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terça-feira, 14 de janeiro de 2014

6 hábitos das pessoas resilientes

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Escrevendo para o site Fast Company, Gwen Moran compartilha o que aprendeu sobre superar dificuldades e seguir em frente

Redação, Administradores.com, 10 de janeiro de 2014 , às 18h10



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No dia primeiro de abril de 2011 (ironicamente), Gwen Moran recebeu uma notícia inesperada: foi diagnosticada com câncer de mama. Como escritora freelance (carreira que ama) e uma família que dependia de sua renda, ela conta que passou aquele ano tentando equilibrar cirurgias, quimioterapia e radioterapia, com trabalhos, entrevistas e agendas de futebol dos filhos. A maioria de seus amigos e colegas pareciam surpresos com seu otimismo e a forma como se manteve ativa.

"O que mais eu poderia fazer?", ela se pergunta. Ficar na cama não era uma opção adequada para a sua personalidade ou conta do banco. Para que se lamentar e escolher olhar o lado escuro das coisas? Gwen contribuiu em dois livros, dezenas de artigos e ainda terminou o ano com a notícia de sua saúde restaurada.

Desde então, ela afirma ser curiosa com relação às pessoas que perseveram durante momentos de provação, enquanto outros se desesperam ao menor sinal de crise. O que há em comum entre as pessoas resilientes, que continuam e se mantêm sóbrias diante das dificuldades? Gwen descobriu que existem semelhanças e que tais qualidades e características podem ser desenvolvidas. Aqui estão elas; veja como aproveitá-las, buscando construir resiliência em sua vida.

1. Cultivar relacionamentos

Pessoas que conseguem se recuperar de crises tendem a ter um sistema de apoio ao seu redor, segundo Michael Ungar, Ph.D. e co-diretor do Centro de Pesquisa em Resiliência da universidade Dallhousie, no Canadá. Quer esse sistema seja familiar, ou constituído por amigos, colegas ou mentores, possuir pessoas em que se pode buscar apoio é uma força em momentos de dificuldade e frequentemente faz a diferença. Essas pessoas dispostas a ajudar, e que realmente se importam, podem oferecer suporte emocional, profissional e orientação em geral, quando se está "perdido".

2. Mudar de perspectiva com relação a dores passadas

Em 1976, Lorenn Walker foi atacada e quase morta por um desconhecido. Ela foi gravemente ferida e o estado de seu rosto exigiu cirurgia. Por meses ela se fechou em ressentimentos, até que, através de terapia, resolveu ver a situação de forma diferente. Hoje a advogada vê aquele momento como crucial para a sua carreira no que ela chama de "justiça ressarcitória", que consiste em aconselhar prisioneiros e vítimas de violência, de forma a que eles alcancem paz com o passado e encontrem significado em suas vidas. O poder de ver a vida como você vê está em você mesmo, segundo Lorenn.

3. Aceitar as falhas

Paul LeBuffe ensina sobre resiliência como parte de suas funções como diretor do Centro para Crianças Resilientes de Devereux, na Pensilvânia. A instituição trabalha com educadores e profissionais da saúde mental para cultivar estas características nas crianças e jovens auxiliados. Sobre falhar, ele diz: "Se você não se dá a oportunidade de falhar às vezes e aceitar que isto faz parte da vida, você terá dificuldades em se recuperar de crises". Sair com sucesso das falhas desenvolve a habilidade de permanecer otimista e saber que se as coisas não estiverem bem agora, eventualmente elas se encaixarão.

4. Possuir "várias identidades"

Se sua autoestima depende de um emprego e você é demitido, isto significa a perda de uma fonte de renda e também de grande parte de sua identidade, diz Ungar. Pessoas resilientes frequentemente cultivam senso de autoestima em várias áreas de sua vida, não deixando que este sentimento venham somente de uma delas. Praticar várias atividades ou construir vários relacionamentos em que há uma conexão e uma recompensa é uma estratégia para não perder de vista a sua identidade e senso de valor, que são fundamentais para lutar em meio a crises.

5. Praticar o perdão

Quer seja perdoar a si próprio por uma falha ou a alguém por uma injustiça ou atitude que lhe machucou, conseguir se libertar do passado e suas mágoas é fundamental para seguir em frente, segundo Walker. "Quando você se percebe ruminando coisas negativas e dores antigas você tem que parar e relembrar a si mesmo de que há sempre motivos para gratidão", diz a advogada. Segundo ela, o perdão é uma habilidade, que deve ser praticada e aperfeiçoada a cada dia.

6. Manter um senso de propósito

LeBuffe diz que os resilientes têm um senso de propósito que os ajuda a analisar suas situações, pensando nos próximos passos. Isto vem de um sistema de valores próprio de cada indivíduo. Quando você sabe o que é importante, quer seja família, fé, dinheiro, carreira ou qualquer outra coisa, você consegue estabelecer o que é prioridade, dedicando atenção ao que vai lhe fazer voltar ao caminho certo, o qual lhe levará aonde você que ir. Isto vale para empresas também! Quando todos conhecem o objetivo final, fica mais fácil dar contribuições significativas. Assim, é preciso saber o que é importante pra você para poder agir.

Com informações de Fast Company



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sexta-feira, 20 de dezembro de 2013

A complexa engenharia da Administração

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Em cada etapa da vida de um negócio, é preciso entender qual a maneira mais adequada de fazer as engrenagens funcionarem

Clemente Nobrega, 26 de setembro de 2013

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"Você tem que ir tornando a empresa mais complexa, pois, se não fizer isso, o valor que ela gera não se sustentará"

Empresas têm um único problema durante toda sua vida, o que muda são as formas de resolvê-lo. Gestão é uma engenharia. Você tem de construir suas fundações na sequência certa. Esse "único problema" é garantir seu direito de existir gerando mais do que gasta. Gerando "excesso" num nível adequado para manter a "máquina" funcionando sem ratear. Chamam isso de problema da geração de valor. Tudo o que tem valor tem custo. Se não tem custo, não tem valor.

No início da vida da empresa, tem que existir um mercado que queira aquilo que ela tem para vender. Veremos, mais para a frente, que a atitude mental certa para um gestor é partir de algo que seja desejado por um grupo de "pagadores" potenciais, e só então construir a empresa em torno daquilo. É errado começar um negócio porque a gente gosta do que vai vender [Ford], ou porque a família sempre trabalhou com aquilo etc.. Empresas devem ser construídas a partir de necessidades.

Quando ela é bem jovem, o foco único é demonstrar que é capaz de vender por um preço que a permita cobrir seus custos e ficar com uma sobra. Isso é uma grande conquista. A maioria não consegue. É a fase da criatividade, da informalidade; você não precisa (nem deve) ser sofisticado, ter sistemas, estruturas, nada disso. É planilha Excel ou papel de pão mesmo; "barriga no balcão".

Os anos iniciais de qualquer empresa são simples. São muito trabalhosos, mas são simples. Têm pouca gente. Pouca especialização. Todo mundo faz tudo. A comunicação é informal e rápida. Não tem TI, não tem jurídico, financeiro, marketing, nada. Só contador (e olhe lá!).

Se a empresa passa nesse primeiro teste (e, portanto, não morre!) ela conquista temporariamente seu direito de existir. Mas logo surgem novos problemas – você tem que se estruturar; implantar sistemas, processos, controles. Você tem que gerenciar pessoas de forma mais técnica e menos paternalista.

Você tem que ir tornando a empresa mais complexa, pois, se não fizer isso, o valor que ela gera não se sustentará. Acabou a fase da papinha, tem que ter comida sólida.

É impossível continuar a gerar valor (preço menos custo) sem algum tipo de energia nova, se você quer continuar a existir. Tudo o que tem valor, tem custo. A empresa simples do início tem que se tornar complexa. Caso contrário, morre. Adicionar complexidade é o mecanismo para resolver problemas relacionados com "ficar viva". Durante um período, o custo da complexidade crescente compensa.

Complexidade é uma coisa econômica. Quer dizer: para decidir se ela é boa ou má, você tem que avaliar os custos e os benefícios das soluções que ela propicia. Mas o que é complexidade?

