personagem', diz Jubran. "Mas com o tempo começaram a suavizar essa característica, até por conta da censura na época", afirma.

Ele era um pouco menos polido e não tinha um código moral muito ortodoxo. Só alguns anos mais tarde após sua criação, já na década de 40, o herói passou a ser guiado por um código de honra que o impedia de usar superpoderes de forma a causar danos em pessoas. "Assim como no arquétipo, ele não é uma pessoa que vai fazer algo por corrupção ou vício", explica Jubran.

Essa característica também foi estendida para outros heróis que hoje fazem parte do Universo DC, como o Batman - que contava com armas de fogo em seu arsenal, mas depois suspendeu o seu uso. Para o professor, "essas características mais agressivas foram se diluindo, por questões culturais mesmo. Mas não significa que, em sua concepção, o Superman fosse violento".

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Herói azul, vermelho e branco

O alter-ego de Kent desde o início foi pensado para se tornar um herói tipicamente americano, que representava os ideais de uma nação que crescia economicamente a passos largos após uma crise profunda, movida principalmente pelo consumo. O Macartismo e o temor de uma revolução comunista na América - que implicou, inclusive, na deportação do ator britânico Charles Chaplin - não estimularam os criadores do Superman a quebrar nenhum paradigma. Talvez por isso ele esteja completando seus 75 anos em 2013.

"Foram publicadas algumas histórias alternativas do Super-Homem, e uma delas mostra o que aconteceria se a sua nave tivesse caído na União Soviética", lembra Jubran. "Havia um receio generalizado em relação a todas as publicações em quadrinhos, de que os heróis transmitissem valores que 'corrompessem' os jovens da época. Isso também levou à criação de um 'código de honra', que na verdade era uma forma de censura", explica Jubran.

Visual

Embora tenha passado pelos traços de vários desenhistas e diretores de figurino, o visual do Super-Homem sempre manteve uma identidade única, com o escudo no peito, roupa azul, capa vermelha e a inconfundível cueca por cima. Essa identidade mudou recentemente, tanto nos quadrinhos quanto no último filme da franquia, com uma nova história e significado para o uniforme do homem de ferro.

Para quem não acompanha a saga de perto, foi uma boa mudança - uma cueca por cima do uniforme de cores berrantes não faz muito sentido. Mas para os fãs incondicionais, foi uma alteração inoportuna. "A antiga roupa tinha um significado, ela havia sido criada por sua mãe adotiva quando Clark iniciou sua luta contra o crime. A roupa atual se transformou numa espécie de armadura alienígena, o que não faz muito sentido, já que sua pele por si só é impenetrável", afirma o fã Daslei Bandeira.

"Se for analisar pela questão mercadológica, o que acontece com uma marca que está aí há setenta e cinco anos e resolve mudar sua identidade?", questiona Jubran. "A própria Coca-Cola passou por isso. Já tentaram inovar e refazer o Super-Homem, inclusive experimentando personalidades diferentes, e as pessoas rejeitaram, porque descaracterizou o personagem", diz. 

Ele explica que é necessário adaptar, mas mantendo a essência do uniforme original. "É como tirar as orelhas do uniforme do Batman porque atrapalham ou não têm utilidade. Acredito que os produtores vão chegar a uma solução intermediária". As cores berrantes do uniforme, por exemplo - outra característica da composição dos super-heróis nos anos 40 - tendem a se tornarem mais escuras e discretas. Mesmo esperando um resgate de algumas características do antigo Super-Homem, Jubran lembra que os super-heróis dos quadrinhos têm um ciclo de aproximadamente 10 anos: o tempo que uma marca nesse universo tem para se renovar e se recriar.

