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quinta-feira, 21 de fevereiro de 2013

Fwd: Vamos conhecer um pouco do Pará?

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Sou amplamente a favor de se preservar a floresta, defendo este objetivo com todas as armas que disponho e toda minha vontade, mas de nada adianta a floresta sem que as pessoas que nela e dela vivem possam desfrutar de todos os direitos e serviços que a nossa sociedade nos fornece, ou deveria fornecer em nossas comunidades urbanas de norte a sul do país. SÃO BRASILEIROS!! SÃO PESSOAS e merecem respeito e atenção de toda a sociedade.


Presevar a vida da floresta é também preservar as vidas humanas e sua cultura, seu modo de vida, sua saúde, suas crianças e velhos, com educação e cidadania.

Insisto em dizer que a floresta é um potencial econômico mais valioso que o pré-sal, tão badalado, mas que também precisa deixar de ser potencial para ser realidade, e isso só se consegue com investimento em pesquisa e desenvolvimento em biotecnologia, inclusão dessas comunidades, aprendendo sua ciência, escutando e absorvendo seu conhecimento. 

Nós temos muito o que aprender com eles. Não é ser "bonzinho", "ecochato", mas racional e a favor do desenvolvimento correto, visando o futuro. Sou urbano e capitalista, mas respeito e preciso dessas comunidades para melhorar minha qualidade de vida. Preciso da floresta com mais valor em pé do que substituida por soja, arroz, gado, ou mesmo eucalipto.


A nossa inteligência e criatividade precisam começar a trabalhar neste sentido.

Pobreza reina na área mais protegida do Pará

Com 74% de seu território preservado e protegido, a região da Calha Norte traz poucas alternativas de renda para a população

19 de fevereiro de 2013 | 22h 30


Giovana Girardi - O Estado de S.Paulo
Barco leva oito horas no percurso entre Oriximiná e Santarém; viajantes dormem em redes - Evelson de Freitas/AE
Evelson de Freitas/AE
Barco leva oito horas no percurso entre Oriximiná e Santarém; viajantes dormem em redes
Atualizada às 11h14

CALHA NORTE (PARÁ)- Se o desmatamento gera pobreza nas cidades e comunidades ao seu entorno, tampouco a conservação da floresta por si só tem conseguido garantir um quadro econômico melhor. A região mais preservada e protegida do Pará é também uma das mais pobres do Estado. É o que mostra um levantamento do instituto de pesquisa Imazon divulgado hoje e obtido com exclusividade pelo Estado. O trabalho identificou que os indicadores socioeconômicos da Calha Norte são inferiores aos da média do Estado e mostra que é preciso avançar muito em soluções que possibilitem um desenvolvimento sustentável aliado à floresta para que ela possa permanecer preservada.

A região, localizada ao norte do Estado, à margem esquerda do Rio Amazonas, tem 27 milhões de hectares e abriga cerca de 321 mil pessoas. Remota, cortada por rios com vários trechos não navegáveis, acabou ficando fora do alcance do desenvolvimento e do arco do desmate. Até 2011, só 5% desse território havia sido desmatado, contra uma média de 20% do resto do Estado.

Caso raro no Brasil, foi protegida pelos governos federal e estadual de modo preventivo. Hoje, 74% da área é composta por áreas protegidas (unidades de conservação e terras indígenas). Mas a proteção e a riqueza de biodiversidade ainda não se traduziram em melhores condições de vida para a população.

Em geral, o próprio Pará se encontra em situação mais precária que os outros Estados. O PIB per capita médio, de R$ 7.993 em 2008, de acordo com os últimos dados do IBGE, o deixava na 22.ª posição no ranking nacional. Menor do que a média para toda a Amazônia Legal (R$ 11.200). Já municípios da Calha Norte apresentaram média de R$ 6.155.

Os indicadores sociais também são ruins, segundo o levantamento. Por exemplo: somente 11% dos domicílios da região têm saneamento adequado (IBGE, 2010). A média do Pará era de 19% e a da Amazônia Legal, 24%. O Índice Firjam de Desenvolvimento Municipal reforça o retrato. Numa classificação que vai de 0 (baixo estágio de desenvolvimento) a 1 (alto estágio), os municípios da Calha Norte ficaram, em média, com nota 0,533. As médias do Pará (0,628) e da Amazônia Legal (0,658) os colocam em desenvolvimento moderado.

Antes do 'boom-colapso'. Para Adalberto Veríssimo, pesquisador sênior do Imazon e um dos autores do estudo, a ocorrência de indicadores baixos era esperada pelas características da região: muito grande, muito afastada, com pouca gente. Mas é diferente de outras regiões do Pará que sofreram com o processo que ficou cunhado como "boom-colapso" - na onda do desmatamento, num primeiro momento ocorre um rápido e efêmero crescimento de renda e emprego, seguido depois de um colapso social, econômico e ambiental.

"A Calha Norte é pobre, mas tem pouca violência, não tem miséria como vemos nas regiões devastadas pelo desmatamento. Os indicadores do Estado são superiores, mas porque estamos falando da média. Nesses locais eles são bem piores", diz.

"Ao criarem áreas protegidas e chegarem na Calha Norte antes do problema, os governos federal e estadual tiveram uma visão estratégica. O desafio agora é como fazer com que essas amplas reservas tragam uma oportunidade e não um estorvo econômico para as populações", afirma. E agir rápido, com uma "estratégia de vacina", como definiu Veríssimo, para impedir que a região cometa os mesmos erros de outras e tenha o velho modelo econômico de desmatamento que só leva a mais pobreza.

"A realidade é que a área se mantém preservada porque o desenvolvimento não chegou. Mas está começando. Linhas de transmissão estão sendo instaladas para levar energia até Manaus, os prefeitos querem empreendimentos", comenta Carlos Augusto de Alencar Pinheiro, gerente da regional de Santarém do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), órgão responsável pela gestão das UCs federais. "Por isso a hora é de discutir qual seria o desenvolvimento adequado para a região."

O estudo mostrou que a região não tem aptidão agrícola. A vocação é manter a floresta, que pode gerar renda com o manejo de madeira e outros produtos (como castanha e óleo de copaíba), e os serviços ambientais. Num primeiro momento, portanto, a atividade mais fácil a se investir é nas concessões florestais, que já começaram, mas ainda de modo discreto. Elas podem geram renda para as comunidades e para os municípios.

Outra riqueza ainda ativa é a mineral, em especial a bauxita, com a qual se produz a alumina. Na vila de Porto Trombetas, no município de Oriximiná, a Mineração Rio do Norte atua desde o fim dos anos 1970. A Reserva Biológica do Rio Trombetas e posteriormente a Floresta Nacional Sacará-Taquera foram criadas em torno da área de exploração. Numa política que na época tinha mais a ver com a proteção do minério que do ambiente. Mas que acabou servindo para controlar a atividade e estabelecer as regras de recuperação do ambiente, de modo que hoje ela é "mais uma solução que um problema", como define Veríssimo.

São os royalties da mineração, que vão para Oriximiná, que possibilitaram que a cidade seja a mais rica da região. Mesmo assim há problemas como falta de saneamento adequado - só 29% dos domicílios o têm.

Em entrevista ao Estado, o vice-prefeito Antonio Odinélio (PV) se queixou da falta de repasse do governo federal, mas admitiu que de fato não se investiu na área. Seu grupo governa a cidade há oito anos.




Uma vida à espera da castanha

Quilombolas de Cachoeira Porteira passam três meses no extrativismo e o resto do ano no ócio

20 de fevereiro de 2013 | 2h 09

Subindo o Rio Trombetas em direção ao Mapuera, o condutor da voadeira de repente para e pede para os passageiros descerem. Ali mesmo, no meio do rio. As rochas que se elevam naquele trecho até a linha d'água só permitem a passagem a pé. Enquanto tentamos andar descalços sobre as pedras pontiagudas e quentes, o experiente barqueiro segue puxando a voadeira por entre os obstáculos.

São barreiras físicas como essas que atraíram para lá quilombolas há mais de 200 anos fugidos de fazendas em Santarém e Óbidos. Só eles e os indígenas que já viviam ali conseguem driblar as corredeiras e cachoeiras que se espalham pelos rios da Calha Norte. Embarcação grande não passa até hoje, que dirá na época da escravidão.

Além de refúgio, foi além daquela região acidentada que os quilombolas encontraram os melhores castanhais. Até hoje os moradores de Cachoeira Porteira, que leva este nome por ficar no limite do trecho navegável do rio, transpõem as cachoeiras para colherem castanha. 

Por três meses, de março a junho - às vezes um pouco antes ou depois, dependendo do início das chuvas -, esses remanescentes de quilombolas acampam nos castanhais e coletam tudo que podem, enchendo repetidas vezes o paneiro (cesto com alças que levam nas costas), que suporta até 40 kg de castanhas. 

"A gente leva só farinha, sal, café e açúcar. Às vezes tem de andar duas horas até chegar ao castanhal, pulando tronco e, depois, na volta para o barraco, tem de enfrentar carapanã (mosquito da malária). Por isso a gente vai gordo e volta magrinho", brinca Nelson da Silva Adão.