"Você está num ambiente complexo quando tem muitas possibilidades de escolha, mas poucas o mantêm vivo. As demais matam você".

Empresas iniciantes são simples porque se resolvem o problema certo (mercado) não morrem, mas terão de se complexificar para continuar vivas. Introduzimos complexidade nas organizações (de todos os tipos) porque é só através dela – complexidade – que conseguimos resolver os problemas com que o ambiente nos confronta. Complexidade é ferramenta de solução de problemas. Organismos de maior complexidade têm mais opções de comportamento, ou seja, têm mais chance de fazer as escolhas certas.

Insetos são simples. Têm que produzir bilhões de crias, pois só uma, em média, fará as escolhas certas e sobreviverá para gerar novas crias. Peixes são mais complexos – precisam só de milhões de crias para que uma faça a escolha certa. Sapos precisam só de milhares e mamíferos de dúzias. Sem isso, elas não crescem, mergulham na irrelevância e podem morrer.

Um gestor tem que aprender a decodificar com precisão a circunstância em que a empresa está, porque a ferramenta certa para resolver seus problemas depende dessas circunstâncias.



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Cinco passos para uma meta

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Uma meta, qualquer que seja ela, só pode ser assim conceituada quando traçada segundo cinco variáveis: especificidade, mensurabilidade, exequibilidade, relevância e temporalidade

Tom Coelho, 22 de setembro de 2013
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 "A fórmula da minha felicidade:um sim, um não, uma linha reta, um objetivo."(Friedrich Nietzsche) 

Você decide ir ao cinema. Sai de casa e, quando percebe, imerso em seus pensamentos, está fazendo o caminho convencional para ir ao trabalho – que, por sinal, é diametralmente oposto. Depois de enfrentar um belo trânsito, acerta o passo e chega ao shopping. Vasculha os três pisos de estacionamento para obter uma vaga. Logo mais, encontra uma agradável fila para comprar os ingressos. Na boca do caixa descobre que a sessão está esgotada. A próxima, somente em duas horas e quinze minutos.

Impossível? Improvável? Com você não? Pense bem antes de responder. Se você ainda não passou pelo ciclo completo descrito acima, uma boa parte dele já lhe visitou em um final de semana destes. O mal é o mesmo que afeta a profissionais e empresas no mundo corporativo: a ausência de metas definidas.

Vamos partir de um pressuposto. Você sabe o que quer, para onde deseja ir. Se estiver em uma companhia que não lhe agrada, buscará outra. Se estiver disponível, sabe qual o perfil de vaga lhe interessa. Se estiver satisfeito em sua posição atual, almeja alcançar um cargo mais elevado.

Uma meta, qualquer seja ela, só pode ser assim conceituada quando traçada segundo cinco variáveis. A primeira delas é a especificidade. Seu objetivo deve ser muito bem definido. Assim, é inútil declamar aos quatro cantos do mundo: "Quero trabalhar na multinacional ABC Ltda.". Desculpe-me pela franqueza, mas acho que você não será contratado a menos que pense: "Vou trabalhar como gerente comercial, na divisão alfa, da companhia ABC Ltda., atuando na coordenação e desenvolvimento de equipes de vendas para a região sul". Em outras palavras, quanto mais específica for a definição de seu propósito, mais direcionado estará seu caminho.

A segunda variável é a mensurabilidade. Sua meta deve ser quantificável, tornando-se objetiva, palpável. Em nosso exemplo anterior, você teria que definir, por exemplo, a faixa de remuneração desejada. Outra situação bem ilustrativa desta variável é a aquisição de bens materiais. "Pretendo comprar um carro", é um desejo. "Vou comprar um veículo da marca XYZ, modelo beta, com motor 2.0, dotado dos seguintes opcionais (relacioná-los) e com valor estimado de R$ 30.000,00", é uma quase-meta.

A próxima variável é a exequibilidade. Uma meta tem que ser alcançável, possível, viável. Voltando ao exemplo inicial, o objetivo de integrar o quadro da companhia ABC como gerente comercial não será alcançável se você tiver uma formação acadêmica deficiente, experiência profissional incompatível com o perfil do cargo e dificuldades de relacionamento interpessoal.

Chegamos à relevância. A meta tem que ser importante, significativa, desafiadora. Você decide como meta anual elevar o faturamento de seu departamento em 5% acima da inflação. Entretanto, seu mercado está aquecido e este foi o índice definido – e atingido – nos últimos dois anos. Logo, é preciso ousadia e coragem para determinar um percentual superior a este, capaz de motivar a equipe em busca do resultado. Lembre-se de que o bom não é bom onde o ótimo é esperado.

Finalmente, o aspecto mais negligenciado: o tempo. Muitas metas são bem específicas, mensuráveis, possíveis e importantes, porém não definidas em um horizonte de tempo. Aquela oportunidade de negócio tem que ser concretizada até uma data limite. Determinada reunião deve ocorrer entre oito e nove horas. Certo filme no cinema sairá de cartaz na sexta-feira próxima.

Por isso, evite procrastinar, nome feio dado à mania de adiar compromissos. Este pode ser um golpe fatal em qualquer meta proposta.



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quinta-feira, 28 de novembro de 2013

Da educação mercadoria à certificação vazia

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19 de dezembro de 2011

A Universidade brasileira tornou-se menos elitista. Mas sua popularização reforça um modelo de ensino baseado em instituições privadas, onde pesquisa e reflexão não são benvindas

Por Andrea Harada Souza, Le Monde Diplomatique | Ilustração: Daneil Kondo

O ensino superior, público e privado, no Brasil passou por grandes transformações nas últimas décadas. Essas mudanças – travestidas de democratização, por favorecerem o acesso – visaram atender a uma proposta de privatização e barateamento da educação.

O Ministério da Educação (MEC) alardeia números, sobretudo para organismos internacionais – que obrigam o país a se enquadrar em padrões estipulados por eles na competição do mercado de consumo, trabalho e pesquisa –, que demonstram o crescimento do acesso ao ensino superior, ainda que distantes daqueles objetivados pelo Plano Nacional de Educação (PNE) (o acesso é de apenas 13,8% dos jovens, entre 18 e 24 anos). Porém, esse suposto processo de inclusão tem facilitado, para além do aceitável, um crescimento vertiginoso das instituições de ensino superior (IES) privadas, com desdobramentos que passam pela precarização do trabalho docente e pela formação duvidosa que essas empresas têm oferecido aos alunos por ela formados.

A predominância de objetivos economicistas em detrimento dos pedagógicos nas IES privadas permitiu um fenômeno relativamente novo no Brasil: a formação de conglomerados educacionais, grandes empresas, de capital aberto e com forte participação de grupos estrangeiros em seu quadro de acionistas. A autorização para funcionamento dessa espécie de oligopólio do setor educacional tem intensificado a visão mercantil da educação superior no Brasil. Os exemplos mais representativos desse modelo de organização empresarial na educação ficam por conta dos grupos educacionais Kroton-Pitágoras, Estácio de Sá, SEB (Sistema Educacional Brasileiro) e Anhanguera Educacional. Esta última, com a recente aquisição da Uniban, passou a ser o maior grupo educacional do país, atendendo aproximadamente 400 mil alunos em campi espalhados por diversos estados brasileiros. Além disso, manteve sua projeção de crescimento de atingir 1 milhão de estudantes em cinco anos, segundo matéria do Valor Econômico de 17 de novembro de 2011.

A alteração no padrão de financiamento das IES privadas promoveu uma mudança significativa no modelo de gestão: o papel que antes era predominantemente exercido por mantenedoras, de caráter familiar ou religioso, hoje passou a ser de responsabilidade de bancos ou fundos de investimentos que contratam executivos como seus representantes, padronizam procedimentos de relações de trabalho nos departamentos de recursos humanos e prestam contas ao fundo de ações. Decorre daí um perfil de gestão alinhavado com a lógica empresarial, sob responsabilidade de executivos, e muito distante dos objetivos educacionais que sempre foram sustentados por professores e pesquisadores.

