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terça-feira, 31 de janeiro de 2012

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Sociedade civil se articula para o processo da Rio+20

Informes ABONG 20/01/2012 a 02/02/2012

O Rio de Janeiro sedia em junho de 2012 a Rio+20, Conferência das Nações Unidas sobre o Desenvolvimento Sustentável, que pretende avaliar os compromissos da Rio 92, a concepção de economia verde e o quadro institucional do desenvolvimento sustentável. A Rio+20 surge como um evento que encerra um ciclo, fazendo um balanço dos avanços das últimas décadas, ao mesmo tempo em que potencializa e identifica outras metas e lutas para o futuro.

Diante do contexto da conferência realizada pela ONU, diversas entidades da sociedade civil brasileira se reuniram e formaram o Comitê Facilitador da Sociedade Civil Brasileira para a Rio+20, durante o Fórum Social Mundial de Dakar (Senegal), em janeiro de 2011. Como objetivo, o comitê pretende facilitar a participação da sociedade civil no processo da conferência da ONU através de um evento paralelo ao oficial, a Cúpula dos Povos na Rio+20 por Justiça Social e Ambiental.

O Comitê Facilitador é formado por uma variedade de organizações das mais diversas áreas, como direitos humanos, meio ambiente e sustentabilidade, desenvolvimento, entre outras. Também possui um Grupo de Articulação, que é responsável pela coordenação, do qual a Abong faz parte – conheça a lista completa aqui.

Ele assume o papel de pressionar os governos para uma atuação mais efetiva, diminuindo a distância entre as declarações e compromissos e a realidade. “Cabe a sociedade civil organizada chamar a atenção mundial sobre a gravidade do impasse vivido pela humanidade, e sobre a impossibilidade do sistema econômico, político e cultural dominante apontar e conduzir saídas para a crise. Mas é também da sua responsabilidade afirmar e mostrar outros caminhos possíveis”, lembra texto publicado pela FASE (leia aqui).

Fátima Mello, membro do Núcleo Justiça Ambiental e Direitos da FASE, em entrevista ao programa Conexão Futura ressalta a importância da conferência: “Essa conferência vem num momento de emergência”. Além disso, fala da construção do conceito de economia verde, que corre o risco de basear-se no sistema produtivo atual, ou seja, sendo apenas uma reciclagem das antigas formas de capitalismo. É necessário fugir do marketing verde, que esconde esse sistema pautado na exploração e na desigualdade. “Devemos questionar o que o desenvolvimento sustentável e a economia verde têm a contribuir para a proteção e a garantia dos direitos humanos”, ressalta o texto da FASE.

A conferência oficial da ONU

A conferência da ONU contará com a presença de chefes de Estado, pretendendo assegurar um compromisso político renovado no que se refere ao desenvolvimento sustentável. Algumas reuniões preparatórias da Cúpula já ocorreram em 2010 e 2011 e outros eventos de discussão do tema estão acontecendo em diversas partes do mundo. A conferência também estabeleceu algumas questões críticas da Rio+20, como o emprego e a inclusão social, a energia, as cidades sustentáveis, a alimentação, a água, dentre outros.

Acesse aqui a história do desenvolvimento sustentável nas Nações Unidas.

Rio 92

A Rio 92, também conhecida como Cúpula da Terra ou ECO-92, foi a conferência que inaugurou a temática do desenvolvimento sustentável para a opinião pública e para o mundo. De acordo com o portal Radar Rio+20, ela reuniu 172 países, 108 chefes de Estado, 2400 representantes da sociedade civil e 17 mil ativistas no Fórum Global – evento paralelo promovido pela sociedade civil no Aterro do Flamengo. Fátima lembra que a Rio 92 foi o primeiro momento em que se pensou de fato na questão do desenvolvimento a partir das concepções naturais, sabendo que os recursos naturais são finitos e que eles podem acabar.

Fórum Social Temático

O Fórum Social Temático (FST) – Crise Capitalista, Justiça Social e Ambiental também faz parte do processo de construção da Rio+20. Inserido no Fórum Social Mundial, ele será uma etapa preparatória para a Cúpula dos Povos em 2012. O evento acontecerá em Porto Alegre e cidades da região metropolitana, de 24 a 29 de janeiro.

O Fórum pretende refletir sobre um paradigma alternativo de sociedade, ampliando a pauta oficial determinada pela ONU para a Conferência sobre o Desenvolvimento Sustentável. As discussões realizadas em janeiro no FST deverão ser levadas para a Cúpula dos Povos, em junho. “Um Fórum que discuta a crise e as medidas emergenciais que têm que ser tomadas para assegurar a sobrevivência e o bem-estar de centenas de milhões de pessoas. Um Fórum que explore os caminhos para a afirmação de paradigmas alternativos à civilização industrial, produtivista e consumista e da agenda da transformação social que lhe corresponde. Um Fórum que aprofunde os laços entre os atores e atrizes comprometidos com esta pauta, mobilize-os para a ação, estimule sua convergência e auxilie sua participação efetiva na Cúpula dos Povos”, ressalta notícia publicada no portal do Fórum Social Mundial.

Saiba mais

Conheça o portal Radar Rio+20, realização do Instituto Socioambiental, da Vitae Civilis e do Centro de Estudos em Sustentabilidade da EAESP – FGV.
Leia texto sobre a Rio+20 publicado pela Fase.
Veja a entrevista com Fátima Mello, da Fase, no Conexão Futura.
Leia o artigo Soberania dos Povos contra o Esverdeamento do Capital, de Marcelo Durão e Luiz Zarref.
Leia o artigo Após compromissos débeis na COP 17, o que esperar da Rio+20?, de Fátima Mello, publicado no Le Monde Diplomatique.

sexta-feira, 27 de janeiro de 2012

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sábado, 21 de janeiro de 2012

Fwd: ONU: Economia verde gera emprego e reduz pobreza

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ONU: Economia verde gera emprego e reduz pobreza

Segundo Pavan Sukhdev, assessor especial do PNUMA, o setor de energia renovável já emprega mais pessoas do que o de petróleo e gás em todo o mundo

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Pavan Sukhdev, do PNUMA: "Estamos consumindo 30% a mais do que o planeta consegue fornecer anualmente. Isso não é desenvolvimento sustentável".

São Paulo - O principal desafio do mundo hoje é conciliar desenvolvimento com preservação. Para tanto, a chamada Economia Verde, ou de baixo carbono, é considerada por muitos como o único caminho possível de crescer e elevar a qualidade de vida de populações menos privilegiadas, sem exaurir os recursos naturais do planeta.

Pavan Sukhdev, assessor especial do Programa das Nações Unidas pelo Meio Ambiente (PNUMA), é um dos que compartilham dessa visão. Nesta segunda-feira (13), ele participou do evento "Economia Verde: da Intenção à Ação", promovido pela Secretaria de Meio Ambiente do Estado de São Paulo, que pretendeu ser uma prévia da 1ª Bolsa Internacional de Negócios da Economia Verde.  

A demanda por serviços ambientais praticamente dobrou nos últimos 40 anos e já excede a capacidade de regeneração da Terra. A humanidade, diz Pavan, está consumindo 30% a mais do que o planeta consegue fornecer anualmente. "Isso não é desenvolvimento sustentável", afirmou.

Além de se colocar como um contraponto às mudanças climáticas e ao aquecimento global, a economia verde é, segundo ele, o principal caminho para garantir o desenvolvimento sustentável, reduzir a pobreza no mundo e gerar empregos. Ele citou como exemplo o seu país de origem, a Índia, que investiu pesadamente nos último anos na criação de 'green jobs' com o objetivo de melhorar a qualidade de vida da população.

"Para nós, a economia verde não é uma alternativa para a erradicação da pobreza, mas a única solução possível. Diferentemente da economia marrom [tradicional], intensamente focada no capital, a nova economia foca-se no desenvolvimento sustentável, com geração de empregos que melhorem a qualidade de vida do trabalhador", disse. "Não se trata apenas de ganhar dinheiro, mas de ter um trabalho decente".

Segundo o assessor do PNUMA, cada vez mais aumentam os investimentos públicos nos setores verdes e na geração de empregos. "O setor de energias renováveis, por exemplo, já emprega 2 milhões e 332 mil pessoas em todo o mundo, contra os 2 milhões de postos ocupados no setor de petróleo e gás", disse.

Saindo da esfera de produção energética, Pavan Suchdev destacou a importância de adaptação da agricultura aos mecanismo de produção sustentável, principalmente em países com alto nível de dependência da atividade no campo. Em Uganda, onde 80% da população tem na agricultura sua principal fonte de renda, o PNUMA tem trabalhado junto com o governo local para a adoção de técnicas de cultivo orgânico, que reduzem entre 48% e 68% as emissões de CO2.

Apesar das perspectivas positivas, ainda são muitos os obstáculos no caminho que leva à economia verde. "Faltam subsídios, leis, impostos e envolvimento do setor financeiro e do mercado", disse Pavan. "Para tornar bem sucedida essa nova economia, são necessários regulamentos por parte Estado e, principalmente, o comprometimento e a cobrança da sociedade civil", concluiu. 

Leia mais: SP vai sediar 1ª Bolsa Internacional de Negócios da Economia Verde

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sexta-feira, 20 de janeiro de 2012

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Como inventar um novo planeta

20 de janeiro de 2012 | 3h 07
Washington Novaes, jornalista. E-mail: wlrnovaes@uol.com.br - O Estado de S.Paulo

Afinal a Organização das Nações Unidas (ONU) divulgou, em 19 páginas, seu documento preliminar sobre a conferência mundial Rio+20, a realizar-se em junho no Rio de Janeiro. O texto O Futuro que Queremos está repleto de boas intenções, mas quase vazio de meios concretos, específicos, para a sua realização - reforçando os temores de tantos estudiosos, muitos deles já mencionados neste espaço, de que a conferência venha a ser um malogro, ou apenas um espaço para palavras, sem consequências práticas.

O documento reafirma "a determinação de livrar a humanidade da fome", por meio da "erradicação de todas as formas de pobreza". E assume o compromisso de "lutar para que as sociedades sejam equitativas e inclusivas", de modo a atingirem "estabilidade econômica e crescimento que beneficie todos".