"Três coisas são importantes: chuva, sol e vento", conta João Paulo Melo dos Santos. "A chuva molha o ouriço e ele fica mais mole, aí o sol seca e o vento derruba. A gente pega tudo o que está no chão e leva para longe da castanheira para só então abrir os ouriços, se não corre o risco de levar um na cabeça." 

Um termo de responsabilidade feito com a regional do ICMBio permite que os quilombolas coletem também na Rebio do Rio Trombetas, que fica ao lado da comunidade e tem os melhores castanhais. Por lei eles não podiam entrar lá, mas como já ocupavam a área antes da criação da unidade, em 1979, conquistaram o direito de fazer um extrativismo controlado.

Praticamente 100% da renda de Cachoeira Porteira vem da castanha. Fora de sua época, porém, não há muito o que fazer. Alguns cultivam uma rocinha, outros pescam, "mas a maioria fica andando de um lado para o outro, bebendo umas", como conta Adriane Cordeiro do Carmo, de 23 anos, moradora e membro do conselho de fiscalização da comunidade.

Além da falta de ocupação, os moradores se queixam da frágil infraestrutura, principalmente dos problemas causados por falta de energia. Assim como ocorre na maioria das cidades da região, energia lá é à base de diesel. E o combustível para abastecer geradores normalmente é doado pela prefeitura. Se por algum motivo ele falta, não dá nem para pegar água do poço. Aí não são raros casos de diarreia. 

A malária de tempos em tempos ataca e não existe um posto de saúde, somente um agente treinado para checar no microscópio o sangue dos moradores. Mas também não há remédios. Para ir até o centro urbano de Oriximiná, são cerca de 12 horas de viagem. E nem sempre há barco público disponível. Um particular cobra R$ 50 a viagem.

Um dos mais velhos moradores da comunidade, Valdemar dos Santos, de 78 anos, vê também diferença na abundância dos recursos. "Castanha não dá mais como antes, as árvores novas não viçam como as de antigamente", lembra. "E a gente comia era muita tartaruga. É a comida melhor que tem." 

A Rebio foi criada justamente para garantir a reprodução e preservar o animal, que estava se extinguindo. A caça foi proibida. "A população cresceu muito, acabou com as tartarugas. Sinto falta de comer, mas digo para o pessoal do Ibama: se não fossem vocês, aí que já tinha acabado tudo mesmo." Mas apesar das dificuldades, Santos contemporiza. "Pelo menos estamos melhor do que na cidade. Pro pobre lá é diferente. Lá se a pessoa não trabalha, não come, não vive." / G.G.

Falta de gestão barra desenvolvimento

Desafio é implementar os planos de manejo; verba de pelo menos R$ 720 mi da compensação ambiental pode resolver

CALHA NORTE - O principal desafio dos governos e do Consórcio Calha Norte (grupo de entidades que auxiliou na criação dos planos de manejo) para a região é impulsionar a gestão das unidades de conservação, em especial as de uso sustentável, para possibilitar que elas de fato colaborem com o desenvolvimento.

O problema, como acontece em praticamente toda a Amazônia é que, mesmo com planos de manejo criados (8 das 11 unidades já têm), falta implementação. E no caso do Pará - cujo maior problema ambiental ainda é o desmatamento e os esforços são mais concentrados no seu combate e em fiscalização -, a atenção para uma área que está preservada e protegida pode soar como algo que não precisa de uma ação imediata.

Tanto que até hoje a gestão das unidades estaduais é feita remotamente a partir de Belém. O assunto, no entanto, é urgente justamente para evitar que a medida preventiva não acabe se perdendo. A boa notícia é que ao menos de falta de verba para mudar esse cenário o governo não pode se queixar.

Um outro levantamento do Imazon divulgado no início do mês revelou que a compensação ambiental que deveria ser paga por obras de infraestrutura licenciadas no Estado, como hidrelétricas, estradas e empreendimentos de mineração, poderia render pelo menos R$ 720 milhões, podendo chegar a até R$ 2,2 bilhões. Esse dinheiro existe, basta ser cobrado.

A taxa, que pode ser de 0,5% a 2% do valor do empreendimento, é prevista no Sistema Nacional de Unidades de Conservação para ser destinada a unidades de conservação de proteção integral, como parques, estações ecológicas e reservas biológicas. Os recursos podem ser usados também nas unidades de uso sustentável que estejam no entorno das de proteção integral, que é o caso das florestas estaduais e nacionais da Calha Norte.

De acordo com Paulo Altieri, diretor de Áreas Protegidas da Secretaria do Meio Ambiente, o órgão já está pensando nesse dinheiro para promover uma reestruturação que deve criar um instituto de biodiversidade e áreas protegidas - nos moldes do ICMBio nacional. O plano, que está sendo desenhado pelo Executivo e precisa ser aprovado pelo Legislativo, é ter isso concluído até o final do ano. E em 2014 promover um concurso para contratar pessoas que possam atuar diretamente em bases nas unidades de conservação estaduais

Outro departamento que está olhando para a Calha Norte é o Programa Municípios Verdes do Pará. Criado em 2011 para combater o quadro de devastação no Estado e ao mesmo tempo fortalecer uma produção rural mais sustentável a fim de diminuir a pressão sobre a floresta, começa a voltar sua atenção para a terceira parte da equação: apoiar os municípios de base florestal, como são os da região.

"A maior dificuldade é que nesses locais ainda não existe a visão de que floresta é sinônimo de desenvolvimento. Em geral se pensa que as unidades de conservação criadas ali só engessaram a economia", afirma Justiniano Netto, secretário do programa. "Nos últimos anos, quando visito as cidades que estão na lista das maiores desmatadores, tenho falado mal do desmatamento. Na Calha Norte, eu preciso falar bem da floresta", comenta sobre a nova tarefa.

A ideia é capacitar o município em atividades de economia florestal, em especial para os processos de concessão, que autorizam por um período de 30 anos a retirada controlada de madeira.

"Mas não queremos só que empresas concorram para fazer isso. A ideia é investir nas comunidades, que elas próprias possam fazer esse manejo. O que hoje é difícil, porque o processo é bastante trabalhoso e burocrático. Mas queremos criar estímulo, simplificando o processo para os projetos pequenos", explica Netto. Mais uma vez é o dinheiro da compensação ambiental que poderia ser aproveitado.

Mosaico. Outra política que está sendo pensada para a região é a integração das unidades de conservação federais e estaduais em um grande mosaico voltado para a conservação e o desenvolvimento sustentável.

"É pensar a política pelo território, olhar além das unidades de conservação e ver o entorno, o horizonte. Ali temos um grande maciço de 20 milhões de hectares, independentemente de ser terra federal ou estadual. Um mosaico permitiria ações conjuntas", defende Carlos Augusto de Alencar Pinheiro, gerente da regional de Santarém do ICMBio, órgão responsável pela gestão das UCs federais. "Temos de agir antes do furação chegar. E ele vai chegar."

O modelo já funciona na Terra do Meio e é bem-visto pelo governo do Estado, segundo Altieri. "Daria mais solidez para a gestão da região", diz. Por enquanto, porém, o tema não foi discutido pelas duas instâncias.

Adalberto Veríssimo, do Imazon, lembra que a situação da Calha Norte se repete em outras regiões remotas da Amazônia que permanecem preservadas. "A gente tende a olhar para onde tem desmatamento e violência, mas mais de 50% da Amazônia é assim. E temos de lidar com essas regiões que não têm problema ambiental, mas têm problema social." 


Região tem maior nº de espécies endêmicas

Sete expedições partiram do museu Emílio Goeldi para contabilizar fauna e flora nas cinco unidades de conservação 

"A Calha Norte conseguiu manter longe de si o agronegócio, as estradas e o desmatamento, mas também os cientistas." A declaração do ornitólogo Alexandre Aleixo traduz bem o quadro de desconhecimento biológico que havia sobre a região até bem pouco tempo atrás.

O primeiro levantamento da biodiversidade que existe na porção mais preservada do Pará só foi feito entre 2008 e 2009. Dois anos antes, o governo estadual havia decidido criar cinco unidades de conservação (UCs) na região, mas precisava de informações sobre quantas espécies vivem ali e como elas se distribuem para elaborar planos de manejo e políticas de preservação. Foi a demanda que incentivou a pesquisa.

Sob coordenação de Aleixo, uma equipe do Museu Paraense Emílio Goeldi partiu, então, numa maratona de sete expedições, ao longo de 12 meses. Além de contabilizar alguns milhares de espécies de fauna e flora que se espalham pelos 13 milhões de hectares das cinco UCs, o inventário mostrou que a região tem uma peculiaridade. Ela apresenta o maior número de espécies endêmicas de toda a Amazônia.

"Em termos de biodiversidade, a parte oeste da Amazônia, entre os Rios Negro e Madeira, tende a apresentar uma maior riqueza de aves, primatas, peixes, bem mais que a Calha Norte. Mas ela tem um grande número de espécies que só ocorrem ali. O que significa que programas de conservação têm de ser muito específicos para elas", explica Aleixo.