Abandono do Estado

Tomado pela óptica do lucro, o setor educacional privado tem se valido, oportunamente, do abandono do Estado na oferta de vagas públicas para a formação superior. Dessa forma, as IES privadas, cuja existência deveria ter um caráter complementar, acabaram predominando e se consolidando em grupos que formulam e ditam as regras de seu interesse para a (des)regulamentação do setor, regras essas beneficiadas pelas chamadas políticas de parcerias público-privadas, as quais são alicerçadas sobre o princípio da transferência de dinheiro público para a iniciativa privada com a finalidade de que esta última cumpra o papel que o Estado se nega a exercer. No caso do ensino superior, essas transferências se dão predominantemente por meio do Programa Universidade para Todos (ProUni) e do Fundo de Financiamento ao Estudante do Ensino Superior (Fies), além dos programas de benefícios de isenção fiscal oferecidos pelo BNDES. Nesse ponto, o discurso falacioso do Estado e o do setor privado convergem: trata-se de iniciativas e proposições que manifestam concretamente a preocupação com a formação do brasileiro e com o desenvolvimento do país!

De modo geral, a consolidação da mercantilização da educação e a formação de oligopólios educacionais têm ocorrido com base na incorporação de princípios e fundamentos do setor empresarial, ou seja, na otimização dos recursos. Como afirma Marilena Chauí (2001), "a Universidade está estruturada segundo o modelo organizacional da grande empresa, isto é, tem o rendimento como fim, a burocracia como meio e as leis do mercado como condição". Essa fórmula – clássica do neoliberalismo – consiste na diminuição das despesas para o consequente aumento dos lucros. Assim, com vistas a assegurar um perfil rentável − à empresa, é claro −, torna-se necessária a precarização das relações de trabalho: redução de salários, perda de direitos, ameaças e cobranças pelo desempenho da instituição nas avaliações externas promovidas pelo MEC são alguns traços da rotina de professores das IES privadas.

Ao mesmo tempo, concorre para intensificar os contornos dramáticos desse quadro a expansão da modalidade EaD (educação a distância), que em 2010 fechou o ano com 973 mil alunos matriculados, o que corresponde a 30% de todos os universitários em instituições privadas. Nesse caso, a educação mediada pela tecnologia, que deveria servir para aproximar os extremos sociais, acaba por aprofundá-los. Contudo, para os empresários, o aliciamento desse recurso é tomado como mais uma vantagem mercadológica capitalista, sobretudo por potencializar sua capacidade de lucro.

Na outra ponta, os salários praticados nas IES privadas são – via de regra – aviltantes, o que obriga muitos profissionais a lecionar em várias instituições, seja para compor a renda, seja para se prevenir das demissões, muitas vezes arbitrárias. Nesse contexto, os professores se veem impedidos de desempenhar tarefas diretamente ligadas à sua função (e ao ensino superior, ou seja, ensino, pesquisa e extensão), absorvidos que estão por uma jornada de trabalho extenuante. No entanto, paralelamente a isso, ocorre um processo silencioso de captura da subjetividade dos docentes com objetivo de estabelecer uma competição interna, cuja face mais alarmante é a perda da autonomia. Como toda competição tem exigências, impõe-se que esses profissionais – para terem condição de competir – sejam aguerridos, "pró-ativos", competentes e indiferentes às questões coletivas, o que os leva a um distanciamento de seus sindicatos e associações e permite, muitas vezes, que sejam – deliberadamente – vistos como mão de obra manipulável pelos patrões.

Precarização e intimidação

Se de um lado temos a perda da autonomia dos professores como uma ameaça à própria noção de função docente, de outro notamos que, por parte dos empresários da educação, a oferta de uma formação aligeirada tem exigido profissionais cada vez menos críticos e progressivamente mais alienados da prática educativa. Não é raro o relato de professores do ensino superior que têm seus conteúdos – planos e ementas de cursos –, bem como suas avaliações, elaborados por um terceiro que nunca sequer esteve em uma sala de aula. Essa tentativa, por parte dos patrões, de padronizar a prática pedagógica para garantir um rendimento mínimo nas avaliações externas evidencia de maneira cabal seu propósito de controle absoluto sobre a mercadoria que vendem.

Dessa forma, a reação e a resistência a essa prática de mercantilização da educação impõem grandes desafios. No estado de São Paulo, que acompanhamos mais de perto, tem sido cada vez mais difícil o enfrentamento com os patrões do ensino superior nas campanhas salariais organizadas por nossa federação, a Fepesp (Federação dos Profissionais de Educação do Estado de São Paulo), pois há um evidente conflito nas pautas apresentadas para negociação. Do lado de lá, a ofensiva é para subtrair direitos historicamente conquistados e que, vistos com a luneta do capital, representam entraves normativos à expansão dos lucros. Em razão disso, questões como plano de carreira, regulamentação da EaD e aumento real são deliberadamente ignoradas pelos patrões, que, por sua vez, promovem lobbies junto ao Poder Legislativo, a fim de que as regras do setor continuem a beneficiá-los.

Entretanto, a predominância de valores empresariais na organização das IES e a falta de regulamentação efetiva por parte do MEC têm imposto uma permanente ameaça, ainda que velada, que é o desemprego. Assim, os professores insatisfeitos com salários e condições de trabalho incorporam a responsabilidade incutida pelo patrão, de que o mercado funciona assim: os insatisfeitos que se mudem. A aceitação dessa ideia leva a um comportamento defensivo, porque nos faz crer que nada pode ser feito e, por isso mesmo, qualquer iniciativa coletiva deve ser vista como prejuízo ao próprio trabalhador.

Há também que se ressaltar a necessidade urgente de que o debate sobre a educação seja tomado como fundamento para um crescimento qualitativo e efetivo do Brasil, sobretudo para a população que ainda anseia conhecer na prática a longo prazo esse crescimento. Para validarmos o princípio democrático do direito à educação, sem, contudo, ignorar que o mercado do ensino privado não arrefecerá a curto prazo, precisamos assegurar o investimento de 10% do PIB na educação pública – que estimamos universal e de qualidade –, a fim de que ela seja o referencial para o setor privado, e não o contrário.

Enquanto não houver uma mudança radical nesse quadro, o próprio sentido de educação estará comprometido, posto que seu fim mais elementar não é atingido: em vez de promover a emancipação humana, produz lucro para o capital que só enxerga as camadas sociais C, D e E quando estas se apresentam como potencial mercado consumidor.

A forte presença do controle corporativo em um setor essencial como a educação provoca sérias fissuras na malha social, na medida em que os desdobramentos da transferência tácita da responsabilidade do Estado para a iniciativa privada têm autorizado o funcionamento de fábricas de diplomas com certificação vazia, para uma população que, embriagada pela democratização do acesso, ainda não se sabe enganada.

Andrea Harada Souza

Professora de literatura, presidente do Sinpro Guarulhos e membro da coordenação estadal da CSP-Conlutas

Ilustração: Daneil Kondo

Referências bibliográficas:

CHAUÍ, Marilena. Escritos sobre a universidade. São Paulo: Ed. Unesp, 2001.INEP. "Sinopse da educação superior no Brasil", 2009. Disponível em: www.inep.gov.br.



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quarta-feira, 27 de novembro de 2013

Por que seu currículo já não vale mais nada

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Com a capacidade que todos nós temos de gerar conteúdo relevante na web, cada vez mais o currículo, em seu formato tradicional, perderá espaço

Daniel Dal'laqua, 26 de novembro de 2013

Você sabia que seu currículo tem cada vez menos valor nesse novo cenário dominado pela internet e pelos meios digitais? Pelo menos, o currículo em seu formato tradicional. 
"Como assim?", você deve estar pensando.

Leonardo da Vinci redigiu o primeiro currículo profissional da história em 1482. De lá pra cá a verdade é que o currículo não mudou muito desde que foi inventado. As folhas de papel ou os modelos existentes hoje na web não refletem nosso mundo altamente digital.