Também reitera o desejo de atingir, em 2015, os "Objetivos do Milênio", que incluem essa erradicação da pobreza, a universalização do saneamento básico (do qual estão excluídos 40% da humanidade), renda mínima para todos (hoje 40% vivem abaixo da "linha da pobreza"). E que os países industrializados cumpram o compromisso, assumido na Rio-92, de ampliar de 0,37% de seu produto interno bruto (PIB) para 0,70% a ajuda aos países em desenvolvimento, para que se atinjam os objetivos - atualmente a ajuda é de 0,30%, inferior à de 20 anos atrás, e pouquíssimos países cumpriram o que assumiram.

Complicadíssimo. O próprio documento reconhece que hoje nada menos que 1,4 bilhão de pessoas vivem na pobreza; que 1,6 bilhão são subnutridas, sob a ameaça de pandemias e epidemias "onipresentes"; que o "desenvolvimento insustentável" agravou o estresse na área dos recursos naturais.

Por isso tudo e muito mais, diz o documento, o desenvolvimento sustentável é um "objetivo distante" - e a "governança global" dessa sustentabilidade é exatamente um dos temas centrais da conferência, juntamente com a "economia verde". Ainda mais que a ONU pressupõe, para chegar a esses objetivos, que haja "participação da sociedade nas decisões", a qual, por sua vez, depende de "acesso à informação". Pressupõe até a inclusão, nas estratégias, do que está escrito na Declaração dos Direitos dos Povos Indígenas.

Da mesma forma, exige eliminar barreiras comerciais e subsídios, eliminar o "gap tecnológico" entre países desenvolvidos e os demais, criar até 2015 indicadores para avaliar as transformações, tendo ainda em conta que crescimento do PIB dos países é um indicador considerado insuficiente, porque não leva em conta fatores sociais e ambientais. Sem esquecer que tudo isso deverá estar no âmbito de uma "governança ambiental internacional", que pode exigir até a criação de uma agência especializada da ONU.

E vai por aí o documento das Nações Unidas, enumerando objetivos como reduzir o desperdício de água no mundo, planejar e implantar "cidades sustentáveis", impedir a perda da biodiversidade e a acidificação dos oceanos, proteger estoques pesqueiros ameaçados, combater a desertificação na África, a deposição de lixo eletrônicos e de plásticos no mar. E, em meio a isso tudo, reduzir os subsídios para combustíveis fósseis, para proteger a agricultura dos países centrais, para sustentar a pesca predatória. Assim como duplicar a porcentagem de energias renováveis na matriz mundial.

Este último item remete ao relatório recente da Agência Internacional de Energia, lembrando que o aumento de 5% no consumo de energia primária em 2010 levou a novo "pico" nas emissões de dióxido de carbono, graças inclusive aos subsídios ao consumo de energias derivadas de fontes fósseis, que estão em US$ 400 bilhões anuais. Ainda assim, 1,3 bilhão de pessoas não têm acesso à energia elétrica. E os cenários traçados para o período que vai até 2035 chegam a prever um aumento de um terço na demanda de energia, mantida a previsão de aumento de 1,7 bilhão de pessoas na população mundial nesse período e crescimento médio anual de 3,5% do PIB - 90% do aumento estará fora dos países industrializados. Tudo isso exigirá investimentos de US$ 38 trilhões em 25 anos, principalmente em estruturas para transporte de energia. O consumo de combustíveis fósseis deverá baixar apenas dos 81% totais de hoje para 75%. As energias renováveis - principalmente hidrelétrica e eólica - responderão por 50% da capacidade que será adicionada.

Num quadro tão difícil, com as dificuldades da conjuntura econômica mundial, a pouca praticidade dos objetivos da convenção tem gerado críticas fortes. O renomado economista Jeffrey Sachs, da Universidade de Colúmbia, tem dito que a conferência do Rio "deve servir para admitir duas décadas de fracasso no campo ambiental"; para reconhecer que "não há propostas para a crise"; que "o lobby da indústria de energia venceu Obama" (Estado, 18/11/2011). Suzana Kahn, que representa o Rio de Janeiro na conferência, admite que há "um grande risco de a Rio+20 ser um evento sem consequência nenhuma", já que "não tem nada prático que vá sair do encontro" (Estado, 21/12/2011).

Muito mais complexa ainda é a questão levantada pelo teólogo Leonardo Boff, ao lembrar que sustentabilidade é tema muito abrangente: "É toda ação destinada a manter condições energéticas, informacionais, físico-químicas que sustentam todos os seres, especialmente a Terra viva, a comunidade de vida e a vida humana" - e ainda assegurando os direitos das gerações futuras. Meio ambiente, diz ele, não é "algo secundário e periférico". Que fará a Rio+20 para abrir caminhos que assegurem tudo isso?

Como haverá também, paralela à conferência do Rio, uma Cúpula dos Povos por Justiça Social e Ambiental, certamente se dirá que esse avanço da consciência social poderá abrir caminhos para transformações políticas que levem à superação das lógicas apenas financeiras no mundo - e ao desejado desenvolvimento sustentável. Difícil, mas não é impossível.

quinta-feira, 19 de janeiro de 2012

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Era Caórdica (caos e ordem)

Por Antonio Sales Rios Neto http://antoniosales.blogspot.com/

Fundador da VISA Internacional Dee Hock acredita que estamos na Era Caórdica (caos e ordem)

"Estamos num ponto do tempo em que uma era de quatrocentos anos está morrendo e outra está lutando para nascer – uma mudança de cultura, ciência, sociedade e instituições muito maior do que qualquer outra que o mundo já tenha experimentado. Temos à frente a possibilidade de regeneração da individualidade, da liberdade, da comunidade e da ética como o mundo nunca conheceu, e de uma harmonia com a natureza, com os outros e com a inteligência divina como o mundo jamais sonhou." Dee Hock

A princípio, o enunciado acima que apresenta esta página sobre "Era Caórdica" pode manifestar um pensamento otimista em demasia, aparentando ao leitor uma visão futurista extremamente devaneadora. Uma premonição paradoxal face à incontestável falência institucional que tem marcado este fim de era industrial e que está nos empurrando para uma profunda crise socioambiental. Crise que atualmente assola a humanidade e que iniciou um processo de devastação ambiental em escala planetária. Estas são palavras de um dos mais originais pensadores da atualidade em matéria de administração, o fundador e CEO emérito da organização VISA, Dee Hock, cujas idéias desejaria disseminar entre aqueles que buscam alternativas para os atuais arranjos organizacionais, que procuram novos modelos de organização capazes de atender às necessidades que as sociedades contemporâneas exigem.

As instituições mecanicistas baseadas nas estruturas de comando e controle da era industrial dominaram durante quatro séculos o funcionamento das sociedades, determinando a vida econômica, social, cultural, política e demais áreas do conhecimento. Neste início de terceiro milênio, observamos um movimento crescente da diversidade e complexidade das sociedades em todo o mundo e parece estar brotando um consenso de que a atual estrutura hierarquizada de poder das organizações está bem próxima de atingir seu nível de saturação, onde não mais conseguirão cumprir seus objetivos e permanecerão crescendo, consumindo recursos, devastando o meio ambiente e limitando cada vez mais o ser humano. Segundo Dee Hock, as taxas de extermínio da vida na Terra adquiriram proporções calamitosas: a cada hora, 210 espécies desaparecem da face da Terra, 6.700 acres de florestas virgens são devastadas, três milhões de toneladas de solo arável são destruídos e, o maior agravante, 1.200 crianças morrem de fome. E estes são dados de 2001, quando ele fez esse alerta. Ou seja, mesmo com toda evolução científica e tecnológica, a racionalidade mecanicista da nossa sociedade está produzindo uma catástrofe coletiva sem precedentes.

Dee Hock, um visionário pragmático, defende com muita convicção que as organizações se baseiam em conceitos errôneos do século XVII, inadequados à solução dos problemas sistêmicos, sociais e ambientais, dos quais padecemos diariamente. Em suma, ele projeta um futuro para as organizações fundamentado em princípios caórdicos - organizações autogovernadas que combinariam de forma harmoniosa o caos e a ordem, a competição e a cooperação. Princípios lapidados ao longo de sua vida e postos em prática quando ele fundou a VISA Internacional, um dos maiores empreendimentos do setor de cartões de crédito do mundo, cuja estrutura transcende fronteiras, culturas e diferentes sistemas monetários. Uma corporação com poder descentralizado entre vinte e dois mil bancos-membros que conseguem ao mesmo tempo cooperar e competir entre si, atendendo cerca de setecentos milhões de clientes espelhados pelas mais diversas nações do planeta e cumprindo transações de mais de um trilhão de dólares anuais.

Por volta de 1960, Dee Hock iniciou uma surpreendente caminhada trabalhando na rede bancária americana em busca da descobertas de novos conceitos de organização e conseguiu por em prática, ao construir a rede VISA, as mudanças de paradigma que atualmente estão sendo ratificadas pela comunidade científica por meio das Teorias da Complexidade ou Nova Ciência. Assim, Dee Hock transcendeu a visão newtoniana e cartesiana que determinou o funcionamento da sociedade e suas organizações durante a era industrial. Caord, foi esta a palavra que Dee Hock criou para identificar o caráter complexo, adaptável e holístico do que seria o próximo período da humanidade. A origem deste vocábulo, a junção de ca de caos e ord de ordem, surgiu da necessidade de combinar em uma única palavra a essência da evolução e da natureza e que deve ser a essência das organizações.

Dee Hock, um homem de origem humilde, teve uma trajetória de vida marcada pelo desafio à natureza da administração e das organizações tradicionais, uma história de busca constante por uma nova ideologia de gestão. Procurou formular novos conceitos que desafiassem as crenças vigentes sobre comunidade, organizações, relacionamentos, liderança, informação, administração, comportamentos – uma busca por uma nova organização da sociedade em harmonia com o espírito humano e com a natureza.

Essencialmente, três intrigantes perguntas nortearam essa sua busca:

“Por que as instituições, em toda parte, sejam elas políticas, comerciais ou sociais, são cada vez mais incapazes de administrar as próprias questões?

Por que as pessoas, em toda parte, estão cada vez mais em conflito com as instituições de que fazem parte e alienadas delas?

Por que aumenta cada vez mais o desequilíbrio na sociedade e na biosfera?”