Considerando a história geológica da Amazônia, a Calha Norte é uma das áreas onde a floresta é mais antiga. "Até 500 mil anos atrás, esse tipo de vegetação não cobria toda a Amazônia. Ainda havia muito Cerrado, Caatinga. E o que hoje conhecemos como Calha Norte serviu como um refúgio que abrigava várias espécies. Quando a floresta passou a ocupar todo o espaço, as espécies migraram dali para povoar toda a região", diz o pesquisador.

Ao todo, o trabalho registrou cerca de mil espécies em cada uma das expedições, mas muitas, obviamente, ocorrem em mais de um ponto. A análise posterior que ainda está sendo feita deve fechar entre 2 mil e 2,5 mil espécies os habitantes da área estudada. Só de plantas, são mais de mil, sendo 30% endêmicas. Entre a fauna, as aves são o grupo mais numeroso, com cerca de 700 espécies - 20% delas endêmicas. 

A investigação do material coletado também já resultou na descrição de três novas espécies: um peixe (Stenolicmus ix, um tipo de bagre) e um anfíbio (Microcaecilia trombetas, um tipo de cobra cega) já publicados, e mais um anfíbio ainda no prelo. "Foi avistado também o que imaginamos ser um novo primata, mas não foi possível capturar o animal para investigar. E é só o começo. Nossa expectativa é que mais novidade vem aí pela frente."

Pedras no caminho. O que manteve pesquisadores por tantos anos longe da Calha Norte foram os mesmos obstáculos que têm mantido o desmatamento afastado da região. É muito difícil chegar lá. Os rios da região são, em vários trechos, cheios de pedra, com corredeiras e até cachoeiras. Por eles, barcos grandes ou médios não passam. Só índios e quilombolas experientes a bordo de voadeiras estreitas.

Helicóptero. Para romper esse isolamento, os cientistas do Goeldi tiveram de viajar de helicóptero, oferecido pela mineradora Rio Tinto. A ONG Conservação Internacional financiou gastos com alimentação e materiais. Assim grupos de 30 a 40 pessoas, entre pesquisadores e equipe de apoio, puderam ser deslocados para as sete áreas remotas da margem esquerda do Rio Amazonas. "Honestamente, quando a Secretaria de Meio Ambiente encomendou o estudo, achei que a gente não conseguiria fazer", conta Aleixo.
Os primeiros a chegarem eram trabalhadores que basicamente eram deixados no meio da mata fechada para abrir picadas e fazer uma clareira para que o helicóptero pudesse descer. Depois eles abriam quatro trilhas de cinco quilômetros em forma de cruz, que é a área que seria inventariada pelos pesquisadores. 

Eram duas semanas só para preparar o acampamento. Depois mais duas semanas para fazer o levantamento. E toca correr para o próximo local de trabalho, no que Aleixo brincou ser um "regime de expedição permanente". Foi rápido, e até curto pelo tamanho da área, mas foi o primeiro passo para preencher a maior lacuna que havia sobre a biodiversidade da Amazônia. / G.G

quarta-feira, 20 de fevereiro de 2013

Comportamento, etiqueta e segurança nas redes sociais

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Cada vez mais o número de membros em algumas redes sociais vem crescendo consideravelmente e saber se comportar nesse "novo" ambiente é fundamental para fortalecer o networking e desenvolver o marketing pessoal.

Gilza Iale, 15 de fevereiro de 2013

(os grifos e destaques são meus)
Perfil pessoal ou profissional?

Muitas pessoas não conseguem distinguir se seu perfil nas redes sociais é pessoal ou profissional. Acredito que ao adicionar o colega de trabalho e até mesmo o chefe, esse perfil deveria passar a ser profissional. Por isso, cuidado com o que você posta e os horários que posta, afinal você esta sendo observado a todo o momento e tudo o que postar poderá ser usado contra ou ao seu favor, só depende de você, então, pense bem antes de postar.

Não fale mal da empresa que você trabalha. O artigo 482 da CLT prevê demissão por justa causa quando o funcionário possui um vínculo claro com a empresa e que faz algum comentário que venha a difamar a organização, não importando o canal ou veículo de comunicação. Afinal, que tipo de profissional é você? Será que não tem capacidade de sair dessa empresa para outra, onde possa trabalhar mais satisfeito? Pense nisso!

Outra situação que deve ser levada em consideração é que, se beber não entre nas redes sociais e se estiver bravo com alguém, também evite, pois pode acabar falando algo que irá prejudicá-lo. Hoje, muitas empresas estão solicitando os links das redes sociais de candidatos a vagas de emprego no processo de seleção, visando observar o comportamento desses indivíduos nas plataformas de redes sociais. Portanto, cuidado com fotos, comentários, compartilhamentos, curtidas, tweets, entre outros. Procure ser um disseminador de conteúdos relevantes e não de futilidades.

Evitar postar também não é interessante pois, como dizem, "quem não é visto não é lembrado". Então procure ser lembrado como aquela pessoa agradável que sabe se comportar no on-line e no off-line. E se você é o diretor da empresa libere o uso das redes sociais, desde que seus funcionários saibam usar de forma correta, buscando somar na produtividade da empresa e proporcionando engajamento na comunicação on-line da marca. Procure profissionais qualificados para ministrar palestras sobre essa temática, visando criar embaixadores da sua marca nas redes.

Aceitar solicitação de amizade ou não?

Se você for uma pessoa pública, por que não aceitar as solicitações de amizade do seu público?! É uma forma de interagir com as pessoas que tem admiração por você. Se a pessoa adicionou, provavelmente curte seu trabalho. Manter feedback é sempre bom. Porém, se você não é uma pessoa pública não adicione quem você não conhece, não lembra ou não curte. Rede social não é competição de quem tem maior número de amigos e sim um lugar para ficar atualizado, interagir com os amigos e se divertir, porém preze pela sua segurança e privacidade. 

Segurança na internet
Proteja sua identidade digital, não informe sua senha e procure mudá-la periodicamente, conforme aconselham especialistas de segurança na internet. Tome cuidado com a ostentação, isso pode ser arriscado para você, pois postar onde está, sua rotina e trajeto a cada segundo pode atrair criminosos. Além de que, seus amigos não são obrigados a aturar tal situação, por isso evite os exageros. Não escancare a vida na internet. Tem muita gente de olho querendo usar as informações para o mal.

Cuidado com os links suspeitos, não abra mensagens e emails de desconhecidos, muito menos conhecidos com títulos suspeitos. Na dúvida, não clique. Se tem filhos pequenos usando as redes sociais, procure sempre acompanhar o comportamento deles online, monitore quais sites visitam e com quem batem papo. Segundo pesquisa, as crianças que entram mais cedo nas redes sociais são as brasileiras, em média aos 9 anos de idade. O termo de uso do Facebook estipula idade mínima para o uso da plataforma, maiores de 13 anos, o que ainda pode ser considerado cedo demais.


Política de privacidade
Saiba usar bem a política de privacidade, pois nada mais desagradável que um amigo marcar você no facebook naquela foto em um momento constrangedor. Cuidado com as críticas, desabafos, isso não é legal. Rede social não é terapia onde você pode contar tudo da sua vida pessoal e profissional. Cuidado com os assuntos polêmicos, discutir sobre futebol, religião, política nas redes sociais não é muito aconselhável, até por que o tempo passa e as consequências ficam. Como muitos dizem "Só poste nas redes sociais aquilo que você teria coragem de publicar em um outdoor." E se você quer publicar a foto de alguém no qual saberia que esse alguém não concordaria, não seja indelicado e peça autorização antes. Tal situação poderá ter implicações legais e tal ato poderá gerar processo.

Cuidados com os erros ortográficos!!!!!!
Nada mais deselegante do que escrever errado, sem falar no uso de gírias e até palavrões nas redes sociais. Procure se policiar quanto a isso, cuide melhor de sua carreira! Tenha um foco. Antes de postar qualquer coisa, pense: o que pretendo com essa postagem? A quem quero atingir? Se é apenas a uma pessoa, não custa nada enviar uma mensagem direta (Twitter) ou inbox (Facebook), dentre outras plataformas. Seja discreto. Use essas ferramentas ao seu favor e não contra!

E por falar em erro, cada vez mais o termo "face" esta na boca dos brasileiros no sentido de abreviar o nome Facebook. Se você não quer escrever a palavra completa, escreva "FB", que todos entenderão que você esta se referindo ao Facebook. Errou? Corrija ou edite sua publicação. Falou algo no calor da emoção e se arrependeu? Peça desculpas. Lembre-se, o mundo todo está te observando e em tempo real. Outra dica para não errar nas redes sociais, bem como nos emails: evite escrever com letras MAIÚSCULAS. ISSO DÁ IMPRESSÃO DE QUE VOCÊ ESTÁ GRITANDO.


Irrita muito!!!(mas muito mesmo)
Convites para jogos, marcar em publicações no qual não autorizariam, enviar solicitação de calendários no Facebook, postar fotos apelativas de doenças ou nudez, desabafos e excesso de compartilhamentos, curtidas e tweets. Tais situações têm irritado muitos usuários nas redes sociais. Tenha equilíbrio em tudo. Algumas pessoas preferem soltar indiretas nas redes sociais em vez de tomar uma atitude sensata e resolver o problema.