Em que o seu currículo difere dos demais? Você pode estar pensando que o que importa realmente é o conteúdo do currículo e não possíveis diferentes formatos. Tem razão. No entanto, não faz sentido olharmos um pouco além de uma folha de papel ou um simples preenchimento de dados pessoais, educação, objetivos e experiências? Quero que você pense um pouco fora da caixa por um momento e veja o universo de possibilidades que você tem para fazer algo diferente na internet.
Os recrutadores "escaneiam" centenas de currículos diariamente buscando pessoas diferenciadas para trazer valor às suas empresas, colaboradores e clientes. Além de sua formação e experiências profissionais, o que você tem feito para se destacar e ter a chance de apresentar suas ideias e habilidades?
Já pensou em fazer uma carta de apresentação em vídeo, por exemplo? Sim, grave um vídeo (curto) falando um pouco mais sobre você e o que pode oferecer e contribuir para a vaga que está buscando. Não é necessário um estúdio e câmeras profissionais, você mesmo pode gravar um vídeo de seu smartphone.

Depois de finalizar, faça o upload no Youtube e pronto! Você já está inovando na forma de se mostrar ao mundo. Use a criatividade, pense na vaga ou na empresa em que você mostrará esse vídeo (pode ser para várias empresas), mas capriche no texto e mostre o porquê você deveria ser contratado.

Tenha um perfil completo no Linkedin. As redes sociais são cada vez mais utilizadas por recrutadores e sem dúvida o Linkedin é a primeira rede social a ser analisada. Se você ainda não tem um perfil lá, faça-o agora mesmo e aproveite para entrar em contato com outros profissionais e empresas. Além disso, essa rede social pode lhe trazer maior visibilidade na internet, uma vez que o Google e outros mecanismos de busca tendem a trazer esses resultados em suas primeiras páginas ao digitar o nome de uma pessoa.

Faça uma apresentação pessoal no Slideshare ou no Prezi. O Slideshare e o Prezi são duas ferramentas fantásticas para inovar na maneira de apresentar seu currículo. O Slideshare é uma apresentação na forma de slides que fica disponível na web e também irá lhe ajudar a ganhar maior visibilidade online.

Capriche no layout e faça diferente! O Prezi é uma ferramenta inovadora na forma de apresentação, muito mais interativo e dinâmico. Vale a pena conhecer e verificar se faz sentido se apresentar por lá (de acordo com sua área e objetivos profissionais), pois a ferramenta é muito interessante!

Que tal ter um blog ou site pessoal e postar por lá textos, vídeos ou áudios que façam sentido ao seu mercado e que chamem a atenção de pessoas importantes para você (sejam elas recrutadores, empresários, parceiros de trabalho ou até clientes)?

Atualmente é muito simples montar seu blog ou site pessoal, existem tutoriais na internet completos para isso. É claro que haverá outras estratégias após lançá-lo, mas que tal começar? Dê o primeiro passo agora!

E você? Quais outros formatos poderia utilizar para inovar na forma de se apresentar ao mercado? Existem centenas de outras maneiras. Tenho certeza de que você poderá fazer mais do que apenas utilizar o velho e ultrapassado currículo. É claro que o conteúdo de seu currículo deve chamar a atenção dos recrutadores também, mas ao inovar na forma, você tem mais chances de sair na frente.

Você concorda com isso? Se ainda tem dúvidas, faça um teste. Talvez os resultados não apareçam no curtíssimo prazo, mas acredite: eles poderão surpreendê-lo em muito menos tempo do que você espera. 

terça-feira, 29 de outubro de 2013

Qual a relação entre valores humanos e sucesso profissional?

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O conteúdo ilustra que "o conflito aparece quando o sujeito confronta o que deseja ser e fazer com aquilo que ele, por razões muitas vezes ignoradas, efetivamente escolheu realizar como opção profissional."

Waleska Farias, 28 de outubro de 2013
No intuito de entender mais sobre o conceito de "valor humano" e seu impacto nas relações de trabalho resgatei um depoimento feito pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (2010), considerando a importância da medição do IVH (Índice de Valores Humanos) como indicador de um "problema da sociedade moderna".

O conteúdo ilustra que "o conflito aparece quando o sujeito confronta o que deseja ser e fazer com aquilo que ele, por razões muitas vezes ignoradas, efetivamente escolheu realizar como opção profissional."  O profissional intui o que deseja fazer, mas por razões diversas ignora e opta por direções com as quais não se identifica. A frustração ocorre no momento em que compara a posição que exerce com o que ele, de fato, idealizou realizar.

O caminho profissional tem um papel fundamental no senso de identidade, autoestima e bem estar psicológico das pessoas. Portanto, os critérios de trabalho para viabilidade dos resultados não podem permitir que o indivíduo na sua função perca-se dos seus valores e fique à margem de si mesmo. É necessário acolher os valores como condição prioritária de produtividade e realização plena do ser humano.

Valores, assim como princípios, são o alicerce ético do espírito humano e respondem pela motivação do indivíduo para levantar todos os dias e ir trabalhar. Configuram o norte que indica o caminho e conduz à missão de vida, imprimindo relevância aos acontecimentos do dia a dia. Quando os valores do colaborador e da empresa divergem as visões de futuro tornam-se incompatíveis e a trajetória inconsistente.

A cada dia as pessoas se qualificam mais, trabalham muito e se realizam menos. Quanto mais me envolvo nos processos de coaching, mais percebo a necessidade do compromisso com o resgate dos valores do profissional para que a construção da sua carreira seja estruturada de forma mais humana e seu direito à realização profissional seja legitimado.
É preciso validar o sentido das escolhas e alinhá-los aos princípios e valores na consideração de ser autêntico. Não faz sentido deixar os valores e sonhos na porta das empresas como passe de entrada se somente aqueles que conseguem ser fiel aos próprios valores conquista o sucesso na trajetória profissional.

Valores formam a consciência humana e transcendem às convenções sociais, permitindo a concepção do que é certo e errado na busca do ideal. Na decisão de buscar um caminho que dê sentido à sua carreira nutra a crença de que é imperativo vincular a fidelidade aos valores à vida como profissão na condição de ser feliz.

sábado, 26 de outubro de 2013

A riqueza natural da biodiversidade na Amazônia

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  • Relatório lista mais de 400 novas espécies descobertas nos últimos anos na região, que incluem macaco que ronrona e piranha vegetariana
Cesar Baima (Email)
Publicado: 24/10/13 - 6h00
  Tometes camunani: piranha vegetariana passou por adaptação evolutiva para se alimentar de capim aquático abundante nas áreas em que habita  Foto: Tommaso Giarrizzo/WWF
Tometes camunani: piranha vegetariana passou por adaptação evolutiva para se alimentar de capim aquático abundante nas áreas em que habita.
Tommaso Giarrizzo/WWF

RIO - Um macaco que ronrona como um gato e até mesmo uma piranha vegetariana estão entre as mais de 400 novas espécies de animais e plantas identificadas na Amazônia nos últimos anos. Elas fazem parte das principais descobertas na região entre 2010 e 2013 compiladas pela organização ambiental WWF como alerta para a importância de preservar este bioma e sua biodiversidade. Ao todo, são 258 espécies de plantas, 84 de peixes, 58 de anfíbios, 22 de répteis, 18 de aves e uma de mamífero, numa média de duas descobertas por semana que se somam às mais de 1,2 mil novas espécies de animais e plantas identificadas no período de 1999 a 2009 na região e listadas pela própria WWF em relatório anterior, divulgado em 2010.

— A Amazônia é o bioma número um em biodiversidade no mundo, não há região que concorra com ela nisso — destaca Cláudio Maretti, líder da Iniciativa Amazônia Viva da WWF, responsável pela compilação da lista com base em estudos publicados em periódicos científicos reconhecidos nos últimos anos. — A lista mostra que mesmo com poucos recursos estamos descobrindo novas espécies na Amazônia a um ritmo de uma a cada três a quatro dias e que ainda temos muito a investigar sobre a região, um verdadeiro caldeirão de biodiversidade.