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Juventude “apolítica” reinventa a política

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Inter Press Service - Reportagens
02/7/2013 - 09h20


por Fabiana Frayssinet, da IPS
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A estudante Stephany Gonçalves dos Santos escreve seu politizado cartaz. Foto: Fabiana Frayssinet/IPS

Rio de Janeiro, Brasil, 2/7/2013 – Com palavras de ordem contra os partidos políticos, as manifestações juvenis no Brasil trazem consigo o paradoxo de uma nova e efetiva forma de fazer política, que consegue respostas concretas dos poderes do Estado. A palavra de ordem nas ruas é "partidos políticos, não", e a maioria dos manifestantes se declara, com orgulho "apolítica". "Não tenho nenhum partido", diz à IPS a estudante Stephany Gonçalves dos Santos.

Como centenas de milhares de estudantes que protestam, convocados por meio das redes sociais, como o Facebook, ela escreve um cartaz para um protesto no Rio de Janeiro, com lápis de cor em uma simples cartolina. E escolhe a frase "Um filho teu não foge à luta", do hino nacional brasileiro. "Estou aqui por um ideal de país. quero que meu país seja democrático. Mas onde há repressão não há democracia", argumentou Stephany, referindo-se à dura resposta policial que, longe de aplacar os protestos, estimulou muitos a aderirem a eles.

"O governo quer alienar o povo com o futebol", acrescentou, ao abordar outro tema de descontentamento: os gastos milionários em instalações para competições esportivas como a Copa das Confederações, a Copa do Mundo em 2014 e as Olimpíadas em 2016. Stephany vive em um país onde diariamente se respira futebol e este é parte de uma cultura popular tão arraigada quanto o carnaval. Mas reclama, indignada, do dinheiro que se deixou de investir em educação e saúde para construir grandes instalações esportivas. "Construíram estádios de primeiro mundo, mas ao redor deles não temos nada. É uma falta de respeito com o povo", afirmou.

A revolta nasceu de um tema específico: o aumento das passagens de ônibus, serviço já caro e ineficiente. Porém, se estendeu a outras áreas: saúde, educação e a suposta corrupção de muitos dirigentes políticos. "A maioria dos que participam do movimento constitui uma massa de jovens que se sentem muito desgostosos com a atual vida política", apontou à IPS o especialista político William Gonçalves, da Universidade Estadual do Rio de Janeiro. "Eles repudiam a corrupção e a cumplicidade de forças que se apresentam como progressistas com as que são símbolo do atraso", afirmou, referindo-se a alianças parlamentares forjadas pelos partidos para governarem.

Pelas dimensões e pela diversidade territorial do Brasil e da sua população, nenhum partido pode assegurar a Presidência e a maioria das cadeiras no Congresso. "Desta forma, temos um parlamentarismo disfarçado, já que todos os partidos que chegam à Presidência só podem governar aliando-se a outros que têm a única ambição de obter cargos em troca de apoio parlamentar", explicou Gonçalves. "Até o Partido dos Trabalhadores é prisioneiro dessa aliança. A saída seria uma reforma política", acrescentou.

Tal reforma, largamente reclamada, não saía das gavetas oficiais. E, curiosamente, foi o susto diante da "apolítica" ebulição das ruas que conseguiu em poucos dias que esse assunto entrasse na agenda oficial. Os manifestantes também conseguiram reduzir o preço do transporte público, a aprovação em tempo recorde de uma lei que declara a corrupção crime "hediondo" e a votação de outra lei para destinar royalties do petróleo para a saúde e educação.

Isto é ser apolítico? O dirigente do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra, João Pedro Stédile, acredita que não. "A juventude não é apolítica, pelo contrário. Tanto não é, que levou a política às ruas, mesmo sem ter consciência de seu significado", afirmou em uma entrevista ao jornal Brasil de Fato. "A juventude está cansada dessa forma de fazer política, burguesa e mercantilista. O mais grave é que os partidos da esquerda institucional, todos eles, se amoldaram a esses métodos. E, portanto, gerou-se na juventude uma repulsa à forma de atuar dos partidos", ressaltou.

Para o historiador Marcelo Carreiro, da Universidade Federal do Rio de Janeiro, "este é um novo dado da história nacional, cujo contexto já era claramente observável no esvaziamento dessas instituições". Carreiro disse à IPS que "as manifestações confirmam essa caducidade das instituições e mostram, apesar de tudo, que a população pode estar mais politicamente ativa que nunca".