Foi com estas conflitantes questões que dominaram sua vida e com sua experiência de fundação da VISA Internacional que ele passou a vislumbrar o surgimento de uma nova era denominada Caórdica, onde as organizações do futuro seriam formadas em novas bases conceituais. Em síntese, estas novas organizações seriam criadas ou redesenhadas a partir da definição dos verdadeiros propósitos que justificam sua existência, determinados com a mais absoluta transparência e convicção. E a partir dos propósitos, as organizações passariam então a buscar os princípios, as pessoas e os conceitos necessários para desencadear um processo espontâneo capaz de liberar o espírito humano, o comprometimento e a engenhosidade das pessoas em sua plenitude.

"O desenvolvimento industrial global lançou as sementes do próprio fim ao gerar níveis de complexidade e índices de mudança que ultrapassam a inteligência das instituições da Era Industrial, que são suas herdeiras. Em todas as frentes, consequentemente, enfrentamos problemas para os quais as organizações dominantes, hierárquicas e autoritárias, são inadequadas. Como diz Dee Hock,
'Vivemos numa era de maciça falência institucional'."
Peter Senge

Veja mais: http://eracaordica.blogspot.com/

segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

2020: A extinção dos professores

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O ano é 2.020 D.C. - ou seja, daqui a nove anos - e uma conversa entre avô e neto tem início a partir da seguinte interpelação:
  
- Vovô, por que o mundo está acabando?
  
A calma da pergunta revela a inocência da alma infante. E no mesmo tom vem a resposta:
  
- Porque não existem mais PROFESSORES, meu anjo.
  
- Professores? Mas o que é isso? O que fazia um professor?
  
O velho responde, então, que professores eram homens e mulheres elegantes e dedicados, que se expressavam sempre de maneira muito culta e que, muitos anos atrás, transmitiam conhecimentos e ensinavam as pessoas a ler, falar, escrever, se comportar, localizar-se no mundo e na história, entre muitas outras coisas. Principalmente, ensinavam as pessoas a pensar.
  
- Eles ensinavam tudo isso? Mas eles eram sábios?
  
- Sim, ensinavam, mas não eram todos sábios. Apenas alguns, os grandes professores, que ensinavam outros professores, e eram amados pelos alunos.
  
- E como foi que eles desapareceram, vovô?
  
- Ah, foi tudo parte de um plano secreto e genial, que foi executado aos poucos por alguns vilões da sociedade. O vovô não se lembra direito do que veio primeiro, mas sem dúvida, os políticos ajudaram muito. Eles acabaram com todas as formas de avaliação dos alunos, apenas para mostrar estatísticas de aprovação. Assim, sabendo ou não sabendo alguma coisa, os alunos eram aprovados. Isso liquidou o estímulo para o estudo e apenas os alunos mais interessados conseguiam aprender alguma coisa.
  
Depois, muitas famílias estimularam a falta de respeito pelos professores, que passaram a ser vistos como empregados de seus filhos. Estes foram ensinados a dizer "eu estou pagando e você tem que me ensinar", ou "para que estudar se meu pai não estudou e ganha muito mais do que você" ou ainda "meu pai me dá mais de mesada do que você ganha". Isso quando não iam os próprios pais gritar com os professores nas escolas. Para isso muito ajudou a multiplicação de escolas particulares, as quais, mais interessadas nas mensalidades que na qualidade do ensino, quando recebiam reclamações dos pais, pressionavam os professores, dizendo que eles não estavam conseguindo "gerenciar a relação com o aluno". O professores eram vítimas da violência - física, verbal e moral - que lhes era destinada por pobres e ricos. Viraram saco de pancadas de todo mundo.
  
Além disso, qualquer proposta de ensino sério e inovador sempre esbarrava na obsessão dos pais com a aprovação do filho no vestibular, para qualquer faculdade que fosse. "Ah, eu quero saber se isso que vocês estão ensinando vai fazer meu filho passar no vestibular", diziam os pais nas reuniões com as escolas. E assim, praticamente todo o ensino foi orientado para os alunos passarem no vestibular. Lá se foi toda a aprendizagem de conceitos, as discussões de idéias, tudo, enfim, virou decoração de fórmulas. Com a Internet, os trabalhos escolares e as fórmulas ficaram acessíveis a todos, e nunca mais ninguém precisou ir à escola para estudar a sério.
  
Em seguida, os professores foram desmoralizados. Seus salários foram gradativamente sendo esquecidos e ninguém mais queria se dedicar à profissão. Quando alguém criticava a qualidade do ensino, sempre vinha algum tonto dizer que a culpa era do professor. As pessoas também se tornaram descrentes da educação, pois viam que as pessoas "bem sucedidas" eram políticos e empresários que os financiavam, modelos, jogadores de futebol, artistas de novelas da televisão - enfim, pessoas sem nenhuma formação ou contribuição real para a sociedade.

Anônimo

sábado, 19 de novembro de 2011

* QUEM É PARAENSE ENTENDE ...

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*Pai d'égua, gostei! Passe adiante, antes ou depois da chuva da tarde!

Diga NÃO à divisão da nossa cultura!


  * QUEM É PARAENSE ENTENDE ...
   
** ** ***Texto oportuno... nestes tempos em que seremos obrigados a votar opinando sobre a divisão destas terras*...

Texto de *Ruth Rendeiro*:

Sou da terra onde a *Lobrás* se chamava 4 e 4 e se ia lá pra comprar * fechoeclair* e trocar aquele que escangalhou na velha calça que fica no *redengue*. No rumo da Presidente Vargas uma parada para... a merenda no Jangadeiro:garapa e pastel eram os meus preferidos, mesmo que eu me sentisse depois empanturrada, com vontade de *bardear* dentro do ônibus Aero Clube. Às vezes o piriri era inevitável. Mal dava tempo de chegar em casa.


Ahh a minha casa... Morei anos e anos na Baixa da Conselheiro e um dos meus divertimentos preferidos era pegar água na cacimba da Gentil.  Sempre fui meio alesada e deixava boa parte da água pelo caminho. O balde chegava quase sem nada, motivo pra ouvir da minha avó: não te brigo nem te ralho, só te olho.

Na minha terra não se empina pipa, mas papagaio, curica e cangula, sempre olhando pra ver se eles não estão no leso e nunca deixando a linha
emboletar. Depois do laço, a comemoração, maior ainda se cortou e aparou.

Se perdeu, a frase inevitável: *laufoiele*. Era um segurando o brinquedo artesanal feito de qualquer papel, enquanto o outro gritava de longe: larga! E o empinador sai correndo. Não gostava dessa função, sempre me abostava e os meninos eram implacáveis: cheira lambão, a velha caiu no chão e depois ainda me arremedavam...


Peteca ou fura-fura eram mais compatíveis com a minha leseira. Um triângulo desenhado no chão e dentro dele as pequenas bolinhas de vidro. Tirou de lá, ganhou a que saiu ou quem conseguia o tel. No fura-fura era essencial amolar bem a ponta do arame e sair jogando, emendando um ponto a outro sem nunca deixar que o adversário nos cercasse.

Lá na minha terra peixe não fede, tem *pitiú* e quem não toma banho direito tem *piché*. Gostamos de ser chamados de papa-chibé, aquele que adora uma farinha e que faz miséria com ela. Manga com farinha, doce de cupuaçu com farinha, sopa com farinha, macarrão com farinha. Um *caribé* bem quente, ralinho serve pra dar sustança ao doente e um chibé é excelente com peixe fritinho. Farinha só é ruim quando dizem: ihhh ta mais aparpada que farinha de feira !

O *pirão* do açaí é quase um ritual... Pode-se usar farinha d'água baguda ou mesmo a fina amarela, mas nada melhor que uma farinha de tapioca bem torradinha. Depois de tomar uma cuia bem cheia (meio litro em diante), daquele um, tipo papa é inevitável deixar a mesa todo breado e empanturrado. A barriga por *acolá* de tão cheia. Hora de ir para rede reparadora. Uma hora de *momó* é suficiente pra curar aquele despombalecimento.

A gastronomia na minha terra é tudo de bom. *Se não tem pão comemos tapioquinha com manteiga ou pupunha no café, quem sabe até um bolo de milho recém-saído do forno com uma manteiga por cima da fatia, derretendo.* O pão pequeno é careca e o curau, canjica e a canjica, mingau de milho. Tem gente que não gosta e ficava encarnando que esses pratos não são típicos.

Preferem uma unha com bem pimenta ou um beijo de moça bem torradinho.

Na minha infância o doce que mais consumíamos, em frente ao Grupo era o *quebra-queixo*. De amendoim ou de gergelim. O risco era ele cair na panela que sempre havia na boca da molecada. A dor era insuportável! Muitas vezes voltei pra casa correndo, debaixo de chuva pra colocar álcool no dente, adormecer até a panela parar de doer. – Vai na chuva mesmo? – Claro, não sou *beiju* !

Nossa Senhora de Nazaré pode ser chamada de Naza e a erisipela de *izipla*. Cabelos grossos e cortados curtos, viram espeta caju e quem pede muito é *pirangueiro*, filho de *pipira*. É proibido malinar, andar fedorento, ser um pirento inconveniente, desses que arrancam o cascão.


Embora politicamente incorreto, adoro lembrar o "carro da phebo" passando e os lixeiros invocados tendo que ouvir esses gracejos.

Quantas vezes ouvi da minha avó, da minha mãe: - *Só te digo vai*! ou de uma amiga pedindo para que a gente se demorasse mais um pouco: -
Espere o *vinho de cupu*. E o calendário paraense que além do ontem tem o *dontonte* e o *tresontonte* ?


Nos orgulhamos de falar tu e conjugá-lo corretamente, mas quem nunca ouviu essa frase? – Passasse por mim me olhasse, fizesse que nem me visse, nem falasse.

Esse é o meu Pará que querem dividir. Retalhar não só o território, mas as falas, as tradições, a cultura, a sua História. Minha terra correndo o
risco de não ser esse colo materno único, ímpar, que acolhe, que abriga da chuva, que nos enche de orgulho de ser não apenas Belém, mas Alter do Chão, Bragança, Soure, Altamira, Conceição do Araguaia, Ourém, Alenquer, Curucá ...

Talvez os que acreditam que a divisão é o melhor tenham batido na mãe, comido manga com febre e não entendido a metade do que está escrito
aqui !