Postar indiretas talvez possam te atrapalhar mais do que ajudar. Não divulgue informações falsas. Antes de postar, faça uma pesquisa para saber se aquela informação é real. Tal atitude irá inspirar confiança e credibilidade. Valorize seus contatos e não fique se autopromovendo a todo instante. Não faça da sua rede social um chat. Se está com amigos discutindo algo pelos comentários do facebook, por exemplo, visível a todos os seus amigos, crie um grupo (fechado) no facebook e reúna toda a galera, é mais elegante. Sei que alguns comentários irritam muito, mas, seja compreensivo. Não são todos os internautas que se interessam sobre comportamento nas redes sociais.


Caras e caros amigas, amigos, alunas e alunos,

Apesar desta "ETIQUETA" do FB, e não apenas para o FB, mas para qualquer comunicação na internet, parecer que se é contra esta midia, por favor entendam. NÃO É ISSO!!! Eu sou fã deste tipo de comunicação, uso e experimento tudo de novo que vai aparecendo, divulgo e coloco tudo o que eu quero e penso, mas levo essas recomendações a sério e estimulo a todos se utilizarem dessas midias para se comunicar conhecer novas pessoas, trocar idéias e até sentimentos, mas sempre com este cuidado de não esquecer que aqui não é lugar de privacidade, não é a midia certa. Tem certos assuntos que só ao pé do ouvido e sem nnguém por perto.

Usem muito a internet e as redes sociais para alavancarem suas vidas e carreiras, mas cuidado para não cavarem buracos neste caminho.


Um abração a todos.

AGUIAR, Hegel Vieira; MARQUES, Ligia. Etiqueta 3.0: Você "on-line" & "off-line". São Paulo: Évora, 2011. 184 p.
ALVES, Adri. Evitando Gorilas nas Redes Sociais [s.l.], 2012. Disponível em: www.evitandogorilasnasredessociais.com
ALMEIDA, Renée; TERRA, Jose Claudio Cyrineu.Varejo 2.0: Um Guia Para Aplicar Redes Sociais aos Negócios. São Paulo: Elsevier - Campus, 2011. 200 p.
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terça-feira, 19 de fevereiro de 2013

Estudem, nem que seja só para se ter uma boa saúde e sermais feliz.

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Educação
15/2/2013 - 10h09

por Redação do Porvir

Um estudo recente sobre aspectos da educação mostra que quem estuda mais tende a ser mais feliz e ter uma expectativa de vida maior. O levantamento What are the social benefits of education? (Quais são os benefícios sociais da educação?, em tradução livre) foi produzido pela OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico) e realizado em 15 países membros da organização – do qual o Brasil não faz parte. "A educação ajuda as pessoas a desenvolver habilidades, melhorar a sua condição social e ter acesso a redes que podem ajudá-las a terem mais conquistas sociais", dizem os autores da pesquisa.

Segundo o estudo, as pessoas que estudam mais são mais felizes porque tem maior satisfação em diferentes esferas de sua vida. Esse nível de satisfação pessoal é de, em média, 18% a mais para que têm nível superior em relação àquelas que pararam no ensino médio.
e21 Estudar faz pessoas serem mais felizes e viverem mais
Foto: Uros Petrovic / Fotolia.com

Em relação ao aumento da expectativa de vida, o estudo mostra que um homem de 30 anos, por exemplo, pode viver mais 51 anos, caso tenha formação superior, enquanto aquele que cursou apenas o ensino médio viveria mais 43, ou seja, oito anos menos. Essa disparidade é mais acentuada na República Tcheca, onde os graduados podem viver 17 anos a mais. Já os portugueses, asseguraram a diferença mais baixa, apenas 3.

O estudo, divulgado no fim do mês passado, encerra a Education Indicators in Focus, série composta por 10 estudos, apresentados ao longo de janeiro de 2012 a janeiro de 2013, que destacam diferentes aspectos educacionais avaliados da educação básica ao ensino superior. Entre eles, como a crise global afeta as pessoas com diferentes níveis de escolarização, quais países estão dando suporte ao acesso ao ensino superior e qual a variação no número de alunos ao redor do mundo. Os interessados em acompanhar as pesquisas podem acessá-las gratuitamente on-line em três versões: inglês, espanhol e francês.No caso das mulheres, a diferença não é tão acentuada: a expectativa média de vida é de quatro anos a mais para as universitárias. À frente desta tabela estão as nascidas na Letônia, que vivem quase nove anos mais do que as compatriotas que interromperam os estudos no antigo segundo grau.

Em outro capítulo desse mesmo levantamento, realizado com um grupo de 27 países, a OCDE chegou à conclusão de que 80% dos jovens com ensino superior vão às urnas, enquanto o número cai para 54% entre aqueles que não têm formação superior. Os adultos mais escolarizados também são mais engajados quando o assunto é voluntariado, interesse político e confiança interpessoal. "A educação tem o potencial de trazer benefícios para as pessoas e para as sociedades, e isso vai muito além da contribuição para a empregabilidade dos indivíduos ou de renda", afirma os autores da pesquisa, que enfatiza ainda a importância do Estado. "Os políticos devem ter em conta que a educação pode gerar benefícios sociais mais amplos desde que haja mais investindo em políticas públicas".

Sala de aula
Nos países da OCDE, a quantidade média de alunos em sala de aula é de 23, embora o número varie de acordo com cada país. Na Coreia e no Japão chega a 32; enquanto na Eslovênia e Reino Unido não passa de 19 por classe, segundo mostra o estudo How Does Class Size Vary Around the World? (Como a sala de aula varia ao redor do mundo?, em tradução livre), divulgado em novembro de 2012. A pesquisa mostra que entre 2000 e 2009 muitos países investiram recursos adicionais para diminuir o número de estudantes em sala de aula, no entanto, o desempenho melhorou em apenas alguns deles. "Reduzir o tamanho da turma não é, por si só, uma alavanca política suficiente para melhorar o rendimento dos sistemas de ensino, mas, sobretudo, priorizar a qualidade dos professores em relação ao tamanho da classe", aponta a pesquisa.

* Publicado originalmente no site Porvir.

Nota de Repúdio ao Tráfico Humano em Altamira – SDDH

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18 de fevereiro de 2013

Por quase 30 anos o projeto de construção da Hidrelétrica de Belo Monte na região de Altamira, no Xingu, foi propagada pelos grandes grupos econômicos interessados no empreendimento e pelo estado brasileiro como mais um grande projeto para a Amazônia que traria o tão desejado progresso para a região.

Porém, desde o anúncio da construção da mesma, diversas organizações e movimentos sociais fizeram lutas e resistência buscando alertar a sociedade e os governos sobre os impactos e violações de direitos que poderiam ser ocasionados em virtude de tal empreendimento. Pois o mesmo segue à uma concepção de desenvolvimento que não está preocupado com o vida do povo, mas somente com os autos lucros das grandes empresas.

Com o início das obras da Usina, tais previsões passaram a ser realidade na vida do povo da Região de Altamira, seja na vida dos que lá já habitavam, seja daqueles que migraram para esta Região com a esperança de dias melhores. As condicionantes exigidas sequer foram cumpridas e os direitos dos atingidos pela obra, dos trabalhadores, dos moradores da cidade, passaram a ser violados, sem contar com os danos ambientais causados.

A denúncia de tráfico humano na Região de Altamira, que veio à tona nos grandes meios de comunicação, no último dia 13 de fevereiro de 2013, é apenas mais uma tragédia anunciada sobre as mazelas sociais produzidas em conseqüência da Construção da Usina Hidrelétrica de Belo Monte.

Segundo reportagem de Verena Glass, e de matéria publicada no site da revista Época no dia 14/02/2013 o dono da Boate Xingu que traficava e explorava sexualmente meninas é um ex-barrageiro e que o mesmo tinha outra Boate nas proximidades das construções da Hidrelétrica de Jirau, Rondônia. Segundo depoimento dado por uma das mulheres resgatadas os clientes da Boate eram exclusivamente trabalhadores das obras de Belo Monte. Vale ressaltar que os movimentos sociais tem constantemente denunciado situações que envolvem exploração sexual de mulheres nos grandes projetos implantados na Amazônia. Sequer as redes de exploração sexual contra crianças e adolescentes instaladas a anos em Altamira foram enfrentadas, antes que se desse início a esta empreitada nociva ao povo da região amazônica que é Belo Monte.

O Tráfico de pessoas sempre envolve uma rede criminosa muito bem articulada e organizada, que atua principalmente nas realidades de vulnerabilidade social devido à falta de políticas públicas, realidades propensas ao aliciamento por parte destes criminosos.

Responsabilizamos o Estado Brasileiro, e em especial o Governo Federal, nas pessoas do Ex-presidente Lula e da atual presidente Dilma Roussef, por esta tragédia que se abate sobre pessoas, adultas ou adolescentes, que foram traficadas e escravizadas para exploração sexual, pois estes governantes sabiam das consequências nefastas da obra e decidiram faze-la custe o que custasse. O resultado não poderia ser outro.

Entendemos que o estado, e de forma especifica o Judiciário, ainda pode e deve adotar uma postura corajosa de evitar outros tipos de violação de direitos causados nestes grandes empreendimentos. Ações, proessos e denúncias não faltam, seja no Brasil, seja no exterior.