Os três poderes do Estado tomaram nota e já começam a propor e discutir formas alternativas de incluir a cidadania em mecanismos mais dinâmicos e participativos. A presidente Dilma Rousseff deu um passo nessa direção ao admitir que "estas vozes têm de ser ouvidas" porque "deixaram evidente que superam os mecanismos tradicionais das instituições, dos partidos, das entidades de classe e da própria imprensa". Uma proposta em debate é estabelecer a consulta popular como instrumento permanente de democracia direta.

Algumas organizações não governamentais propõem, por outro lado, a participação efetiva de diferentes grupos sociais, comunidades e bairros, em decisões sobre onde e como aplicar orçamentos de saúde, educação, infraestrutura, transporte e saneamento. "Tudo o que está acontecendo com estas novas expressões da sociedade em rede – no Brasil e em outros países – aponta para uma reinvenção da política para reinventar a democracia", opinou Augusto de Franco, diretor da organização Escola de Redes. Os jovens manifestantes atiraram a primeira pedra, e não somente contra a repressão policial. Envolverde/IPS

(IPS)

domingo, 30 de junho de 2013

Ética: O que você faz quando ninguém está olhando?

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Muito bem treinados para o exercício da moral, mas e quanto à ética?

Beatriz Carvalho, 26 de junho de 2013

Entendidos de que ética tem ampla relação com os princípios ideais da conduta humana, e moral à prática dos bons costumes em sociedade, ao entrarmos de cabeça no assunto fica difícil entender porque esses dois conceitos não caminham juntos na prática, já que (na teoria) ambos poderiam, basicamente, ser aplicados como consequência um do outro.
Pensando-os separadamente, no caso da moral, é mais comum a encontrarmos em nosso dia a dia, visto que exercer uma conduta moral é premissa básica para se ter a mínima aceitação em sociedade, como jogar lixo no cesto de lixo, por exemplo. Já a ética é algo mais profundo, ligado ao caráter construído ao longo da vida, mas que não necessariamente lhe torna suscetível a algum tipo de punição ou exclusão por uma atitude considerada não ética pela maioria, como fazer a coleta seletiva do seu lixo.

Levando esses conceitos para o universo corporativo e fazendo uma análise muito particular, acredito que a facilidade no acesso ao julgamento da maioria pelo certo e pelo errado através dos meios de comunicação, somados à nítida escassez de educação familiar, tornou as pessoas muito mais preparadas para o exercício da moral com suas gentilezas, mas facilmente corrompidas quando colocadas à prova de seu caráter.

Exemplos disso estão nos desabafos surpreendentemente sinceros de quem costuma ter sempre um discurso pronto, nas decisões individuais de impacto coletivo ou nos trabalhos coletivos de avaliação individual, na pressão para se manter sempre bem relacionado e no constante jogo de interesses que precisamos saber lidar diariamente. 

Mas como ficaria então o papel de um líder ao assumir a posição de propulsor de um ambiente de trabalho mais ético em meio a um universo altamente competitivo, para estimular o exercício de alguns valores entre sua equipe, de modo que isso se torne, no futuro, parte do caráter de cada um deles?

A reflexão fica ainda mais desafiadora ao perceber a amplitude das variáveis envolvidas no contexto da ética, pois o que pode ser ético para mim, pode não ser para você, e cá entre nós, na prática, nunca haverá argumentos suficientes para fazer o outro acreditar que uma atitude foi eticamente correta ou incorreta se ambos não forem anteriormente semelhantes em seus valores.

Devaneios à parte, deixo a reflexão a outras cabeças pensantes na esperança de que um dia esse assunto esteja mais presente, não só nas grandes convenções, mas nas conversas de corredor, nas rodas de bar ou quando ninguém estiver olhando.