(RUTH RENDEIRO)

quinta-feira, 10 de novembro de 2011

Dorothy Leonard: O conflito produtivo do conhecimento

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Para a professora e especialista em gestão do conhecimento, o processo de inovação deve ser conflituoso, curioso e demanda sabedoria dos líderes nas empresas

Ao tratar da convergência entre a gestão do conhecimento e a gestão da inovação, Dorothy Leonard, professora e pesquisadora da Universidade de Harvard, é pragmática: "há um paradoxo que todo gestor precisa administrar; o conhecimento como um todo capacita e é essencial à inovação, mas também inibe a inovação.

Para explicar tal afirmação, Dorothy conta o caso de uma empresa cujo CEO desejava demitir alguns de seus vendedores avançados, mas não sabia como fazer isso de maneira eficiente. Ao se envolver com o caso, Dorothy descobriu que um dos funcionários não poderia ser demitido sob hipótese alguma, pois ele, sozinho, era mais eficiente do que todos os demais juntos. Em determinada situação, esse vendedor avançado foi capaz de prever um movimento de mercado que colocou a empresa dois anos à frente de qualquer concorrente. E o CEO não fazia idéia disso.

Neste caso, a inovação estava, como na maioria das empresas, concentrada em áreas de pesquisa e desenvolvimento, mas o conhecimento efetivo e globalizado do mercado se expressava de forma mais evidente naquele vendedor e uma vez que a empresa estava esperando a inovação surgir de outro departamento, o conhecimento do vendedor foi inibido e ele poderia, inclusive, ter sido demitido.

Esse exemplo serviu para que Dorothy abordasse, durante sua palestra na HSM Expo Management, o conceito dos deep smarts, que são os conhecimentos mais aprofundados que as pessoas têm sobre determinado assunto.

Todo mundo tem seus deep smarts. Logo, toda empresa os tem também. No entanto, é muito difícil saber qual é o vendedor avançado que concentra esse tipo de conhecimento tão valioso e que pode ser estratégico para a companhia.

Daí a importância de, segundo ela, buscar saber quais são esses funcionários que, com base na experiência de mercado e de vida que têm e em sua percepção única de mundo, fazem a diferença para a empresa.

E mais do que apenas estimulá-los a participar dos processos inovatórios, Dorothy afirma ser estratégico desenvolver mecanismos que preservem esse tipo de conhecimento mesmo que o funcionário vá embora.

Uma das formas mais eficazes de se fazer isso é promovendo o que a professora de Harvard chama de abrasão inovativa. Esse conceito nada mais é do que a união de diversos profissionais em um mesmo ambiente para  que os mesmos expressem seus conhecimentos tácitos.

A idéia, segundo ela, é que exista discordância. "Ao permitir que as pessoas errem, você cria o potencial de abrasão inovativa, afinal, alguém que pensa completamente diferente tem a capacidade de desafiar o grupo", salienta.

Esse tipo de situação também é produtiva para que a empresa não fique exageradamente vaidosa de sua expertise, o que a pode fazê-la não conseguir olhar para as demais possibilidades e oportunidades de mercado. Foi o que aconteceu, segundo ela, com empresas como Kodak e Polaroid, que dominavam o mercado de fotografia analógica, mas que foram incapazes de ser bem sucedidas no mercado de fotografia digital.

Portal HSM
10/11/2011

Insights de Dorothy Leonard

domingo, 16 de outubro de 2011

Obras na Amazônia atraem 7 'trens-bala'

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Leiam a notícia no final.

Não se trata aqui de ser contra ou a favor do desenvolvimento e de todo esse investimento previsto, eu não sou xenófobo, "ecochato", ou "biodesagradável". É claro que sou a favor de investimento e desenvolvimento econômico da Amazônia, mas confesso que tenho muita preocupação sobre o que pode significar essa "invasão capitalista" na região Amazônica, ou seja: Qual a QUALIDADE deste desenvolvimento?

O quê, ou quanto, isso irá nos custar, Amazônidas, e a todo o planeta?

Estou me dirigindo apenas a formadores de opinião, gestores públicos e privados, educadores e alunos conhecidos, e por isso sinto-me à vontade para fazer algumas reflexões, e sei que que todos também se fazem as mesmas perguntas, mas não posso me furtar. Estou realmente incomodado com essas notícias.

Esses 24,4 milhões de Amazônidas estão preparados para absorver essa lógica econômica da qual estamos assistindo as consequências mesmo nos países do NORTE, que criaram essa lógica de desenvolvimento, acumulação e consumismo e a vem implantando há séculos e, hoje, assistimos suas consequências nos países periféricos europeus, movimentos planetários contra o capitalismo e coisas assim?

Vamos nos sujeitar a passar por todas as etapas que eles já passaram, ou podemos aprender com que estamos assistindo e desenvolver uma nova lógica para a Amazônia?

Ainda não conheço nenhum sistema melhor do que a democracia e o capitalismo, o que não me impede de considerá-los imperfeitos e que necessitam de reformulação e reflexão urgente, nas reuniões de trabalho e decisão de políticas públicas, de decisão de investimentos e planejamento empresariais, nos bancos das escolas onde formamos os gestores que irão gerir as consequências de nossas decisões de hoje. Que Amazônia vamos entregar nas mãos deles? Eles não tem o direito de participar dessa discussão e dizerem o que querem para seu futuro? Como estamos tratando disso em nossas salas de aula?

A Rio+20 está nas nossas portas e, considerando os reflexos, bons e ruins, da Rio 92, e que ainda ecoam e causam efeito até hoje nas mentes e decisões, precisamos aumentar essa discussão, afervecê-la, emocionar para mobilizar e racionalizar para traçar diretrizes, limites e parâmetros porque todo esse investimento tem um objetivo, claro, concreto, lógico e previsível, que todos querem tirar seu lucro daqui. Somos umas das últimas fronteiras de desenvolvimento do planeta, potencial econômico imensurável. Nada a contestar, mas o quê ficará?

A Floresta é muito mais que o Pré-sal, se considerarmos que o combustível fóssil perde posição de importância a cada dia, e está fadado ao obsoletismo a passos largos e que da tecnologia do petróleo restará apenas a petroquímica como geradora de valor, e esta está baseada apenas em um único elemento químico que é o carbono, enquanto a floresta, absolutamente desconhecida pela ciência ainda hoje, dispõe de toda a tabela periódica (e ainda pode ter outras que ainda não estão relacionadas), bactérias, microorganismos, elementos ativos, e mais, RENOVÁVEIS, portanto infinitos, se respeitarmos a capacidade de renovação da floresta.

O capitalismo avança para a economia do conhecimento, limpa, tecnológica. Países minúsculos em tamanho e população, sem recursos naturais, são ricos exportando conhecimento e tecnologia. Nós vamos continuar neste modelo de exportarmos matérias primas e ficarmos com nossa gente fazendo o trabalho braçal e agregar valor em nossos produtos lá fora, sustentar seus modos de vida de desperdício?

Não vou me estender mais porque sei que estou me dirigindo a pessoas que também estão conscientes dessas questões, minha preocupação é que precisamos unir esforços e mobilizar mais, usar mais inteligência, investir em pesquisa e garantir um futuro diferente do que estamos assistindo nos "paises desenvolvidos".

Obrigado e desculpem pelo desabafo.

um abraço a todos

 

http://www1.folha.uol.com.br/mercado/991426-amazonia-vira-motor-de-desenvolvimento.shtml
 
Obras na Amazônia atraem 7 'trens-bala'

Investimentos somam, pelo menos, R$ 212 bilhões e criam novo ciclo de expansão econômica na região


Plano cria saída para o agronegócio exportador e uma nova estrutura para geração de energia e exploração mineral

JULIO WIZIACK
AGNALDO BRITO

DE SÃO PAULO

O governo federal e o setor privado inauguraram um novo ciclo de desenvolvimento e ocupação da Amazônia Legal, onde vivem 24,4 milhões de pessoas e que representa só 8% do PIB brasileiro.

O pacote de investimento para os nove Estados da região até 2020 já soma R$ 212 bilhões. Parte já foi realizada. O valor deverá subir quando a totalidade dos projetos tiver orçamentos definidos.

Esse volume de recursos equivale a sete projetos do TAV (Trem de Alta Velocidade), pouco mais de quatro vezes o total de capital estrangeiro atraído pelo Brasil em 2010 e duas vezes o investimento da Petrobras para o pré-sal até 2015. Excluindo o total do investimento do país no pré-sal, os recursos a serem aportados na Amazônia praticamente vão se equiparar aos do Sudeste, principal polo industrial do país.

É o que indica levantamento feito pela Folha com base no PAC (Plano de Aceleração do Crescimento) e nos principais projetos privados em andamento.

Basicamente, são obras de infraestrutura (energia, transporte e mineração). Juntas, elas criarão condições para a instalação de indústrias e darão origem a um corredor de exportação pelo "arco Norte", que vai de Porto Velho (RO), passando por Amazonas, Pará, até o Maranhão.

Essa movimentação de cargas será feita por uma malha logística integrada por rodovias, ferrovias e hidrovias que reduzirão custos de exportação, principalmente para o agronegócio, que hoje basicamente utiliza os portos de Santos (SP) e Paranaguá (PR).

ENERGIA AMAZÔNICA
O setor elétrico é a força motriz dessa onda de investimento. As principais hidrelétricas planejadas pelo governo serão instaladas na região e, com elas, também se viabilizarão as hidrovias.

Projetos como Belo Monte (PA), Jirau e Santo Antônio (RO), Teles Pires e o complexo do Tapajós (PA) fazem parte desse novo ciclo de ocupação, acelerando o processo que se iniciou ainda sob a batuta do governo militar. A Amazônia, que hoje participa com 10% da geração de energia no país, passará a 23%, até 2020. Em uma década, ela será responsável por 45% do aumento da oferta de energia no sistema elétrico brasileiro e se tornará um dos motores do crescimento.

CONTROVÉRSIAS
Para acelerar a implantação dos projetos, o governo federal estuda uma série de mudanças legais. Entre elas estão a concessão expressa de licenças ambientais, a criação de leis que permitam a exploração mineral em áreas indígenas e a alteração do regime de administração de áreas de preservação ambiental.

Há ainda no Congresso um projeto de lei que, caso seja aprovado, tornará obrigatória a construção de hidrelétricas juntamente com as eclusas, viabilizando o transporte hidroviário.