Serviços ecossitêmicos
Segundo Maretti, a divulgação da lista ultrapassa a simples verificação sobre a grande biodiversidade ainda desconhecida da Amazônia. Para ele, além de conhecer é preciso reconhecer que a região presta importantes serviços ecossistêmicos para o planeta — os quais todas as espécies de plantas de animais lá presentes ajudam a construir. — A lista serve não só para conhecermos mais sobre nossa natureza como também sobre o bem comum que ela nos proporciona — diz.

— A Amazônia funciona como um "ar condicionado" do planeta. Ela estoca carbono e a circulação de ar e umidade nela promove o resfriamento e estabiliza o regime de chuvas não só na região como fora da Amazônia.

Estes são alguns tipos dos serviços ecossistêmicos que são produto desta complexidade de seres vivos que vivem lá. São estas espécies múltiplas de biodiversidade que prestam serviços que toda a sociedade usa.

A estratégia da WWF com a compilação também é orientar os governos dos nove países que abarcam o bioma da Amazônia — Bolívia, Brasil, Colômbia, Equador, Guiana, Peru, Suriname, Venezuela e Guiana Francesa — sobre as melhores maneiras de preservar a região e ao mesmo tempo aproveitar suas riquezas naturais, conta Maretti. Na opinião dele, o Brasil tem feito isso bem com a criação de unidades de conservação e a demarcação de terras indígenas, mas a situação ainda pode e precisa melhorar muito para assegurar a sobrevivência de uma parcela significativa desta biodiversidade.

— Como a Amazônia é a área natural mais importante do mundo, ela teria que ter os parques nacionais mais bem geridos do mundo — defende. — Claro que não podemos pedir para os nove governos deixarem a Amazônia intocada, mas podemos exigir a preservação de uma boa representação da sua biodiversidade e a manutenção dos seus serviços ecossistêmicos.

Além do poder de nos maravilhar, a lista serve para orientar. Precisamos investir mais em ciência para investigar e saber onde está esta maior variabilidade biológica para saber também onde é melhor preservar.

Segundo Maretti, as principais ameaças ao futuro da Amazônia continuam sendo o desmatamento para ampliação das fronteiras agropecuárias e a fragmentação de seus ambientes aquáticos, como a interrupção e desvio dos cursos dos rios para a construção de barragens. Nas contas de Maretti, com 30% do território da Amazônia protegidos por unidades de conservação, o restante poderia ser alvo de políticas de desenvolvimento sustentável que levem em conta as características próprias da região.

— A Amazônia tem que servir para o bem da Humanidade, mas isso não pode ser feito seguindo a lógica do desmatamento para levar até lá modelos que não são dela, como grandes plantações de soja — avalia. — Temos que aproveitar o que a Amazônia já tem de bom e pode oferecer naturalmente, fazendo o bioma produzir para nós.
 
Muitos dos novos animais e plantas identificados na região, no entanto, são altamente especializados e adaptados às áreas que habitam, o que pode dificultar políticas para sua preservação. É o caso, por exemplo, da piranha vegetariana. Batizada Tometes camunani, ela foi encontrada na bacia do Rio Trombetas, no Pará, e ocorre exclusivamente nas zonas encachoeiradas dos rios, locais frágeis e ameaçados pela ação humana.

— Ela é um exemplo da maravilha da biologia — conta. — Na linha evolutiva que levou à espécie, ela mudou o comportamento do ramo que a gerou para aproveitar melhor os alimentos disponíveis, no caso, capins aquáticos.

quinta-feira, 24 de outubro de 2013

Saneamento básico no Brasil: “Um cenário alarmante” – Entrevista com Édison Carlos

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Posted By juliana On outubro 24, 2013 @ 9:13 am In Saúde | No Comments
saneamento Saneamento básico no Brasil: Um cenário alarmante   Entrevista com Édison Carlos [1]
Foto: Divulgação/Internet

"O governo federal pretende universalizar o saneamento básico no Brasil em 20 anos (2014 a 2033) e para isso estima a necessidade de 302 bilhões de reais somente para obras de água e esgotos. Teríamos de investir em média 15 a 16 bilhões/ano, mas ainda não passamos dos 9 bilhões de reais por ano", adverte o presidente executivo do Instituto Trata Brasil.

A situação do saneamento básico no Brasil é "alarmante" e compromete "a meta do governo federal de universalizar o saneamento em 20 anos", diz Édison Carlos, ao comentar os dados do Ranking do Saneamento realizado pelo Instituto Trata Brasil, o qual avalia a situação do saneamento e da água nas 100 maiores cidades brasileiras. Segundo ele, em 2011, as 100 maiores cidades do país "geraram mais de 5,1 bilhões de m³ de esgoto. Desses, mais de 3,2 bilhões de m³ não receberam tratamento. Significa que as 100 maiores cidades jogaram cerca de 3.500 piscinas olímpicas de esgoto por dia na natureza".

Apesar do cenário preocupante, o presidente Executivo do Instituto Trata Brasil assegura que houve avanços na última década, principalmente no acesso à água potável. Nas 100 cidades monitoradas, 92,2% da população tem acesso à água tratada, "bem acima da média nacional — que é de 82,4%". Em relação à coleta de esgotos, os dados são mais precários. "Chega a 61,40% da população nas 100 maiores cidades e a 48,1% no país. Significa que mais de 100 milhões de brasileiros ainda não possuem esse serviço mais básico", assinala em entrevista concedida à IHU On-Line por e-mail.

De acordo com ele, os investimentos do PAC destinados para melhorias do saneamento básico ainda não foram utilizados na sua totalidade. "O Trata Brasil monitora 138 obras de esgotos do PAC, e constatamos que somente 14% delas estão prontas após cinco anos. A maioria, 65% das obras, está atrasada, paralisada ou sequer começou", lamenta.

Édison Carlos é químico industrial graduado pelas Faculdades Oswaldo Cruz e pós-graduado em Comunicação Estratégica. Atuou por quase 20 anos em várias posições no Grupo Solvay, sendo que, nos últimos anos, foi responsável pela área de Comunicação e Assuntos Corporativos da Solvay Indupa. Em 2012, Édison Carlos recebeu o prêmio "Faz Diferença – Personalidade do Ano", do Jornal O Globo – categoria "Revista Amanhã", que premia quem mais se destacou na área da Sustentabilidade em todo o país.

Confira a entrevista:   
IHU On-Line – Como foi elaborado o Ranking do Saneamento realizado pelo Instituto Trata Brasil? Quais as principais constatações em relação ao saneamento básico nas 100 maiores cidades brasileiras?
Édison Carlos - O Ranking do Saneamento [2] do Instituto Trata Brasil é elaborado a partir de dados do Sistema Nacional de Informações sobre Saneamento – SNIS, do Ministério das Cidades, que fornece anualmente os números de abastecimento de água, coleta e tratamento de esgoto, perdas de água, investimentos e outros; todos estes providos das próprias empresas ou municípios operantes. Vale ressaltar que o Ministério das Cidades divulga números com dois anos de defasagem, ou seja, os dados fornecidos este ano — e consequentemente usados para o Ranking do Instituto Trata Brasil — são de 2011. Com os números do SNIS, a GO Associados, parceira do Trata Brasil, se encarrega de elaborar o método que definirá a posição de cada município.

As principais constatações são preocupantes, e a lenta evolução dos indicadores nas grandes cidades compromete a meta do governo federal de universalizar o saneamento em 20 anos. Nós temos um cenário alarmante no Brasil, mesmo em grandes capitais, como Macapá, Belém, São Luís, Teresina, Natal, entre outras, onde os serviços de coleta e tratamento de esgoto ainda são muito precários.

Em 2011, as 100 maiores cidades geraram mais de 5,1 bilhões de metros cúbicos (m³) de esgoto. Desses, mais de 3,2 bilhões de m³ não receberam tratamento. Significa que as 100 maiores cidades jogaram cerca de 3.500 piscinas olímpicas de esgoto por dia na natureza.