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O efeito boomerang da bala de borracha

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17 de junho de 2013

Governos treinaram na Amazônia e nas periferias a repressão e a violência que hoje se vê nas cidades. É preciso ir para as ruas recuperar a democracia representativa

Alguns anos atrás, a geógrafa Bertha Becker disse numa entrevista à National Geographic Brasil que a Amazônia é uma fronteira. Segundo ela, "lá é possível observar as tendências mais recentes em curso no mundo." Tendência, uma palavra da moda, serve para indicar as transformações. Segundo Bertha, na Amazônia as grandes transformações mundiais são mais fáceis de ser percebidas do que no Rio de Janeiro e São Paulo, pois nessas cidades "a complexidade da vida social, econômica e política é tão grande, entremeada de tantas informações, que é difícil captar algum rumo novo."

Essa ideia da "tendência" pioneira na Amazônia pode ajudar a explicar de onde vem a violência na repressão dos protestos e movimentos sociais. A bala de borracha que cega manifestantes pelo passe livre em São Paulo, o gás que asfixia quem pergunta "Copa para quem?" No Rio ou em Brasília, já eram, de certa forma, sentidos em Altamira e em Porto Velho, no Sul do Pará, espalhando-se pelo Mato Grosso do Sul, Oeste do Paraná, e o país afora. Agora, chega nos centros dessa massiva urbanização que é o país.

Treinar a repressão e a violência na colônia, fronteira ou periferia, para depois utilizar na metrópole, ou no centro, é uma estratégia antiga do mundo colonial. Se o Brasil livrou-se de Portugal, o mesmo faz internamente na Amazônia. Saqueia os recursos e oprime a população local. O filósofo francês Michel Foucault chamou isso de "efeito boomerang".
A ideia de Foucault (que ele desenvolve a partir do trabalho de Hannah Arendt sobre o totalitarismo) é que o Ocidente treinava nas colônias os aparatos de repressão, instituições e técnicas de poder, que depois eram utilizados em suas colônias internas, contra a própria população. Como a França praticou em Algiers, depois em Paris.

Ridicularizar os 0,20 centavos no aumento da passagem é como Lula havia ridicularizado o delicioso, e importantíssimo para biodiversidade cultural da vida aquática amazônica, peixe dourada (brachyplatystoma rousseauxii) do rio Madeira.

Durante o processo de licenciamento ambiental das usinas Santo Antônio e Jirau em 2007 (o "Complexo Madeira", que inclui outras usinas que o governo quer construir), Lula havia ironizado a possibilidade de um "bagre" impedir uma usina e o progresso do país. "Agora não pode por causa do bagre, jogaram o bagre no colo do presidente. O que eu tenho com isso?"

As usinas foram enfiadas goela abaixo da população, ao contrário do prometido por Lula, que dizia que tudo seria negociado e previamente informado. Denúncias de corrupção agora inundam Porto Velho, e o desmatamento explodiu na região, Jacy Paraná, cidade dormitório onde Jirau está sendo construída, tornou-se extremamente violenta, com grupos de extermínio matando lideranças locais (sempre com impunidade, como no caso de Osmar Lima dos Santos, assassinado em novembro de 2009, tesoureiro da associação comunitária), epidemia de crack, prostituição infantil. Pescadores e povos indígenas sofrem e já não sabem para quem recorrer – o Estado que deveria auxilia-los é o mesmo que destruiu suas vidas.

E quando os trabalhadores revoltaram-se pelas terríveis condições de trabalho, em março de 2011, lá foi a Força Nacional e a Polícia Militar testar como reprimir, amedrontar, partir com violência para intimidar protestos políticos. Era o teste. "Vim aqui para trabalhar, mas tratam a gente como presidiário", me disse um trabalhador na ocasião.

Nunca esqueço o relato de uma criança que escutei em Porto Velho. Ela tinha ouvido de um colega na escola, ameaçador: "Cala a boca senão eu vou chamar um peão de Jirau." O "peão" é como o "punk" que a PM diz que promovem "vandalismo" em São Paulo. Os trabalhadores eram os "vândalos", como são hoje os manifestantes nas cidades.