Basta de destruição e de sofrimento. Basta de Belo Monte.

Belém-PA, 15 defevereiro de 2013.
Sociedade Paraense de Defesa dos Direitos Humanos – SDDH
Fonte: Movimento Xingu Vivo Para Sempre

Sustentabilidade é economicamente viável!

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Empregos: Municípios Verdes criam 66% dos postos

16 de fevereiro de 2013
 O Programa Municípios Verdes, que visa combater a devastação ambiental por meio do estímulo econômico sustentável em cidades paraenses, alavancou o emprego de carteira assinada nas cidades contempladas, entre os meses de janeiro e dezembro de 2012. O Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese) aponta que, do total de 92 municípios que participam do projeto, 66 (72%) apresentaram crescimento do emprego formal. Juntos, os municípios verdes foram, responsáveis pelo saldo positivo de 6.368 novas vagas de trabalho geradas no Estado, em 2012.

O programa está em vigor desde 23 de março de 2011, sendo realizado através da parceria entre o governo do Estado do Pará, governo federal, prefeituras, Ministério Público, empresários e entidades representativas do setor produtivo.

O balanço da geração de empregos formais, elaborado pelo Dieese/PA a partir de dados oficiais do Cadastro Geral de Empregados e Demitidos (Caged), do Ministério do Trabalho e Emprego, mostra que dentre o total de 376.641 admissões e 339.321 demissões ocorridas no Pará, no ano passado, que geraram o saldo positivo de 37.320 vagas de trabalho, os 92 municípios verdes foram responsáveis por 220.661 admissões e 195.937 desligamentos, levando ao saldo positivo de 24.724 novos postos de trabalho, ou seja, cerca de 66% do total gerado no Estado.

"Com base no estudo sobre a movimentação de postos de trabalhos por setores de atividade, em 2012, nos 92 municípios verdes, é possível afirmar que a maioria dos setores econômicos desses municípios apresentaram saldos positivos na geração de empregos formais, com destaque para os setores da construção civil, que gerou 13.017 postos de trabalho; comércio, com saldo positivo de 6.368 postos; serviços, com saldo positivo de 3.541 postos; extrativo mineral, com saldo positivo de 1.714 postos; e agropecuária, com saldo positivo de 775 postos", destaca o supervisor técnico do Dieese/PA, economista Roberto Sena. O estudo também é parte do convênio de cooperação técnica firmado entre o Dieese/PA e o governo do Estado.

ABRANGÊNCIA
Os 92 municípios verdes representam cerca de 64% do total de municípios paraenses. Dentre esses, destaca-se Altamira, no Xingu, que atingiu o maior saldo positivo de geração de empregos formais no Pará, durante o ano que passou, com 10.544 novas vagas, o correspondente a quase um terço do total de empregos gerados no Estado. O segundo maior foi Belém, que não é município verde, com saldo de 9.846 novas vagas.

Os municípios verdes ocupam a 3ª, 4ª, 5ª, 7ª, 8ª, 9ª e 10ª posições entre os que mais geraram saldo positivo de emprego no Pará, em 2012, com os seguintes municípios: Parauapebas, no Carajás (4.068); Santarém, no Baixo Amazonas( 1.971); Ananindeua, na região Metropolitana, (1.644); Moju, na Região do Tocantins (996); Canaã dos Carajás, no Carajás (857); Tailândia, no Tocantins (766); e Xinguara, no Araguaia (726).

Porém, no mesmo período, 25 municípios verdes apresentaram redução das vagas de emprego formal, com destaque a Almeirim, no Baixo Amazonas, que teve saldo de -1.176 postos de trabalho, seguido de Ulianópolis, no Rio Capim, com -650 postos; Ourilândia do Norte, no Araguaia, com -325 postos; Dom Eliseu, no Rio Capim, com -278 postos; e Ipixuna do Pará, no Rio Capim, com -228 postos. Enquanto dois municípios verdes, não tiveram crescimento e nem retrocesso: Medicilândia, no Xingu, e Viseu, no Caeté.

Por: Wilson Soares Fonte: O Liberal

Consequências dos grandes projetos na Amazônia

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Vejam as consequências desses grandes projetos com a falta de planejamento adequado de políticas públicas. Nem tudo são flores e deenvolviemnto nessas obras.

E o que vai acontecer comAltamira e região quando as obras acabarem e apenas 2000 ou 3000 pessoas apenas serão necessários para operação da usina e, mesmo assim com nível de especialização universitáio e técnico.

Apreensão de crack aumenta 900% em município próximo a Belo Monte

16 de fevereiro de 2013
 Entre 2011 e 2012, a apreensão de crack aumentou 900% em Altamira (PA), enquanto a quantidade de cocaína foi ainda maior, crescendo cerca de 12 vezes. O município, o mais afetado pelas obras de instalação da Usina Hidrelétrica de Belo Monte, também tem sofrido com o aumento da prostituição.

Recentemente, a Polícia Civil fez duas operações que libertaram 16 mulheres e uma travesti mantidas em cárcere privado e obrigadas a se prostituir.

De acordo com o superintendente regional da Polícia Civil no Xingu, delegado Cristiano Nascimento, o tráfico de entorpecentes aumentou muito na cidade. "Em 2011, foram apreendidos 4 quilos de crack e feitas 55 prisões de traficantes. Em 2012, foram apreendidos 40 quilos da droga e presos 176 traficantes", disse à Agência Brasil o delegado.
"Agora está entrando cocaína pura para um mercado de clientes de maior poder aquisitivo, com condições de pagar o alto preço da droga [R$70 por grama na região]", acrescentou. De acordo com o delegado, em 2011 foram apreendidas 40 gramas de cocaína. Em 2012, foram 500 gramas.

O período de crescimento do tráfico e da prostituição coincide com o início das obras de instalação da usina, em 2011. Entre a população de maior poder aquisitivo estão os comerciantes, em especial os que enriqueceram com o inchaço populacional, e os técnicos que passaram a visitar a cidade.

Na última quarta-feira (13), a Polícia Civil deu início a duas operações contra a exploração sexual na região. A primeira foi desencadeada após a fuga de uma menor de idade de uma boate onde, durante uma semana, foi mantida em cárcere privado e obrigada a se prostituir.

"Ela relatou que era mantida presa e que veio do Rio Grande do Sul com a promessa de trabalho bem remunerado. Após chegar à cidade, foi ameaçada, agredida e obrigada a se prostituir", informou o delegado Nascimento, coordenador da operação.
A primeira operação, no dia 13, às 22 horas, identificou que, além dela, havia outras três mulheres e uma travesti vindas de outros estados para serem exploradas sexualmente. Os policiais tomaram depoimento de dois funcionários que estavam na casa, já que o dono não estava no local.

Na segunda operação, dia 14, em outras cinco casas de prostituição, foram encontradas mais 12 mulheres na mesma situação. Todas relataram a mesma coisa: dormiam pouco e eram obrigadas a trabalhar com prostituição, sob a ameaça de pessoas armadas.
Segundo o delegado, as moças vieram do Rio Grande do Sul, Paraná e de Santa Catarina. "Elas eram mantidas em cubículos, vigiadas e proibidas de deixar o local. Só eram liberadas para fazer os programas. Felizmente, conseguimos provar que se tratava de uma situação de escravidão". Após a operação, as moças foram levadas à Casa de Passagem de Altamira, local onde a prefeitura presta assistência social.

O aumento da população local, desde o início das obras, segundo o delegado, tem relação direta com o aumento do número de pontos de prostituição. "Havia apenas poucos estabelecimentos e a coisa era feita de forma bastante velada. Atualmente, já mapeamos seis boates e sabemos que há outros ambientes de prostituição, como bares com grande frequência de homens", explicou.

O delegado alega que há dificuldade de combater os crimes relacionados às casas de prostituição. "É muito difícil conseguirmos prova de práticas criminosas. Até porque, prostituição não é crime. O que é crime é explorar a prostituição", argumentou.
Segundo os dados mais recentes da Secretaria de Planejamento de Altamira obtidos pela Agência Brasil, a população do município cresceu de 99 mil habitantes, em 2010, para cerca de 145 mil habitantes em 2012. De acordo com o Consórcio Construtor Belo Monte (CCBM), o número de trabalhadores contratados já supera a marca de 20 mil. Destes, 16 mil são contratados diretos e 4 mil são subcontratações feitas de forma terceirizada.
Consultado pela Agência Brasil, o CCBM informou que tem promovido campanhas preventivas contra a prostituição e exploração sexual de menores, e também para prevenção de doenças sexualmente transmissíveis. De acordo com a empresa, a boate onde a menor trabalhava está localizada a mais de 20 quilômetros dos canteiros de obra.

Por: Pedro Peduzzi Colaborou Alex Rodrigues Fonte: Agência Brasil – EBC Edição: Davi Oliveira

quarta-feira, 13 de fevereiro de 2013

5 coisas que o Facebook pode revelar sobre você

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Você até tentou esconder, mas a rede de Mark Zuckerberg pode deixar vazar algumas informações que você não queria dar para recrutadores e colegas
  • Internet
  • 19/06/2012 06:00
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Amanda Previdelli, de

São Paulo – O Google já pode dar muitas informações a seu respeito para os recrutadores, mas o Facebook, se você não tomar cuidado, pode deixar transparecer algumas coisas que você talvez não queira que seus futuros empregadores (e atuais!) saibam.
De sua idade até quais são suas "alianças" no trabalho podem ser denunciadas nas páginas da rede social. Mesmo quando você faz de tudo para não revelá-las.