O atual modelo prevê a construção das usinas e somente a apresentação do projeto da eclusa, obra que deve ser feita pelo governo. O avanço sobre a Amazônia gera controvérsias entre ambientalistas, que acusam o governo de repetir um modelo de desenvolvimento não sustentável e que conduz a região ao colapso social. Para os ambientalistas, as obras das hidrelétricas de Jirau e Santo Antônio, em Porto Velho (RO), e de Belo Monte, em Altamira (PA) são exemplos.

domingo, 9 de outubro de 2011

Como será o mundo corporativo em 2020?

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Da mesma forma que precisamos todos aprender como ser líderes melhores, também precisamos todos aprender como ser colaboradores melhores para melhorar nossa organização e garantir o seu futuro e desenvolvimento e, com isso, nossa vida profissional.
 
Os grifos são meus.
 
Recursos Humanos

As mudanças no ambiente de trabalho estão acontecendo rapidamente. Veja algumas dicas.

Caminhamos para um futuro em que não haverá mais espaço para o velho discurso: "A empresa não me reconhece. Não contribui com o desenvolvimento da minha carreira". Foi-se o tempo em que o lema era vida na empresa. A tendência é de que a responsabilidade pela carreira passe a ser do próprio indivíduo. Até 2020, com o mundo cada dia mais veloz e interligado, essa história de emprego como fonte de renda deve não existir mais. O lema será: trabalhe com amor, foque em resultados e cobre por isso. 

A realidade profissional no futuro

Trabalhar com prazer e liberdade para buscar a realização sem perder de vista os resultados esperados tomará conta da nossa realidade. Os 30 dias de férias por ano perderão lugar para a possibilidade de tirá-las em qualquer período do ano. Pensando desta forma, parece uma ilusão e você pode se perguntar: como vou pagar as contas no final do mês? Esse será o nosso desafio, aprender a lidar com a autonomia para saber dividir o trabalho com as outras áreas da vida e, ainda assim, aumentar a rentabilidade com qualidade de vida.

Não teremos mais de cumprir horários rígidos e o que vai nos governar é a nossa própria responsabilidadeEstabeleceremos nossos próprios horários, cientes dos prazos estabelecidos, ou seja, o que será levado em conta serão apenas os resultados. Dessa maneira, cada indivíduo será chefe de si próprio e, por isso, deverá saber se auto-disciplinar.

As hierarquias rígidas e autoritárias já estão perdendo espaço outras mais flexíveis. Será a era da prestação de serviços, projetos de trabalho com prazos determinados, em muitos casos como freelance, no esquema colaborativo. A pergunta que não me cala é: Você hoje está preparado para as tendências do futuro? 

Sistema de remuneração

Esqueça os valores fixos pagos mês a mês e aprenda a negociar uma remuneração por trabalhos realizados. Diga adeus ao holerite. Dados do governo dos Estados Unidos mostram que pelo menos um terço dos americanos se consideram trabalhadores independentes, uma categoria que inclui autônomos, pessoas que fazem serviço por empreitadas e profissionais temporários. Já no Brasil, o IBGE realizou uma pesquisa com os dados do Cadastro Nacional de Pessoa Jurídica e mostrou que, de 2000 a 2006, ele aumentou de 3,7 milhões de pessoas para 5,1 milhões de pessoas.

Eu tive apenas um registro na minha carteira de trabalho e desde cedo trabalho como empregador independente, ou seja, presto serviços com foco em resultados e cobro por isso. Confesso que não foi fácil aprender a administrar o tempo e a ter disciplina, mas hoje não fico limitado apenas a uma instituição e posso aprender com a realidade de diversas empresas, pulverizando a minha rentabilidade.

No começo vivi um momento de muita insegurança. É um exercício penoso de desapego para quem ainda se baseia no salário fixo. Vale à pena analisar os prós e contras e, até mesmo, criar uma estratégia para se adequar a essas tendências. A princípio pode parecer que existem mais contras do que prós, mas com o tempo asseguro que isso pode mudar e muito. A minha estratégia para ter essa tranqüilidade financeira foi encontrar clientes que estão se adequando a essa nova realidade e, em alguns casos, propor essa nova forma de trabalho como uma experiência. Como deu certo, fechei contratos de trabalho com um prazo e metas definidas. 

A tecnologia a favor

As tecnologias como smartphones, notebooks mais em conta e conexão wi-fi abundante acabarão com o velho hábito de trabalhar apenas da porta da empresa para dentro. Demorei em adquirir o meu smartphone, mas hoje vejo toda a praticidade que ele oferece. Isso porque não preciso estar no escritório para responder e-mails, ou seja, posso levar meu carro para lavar às 15h00 e, enquanto espero, posso adiantar minhas atividades por e-mail.

Obviamente que algumas profissões ainda não estão alinhadas com essa realidade, por serem muito manuais e operacionais. Reflita sobre a sua realidade hoje e faça as escolhas profissionais baseadas em seus valores, ou seja, com o que realmente importa para você. Afinal de contas, as novas tecnologias vão ampliar ainda mais as possibilidades de trabalhar ao redor do globo, em qualquer horário.

A combinação que você precisa

Os profissionais com mais tempo de experiência e condicionados com o velho modelo de trabalho estão tendo que aprender com a nova geração, que normalmente já tem a combinação tecnologia-velocidade-flexibilidade-cooperação.

Desenvolva a sua capacidade de cooperação e assuma uma posição pró-ativa, a fim de encontrar novas formas de trabalho. Atitudes com essa são fundamentais para que você alcance mais resultados e, consequentemente, sua auto-realização. 

 

Por Carlos Cruz (atua como Coach Executivo,Coach de Equipes e como Conferencista em Desenvolvimento Humano. E-mail imprensa@carloscruz.com.br)
HSM Online
10/08/2009

sábado, 8 de outubro de 2011

Voluntários que se dedicam ao próximo sem esperar nada em troca vivem mais, diz estudo

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07/10/2011 - 09h40

por Redação EcoD
151 300x183 Voluntários que se dedicam ao próximo sem esperar nada em troca vivem mais, diz estudo

Foto: Fairfax County Public Library

Uma pesquisa realizada pelo Programa Interdisciplinar de Empatia e Altruísmo da Universidade de Michigan (Estados Unidos) apontou que as pessoas que realizam trabalhos voluntários podem aumentar a expectativa de vida em cerca de quatro anos em relação àqueles que não praticam o voluntariado. Mas a regra não é válida para todos os voluntários – somente para aqueles que adotam a atividade com a intenção de fazer o bem ao próximo, e não a si mesmo.

De acordo com o estudo, publicado no periódico da American Psychological Association no início de setembro, aqueles que decidem aderir ao voluntariado por razões consideradas "egoístas" pelos pesquisadores, como melhorar o currículo ou desenvolver uma nova habilidade, tinham uma expectativa de vida semelhante à daqueles que não faziam nenhuma atividade voluntária.

Para chegar à conclusão, as pesquisadoras Sara Konrath e Andrea Fuhrel-Forbis, responsáveis pelo estudo, examinaram dados do Wisconsin Longitudinal Study, que conta com amostragem de mais de dez mil estudantes desde a sua formação no ensino médio, em 1957, até o presente. Em 2008, quando a análise foi feita, 51,6% da amostragem era composto por mulheres com idade média de 69 anos.

"Em nossa análise, controlamos estatisticamente todos os tipos de variáveis que podem influenciar a longevidade, como idade, gênero, estado civil, saúde mental e física, etc.", contaram em entrevista ao Portal do Voluntário. "Descobrimos que a motivação para o voluntariado importa, mesmo quando todos esses fatores são considerados. Em outras palavras, não basta dizer que esses voluntários são mais saudáveis ou conectados à sociedade – eles simplesmente têm razões voltadas para os outros na hora de decidir ajudar terceiros", disseram.

Pesquisa

Os entrevistados responderam a dez questões que abordavam os motivos para terem aderido ao voluntariado ou as razões que os levariam a ser voluntários, caso não fossem. Algumas das motivações eram voltadas para os outros, como "acho importante ajudar o próximo", ou "o voluntariado é uma atividade importante para as pessoas que conheço bem", e outras eram mais voltadas a si, como "voluntariar é uma boa forma de escapar de meus próprios problemas", ou "o voluntariado me faz sentir melhor sobre mim mesmo".

Os pesquisadores também consideraram saúde física, condição socioeconômica, estado civil e fatores de risco para a saúde (fumo, índice de massa corpórea e uso de álcool) dos participantes, assim como saúde mental e apoio social. Muitas dessas informações foram colhidas em 1992, 12 anos antes de os participantes serem questionados sobre as suas experiências no voluntariado. Assim, os pesquisadores puderam determinar quantos participantes continuavam vivos em 2008.

No geral, 4,3% dos 2.384 não voluntários morreram quatro anos depois da análise, ou seja, em 2011 – resultados proporcionalmente similares àqueles que declararam ser voluntários por motivos pessoais (4%). No entanto, apenas 1,6% daqueles que eram voluntários por razões focadas no próximo morreram no dado período.

Causas

De acordo com as pesquisadoras, as pessoas que ajudam outras por motivos verdadeiramente altruístas diminuem a reação cardiovascular e aumentam a produção de hormônios protetores, como a oxitocina.

"Chamamos este conjunto de reações fisiológicas de 'sistema de acolhimento', pois é similar ao do cuidado da mãe com crianças. A ativação constante desse sistema provavelmente enfraquece os efeitos negativos de longo prazo do estresse, que são ligados a todo tipo de doença grave, como males cardiovasculares e câncer", contam.

* Publicado originalmente no site EcoD.

(EcoD)

quarta-feira, 5 de outubro de 2011

A era das grandes responsabilidades

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05/10/2011 - 10h58

por Ignacy Sachs*

Manter a qualidade de vida para mais de 9 bilhões de habitantes vai exigir da humanidade uma visão mais pragmática de suas responsabilidades diante do planeta.

129 A era das grandes responsabilidades

Ignacy Sachs.

Tudo indica que antes da Rio+20, programada para meados de 2012, a Comissão Estratigráfica Internacional vai oficialmente proclamar que desde o início da revolução industrial no século XVII, entramos numa nova era geológica – o antropoceno – caracterizada por um forte impacto das atividades humanas sobre o porvir da Nave Espacial Terra. Não que sejamos "mestres da natureza", como o pensava Descartes. O recente tsunami que assolou as costas do Japão, nos arredores de Fukushima, nos lembrou a nossa impotência frente eventos naturais deste porte: três enormes ondas de quase 40m de altura, avançando a 300Km/h e entrando 10Km no interior das terras, destruindo portos, aldeias, derrubando casas, carregando barcos e carros, danificando uma central nuclear, acabando com a safra de arroz desta importante província agrícola do Japão e com 80 mil empregos.