O bagre transformou-se em guarani e kaiowá no Mato Grosso do Sul. Virou kayapó, xikrin, arara, juruna e tantos outros no Xingu. Foi para o Tapajós, e agora o bagre é munduruku. Vão os mundurukus impedirem o progresso do país pois exigem seus direitos sobre as usinas no Tapajós? Assim seria, até o bagre também virar terena. Oziel Terena morreu, assim como Adenilson Munduruku, como bagres por balas da Polícia Federal. Impunemente. Sem palavras de perdão, desculpas ou lamentos pelo ministro José Eduardo Cardozo. Apenas lacônicas promessas de "investigação" – como se fosse preciso prometer investigar o que a lei obriga que seja investigado e punido.

O último "bagre" foi Celso Rodrigues Guarani Kaiowá, da aldeia Paraguassú, em Paranhos, assassinado por um pistoleiro que cobrou 600 reais por sua vida, semana passada, no Mato Grosso do Sul. Suspeitas recaem sobre o dono da fazenda Califórnia (que nome!). Os kaiowá lutam para retomar a Califórnia, entre tantas outras fazendas na região que invadiram seus territórios. São os bagres dos sojeiros, pecuaristas e usineiros.

Quem se revolta pelo aumento das passagens em São Paulo porta-se como um bagre do rio Madeira, como um munduruku, um guarani, um kayapó. Não adianta criticar o governo que incentiva a indústria automobilística e o consumo de carros, mas que considera subsídio indevido e abusivo investir no transporte público para a massa, para o cardume da população.

A situação é complexa. Quem luta pela democracia, hoje, é a "minoria". Assim como o PSDB não larga o poder em São Paulo há anos, promovendo tragédias e repressões extremamente autoritárias e violentas como foi o caso do Pinheirinho, periferia de São José dos Campos, em janeiro de 2012, também no plano federal (PT e coligações), quem é eleito pela maioria governa de forma autoritária promovendo uma política semelhante de repressão.

Como pode um governo democrático, eleito pela grande maioria do país, recusar-se a ouvir um povo indígena que será afetado por uma série de projetos hidrelétricos em suas terras? A revolta dos munduruku é a defesa da democracia. A revolta dos terenas, dos guaranis e kaiowas no Mato Grosso do Sul, é a defesa da democracia e do Estado de Direito contra a pistolagem ruralista. "Os índios protestam nacionalmente", disse o antropólogo Carlos Fausto em entrevista aqui no blog. "Isso tudo foi para lembrar que Belo Monte é aqui. E que aqui todo mundo é índio, exceto os de sempre.", escreveu o antropólogo Eduardo Viveiros de Castro no twitter (@nemoid321).

A luta em São Paulo pelos 0,20 centavos é a luta pela democracia. Pela democracia que deveria ser representativa. A "minoria" de jovens que luta pela democracia dos transportes público para a "maioria" da população – "minoria" e "maioria" são ideias cada vez mais complicadas, ainda mais em um país onde 200 deputados representam 1% dos detentores de terras, que têm em suas mãos metade do país e se dizem "produtores" (mas não se sabe produtor do quê, se é de álcool para o transporte privado, de ração para porcos na China ou de gado para o Irã).

Essa sim uma verdadeira minoria, o 1% que decidiu criar uma lei em benefício próprio e que incentiva a destruição de florestas, o "Código Florestal". E que vaiaram nesse mesmo dia da votação, como em um espetáculo fascista, o anúncio da morte do casal de ambientalistas José Cláudio Ribeiro e Maria do Espírito Santo no Congresso Nacional. Quem eles representam?

A rua hoje é legítima. Somos todos bagres. Somos todos índios. Somos todos a favor do transporte público. E o uso da força, da bala de borracha, do gás, é mais um ataque a democracia e ao Estado de Direito. E mais um ataque à socio-cultural-bio-diversidade que colore o Brasil, e que está sendo asfixiada, desmatada e barrada.

Por: Felipe Milanez Fonte: Revista Carta Capital

quinta-feira, 27 de junho de 2013

Você está preparado para a economia da ampulheta?