IHU On-Line – Em que estados se concentram as cidades em que há melhor e pior condições de saneamento?
Édison Carlos - São Paulo, Minas Gerais e Paraná são os estados que têm números expressivos de municípios, mais especificamente 18 entre as 20 melhores cidades no ranking. Em contrapartida, as regiões Norte e Nordeste, no geral, têm os piores índices, principalmente o estado do Pará, que contém seus três grandes municípios (Belém, Santarém e Ananindeua) nas cinco últimas posições, além de Amapá, Pernambuco e Maranhão. Apesar de estar no Sudeste, o estado do Rio de Janeiro também possui algumas cidades da Baixada Fluminense entre as piores do país.

IHU On-Line – Que percentual da população brasileira é atendida com água tratada e coleta de esgoto?
Édison Carlos - Nas 100 maiores cidades monitoradas pelo Instituto Trata Brasil, são 92,2% da população que têm atendimento em água tratada, bem acima da média nacional — que é de 82,4%. Já a coleta de esgotos chega a 61,40% da população nas 100 maiores cidades e a 48,1% no país. Significa que mais de 100 milhões de brasileiros ainda não possuem esse serviço mais básico.

IHU On-Line – Qual o destino dado ao esgoto gerado pelas 100 maiores cidades brasileiras?
Édison Carlos - Estas 100 maiores cidades, em 2011, geraram mais de 5,1 bilhões de m³ de esgoto; mais de 3,2 bilhões de m³ não receberam tratamento, isto é, as 100 maiores cidades jogaram cerca de 3.500 piscinas olímpicas de esgoto por dia na natureza. São lançamentos de esgotos em córregos, rios e lagos, a céu aberto ou em fossas rústicas que, se não cuidadas, geram contaminação nos lençóis freáticos.

IHU On-Line – Que avanços foram possíveis constatar no setor de saneamento desde 2003?
Édison Carlos - Houve avanços, principalmente no acesso à água potável, mas muito pouco em coleta e tratamento dos esgotos. Quase nada se avançou também na redução das perdas de água.

Os investimentos do setor federal, através do Programa de Aceleração e Crescimento – PAC, por exemplo, ainda não conseguiram ser usados em sua totalidade. O Trata Brasil monitora 138 obras de esgotos do PAC, e constatamos que somente 14% delas estão prontas após cinco anos. A maioria, 65% das obras, está atrasada, paralisada ou sequer começou.

IHU On-Line – Quais são as metas do Plano Nacional de Saneamento Básico – PLANSAB para 2030? A partir da pesquisa realizada pelo Instituto Trata Brasil, quais as expectativas na tentativa de alcançar a meta do PLANSAB?
Édison Carlos - O governo federal pretende universalizar o saneamento básico no Brasil em 20 anos (2014 a 2033) e, para isso, estima a necessidade de 302 bilhões de reais somente para obras de água e esgotos. Teríamos de investir em média 15 a 16 bilhões/ano, mas ainda não passamos dos 9 bilhões de reais por ano. Precisamos, portanto, investir o dobro para atingir a universalização que o governo federal propõe. O PLANSAB exige que os municípios entreguem um plano de saneamento até dezembro deste ano, porém sabemos que muitos prefeitos não irão cumprir com o pedido, dessa forma, estas cidades poderão não mais receber recurso federal para novas obras. Quem perde com isso é o cidadão.

IHU On-Line – Quais são as principais dificuldades para alcançar a meta de universalizar o saneamento básico em 20 anos no Brasil?
Édison Carlos – Primeiramente, saneamento básico tem que ser prioridade número 1 dos entes públicos e da população. Devido aos 20 anos que o país passou sem recursos para esgotamento sanitário, criou-se um grande déficit nestes serviços. Hoje o setor enfrenta dificuldade por conta da gestão dos municípios e da atuação das empresas de saneamento na elaboração de projetos, no uso dos recursos, ao mesmo tempo em que há uma grande burocracia para a chegada dos recursos federais às obras, dificuldade e lentidão nas licenças ambientais e despreparo das prefeituras para com essas obras.

IHU On-Line – Quais são hoje as principais políticas públicas federais para garantir melhorias no tratamento da água e melhores condições de saneamento básico?
Édison Carlos - O governo federal, em 2007, sancionou a lei de Diretrizes Nacionais para o Saneamento Básico (nº 11.445, de 5 de janeiro de 2007). Esta lei preconiza que todos os municípios precisam elaborar seus Planos Municipais de Saneamento Básico e promover a Regulação dos Serviços de Saneamento. Estes são instrumentos de planejamento fundamentais para que as cidades organizem seu futuro no campo sanitário. Infelizmente, a implementação dessas diretrizes está muito lenta no país.

IHU On-Line – Deseja acrescentar algo?
Édison Carlos – Em 2014 temos eleições, e é momento de o brasileiro manifestar sua vontade de que esta realidade mude. Temos que cobrar soluções de nossos candidatos a deputado, senador, governador e presidente. Somente através da mobilização conseguiremos mostrar que saneamento é importante.
* Publicado originalmente no site IHU On-Line [4].

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Capitalismo e política alimentar: o mundo não pode ser um grande supermercado

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Posted By juliana On outubro 22, 2013 @ 11:11 am In Economia
fomecapa1 300x150 Capitalismo e política alimentar: o mundo não pode ser um grande supermercado [1]

Chegamos a sete bilhões de seres humanos habitando nosso planeta. Mais da metade deles vive amontoados em grandes cidades. Distantes dos seus locais de origem. E pela primeira vez na história alcançamos a triste estatística de um bilhão de pessoas passando fome, todos os dias. Ou seja, 14% dos seres humanos não têm direito a sobreviver. E entre eles milhares de crianças e suas mães morrem a cada dia.

Entre a população que consegue se alimentar, nos foi imposto uma padronização dos alimentos. Há quatrocentos anos, antes do advento do capitalismo, os humanos se alimentavam com mais de 500 espécies diferentes de vegetais. Há cem anos, com a hegemonia da revolução industrial, reduziu-se para 100 espécies diferentes de alimentos, que depois da lavoura passavam por processos industriais. E há trinta anos, depois da hegemonia do capitalismo financeiro em todo o mundo, hoje, a base de toda alimentação da humanidade está representada em 80% na soja, milho, arroz, feijão, cevada e mandioca. O mundo virou um grande supermercado, único. As pessoas, independentemente do lugar onde moram, se alimentam com a mesma ração básica, fornecida pelas mesmas empresas, como se fôssemos uma grande pocilga a esperar passivos e dominados a distribuição da mesma ração diária.
Uma tragédia, escondida todos os dias pela mídia a serviço da classe dominante, que se locupleta com o banquete de juros, lucros, contas bancárias, champagne, lagosta. Cada vez mais obesos e desumanizados. Empanturrados de injustiças e iniquidade. Por que chegamos a essa situação?

Porque o capitalismo, como modo de organizar a produção, a distribuição dos bens e a vida das pessoas baseada no lucro e na exploração, tomou conta de todo o planeta. E os alimentos foram reduzidos à mera condição de mercadoria. Quem tiver dinheiro pode comprar a energia para seguir vivendo. Quem não tiver dinheiro não pode continuar sobrevivendo. E para ter dinheiro é preciso vender sua força de trabalho, se tiver quem compre. Porque, ao redor de 100 empresas agroalimentárias transnacionais (como Cargill, Monsanto, Dreyfuss, ADM, Syngenta, Bungue, etc.) controlam a maior parte da produção mundial de fertilizantes, agroquímicos, agrotóxicos, as agroindústrias e o mercado de venda desses alimentos.

Porque agora, os alimentos são vendidos e especulados em bolsas de valores internacionais, como se fosse uma matéria-prima qualquer, como minério de ferro, petróleo, etc. e grandes investidores financeiros se transformam em proprietários de milhões de toneladas de alimentos, que especulam e aumentam os preços propositalmente para aumentar seus lucros. Milhões de toneladas de soja, milho, trigo, arroz, até as safras vindouras e ainda nem plantadas de 2018, ou seja 5 anos adiante, já foram vendidas. Esses milhões de toneladas de grãos, que não existem, já têm dono.