Sua idade
Você tomou o cuidado de não colocar o ano de nascimento no Facebook justamente porque não quer ser julgado como "muito novo" ou "muito velho" – ou porque não quer divulgar essa informação. Até aí, fez o certo. Mas de nada adianta esconder os quatro dígitos do ano de nascimento se você confirma presença em eventos do tipo "reencontro de 10 anos da turma do ensino médio".

Seu número de telefone
Todo mundo já teve aquele amigo que perdeu o celular e aí postou a seguinte mensagem: "Sem celular, por favor, postem seus números aqui para eu colocar na agenda do novo aparelho". E você vai lá e coloca. Isso deixa sua informação pessoal aberta para todos os amigos do seu amigo e, se o status dele era público, aberta para toda e qualquer pessoa.

Suas crenças políticas e religiosas
Aquilo que você apoia ou acredita não deveria ser usado como pretexto para julgamentos alheios preconceituosos. Mas muitas vezes é. As pessoas podem projetar o que pensam sobre uma religião ou um político em você. E não é preciso muito para isso. Seguir páginas, curtir e compartilhar o conteúdo delas é o tipo de atividade no Facebook que até quem não possui qualquer relação com você na rede social pode ver.

Seu desgosto pelo trabalho, a vida, os colegas...
Você já leu sobre as pessoas que foram demitidas por causa do que postaram no Facebook ou no Twitter, certo? Mas de nada adianta se segurar ao máximo para não postar lamentações e ficar curtindo todo e qualquer status de reclamações que seus amigos escreverem.
A gente esquece, mas o que curtimos (até aquele status que o amigo posta religiosamente de "finalmente sexta feira chegou" ou "quanto tempo para às 18h?") aparece na nossa timeline. Seu chefe e seus colegas não precisam ver você curtindo coisas do tipo.

Suas alianças no trabalho
Talvez "alianças no trabalho" seja um termo muito forte. Mas saiba que o simples fato de você adicionar algumas pessoas como amigas e outras não pode gerar muita fofoca no escritório. Especialmente se você for o chefe.

Formando empreendedores ou funcionários

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Posted on 19/06/2012

Costumamos dizer que o Brasil é um país empreendedor e os números indicam que isso seja mesmo verdade. Mas o Brasil também tem uma das maiores mortalidades de empresas do mundo. Apenas 50% das empresas abertas chegam ao 8 ano de vida e menos de 3% fazem aniversário de 30 anos. Isso significa que 9 em cada 10 empresas com as quais você se relaciona hoje provavelmente não existirão mais em 3 décadas. É chocante pensar nisso.
banner com o dizer tente de novo em ingles

Não adianta muito ter o maior número de abertura de empresas e também ser campeão em fechamento delas, não é? É como ser a pessoa que mais vezes acertou 4 números em jogos da Mega-Sena na história. Não leva a nada. Mas porque isso acontece? Não são apenas os impostos, falta de infra-estrutura ou falta de incentivo adequado. Na verdade os outros países do BRIC, China, Índia e Rússia devem compartilhar muitos dos nossos problemas com uma taxa de mortalidade de empresas menor.


Síndrome de Vira-Lata
Existe um fator cultural forte como componente de nosso insucesso em empreender. O brasileiro não é formado, criado e educado para ser empreendedor. Em outros tempos eu já chamei isso de Síndrome de Vira-Lata. Essa nossa vocação natural para sermos guapecas, inferiores aos outros povos e menos evoluídos em nossas aptidões humanas e sociais. A Síndrome de Vira-Lata é o que nos faz dizer que no Brasil é assim mesmo quando vemos mais um escândalo de corrupção na tela da TV. É o que nos faz achar normal que uma Copa do Mundo e uma Olimpíada deixem obras e legado em todos os países menos aqui. É o que nos faz pensar que é "brasileirismo" termos o Carnaval de batuques e mulheres nuas como nosso principal evento cultural. É o que vai colocar Michel Teló e Ivete Sangalo na cerimônia de abertura e fechamento da Copa, provavelmente. Todos acham isso tão "brasileiro" quando na verdade a gente poderia ser mais do que isso se não se achasse um povo tão Vira-Lata.

E essa síndrome também tem laços profissionais. Ela está incutida na formação dos nossos jovens e, em muitos casos, aparece desde cedo, na forma como criamos nossas crianças. Ela vem evoluindo e se espalhando e é responsável, em parte, pela mortalidade das nossas empresas. O ápice da manifestação da Síndrome de Vira-Lata Profissional ocorre na faculdade.

Formado para ser empregado
O jovem brasileiro é educado para ser funcionário. Em vez do estímulo ao conhecimento, à experimentação o jovem é cobrado por arrumar um emprego e "se sustentar". Isto é tido como um processo de formação de caráter. Ok. Mas não seria também formação de caráter ver o jovem empreendendo, tentando abrir um negócio próprio? Lembre-se dos filmes de Hollywood, as crianças nos EUA são incentivadas a ganhar seu próprio dinheiro iniciando uma atividade auto-administrada. Os jovens dos EUA buscam montar barracas de limonada, cortar grama e mais recentemente a tentar montar negócios de comércio eletrônico pela internet. Enquanto isso o jovem brasileiro está sendo ensinado a buscar um emprego como empacotador de mercado, office-boy em escritórios, etc. Nada contra isso, são atividades dignas que formam caráter, mas não é difícil perceber quem estará mais propenso a ser empreendedor daqui alguns anos.

Ao amadurecer o jovem brasileiro vai para a faculdade, quando consegue. E no curso superior encontra um ambiente que, com raras exceções, teme o empreendedorismo. Talvez porque os professores sejam dedicados à teoria e o empreendedorismo seja empírico por natureza. Na faculdade, assim como na escola, valem notas e presença física. Dois conceitos importantes para empregados mas inexistentes para empreendedores. Na sala de aula o aluno participa quando lhe é requisitado e na maior parte do tempo é ente passivo, enquanto que uma das grandes marcas do empreendedorismo é a iniciativa. As tarefas, trabalhos, lições são normalmente definidas pelos professores e apenas cumpridas pelos alunos.

E assim, depois de 3 a 5 anos de treinamento em comportamentos completamente anti-empreendedores os jovens vão para a formatura. E qual é o mais alto grau de sucesso de um aluno nota A? Sair da faculdade empregado.

Sair da faculdade empreendedor
Claro que um aluno que se forme já com uma empresa aberta em seu nome, pronta para trabalhar para ele deve, provavelmente, vir de família abastada. Como ele vai "se sustentar" até a empresa dar dinheiro? É a pergunta da Síndrome de Vira-Lata batendo novamente na cabeça de todos.

O processo de formar empreendedores deveria consistir em, desde a tenra idade, estimular o cidadão a buscar sua independência financeira não tendo um emprego, mas tendo um negócio. Negócios dão certo e errado e assim como alguém pode ser mandado embora de um emprego, alguém em um negócio falido pode procurar outro e começar de novo.

Isso não vale para todo mundo, certas pessoas estarão mais felizes como empregados do que como patrões. Não há nada de ruim em ter um emprego e gostar dele. O erro do nosso sistema cultural-educacional é partir da premissa oposta: a de que todo mundo deve ser empregado.

As faculdades deveriam estimular o empreendedorismo, deixando notas de lado e premiando comportamentos clássicos do empreendedor como a liderança, iniciativa e o compartilhamento de conhecimento. As encubadoras de projetos deveriam fomentar os estudantes e suas idéias e não empresas privadas, isto até acontece, mas é muito pouco. As empresas deveriam ser cobradas pelas instituições de ensino a oferecem programas de inovação em lugar de estágios tapa-buraco onde não se aprende nada e servem apenas para conseguir mão de obra barata. Tome como exemplo o Google Summer of Code onde jovens fazem estágios de verão de curta duração em projetos de tecnologia e realmente aprendem algo novo.

Depois de receber tanto treinamento para ser empregado, para obedecer ordens, não é de admirar que um recém-graduado brasileiro tenha dificuldades de empreender. Não é difícil de entender também o potencial de pessoas jovens que vêem o empreendedorismo como algo natural. Nas melhores faculdades dos EUA os jovens são estimulados a inovar e a tentar fazer dessas inovações novos produtos ainda na faculdade. Para que saiam de lá com uma empresa já faturando. Algumas vezes a idéia é tão boa que eles largam a faculdade e nem chegam a se formar, esse foi o caso de Steve Jobs e Mark Zuckerberg.

Formado para fazer negócios
Ter sucesso ou tropeçar é consequência. Poucos empresários deram certo e ficaram ricos em sua primeira empreitada. Para saber levantar é necessário primeiro ter caído. Por causa disso seria muito melhor se, desde o começo, as crianças fossem provocadas para tentar colocar suas idéias em prática. Pense em algo novo, agora tente fazer. Este deveria ser o seu estímulo para seus filhos. Durante a juventude, em vez de lhes cobrar um emprego bobo que mal vai pagar as despesas deles, estimule-os a abrir uma empresa, a vender algo, a comercializar coisas. Eles aprenderão a mexer com dinheiro, a fazer negócios e quando forem para a faculdade ficarão decepcionados.