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Com mudanças no mercado, trabalhadores do conhecimento tendem a ocupar, cada vez mais, os principais espaços. Os restantes vão ter que correr atrás

Fábio Zugman, 25 de junho de 2013

Shutterstock
A natureza do trabalho está mudando. Trabalhos complexos que dependem de pessoas especializadas vão pagar cada vez mais. Trabalhadores do conhecimento, executivos de alto escalão, médicos altamente treinados, programadores e outras pessoas que usam sua inteligência no mercado, podem esperar ser cada vez melhor remunerados.

Por outro lado, trabalhadores da linha de frente, aqueles no balcão de atendimento dos restaurantes, e outra tarefas que não exigem tanto estudo, podem esperar ficar cada vez mais distantes dos requisitos necessários para chegar ao primeiro time. Sem habilidades diferenciadas, essas pessoas estão fadadas a ganhar a vida executando tarefas simples, com poucas perspectivas de crescimento.

E o pessoal do meio? Os gerentes médios, profissionais sem especialização, aqueles fáceis de substituir ou até automatizar com um bom sistema de informação? Esses vão se tornar cada vez mais raros (e pobres).

Não estou falando, caro leitor, de um futuro distante que vi em algum sonho ou nas borras de chá. Estamos falando da "economia da ampulheta", tema que está se tornando realidade em países como Estados Unidos e Inglaterra, e que em breve podemos esperar chegar por aqui.

O raciocínio é mais ou menos o seguinte: antigamente as empresas precisavam de grandes contingentes de pessoas de "nível médio". Fossem os gerentes e supervisores em grandes empresas, ou aqueles funcionários responsáveis por um ou outro processo. Essas pessoas possuíam algum nível educacional, mas nada de destaque, e um salário que os colocavam na classe média para o resto da vida.

Então vieram os avanços da reengenharia. Diferentes técnicas e tecnologias de gestão achataram cada vez mais as empresas, melhorando os resultados e de quebra tornando irrelevante o trabalho de muita gente. Ao mesmo tempo, a tecnologia da informação crescia, sistemas automatizados avançavam em todas as carreiras profissionais, melhorando muita coisa ao mesmo tempo que tornavam os profissionais responsáveis em reunir, processar e buscar dados cada vez mais irrelevantes. Outras tecnologias, como a robótica, reduziram imensamente a necessidade de pessoal enquanto aumentavam a produtividade. Tarefas que precisavam de centenas de trabalhadores agora são feitas com poucas pessoas qualificadas.

Com isso tudo, alguns países já estão tendo que lidar com um fenômeno novo: De um lado, uma elite profissional altamente qualificada, com salários e perspectivas fantásticos. De outro, uma grande massa de pessoas fazendo trabalhos braçais, necessários mas que não dependem de nenhuma qualificação. A classe média, cada vez mais espremida, começa a sumir. Daí o nome: Ao invés da tradicional pirâmide de classes, com uma maioria na classe baixa, seguida de classe média e os ricos no topo, as sociedade modernas estão começando a parecer mais com ampulhetas: Um maior número de ricos, um maior número de pobres, e menos gente entre eles.

Antes que alguém venha jogar pedras e dizer que a solução é o comunismo, lembro que os fatores que estão levando a isso dependem mais da natureza do conhecimento e do trabalho no século XXI do que algum plano malvado. O trabalho ficou mais complexo, e quem sabe lidar com isso é bem remunerado. Quem ficou para trás ficará ainda mais para trás.

No Brasil, apesar de termos nossas peculiaridades, podemos prever que ocorrerá algo parecido. Afinal, é um fenômeno do tempo em que vivemos. Em todo caso, é sempre melhor se preparar para uma mudança, mesmo se o impacto aqui não for o mesmo, do que não fazer nada e ser pego desprevenido.

A boa notícia é que o caminho para o topo da ampulheta é bastante claro: Carreiras de alto valor agregado. Se o conhecimento que você possui, as habilidade que você tem e o trabalho que você desenvolve são sofisticados e diferenciados, o mundo nunca pareceu tão bom para você. A notícia é ruim para aqueles acomodados, felizes no conforto da mediocridade. Se seu trabalho é "mais ou menos", e hoje você se sente seguro, isso pode mudar rapidamente.