A fixação dos preços dos alimentos não segue mais as regras do custo de produção, somados os meios de produção e a força de trabalho. Agora são determinados pelo controle oligopólico que as empresas fazem do mercado, e impõem um mesmo preço para o produto, em todo mundo, e em dólar. E quem tiver um custo superior a isso, vai à falência, pois não consegue repor seus gastos.

Porque, nessa fase de controle do capital financeiro, fictício, sobre os bens, que circula no mundo em proporções 5 vezes maiores do que seu equivalente em produção (255 trilhões de dólares em moeda, para apenas 55 trilhões de dólares em bens anuais) transformou os bens da natureza, como a terra, água, energia, minérios, em meras mercadorias sob seu controle. Daí se produziu uma enorme concentração da propriedade da terra, dos bens da natureza e dos alimentos. E qual é a solução?

Em primeiro lugar precisamos repactuar em todo o planeta o princípio de que alimento não pode ser mercadoria. Alimento é a energia da natureza (sol mais terra, mais água, mais vento) que move os seres humanos, produzidos em harmonia e parceria com os outros seres vivos que formam a imensa biodiversidade do planeta. Todos dependemos de todos, nessa sinergia coletiva de sobrevivência e reprodução. Alimento é um direito de sobrevivência. E portanto, todo ser humano deve ter acesso a essa energia para se reproduzir como ser humano, de maneira igualitária e sem nenhuma condicionante.

Os governos têm adotado o conceito de segurança alimentar, para explicar esse direito, e assim dizer que os governos devem suprir de comida os seus cidadãos. É um pequeno avanço em relação à subordinação total ao mercado. Mas nós, dos movimentos sociais, dizemos que o conceito é insuficiente, porque não resolve o problema nem da produção dos alimentos, nem da distribuição e muito menos do direito. Porque não basta os governos comprarem comida, ou distribuírem dinheiro em "bolsas-famílias" para que as pessoas comprem os alimentos. Os alimentos seguem tratados como mercadorias e dando muito lucro às empresas que fornecem aos governos. E as pessoas seguem dependentes, subalternas, antes do mercado, agora dos governos.

Defendemos o conceito de SOBERANIA ALIMENTAR, que é a necessidade e o direito de que, em cada território, seja uma vila, um povoado, uma tribo, um assentamento, um município, um Estado e até um país, cada povo tem o direito e o dever de produzir seus próprios alimentos. Foi essa prática que garantiu a sobrevivência da humanidade, mesmo em condições mais difíceis. E está provado biologicamente que em todas as partes do nosso planeta é possível produzir a energia – alimentos – para reprodução humana, a partir das condições locais.

A questão fundamental é como garantir a soberania alimentar dos povos. E para isso devemos defender a necessidade de que em primeiro lugar todos os que cultivam a terra e produzem os alimentos, os agricultores, camponeses, tenham o direito à terra e à água. Como um direito de seres humanos. Daí a necessidade da política de repartição dos bens da natureza (terra, água, energia) entre todos, no que chamamos de reforma agrária.

• Precisamos garantir que haja soberania nacional e popular sobre os principais bens da natureza. Não podemos submetê-los às regras da propriedade privada e do lucro. Os bens da natureza não são frutos de trabalho humano. E por isso o Estado, em nome da sociedade, deve submetê-los a uma função social, coletiva, sob controle da sociedade.

• Precisamos de políticas públicas governamentais que estimulem a prática de técnicas agrícolas de produção de alimentos, que não sejam predadoras da natureza, que não usem venenos e que produzam em equilíbrio com a natureza e a biodiversidade, e em abundância para todos. Essas práticas adequadas é que chamamos de agroecologia.

• Precisamos garantir o direito de que as sementes, as diferentes raças de animais e seus melhoramentos genéticos feitos pela humanidade, ao longo da história, sejam acessíveis a todos os agricultores. Não pode haver propriedade privada sobre sementes e seres vivos, como a atual fase do capitalismo nos impõe, com suas leis de patentes, transgênicos e mutações genéticas. As sementes são um patrimônio da humanidade.

• Precisamos garantir que em cada local, região, se produzam os alimentos necessários que a biodiversidade local provê, e assim mantermos os hábitos alimentares e a cultura local, como uma questão inclusive de saúde pública. Pois os cientistas, médicos e biólogos nos ensinam que a alimentação dos seres vivos, para sua reprodução saudável, deve estar em convivência com o habitat e a energia do próprio local.

• Precisamos que os governos garantam a compra de todos os alimentos excedentes produzidos pelos camponeses e usem o poder do Estado para garantir-lhes uma renda adequada e ao mesmo tempo a distribuição dos alimentos a todos os cidadãos.

• Precisamos impedir que as empresas transnacionais continuem controlando qualquer parte do processo de produção dos insumos agrícolas, da produção e distribuição dos alimentos.

• Precisamos desenvolver o beneficiamento dos alimentos (no que se chama de agroindústria) na forma cooperativa sob controle dos camponeses e trabalhadores.

• Precisamos adotar práticas de comércio internacional de alimentos entre os povos baseadas na solidariedade, na complementariedade e na troca. E não mais no oligopólio das empresas, dominadas pelo dólar americano.

O Estado precisa desenvolver políticas públicas que garantam o princípio de que o alimento não é uma mercadoria, é um direito de todos os cidadãos. E as pessoas só viverão em sociedades democráticas, com seus direitos mínimos assegurados, se tiverem acesso ao alimento-energia necessário.

O alimento não é mercadoria, é um direito!
_______________________________________________________
Em parceria com a Agenda Latino-americana/Servicios Koinonia, através de duas entregas semanais, divulgaremos na página web, no Facebook e no Twitter da ADITAL todos os textos (em português e espanhol) publicados na edição da Agenda 2013 – A OUTRA ECONOMIA, que, nas palavras de Dom Pedro Casaldáliga, "em linguagem bíblico-teológica temos a palavra-chave para falar da Outra Economia, verdadeiramente outra: o Reino, a economia do Reino. Obsessão de Jesus de Nazaré, revolução total das estruturas pessoais e sociais, utopia necessária, obrigatória, porque é a proposta do próprio Deus da Vida, Pai-Mãe da Família Humana".
_______________________________________________________
* João Pedro Stédile é brasileiro, cidadão do mundo e membro da Vía Campesina e do MST, São Paulo, SP.
** Publicado originalmente no site Adital [2].

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sábado, 19 de outubro de 2013

10 valores essenciais para a administração de um negócio

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Caras e Caros,
O artigo abaixo reforça o que sempre procurei mostrar: que o sucesso profissional está no A do CHA. A ATITUDE não é como o conhecimento e a habilidade, que a empresa investe e aperfeiçoa. A ATITUDE é o reflexo de sua postura diante do mundo e das pessoas.
Você tem a liberdade de professar qualquer fé ou ideologia, tudo é permitido, mas sua relação com o OUTRO e o GRUPO é o que faz a diferença como líder, empreendedor, artista...
O Desenvolvimento do espírito e da mente não se faz através de livros técnicos ou auto-ajuda, mas com leitura de atualidades da ciência, literatura, poesia, filosofia, mente aberta a outras formas de ver o mundo, aceitar as diferenças de pontos de vista e conhecê-los melhor.