Canalize essa decepção para comandar uma postura inovadora. Os oriente a usar o que estão aprendendo para pensar em novas formas de ganhar dinheiro. Esqueça as notas, elas virão sozinhas com o prazer por empreender. Inicie um negócio com eles (seus filhos) e deixe que eles errem para aprender a acertar. Eles não sairão da faculdade com empregos, mas podem vir a gerar muitos deles durante a vida profissional.

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Rádio está presente em 88% das residências e número de emissoras dobra em 10 anos

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Apesar do impacto que a TV nos causa e da importancia que a ela imputamos na vida do país, não se esqueçam dessa mídia, que a despeito da internet e da TV, ainda ainda tem um poder de comunicação impressionantes.


Postado por juliana em fevereiro 13, 2013 às 11:44 am em Notícias | Nenhum comentário
alcance Rádio está presente em 88% das residências e número de emissoras dobra em 10 anos

[1]Brasília – Apesar do avanço de novas mídias e da expansão do acesso à internet, o rádio continua sendo um dos principais veículos de informação dos brasileiros. Segundo a Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão (Abert),o rádio – que comemora hoje seu dia mundial – está presente em 88,1% dos domicílios do país, perdendo apenas para a televisão, que tem penetração de cerca de 97%.

O país tem aproximadamente 9,4 mil emissoras de rádio em funcionamento, incluindo emissoras comerciais AM e FM e rádios comunitárias. O número é mais que o dobro do registrado há dez anos, segundo dados do Ministério das Comunicações. Nos estados de São Paulo e Minas Gerais estão concentrados os maiores números de emissoras, com 1,4 mil e 1,3 mil, respectivamente.

O número de aparelhos de rádio convencionais passa de 200 milhões no Brasil, além de 23,9 milhões de receptores em automóveis e do acesso por aparelhos celulares, que somam cerca de 90 milhões. Isso sem falar no acesso às emissoras pela internet, por meio de computadores e smartphones. Aproximadamente 80% das emissoras do país já transmitem sua programação pela rede mundial de computadores.

O presidente da Abert, Daniel Slaviero, destaca que o rádio está se adaptando às novas tecnologias para disputar o mercado altamente competitivo da informação e do entretenimento. "Acreditamos no futuro do rádio, não como nossos pais e avós o conheceram, mas inovador, ágil, interativo e com a mesma importância social, eficiência comunicativa e proximidade com as comunidades e os ouvintes. Aos 90 anos, não há dúvida de que o rádio está em plena reinvenção", avalia.

Para o ministro das Comunicações, Paulo Bernardo, o rádio faz parte da cultura dos brasileiros e não perderá espaço porque está acompanhando a evolução do setor. "Neste momento especial de transformações tecnológicas e do aparecimento de outras mídias, o rádio segue firme no nosso dia a dia porque também se transformou. Hoje é comum, corriqueiro, ouvirmos a transmissão da programação também pela internet, direto das redações das emissoras", diz. O ministro garante que o governo trabalha para dar à radiodifusão a flexibilidade e pujança necessárias para continuar a crescer.

Emissoras de rádio no Brasil
tabela Rádio está presente em 88% das residências e número de emissoras dobra em 10 anos [2]
Fonte: Ministério das Comunicações – dezembro 2012

* Edição: Graça Adjuto.
** Publicado originalmente no site Agência Brasil [3].

Artigo impresso de Envolverde: http://envolverde.com.br
Endereço do artigo: http://envolverde.com.br/noticias/radio-esta-presente-em-88-das-residencias-e-numero-de-emissoras-dobra-em-10-anos/
Endereços neste artigo:

terça-feira, 12 de fevereiro de 2013

A pecuária foi a pior escolha da humanidade. E é o pior negócio para a Amazônia

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A pecuária foi a pior escolha da humanidade. E é o pior negócio para a Amazônia

28 de janeiro de 2012 às 18:45

Em entrevista à jornalista da ANDA Cynthia Schneider, João Meirelles destaca o papel dos hábitos de consumo de cada cidadão para a destruição ou manutenção da Amazônia, alerta para as questões antiéticas da exploração animal, as condições deploráveis da exportação de gado vivo e afirma: toda a produção pecuária na Amazônia é ilegal.

ANDA – Você é um dos maiores pesquisadores e críticos da pecuarização da Amazônia. Em seu Livro de Ouro da Amazônia o assunto é tratado como urgente, gravíssimo, sem controle e com um desequilíbrio social e ambiental instalado. Poderia nos dar informações atualizadas sobre a situação?
João Meirelles – É um processo muito rápido. Tudo se iniciou há muito pouco tempo, há três décadas. E é um processo que tende a crescer em progressão geométrica. A gente tinha na Amazônia um rebanho de 2 milhões de cabeças de gado, que é uma coisa mais histórica, com pastagens naturais. Hoje a Amazônia tem um terço do rebanho nacional, cerca de 75 milhões de cabeças. A tendência é que a região receba a maior parte do rebanho brasileiro e tenha, em 20 anos, 200 milhões de cabeças, e com certeza usando o total da floresta.

ANDA – Que ações estão sendo feitas ou que deveriam estar sendo adotadas pelas instâncias públicas e privadas para evitar o desastre socioambiental?
João Meirelles – O governo não tem uma política clara. De um lado ele coíbe o desmatamento, mas ao mesmo tempo apóia financiando a pecuária e facilitando os empreendimentos. Então não existe apoio governamental. O que a gente tem que trabalhar é com a informação das pessoas para que elas compreendam o impacto dessa produção. O governo só vai tomar alguma decisão quando as pessoas acreditarem que a pecuária é um mal totalmente desnecessário.

ANDA – Suas pesquisas recentes tomam um perfil teórico voltado à biossociodiversidade. Que resultados em termos de projetos e ações essa postura sustentável tem obtido ante as contradições da questão ambiental amazônica?
João Meirelles – Só vamos conseguir vencer esta batalha contra a pecuária se tivermos outras atividades econômicas mais interessantes e sustentáveis. E nós não temos uma resposta única. Não há como dizer: "Olha, substitui o boi por alguma outra coisa." Há que se substituir por uma cesta de produtos vegetais que possam dar respostas às necessidades locais de alimentação, emprego e que também gerem renda e emprego para que a pecuária não seja mais necessária. Isto porque, de todas as atividades econômicas, a pecuária é o pior negócio. Se o fazendeiro deixasse o dinheiro na poupança, ele ganharia mais dinheiro do que com a pecuária. E isto são dados de pesquisa. A pecuária não se justifica nem como atividade econômica. Poderiam dizer que gera empregos, que é uma atividade econômica importante. Mas é mentira. A pecuária na Amazônia representa 0,5% do PIB do Brasil, uma cifra insignificante. Estamos entregando a maior floresta tropical do planeta e todo o nosso futuro por causa de 0,5% do PIB. Se dissessem que isso gera 1 milhão de empregos, ou que representa a renda de 10% do país, até poderiam ter um argumento. Mas do ponto de vista econômico a pecuária não se sustenta, é totalmente descabida, não tem nada que a justifique, a não ser uma maneira de ocupar a terra de forma ilegal.

ANDA – O que você acha da anistia proposta pelo governo para os responsáveis pelos desmatamentos ilegais da Amazônia?
João Meirelles – Esta é uma questão que retorna o tempo inteiro, na medida em que não se reconhece um problema até mais profundo, mais estrutural do que conjuntural. Quando não se assume que o desmatamento seja um mal, as pessoas começam a achar maneiras de valorizá-lo, de justificá-lo. Temos é que fazer uma reflexão mais profunda. Se a gente olhar em termos planetários, não cabem no mesmo planeta Terra o boi, a galinha, o porco e o homem. Não tem espaço para alimentar esses animais, que por sua vez vão ser alimentos do homem. Então nós temos que buscar outras alternativas, a Amazônia é só a bola da vez. É só o lugar onde no momento as coisas estão ocorrendo. Esta questão é mundial, e não é diferente nos outros lugares.

ANDA – Perante o avançado estado de destruição da Floresta, ainda há lugar para o discurso do desenvolvimento sustentável? Que medidas esse conceito demanda de investidores, população e instâncias governamentais?
João Meirelles – Não existe tirar da cartola alguma solução mágica. É um conjunto de pequenas ações que podem ser tomadas, e isto tem que estar ligado diretamente ao consumidor. Quando ele está com seu carrinho no supermercado, ele é quem toma a sua decisão sobre o futuro do planeta, não é o governo quando emite um decreto. Quando o consumidor enxerga que um produto como a castanha-do-pará ajuda a manter a floresta em pé, aí sim estamos fazendo a sustentabilidade. A gente não pode perder a noção de como as coisas acontecem. O consumidor tem que valorizar o que ele acha que justifica manter a floresta em pé e aí sim vai ser possível algo mais útil do que boi. Boi tem que ir de volta para o presépio e ficar lá.