E então, você está preparado para viver na ampulheta?

As manifestações e a sustentabilidade

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Sociedade
26/6/2013 - 07h59

por Dal Marcondes, da Envolverde
ca19 300x198 As manifestações e a sustentabilidade 
Serviços públicos de qualidade podem liberar bilhões de reais da classe média para o crescimento econômico ao invés de pagar por serviços privados de qualidade duvidosa.

As pautas levantadas nas ruas das cidades brasileiras têm muito mais a ver com sustentabilidade do que normalmente se imagina. Não há nenhuma demanda clara por temas ambientais, no entanto, os temas sociais estão em todas as reivindicações. A melhoria de qualidade dos serviços públicos afeta diretamente a vida de todos os brasileiros, mesmo aqueles que acreditam não ser usuários desses serviços, seja na área de transporte, educação, saúde ou outra qualquer. Seria muito interessante que escolas públicas de qualidade comecem a atrair todos os estudantes e não apenas aqueles que não podem pagar, que o Sistema Único de Saúde seja de tal maneira eficaz que ninguém mais esteja disposto a deixar uma parte importante da renda em planos de saúde que nem sempre são o que prega a publicidade. Ou que o transporte público seja rápido e confortável e as pessoas preferam não gastar tanto dinheiro comprando carros, pagando seguros e manutenção ou estacionamentos simplesmente para poder ir e vir.

Um cenário de serviços de qualidade é exatamente o que vem defendendo o movimento pela sustentabilidade nas últimas décadas: uma sociedade com qualidade de vida e padrões de conforto sem a necessidade de altos desembolsos por serviços privados de eficácia também duvidosa. É preciso fazer o calculo da quantidade de dinheiro que seria liberado para que as pessoas e as famílias possam investir em outras coisas, como lazer, cultura, consumo e outras necessidades que ficam sempre abafadas por demandas supostamente prioritárias na divisão dos salários.

Os desembolsos da classe média com serviços que se sobrepõem aos oferecidos pelo poder público, em seus diversos níveis, podem ser redirecionados para alimentar um surto de desenvolvimento e crescimento da economia sem que seja necessário nenhum tipo de renúncia fiscal por parte do governo.

A simples aplicação correta do dinheiro público nos serviços que o Estado já presta e a melhoria da qualidade desses serviços pode gerar um círculo virtuoso de desenvolvimento no Brasil, além de ter impactos importantes em outras áreas, como a ambiental: mais gente andando de transporte público significa menos emissões de CO² por carros nas cidades, maior fluidez no trânsito e menos desperdício de tempo. Há cálculos que buscam dimensionar as perdas econômicas dos congestionamentos, ou seja, muito dinheiro também será liberado para o crescimento econômico com a eficiência do transporte.

Escolas de qualidade, SUS de qualidade, transporte de qualidade podem ser o grande acelerador para a transição para uma sociedade mais sustentável. Depois há mais a ser feito, muito mais, mas esse é um ponto de partida com grande potencial. Outro efeito colateral será a possibilidade de ampliar a poupança interna, que nunca foi muito boa. Há efeitos colaterais para empresas de saúde e escolas privadas, mas investidores sempre encontram soluções para seus negócios. (Envolverde)

*Dal Marcondes é especialista em sustentabilidade e comunicação, diretor executivo da Envolverde.

(Agência Envolverde)

Momento histórico vivido no Brasil

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Esse cara sempre muito lúcido e profundo!

Sociedade

26/6/2013 - 09h29
por Leonardo Boff
ca28 300x160 Momento histórico vivido no Brasil
Estou fora do país, na Europa a trabalho e constato o grande interesse que todas as mídias aqui conferem às manifestações no Brasil. Há bons especialistas na Alemanha e França que emitem juízos pertinentes. Todos concordam nisso, no caráter social das manifestações, longe dos interesses da política convencional. É o triunfo dos novos meios e congregação que são as mídias sociais.