Necessitamos de uma postura pró-ativa, avaliando com realismo a nossa capacidade de atuar, valendo-se da qualidade única à espécie humana representada pela nossa capacidade de imaginar o futuro. Em outras palavras, devemos aprender a difícil profissão de "geonautas", neologismo proposto por Erik Orsenna. Assim, 2012 vai passar à história como uma censura duplamente importante na história imediata e na "longue durée", ou seja, na longa coevolução da nossa espécie com a Nave Espacial Terra. Provavelmente, historiadores futuros deixarão de lado a dicotomia "antes e depois de Cristo" e falarão da época anterior ao antropoceno, e o antropoceno, salientando que o reconhecimento tardio da nossa entrada do antropoceno foi precedido de uma forte aceleração da história imediata durante o breve século XX que, segundo Eric Hobsbawm, começou com a primeira guerra mundial em 1914 e terminou com a queda do muro de Berlim em 1989.

Os geonautas nunca devem perder de vista a absoluta necessidade de enfrentar simultaneamente as questões de sustentabilidade ambiental e de justiça social. Ao sacrificarmos no altar da sustentabilidade ambiental o postulado da justiça social, corremos o risco de aprofundar ainda mais as distância abissal que já separam as minorias abastadas ocupando os camarotes de luxo no convés da Nave Espacial Terra das massas que se disputam o triste privilégio de labuta nos seus sótãos. Por outro lado, a busca da justiça social não nos deve levar a comportamentos destrutivos do meio ambiente ao ponto de provocar mudanças climáticas deletérias, pondo em risco a própria sobrevivência a termo de nossa espécie.

Mais do que nunca, como geonautas, devemos elaborar e pôr em prática estratégias de desenvolvimento ambientalmente sustentável e socialmente includente, dando-lhes a forma de planos plurianuais. No que diz respeito às mudanças climáticas, o nosso poder é limitado, por isso não devemos nos omitir de reduzir ao máximo as mudanças de origem antropogênica.
Por contraste, as nossas margens de liberdade para diminuir a dívida social acumulada são muito maiores, conquanto saibamos fazer bom uso dos conhecimentos já acumulados e dos progressos futuros da ciência, combinando-o com investimentos que ampliarão o aparelho produtivo e com uma organização social capaz de assegurar o trabalho decente para todos.

Para avançar na direção de um desenvolvimento socialmente includente e ambientalmente sustentável, vamos precisar de paradigmas energéticos baseados em três princípios: sobriedade, eficiência e substituição das energias fósseis, responsáveis pela emissão de gazes de efeito estufa; por energias renováveis. No que diz respeito ao leque das energias renováveis, devemos explorar cuidadosamente o potencial da energia solar, eólica, maremotriz e, no caso do Brasil, das bioenergia de origem terrestre e aquática, esta última produzida a partir de algas. Isto nos leva a uma questão fundamental: até que ponto a utilização das bioenergias compete com a produção dos alimentos necessários, hoje para quase 7 bilhões e, em meados deste século, para 9 milhões de seres humanos, muitos dos quais por enquanto vão dormir de barriga vazia.

Sem perder de vista a prioridade que, por razões sociais, deve ser dada à produção de alimentos para todos aqueles que continuam passando fome ou são subalimentados, dispomos de conhecimentos e temos condições para que uma parcela importante de biocombustível se origine nos resíduos da produção alimentar, transformando dessa maneira os alimentos e os biocombustíveis em coproduto. Em todo caso, tanto a produção de alimentos como a produção de biocombustíveis estão intimamente ligadas as progressos da revolução verde e da revolução azul, sem esquecer o potencial econômico representado pelo adensamento em espécies arbóreas úteis ao homem das florestas mantidas em pé por razões ambientais.

A primeira revolução verde, associada com o nome de Norma Borlaug, privilegiou as produções de alimentos com sementes selecionadas, grandes quantidades de adubos e água abundante, condições essas não acessíveis a uma grande parte dos agricultores dos países emergentes. Um passo importante para a frente foi dado pela agrônoma indiana, M. S. Swaminathan, ao postular uma "revolução sempre verde" (evergreen revolution), voltada primordialmente às possibilidades e aos interesses dos pequenos agricultores.

Em paralelo, devemos avançar na conceitualização de uma revolução azul, abrangendo as águas litorâneas dos mares e as águas interiores (rios, lagos, lagoas, açudes, etc.), substituindo gradualmente a piscicultura à pesca (ou seja à  caça ao peixe), sem esquecer as algas o seu potencial energético. O objetivo presente a todas essas iniciativas é a geração do maior número passível de oportunidades de trabalho decente.

Um tema da maior importância é a implantação de unidades de produção intensiva horti-pisci-arbórea em e a redor de açudes, igarapés, lagos, ao longo dos rios e nas extensas áreas protegidas pelo recife no litoral marítimo. Uma unidade de meio hectare pode atender o consumo de 200 brasileiros. Obviamente, podemos trabalhar com unidades de produção maiores de um ou mais hectares. Não deveríamos ser limitados, pelo menos no Brasil, pela falta de espaço para implantação dessas unidades. Um uso tão intensivo dos solos se justifica pela necessidade de manter em pé por razões ambientais e sociais grandes extensões de floresta. Por outro lado, elas geram um potencial apreciável de oportunidades de trabalho decente (uma a duas famílias de dois adultos por unidade).

A título preliminar, generalizando os dados disponíveis e adequando-os a uma população mundial de 9 bilhões de habitantes, para assegurar o consumo de 50Kg por habitante/ano de peixe, necessitaríamos de 4,5 milhões de hectares de açudes. Supondo que o consumo anual de hortaliças requer 10m² por pessoa/ano, precisaríamos de 9 milhões de hectares de hortas. Ao crescimento ainda 9 milhões de pomares e plantações arbóreas, chegaríamos a um total de 22,5 milhões de hectares, ou seja, menos metade da superfície da França, isto pata atender uma parte significativa do consumo da população mundial!

À primeira vista pode parecer fácil. Sem ceder a esta visão otimista, nos limitaremos a dizer: Yes, we can (ou talvez Yes, we should), sim esta meta deveria estar ao nosso alcance, enquanto nos mobilizamos para tanto e saibamos organizar uma cooperação internacional eficiente. Esta deverá se pautar por uma nova geografia, ou seja privilegiar as relações entre países que enfrentam o mesmo desafio de aproveitar melhor os recursos renováveis dos diferentes biomas.

Nesta visão, o Brasil e os países amazônicos têm uma responsabilidade especial no que diz respeito à cooperação entre países detentores de grande superfície de floresta tropical úmida nos três continentes, América Latina, África e Ásia. Podemos repetir o mesmo raciocínio para os demais biomas  – o semiárido, as savanas, as regiões temperadas, etc. – sem esquecer o caso especial das zonas litorâneas dos mares e oceanos, tema no qual o Brasil aparece outra vez como um protagonista de primeiro plano.

Concluindo, ao finalizarmos a nova Cúpula da Terra podemos ainda esperar uma aterrissagem segura se soubermos respeitar o princípio da responsabilidade e organizar uma cooperação internacional efetiva, capaz de reequilibrar o balanço das forças em favor dos países emergentes. O Brasil e a Índia têm uma responsabilidade histórica como locomotivas potenciais deste bloco. Não há razão para que a entrada no antropoceno freie o desenvolvimento da nossa espécie, bem ao contrário, conquanto os geonautas se entendam com respeito ao rumo que a Nave Espacial Terra deve tomar.

* Ignacy Sachs é economista e professor da  École des Hautes Études en Sciences Sociales, da Paris.

(Agência Envolverde)

sábado, 1 de outubro de 2011

Administração no Brasil: como estamos?

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Militante. É assim mesmo que Kanitz costuma se definir. Para ele, a Administração, mais que uma profissão ou uma área de conhecimento, é uma causa

Por Simão Mairins, www.administradores.com.br

Reverenciado por um número imenso de brasileiros, Kanitz é um tanto atípico, para o que estamos acostumados a entender como administrador no Brasil. Mestre em Administração de Empresas pela Harvard University, trouxe da experiência junto àquela que chama de "esquerda prática" dos Estados Unidos o pensamento que até hoje procura difundir aqui no hemisfério sul do continente: a Administração "socialmente responsável", onde o trabalhador tem mais espaço e o capitalista dono cede poder ao administrador profissional.
Em uma conversa franca e sem formalidades com a equipe da Revista Administradores, Kanitz falou tudo o que quis. Classificou como conservador o ensino em Administração no Brasil, revelou seu descontentamento com o ministério escolhido por Dilma e não poupou palavras contra os economistas, que, segundo ele, foram responsáveis pelo fim da sua coluna na revista Veja.
Administradores - Você disse uma vez, em um artigo, que os EUA são um país desenvolvido porque, diferentemente do Brasil, são geridos por administradores profissionais. Hoje, já temos inúmeras faculdades de Administração. Por outro lado, temos a consciência de que, apesar do alto número, muitos cursos deixam a desejar em qualidade. Será que nossa passagem para a era do administrador está seguindo o caminho certo?
Stephen Kanitz - Os EUA começaram essa fase em 1850. Então, nós estamos só 150 anos atrasados (risos)! Agora, lá e em todos os outros países, surgiu, na época, uma enorme antipatia dos intelectuais com relação às escolas de Administração. Nas escolas americanas, os intelectuais eram geralmente de esquerda e os administradores eram vistos como pessoas de direita. Até porque as primeiras escolas eram, realmente, para formar gerentes de empresas privadas familiares, que a gente conhece tão bem no Brasil. Em 1910, entretanto, surgiu nos EUA algo que não aconteceu em lugar nenhum do mundo. A esquerda mais prática - que é a de Harvard, onde eu estudei - percebeu que o administrador ia ser uma força política muito forte, e as empresas familiares iriam ser substituídas pelas de capital aberto e democrático, onde o administrador seria a peça chave, no lugar do capitalista dono. Então, Harvard muda esse negativismo, pensando assim: "vamos pegar esses administradores do nosso lado, e não do lado dos capitalistas. Vamos criar, então, o curso socialmente responsável". No Brasil, a animosidade dos intelectuais contra os administradores é visível até hoje. Você veja, a Universidade de São Paulo expulsou o MBA de lá. E isso é até assustador, porque 10% do ICMS do estado de São Paulo vai para as universidades públicas estaduais. Ou seja, nós temos os professores que, apesar de receberem 10% do imposto que é arrecadado pelas empresas, são contra o ensino de Administração.
No início do ano, fizemos uma enquete em nosso site onde perguntamos se "administrar é apenas para profissionais devidamente formados em Administração", e a maioria respondeu que "não, pois qualquer pessoa pode desenvolver as habilidades e competências necessárias para administrar, independente da área de formação". Você acha que isso reflete o descontentamento da classe com a qualidade dos cursos?
Nós não temos administradores (ensinando). Eu estudei lá na USP com engenheiros de produção, que tinham, claro, visão de engenheiros. É complicado. Nós não temos, ainda, o Peter Drucker do Brasil. Aliás, não temos uma coluna. O Drucker, há 60 anos, tinha uma coluna semanal nas grandes revistas. Aqui, eu tinha uma coluna mensal na Veja, mas acabou. Tem um que escreve para a Carta Capital e tem o Max Gehringer, mas ele fala sobre recursos humanos, como arranjar um emprego, essas coisas, não é sobre administração estratégica.
De que modo, então, podemos chegar a um patamar ideal?
Nós vamos precisar depurar algumas faculdades que estão fazendo caça-níquel. A própria palavra MBA já foi tomada. Tem escola de Economia fazendo curso de MBA. Tem faculdade oferecendo MBA em Direito. Aí complica mesmo, porque a população acha que qualquer um pode ser administrador. Isso o Conselho Federal de Administração tinha que processar. Você não poder roubar o nome de Mestrado em Administração de Negócios para usar em outros cursos.