ANDA – "A humanidade não precisa pagar este preço para saciar a ambição de um punhado de madeireiros e pecuaristas, e quem os acoberta, incompetentes para trabalhar na legalidade e nos padrões mínimos da ética e solidariedade. Essa gente se esconde atrás da cortina de fumaça da corrupção e do medo, sua lei é a bala de revólver e o dinheiro ilegal". Ao ler este trecho do seu livro, percebemos que somos praticamente impotentes perante os mercenários da Amazônia. Parece que estamos sempre vendo o mesmo filme enquanto a situação se agrava. Por que a cota de responsabilidades pró-ativa que compete ao governo parece que nunca é cumprida e o que podem os cidadãos fazer contra isto?
João Meirelles – O governo é reflexo do que o cidadão pensa. Se continuamos escolhendo governos, nas suas várias instâncias, que não se sentem responsáveis e não adotam medidas enérgicas, é porque a gente não acha isto importante. Primeiro precisamos de um despertar rápido – porque também a floresta não vai agüentar tanto desaforo. Nem a floresta, nem seus habitantes, pois a gente sempre deve pensar nessa relação conjunta. Não acho que a questão é tratar do governo nem tratar do desmatamento. Isto seria como medir a febre do doente. O desmatamento é só uma medida: está aumentando ou está diminuindo. O que importa é que o consumo de carne é que gera a carne bovina, de frango, suínos e que por sua vez gera a necessidade de soja. O consumo de carne é que gera o desmatamento da Amazônia. Ainda estamos discutindo na esfera pública os sintomas, e não as causas.

ANDA – Nos seus artigos você cita que o sonho do pequeno produtor da região é tornar-se pecuarista. Você já apresentou dados sobre as muitas vantagens de produção, por exemplo, em cooperativas de permacultura em comparação com a criação de gado em área idêntica. Que outras soluções produtivas deveriam ser incentivadas para o pequeno produtor, de forma a obter resultados sustentáveis e a conservação da floresta? E como medidas neste sentido poderiam ser incentivadas?
João Meirelles – Eu acho que não vamos ter tempo, além de que ninguém conscientiza ninguém. Se o produtor perceber que é mais negócio produzir a castanha, açaí, frutas ou diversos vegetais, ele vai entender que é uma péssima idéia a pecuária. Eu acho que o consumidor tem que atuar pesadamente decidindo o que ele vai consumir. Se você for a um supermercado em Curitiba ou São Paulo, poderá olhar na prateleira quanto por cento tem de Amazônia. Deve ter 0,5% ou 1%. O país é 60% Amazônia. Se a gente quer salvá-la, tem que se preocupar com este negócio. Abra a sua geladeira e veja quanto por cento tem de Amazônia. A gente tem que começar dentro de casa. Não adianta falar dos outros, de coisas etéreas. Precisamos iniciar no cotidiano das pessoas. O seu almoço hoje foi quanto por cento de Amazônia?

ANDA – Isto remete a um estudo seu muito divulgado intitulado "Você já comeu a Amazônia hoje?". Nele há uma indicação de que altíssima percentagem da carne consumida hoje no país vem dessa região. Isto tende a continuar?
João Meirelles – É. Mas as pessoas têm que comer a Amazônia certa. E elas estão comendo a Amazônia errada. Da carne bovina do Brasil, um terço vem da Amazônia. Isto quer dizer que, de cada três bifinhos que a pessoa come, um é da Amazônia.

ANDA – Eu li num dos seus textos que a qualidade dessa carne produzida na Amazônia é ruim. E por que continuam insistindo nessa produção?
João Meirelles – Como consumidor também não saberia dizer, porque não consumo carne há muitos anos. Mas é uma carne que não tem vigilância sanitária suficiente. A Amazônia é um ponto de doenças. E elas são muito mais crônicas aqui na região. Se você vai somando as condições, os animais sofrem muito mais para ir para o abatedouro. O conjunto de fatores locais resulta num produto de pior qualidade. E poderíamos ter produtos muito melhores, indo atrás de soluções vegetais que já estão disponíveis.

ANDA – "Da minha casa, a mil metros do Porto de Belém, vejo os quinze mil caminhões boiadeiros do sul do Pará. Sinto cheiro do medo e desespero dos animais a caminho do sacrifício e da guerra". Você escreveu este texto num artigo chamado Carta de Belém aos Libaneses, em especial aos tiroleses, sidônios e beirutenses. Poderia comentar a exportação de bois vivos? O fato de o Brasil possuir um único porto que faz esse tipo de negócio, justamente no Pará, tem relação com os "poderes" paralelos mandantes na região amazônica? Isto não pode ser legalmente impedido?
João Meirelles – A questão do boi vivo tem várias leituras. A primeira seria econômica. Existe uma oportunidade econômica de vários países que estão desabastecidos e são todos ditaduras. É o Egito que compra carne, o Líbano que está em guerra, a Venezuela que é uma ditadura. O Brasil exporta o que ele tem de melhor, que é a Amazônia, só que de uma maneira destruída, para a ditadura. O segundo olhar é que, ao exportar o boi vivo, existem brechas na legislação e paga-se muito pouco imposto. Além de vender algo que é muito precioso, fica muito pouco no país. A própria região nem sente economicamente o retorno. Um outro lado é que se valida um sistema perverso, ainda do ponto de vista econômico, que permite e apóia mais destruição. Pois já que vale a pena exportar o boi em pé, então vamos aumentar a pecuária da Amazônia. Como isto é aprovado pelo poder público, só tende a aumentar a crise ambiental e social como resultado dessa equação toda. E isso já representa cerca de 10% da produção de bois da Amazônia. E está se falando em um aumento de 20% só do ano passado para cá. O que a gente prevê é que este mercado deve aumentar e se tornar ainda mais complicado para a Amazônia, porque essas coisas não são sustentáveis.

ANDA – O Brasil orgulha-se dos números do agronegócio nacional. Incluindo-se a pecuária, o volume desse setor gira em torno de um terço do PIB. Disto, aproximadamente 75% da movimentação econômica se dá fora da porteira, movimentada pelo processamento de animais terminados, das indústrias de alimentos até a gôndola do supermercado e o consumidor final. Como mobilizar empresas, a mídia e os cidadãos para uma mudança necessária nesse paradigma da economia tradicional em tempo de salvar a Amazônia?
João Meirelles – Há duas coisas simples para fazer. A primeira é que, sobre este boi que vai embora e vai virar strogonoff lá para o paulistano e churrasquinho de final de semana para o presidente da República, sejam pagos os custos ambientais e sociais. Este boi é barato por causa disso: porque não vale a lei social. Não tem uma única fazenda na Amazônia que respeite o meio ambiente. Eu estou até hoje procurando. Não há uma única fazenda pecuária em condições de receber uma certificação, nem uma única dentro da lei na região. Agora existe um outro lado, o lado da responsabilidade, da ética. Se uma rede de supermercados ou restaurantes tivesse a coragem de dizer: "Eu não vou mais comprar carne daquela região porque eu acho que a Amazônia vale muito mais do que este bifinho que eu vendo baratinho para vocês", ganharia tanto em termos de imagem e respeito do consumidor, que qualquer prejuízo que isso viesse a significar seria menor. Eu acho que agora temos que ir para uma discussão de valores e não uma discussão puramente econômica. Eu acho que temos estes dois campos para trabalhar de imediato.

ANDA – Como é isso? Não existe nenhuma fazenda pecuária dentro da lei na Amazônia?
João Meirelles – São pequenos gestos. O fato de o boi beber água dentro do rio é uma contravenção. Está no código florestal desde 1965. Mas ninguém vai atrás disso. Na verdade, eu fecharia todos os currais do Brasil. Para isto existe a lei, e ela existe há uns 40 anos. Então a lei não serve para nada.

ANDA – Estamos vendo uma situação irreversível se desenhar. Há motivos para acreditar na reversibilidade disto?
João Meirelles – Eu acho que sim porque não existia a pecuária na Amazônia, há 30, 40 anos. E por que a gente quer que ela sobreviva? Eu acho que há muito mais valores sociais, ambientais e econômicos que a gente pode tirar como vantagem da região, porque a pecuária foi a pior escolha. Quando o homem escolheu a pecuária, fez a pior escolha da história da humanidade. Mas ele não é obrigado a fazer isto porque seus avós faziam isto. A gente precisa deixar esse determinismo da submissão e pensar de uma maneira nova. Eu acredito e tenho esperança de que é possível mudar rapidamente.

ANDA – Você é vegetariano? Você vê o vegetarianismo como uma saída para a crise ambiental da Amazônia?
João Meirelles – Eu não sou vegetariano, mas eu reconheço que o mundo terá de se tornar vegetariano. Não como carne bovina, nem de nenhum bicho que anda. Mas de vez em quando eu como peixe.

ANDA – Qual a sua mensagem para quem pretende colaborar com a conservação da Amazônia?
João Meirelles – Comam a Amazônia certa. Abram a geladeira, procurem a Amazônia lá dentro, não ponham lá a Amazônia errada. Só pequenas ações do dia-a-dia como a valorização do açaí, das frutas, da castanha e do artesanato é que vão salvar a região.