O grupo da libertação e a Igreja da libertação sempre avivaram a memória antiga do ideal da democracia, presente, nas primeiras comunidades cristãs até o século segundo, pelo menos. Repetia-se o refrão clássico: "o que interessa a todos deve poder ser discutido e decidido por todos". E isso funcionava até para a eleição dos bispos e do Papa. Depois se perdeu esse ideal nas nunca foi totalmente esquecido. O ideal democrático de ir além da democracia delegatícia ou representativa e chegar à democracia participativa, de baixo para cima, envolvendo o maior número possível de pessoas, sempre esteve presente no ideário dos movimentos sociais, das comunidades de base, dos Sem Terra e de outros. Mas, nos faltavam os instrumentos para implementar efetivamente essa democracia universal, popular e participativa.

Eis que esse instrumento nos foi dado pelas várias mídias sociais. Elas são sociais, abertas a todos. Todos agora têm um meio de manifestar sua opinião, agregar pessoas que assumem a mesma causa e promover o poder das ruas e das praças. O sistema dominante ocupou todos os espaços. Só ficaram as ruas e as praças que, por sua natureza, são de todos e do povo.

Agora, surgiram a rua e a praça virtuais, criadas pelas mídias sociais.

O velho sonho democrático segundo o qual o que interessa a todos, todos têm direito de opinar e contribuir para alcançar um objetivo comum pode, enfim, ganhar forma.

Tais redes sociais podem desbancar ditaduras, como no Norte da África; enfrentar regimes repressivos, como na Turquia; e agora mostram no Brasil que são os veículos adequados de reivindicações sociais, sempre feitas e quase sempre postergadas ou negadas: transporte de qualidade (os vagões da Central do Brasil têm quarenta anos), saúde, educação, segurança, saneamento básico. São causas que têm a ver com a vida comezinha, cotidiana e comum à maioria dos mortais. Portando, coisas da Política em maiúsculo. Nutro a convicção de que a partir de agora se poderá refundar o Brasil a partir de onde sempre deveria ter começado, a partir do povo mesmo que já encostou nos limites do Brasil feito para as elites. Estas costumavam fazer políticas pobres para os pobres e ricas para os ricos. Essa lógica deve mudar daqui para frente. Ai dos políticos que não mantiverem uma relação orgânica com o povo. Estes merecem ser varridos da praça e das ruas.

Escreveu-me um amigo que elaborou uma das interpretações do Brasil mais originais e consistentes, o Brasil como grande feitoria e empresa do Capital Mundial, Luiz Gonzaga de Souza Lima. Permito-me citá-lo: "Acho que o povo esbarrou nos limites da formação social empresarial, nos limites da organização social para os negócios. Esbarrou nos limites da Empresa Brasil. E os ultrapassou. Quer ser sociedade, quer outras prioridades sociais, quer outra forma de ser Brasil, quer uma sociedade de humanos, coisa diversa da sociedade dos negócios. É a Refundação em movimento".

Creio que este autor captou o sentido profundo e, para muitos, ainda escondido das atuais manifestações multitudinárias que estão ocorrendo no Brasil.

Anuncia-se um parto novo. Devemos fazer tudo para que não seja abortado por aqueles daqui e de lá de fora que querem recolonizar o Brasil e condená-lo a ser apenas um fornecedor de commodities para os países centrais que alimentam ainda uma visão colonial do mundo, cegos para os processos que nos conduzirão fatalmente a uma nova consciência planetária e à exigência de uma governança global. Problemas globais exigem soluções globais. Soluções globais pressupõem estruturas globais de implementação e de orientação.

O Brasil pode ser um dos primeiros nos quais esse inédito viável pode começar a sua marcha de realização. Dai ser importante não permitirmos que o movimento seja desvirtuado. Música nova exige um ouvido novo. Todos são convocados a pensar este novo, dar-lhe sustentabilidade e fazê-lo frutificar num Brasil mais integrado, mais saudável, mais educado e melhor servido em suas necessidades básicas.

Leonardo Boff é filósofo, teólogo, escritor e comissionado da Carta da Terra.
** Publicado originalmente no site Adital.