kanitz

Como deve ser pensada a Administração do Brasil - tanto a pública quanto a das empresas – de modo que possamos gerir de forma eficiente esse futuro promissor que tanto se fala em nosso país?
Nós não criamos, ainda, no Brasil, as escolas de Administração socialmente responsáveis. Isso começou em 1910 na Harvard Business School e, em 1970, quando eu estudei lá, fiquei muito surpreso, porque tinha um sabor de esquerda que a gente não via no Brasil. As nossas escolas de Administração são muito de direita. Além do mais, nós não temos nas universidades públicas do Brasil, pasmem, faculdades de Administração. Normalmente, é um departamento dentro de uma escola de Economia, Administração e Contabilidade. Enfim, nós estamos muito atrasados. Inclusive, eu já desisti de achar que nós vamos ter em breve a era do administrador. Em 2010, eu até torci e lutei para que o Henrique Meirelles fosse candidato (a presidente) - e ele queria isso, eu sei, até o ajudei bastante - mas ele não foi. Inclusive, o último artigo que eu escrevi na Veja foi "O administrador de esquerda", no intuito de fazer a cabeça da nossa extrema esquerda de que o administrador não é só o de direita, existe também o de esquerda. Não de extrema esquerda, porque nós conseguimos implantar as nossas ideias sem sermos revolucionários. A gente vai implantando devergarzinho, pouco a pouco.
Você se considera, então, um administrador de esquerda?
É, eu nem sabia disso, mas Harvard me ensinou a ser preocupado com o trabalhador, o fornecedor, o cliente. Há 15 anos eu criei o primeiro site de voluntariado do Brasil, o primeiro site de filantropia e o Prêmio Bem Eficente, para dar visibilidade às entidades que tivessem boas práticas. E aí os jornalistas perguntavam por que eu estava fazendo aquilo. Eles diziam: "você é homem". E aí, quando eu perguntava o que tinha a ver, eles diziam que o social era coisa de mulher, porque no Brasil há esse costume de as primeiras damas cuidarem desse tipo de ação e os homens se preocuparem com a taxa de juros, a taxa de câmbio, essas coisas. Eu não me considero de esquerda no sentido de ser a favor da estatização, por exemplo, algo que, obviamente, é ineficiente. Eu também sou contra o fato de termos um economista mandando em dezenas de estatais como a gente vê no Brasil. Eu acredito na descentralização. Eu sou a favor da empresa socialmente democrática, onde o trabalhador pode comprar as ações da empresa onde ele trabalha. Aqui é negado isso. Quem trabalha nos Correios, por exemplo, não pode comprar ações de lá.
Você acha que há características que são necessárias de modo específico aos administradores brasileiros?
A minha grande bandeira é que você tem de criar um estilo de administração próprio do país onde você está. Eu vejo a HSM trazendo, ano após ano, gurus americanos, como se não existissem gurus de administração no Brasil. Nomes como Peter Drucker, (Gary) Hamel e outros já vieram ao Brasil e ficaram todos falando um monte de bobagens, sem entender nada do país, e a gente acreditando. Isso é assustador! Há 15 anos, no meu livro "Brasil que dá certo", eu deixei bem claro que o futuro seriam os produtos populares, mercados de baixa renda, coisa para pobre. E todos os livros de administração diziam que não, tem que fazer inovação, produtos com alta tecnologia. E eu falei que não. Como você quer inovar, quando 90% dos seus clientes nunca compraram o seu produto? A Wolkswagen é um exemplo disso. Foram 40 anos com o fusca, e nunca mudava.
Qual a diferença que você enxerga entre o administrador e os profissionais de outras áreas que ocupam cargos de gestão?
Olha, o administrador tem a função de ser sistêmico. A função primordial é não permitir que os problemas se acumulem. Nós estamos lá para encher a paciência de todo mundo e analisar os problemas corretamente. Qual o grande problema do Brasil? Nós deixamos os nossos problemas se acumularem. Tomar decisões é outro ponto. Muitas vezes, acha-se que é melhor tomar uma decisão errada do que demorar para tomar. Só que, se você tomar uma decisão errada, logo, logo você vai descobrir que errou. Eu fiquei muito triste por nenhum administrador ter sido escolhido para a equipe de Dilma. O Henrique Meirelles, que é um exímio administrador, fez uma coisa extraordinária pelo Brasil, que foi criar reservas. Mesmo assim, a esquerda mais radical vetou a continuação dele, considerando-o um administrador de direita, ligado a bancos. Lembre-se de que a esquerda soviética liquidou - matou, mesmo - todo o segundo escalão administrativo da Rússia. Destruíram os controles gerenciais e criaram a autogestão dos trabalhadores, como se eles pudessem autogerir-se, algo que é muito comum ainda entre a esquerda, mas que, na verdade, não é bem assim. Você tem que ter o administrador que pense sistemicamente, que se preocupe com tudo.
No Brasil, em vez de nos basearmos em Harvard, preferimos o lado soviético: a gente não gosta do administrador. Nós somos 2 milhões, mas quem manda nesse país são 30 mil economistas, que são muito influentes, têm colunas em todos os jornais, escrevem o tempo todo. Inclusive, me derrubaram da Veja, porque eu falava mal deles e elogiava o administrador de esquerda, que era Meirelles.
Vocês administradores têm que tomar uma rédea política e perceber que são importantes. Eu já estou velho. Mas vocês, que ainda são jovens, têm a missão de mostrar para a esquerda brasileira que nós não somos esse bicho de sete cabeças e seremos um excelente aliado.
Você acredita que os problemas brasileiros decorrem da forma como nós vemos o administrador e o empreendedor por aqui?
Nós temos uma tradição muito pequena de administradores. Em 94 tínhamos 300 escolas de Administração, mas nós não temos poder político, não temos o reconhecimento que deveríamos ter. A sociedade está dando um tiro no pé ao valorizar mais o economista do que o administrador. Outra coisa é que aqui estamos muito acostumados a dizer que precisamos incentivar os empreendedores. Mas nós precisamos entender que o empresário e o empreendedor estão preocupados em realizar seus próprios sonhos. Nós administradores temos a missão de realizar o sonho dos outros. Tá lá o Eike Batista, porque ele brilhante e tal, porque realiza todos os sonhos dele. E os sonhos da sociedade?
 A entrevista com Stephen Kanitz foi publicada na edição nº 1 da revista Administradores

A arte de desaprender

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28/9/2011 - 09h32

por Frei Betto*
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Apresentou-se à porta do convento um médico interessado em tornar-se frade. O prior encarregou o mestre de noviços de atendê-lo.
― Caro doutor – disse o mestre – o prior envia-lhe esta lista de perguntas. Pede que tenha a bondade de respondê-las de acordo com os seus doutos conhecimentos.
O jovem médico, acomodado no parlatório, tratou de preencher o questionário. Em menos de uma hora devolveu-o ao mestre. Este levou o papel ao prior e retornou quinze minutos depois.
― O prior reconhece que o senhor demonstra grande conhecimento e erudição. Suas respostas são brilhantes. Por isso pede que retorne ao convento dentro de um ano.
O médico estampou uma expressão de desapontamento.
― Ora, se respondi corretamente todas as questões – objetou – por que retornar dentro de um ano? E se eu tivesse dado respostas equivocadas, o que teria sucedido?
― O senhor teria sido aceito imediatamente e, na próxima semana, já estaria entre os noviços.
― Então, por que devo retornar em um ano?
― É o prazo que o prior considera adequado para que o senhor possa desaprender conhecimentos inúteis.
― Desaprender? – surpreendeu-se o médico.
― Sim, desaprender. Entrar na vida espiritual é como empreender uma viagem: quanto mais pesada a bagagem, mais lentamente se cobre o percurso. Na sua há demasiadas coisas substantivamente inúteis.
E o doutor partiu sob promessa de retornar dentro de um ano, o que de fato sucedeu.
Assim como há escolas e cursos para aprender, deveria também existir para ensinar a desaprender. Quantas importantes inutilidades valorizamos na vida! Quantos detalhes sugam nossas preciosas energias e consomem vorazmente o nosso tempo! Quantas horas e dias perdemos com ocupações que em nada acrescentam às nossas vidas; pelo contrário, causam-nos enfado e nos sobrecarregam de preocupações.
Precisamos desaprender a considerar os bens da natureza produtos de uso próprio, ainda que o nosso uso perdulário se traduza em falta para muitos. Desaprender a valorizar um modelo de progresso que necessariamente não traz felicidade coletiva e uma economia cuja especulação supera a produção. Desaprender a olhar o mundo a partir do próprio umbigo, como se o diferente merecesse ser encarado com suspeita e preconceito.
O desaprendizado é uma arte para quem se propõe a mudar de vida. Nessa viagem, quanto menos bagagem e mais leveza, sobretudo de espírito, melhor e mais rápido se alcança o destino. Vida afora, carregamos demasiadas cobranças, mágoas, invejas e até ódios, como se toda essa tralha fizesse algum mal a outras pessoas que não a nós mesmos.
O que nos encanta nas crianças com menos de cinco anos é a interrogação incessante, o interesse pela novidade, o espírito despojado. Era isso que sinalizava Jesus quando alertou Nicodemos sobre ser preciso nascer de novo, sem retornar ao ventre materno, e tornar-se criança para ingressar no Reino de Deus.
O médico candidato a noviço comprovou ser bem informado, mas ignorava a distinção entre cultura e sabedoria. Soube elencar as mais célebres telas da pintura universal, sem, no entanto, ter noção do que significam e por que o artista fez isto e não aquilo. Conhecia todas as doenças de sua especialidade, sem a devida clareza de como se relacionar com o doente.
A humanidade não terá futuro promissor se não desaprender a promover guerras e a considerar a pobreza mero resultado da incapacidade individual. Urge desaprender a valorizar o supérfluo como necessário e a ostentação como sinal de êxito. Desaprender a perder tempo com o que não tem a menor importância e com se dedicar mais nos cuidados do corpo que do espírito.
A vida espiritual é um contínuo desaprender de apegos e ambições, vaidades e presunções. A felicidade só conhece uma morada: o coração humano. Eis aí milhões de viciados em drogas a gritar a plenos pulmões terem plena consciência de que a felicidade resulta de uma experiência interior, de um novo estado de consciência. Como não aprenderam a abraçar a via do absoluto, enveredaram pela do absurdo.
E convém aprender: no amor mais se desaprende do que se aprende.
* Frei Betto é escritor e autor, em parceria com Domenico de Mais, de Diálogos Criativos (Sextante), entre outros livros.
** Publicado originalmente no site Adital

segunda-feira, 19 de setembro de 2011

Aprender a aprender sempre será um desafio neste novo milênio

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12 de setembro de 2011, às 15h07min
"Os analfabetos do século XXI não serão aqueles que não conseguem ler e escrever, mas sim aqueles que não conseguem aprender, desaprender e reaprender". Alvin Toffler
-Por Roberto Recinella

O problema é que na realidade não aprendemos. Tornamos-nos máquinas para processar um conteúdo e despeja-lo de forma relativamente processada na outra ponta. Infelizmente, no caminho do processamento, pouco ou nada agregamos de pensamento crítico ao conteúdo sendo processado, alem de decorá-la.


Hermann Ebbinghaus, o fundador da pesquisa cientifica sobre memória, no século XIX, usou silabas ininteligíveis em seus testes de memória para assegurar de que o ato puro da recordação não fosse maculado pelo significado. Descobriu que as pessoas esquecem cerca de 80% do que aprendem em 24 horas. Após esse tempo, a perda é menos rápida. A acelerada perda de informação pelo subconsciente tornou-se conhecida como "a curva do esquecimento".

Pesquisas mostram que, após uma semana, nos esquecemos de perto 75% e, após um mês, de 98%. Para melhorar este índice durante a leitura ou estudo anote as palavras desconhecidas e pesquise seu significado, o ideal é documentar o que foi lido, para que não se perca.

Um professor mais de uma vez distribuiu uma série de textos e pediu que os alunos lessem e indicassem os pontos que não concordavam com o texto. Foi um desafio gigantesco para a maioria dos alunos, pois o mestre não queria um simples resumo do texto; ele não queria que os alunos lessem e depois opinassem sobre o texto. Ele desejava que os alunos compreendessem o texto (o que é totalmente diferente de ler) e depois pudessem debater seus conceitos e experiências pessoais para poder realizar assim de modo crítico uma lista dos pontos com os quais não concordavam com o texto.

O que na maioria das vezes acontece é que os alunos não conseguem realizar a tarefa por estarem despreparados para tal.

Com o mundo globalizado podemos dizer, com certa segurança, que estamos na Era da Informação, novas informações nos chegam a todo o momento e sempre que nos deparamos com uma nova informação teremos duas possibilidades. Distorcê-la e procurar encaixar em nossas velhas categorias ou deixar a nova informação se organizar por si mesma.

Peter Senge propõe a Learning Organization , organizações e pessoas que aprendem o tempo todo conclamando pessoas e organizações a inovar, a se desenvolverem e, a aprender de verdade através de cinco disciplinas: raciocínio sistêmico, domínio pessoal, modelos mentais transparentes e éticos, objetivos comuns e aprendizagem coletiva.

Estas disciplinas possibilitam uma nova maneira das pessoas verem a si mesmas e ao mundo, interagindo melhor nos diálogos interno e externo, via comunicação intra e interpessoal.

Aprender a desaprender significa evoluir, deixar aquilo que acreditamos e aceitar novas verdades e como é difícil. Existe uma ferramenta em qualidade total que se chama 5S, onde o primeiro S é o descarte, todos que já trabalharam com esta ferramenta sabe como é difícil convencer as pessoas a abrir mão de objetos e coisas, a resistência é terrivelmente grande para estas coisas físicas e materiais, agora imagine como é difícil descartar idéias, verdades absolutas e dogmas que construímos e carregamos ao longo de nossas vidas, como é difícil mudar.

Para desaprender temos que descartar, desobedecer e desacatar o status quo em que nos encontramos.

Mas desobedecer não é sinônimo de desacatar. O desacato fica por conta do nosso olhar. Desobedecer significa não seguir as regras impostas; significa ousar, quebrar uma lógica; fazer diferente. A punição freqüente de toda e qualquer desobediência impede o desenvolvimento de uma das atitudes mais essenciais para a aprendizagem nesse novo século: quebrar paradigmas, ousar, reconfigurar. É, no mínimo, contraditório termos que educar para a mudança, para a reconfiguração constante, reprimindo permanentemente a ousadia. Os educadores e gestores confundem contestação com falta de respeito impedindo assim um ambiente evoluído de aprendizado.

Segundo Walther Hermann do Instituto de Desenvolvimento do Potencial Humano os professores estão cada vez mais inseguros, pois cada aluno assiste à televisão, está conectado à Internet e brinca em seu computador multimídia em casa. Viaja regularmente e participa de algumas discussões e decisões em seus lares.

Cada vez mais, esses professores convivem com o fantasma do não saber. Cada um desses alunos pode levantar a mão em aula e desmentir o conteúdo de seus ensinamentos como sendo desatualizados! Nós escutamos muitas "histórias da carochinha" em nossa educação e, muitas vezes, não tínhamos habilidade de argumentar e questionar. Essas novas gerações não aceitam tais fantasias. Suas percepções e seu acesso às informações disponíveis no ambiente são suas referências. Usam os mesmos instrumentos para colocar o sistema em contradição diz Hermann.

O mesmo drama vem sendo vivido dentro das organizações, onde a gerencia e alta gerencia, pessoas que já passaram dos 40 anos (geração baby boomer e geração X) enfrentam a entrada desta nova geração no mercado de trabalho, extremamente bem preparada, estudaram nas melhores universidades, completaram seus Pós MBAs em instituições de renome internacional, viveram e trabalharam em outros paises, fluentes em duas ou mais línguas e dominam tecnologias de ponta.

Seja nas corporações ou nas instituições de ensino está nova geração está abalando todas as regras e estruturas. Avessos a burocracias e processos inúteis, seus modelos mentais simplificam tudo ao seu redor. Os membros desta geração, batizada de Geração Y são jovens de 25 anos, mais velhos do que senhores de 70, adolescentes de 30 anos e crianças de 8 anos que já abandonaram os brinquedos. Não são vistos muitos deles no nível executivo de liderança, com exceção dos setores de alta tecnologia e de empreendimento de risco. As pessoas da Geração Y tendem a ser altamente pragmáticas, objetivas e orientadas às ações. A alta tecnologia é bastante atraente para a mentalidade da Geração Y, porque permite dar vazão à criatividade, inovação e resolução de problemas práticos. Nascidos na era da internet e globalização, esta geração está acostumada às mudanças constantes.

Diferentemente de seus pais, sentem-se à vontade quando ligam ao mesmo tempo a televisão, o rádio, o telefone, música e internet.

O grande desafio das empresas é manter as marcas que hoje fazem sucesso e cresceram com os "baby boomers" (nascidos entre 1942 e 1953) e os acompanham na meia-idade na liderança. A dúvida é saber se elas vão se reinventar para atender à geração Y ou se serão substituídas nessa tarefa por marcas ainda desconhecidas.

Haverá, nos próximos anos, um choque de gerações, caso não repensarmos o ambiente de trabalho. A Geração X, que hoje atua nas organizações, é capaz de gerar resultados por meio de processos estabelecidos, regras claras, usando experiência profissional e de vida. A Geração Y chega trazendo respostas rápidas, utilizando recursos de informática com excelência e sendo capaz de criar novas soluções.

Um dos desafios mais importantes impostos às organizações da sociedade do conhecimento é o desenvolvimento de práticas sistemáticas para administrar a autotransformação, abandonando o obsoleto e aprendendo a criar o novo.

Compilando todas as informações que você recebeu agora, deve ter chegado à conclusão que não resta alternativa a não ser aprender reaprender. Esse será o desafio constante que cada um de nós irá enfrentar daqui pra frente. Não podemos deixar passar um dia sequer sem reaprendizado.

Desaprender a ser tão coerente, pois a vida é incoerente por natureza e a gente precisa saber lidar com o inusitado.

Esqueçam a coerência, virtude tão exigida pela sociedade. Prefiram a inteligência de saber se posicionar diante de novas situações, novos ambientes e novos relacionamentos.

Nos próximos anos só terão êxito, e poderão alcançar o sucesso, seja em que atividade for, aqueles que hoje estão cuidando de rever suas práticas e seus paradigmas.

As práticas, as posturas e os comportamentos jurássicos atuais estão se tornando obsoletos. Na incrível velocidade do pensamento.

Recicle seu conhecimento. Aprenda, desaprenda e reaprenda.

Somos transformados a partir dos encontros, desde que estejamos abertos e livres para sermos impactados pela idéia e sentimento do outro.


Suce$$o
Roberto Recinella
www.rrecinella.com.br


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