A universidade de Stanford perguntou e ex-alunos de sua Escola de Negócios responderam. Veja o que eles pensam sobre o assunto

Redação, administradores.com.br, 14 de outubro de 2013, às 18h02

Shutterstock
A universidade de Stanford, nos EUA, perguntou a vários ex-alunos de sua Escola de Negócios que conseguiram destaque no mercado quais os valores e princípios mais importantes para eles na carreira que estão trilhando. Abaixo você encontra uma compilação dessas máximas pessoais e profissionais, para se inspirar e relembrar aquilo que é fundamental, dentro da sua própria experiência em administração.
Veja os dez principais valores citados nas respostas:

1. Tratar os outros como queremos ser tratados

"Eu acredito muito nessa regra de ouro. Ela é o valor dominante nas minhas relações profissionais. Se você trata bem as pessoas, de modo geral elas também lhe tratarão bem. Esse princípio faz com que você durma bem à noite, com uma consciência tranquila, e lhe confere enorme respeito. De vez em quando alguém vai tirar vantagem de você por causa disso, mas é só decidir não trabalhar mais com essa pessoa"  (Andy Rachellf - CEO da Wealthfront)

2. Integridade

"Quer dizer se relacionar com as pessoas de forma autêntica e verdadeira. Na Pagatech nós mantemos as promessas que fazemos a parceiros e clientes, e buscamos fazer o nosso melhor para permanecermos transparentes na forma como conduzimos nossos negócios." (Jay Alabraba - Co-fundador da Pagatech)

"Eu tenho relacionamentos profissinais que já duram 30 anos e a maioria dos negócios que fechei com essas pessoas foi selada com um aperto de mão. Dependendo da pessoa, isso pode valer mais do que qualquer outro contrato." (Bob Moog - CEO da University Games)

3. Ser direto

"Comigo, o que você vê é o que eu sou. No mundo corporativo norte-americano isso não me favorecia. Como empreendedora, porém, eu gosto de selecionar meus clientes. Eu escolho trabalhar com pessoas que são diretas e que apreciam e valorizam essa minha característica". (Denise Brosseau - CEO da Thought Leadership Lab)

4. Confiança

"Um dos valores principais da Tiny Prints é o de tratar uns aos outros como família. Quando recrutamos novos funcionários procuramos pessoas que valorizem relacionamentos significativos. Nossa empresa busca criar conexões melhores e o ambiente de trabalho é bastante 'universitário'. Todos que trabalham aqui se tornaram bons amigos, padrinhos e madrinhas, colegas de apartamento. Eles têm lealdade uns para com os outros. Claro que toda família tem seus problemas, mas nós tentamos gerar confiança, para que cada funcionário se sinta à vontade para dar seu feedback, mesmo quando for difícil. Onde há confiança se sabe que as críticas estão vindo com boas intenções". (Laura Ching - Co-fundadora da Tiny Prints)

5. Comunicação aberta e honesta

"Problemas se espalham quando as equipes não são honestas, especialmente se tratando de times diversificados, onde há muitas opiniões diferentes. Enquanto líder, é preciso criar uma cultura que recompense e promova a honestidade, mesmo que isso gere desacordos. Também é importante ser ousado, especialmente se você é um empreendedor e quer impactar seu país e mudar o mundo. Isso requer coragem." (Steve Poizner - CEO da Empowered Carreers)

6. Gratidão/valorização

"Todos nós nos sentimos gratos pelos negócios que construímos juntos e pelas oportunidades que temos, por isso trabalhamos para transmitir esse sentimento para os nossos funcionários, clientes e parceiros." (Beth Cross - Fundadora e CEO da Ariat International)

7. Honestidade, simplicidade e fazer algo que você acredita ter um valor real

"Muitas empresas fazem pesquisas de mercado e tentam se antecipar em conhecer as necessidades do cliente. Eu prefiro simplesmente desenvolver grandes produtos e contar uma história honesta sobre eles. Todo o marketing excessivo no mundo comercial tem criado um desejo por autenticidade." (Rob Forbes - Fundador da Design Within Reach e da Public Bikes)

8. Paixão

"Eu só quero que as pessoas trabalhem na Stella & Dot se elas sentirem que isso se encaixa em sua missão de vida. A vida é muito curta para não amar o que você faz, o porquê do que você faz e com quem o faz. Quando você acordar precisa se perguntar 'O que eu estou fazendo é o meu melhor propósito? Eu amo o lugar onde moro, quem eu conheço, o meu trabalho?' Muitas vezes fazemos certas coisas porque precisamos pagar as contas ou porque a posição oferecida é uma 'oportunidade'. Eu respeito quem trabalha para pagar as contas, mas quem está nessa situação deve continuar na jornada para fazer isso enquanto trabalha em algo que ama." (Jessica Herrin - Fundadora da Stella & Dot)

9. Transparência e abertura

"Acredito que você deva compartilhar o que muitos consideram segredos sobre como a empresa realmente está se saindo, inclusive financeiramente, com todos os funcionários, absolutamente. Não deve haver contenção de informações. Também acredito que cada colaborador deva ser encorajado a fazer experimentos rápidos, que falharão com a mesma velocidade. Esses testes mostram as melhores ideias e estas devem prevalecer" James Gutierrez - (Fundador da Progreso Financiero)

10. Trabalhar para fazer diferença no mundo

"Você pode ver quem tem mais poder numa sociedade observando quem possui os maiores prédios. Há 200 anos eram as catedrais. Há 50 eram os prédios governamentais. Hoje, na maioria das áreas urbanas, o poder está nos negócios e seus arranha-céus. A administração e o empreendorismo são a influência mais forte e poderosa no mundo de hoje. 54 das 100 entidades mais poderosas do mundo atualmente são empresas, não países. Isso significa que é muito mais importante que os empreendimentos adotem uma perspectiva capitalista consciente para fazer a diferença. Eu acredito nisso em nível global. Empresas estão finalmente se perguntando 'qual  é a marca ecológica que deixaremos?' Elas também precisam olhar para a marca emocional que deixam em seus funcionários." (Chip Conley - Fundador da rede de hotéis Joie de Vivre)
Para ler as entrevistas na íntegra, acesse a matéria original, no Tumblr da Stanford Business.

E deixe sua opinião: quais são seus valores essenciais?

segunda-feira, 7 de outubro de 2013

Afinal, qual o valor da biodiversidade?

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Caras e Caros,

Mesmo com o debate abaixo, ainda insisto em dizer que a reserva de biodiversidade da Amazônia tem potencial de alavancar desenvolvimento econômico e social para a Amazônia E para o país maior do que o pré-sal.

Os fatos apresentados não se configuram regra, e infinitas possibilidades existem na biotecnologia x conhecimento.

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Fernando Reinach
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Afinal, qual o valor da biodiversidade?

05 de outubro de 2013 | 2h 03


Fernando Reinach - O Estado de S.Paulo
Os cientistas que estudam a biodiversidade estão coçando a cabeça. Um composto químico, imaginado pela mente de um cientista alemão, sintetizado por um laboratório farmacêutico, e vendido como um potente analgésico desde 1970, foi agora encontrado em uma planta africana. É o primeiro caso desse tipo na história da indústria farmacêutica.

A indústria farmacêutica nasceu da exploração da biodiversidade. Centenas de compostos químicos como a aspirina (acido acetilsalicílico), a morfina e a penicilina já existiam nos seres vivos muito antes do homem surgir no planeta Terra. Nossos ancestrais começaram a usar plantas para tratar doenças e, durante muitos séculos, os extratos de plantas eram os únicos medicamentos disponíveis. Com o desenvolvimento da química, as moléculas responsáveis pelos efeitos curativos desses extratos foram isoladas e identificadas. Poucos anos depois, essas moléculas, em vez de serem extraídas diretamente das plantas, passaram a ser sintetizadas em laboratório, o que diminuiu muito seu custo.

Numa etapa seguinte, os cientistas passaram a imaginar e sintetizar novas moléculas com base no que a ciência descobria sobre o funcionamento do corpo humano, dos vírus, das bactérias e dos parasitas. Isso permitiu a criação de um grande número de remédios que não se baseiam em compostos presentes na biodiversidade, como grande parte das drogas usadas para combater o HIV e diversos tipos de câncer.

Apesar desse progresso, muitas empresas ainda tentam descobrir novas moléculas nas plantas usadas como remédio por tribos indígenas.

Esse esforço gerou alguns novos medicamentos, mas está sendo abandonado, pois, em muitos casos, o que se descobriu é que essas novas plantas produzem compostos que já eram conhecidos (por exemplo, novas plantas que produzem aspirina).
Atualmente se discute se o futuro da indústria farmacêutica ainda depende de compostos descobertos em seres vivos (nossa biodiversidade), ou vai ser baseado em nossos conhecimentos sobre o funcionamento dos seres vivos.

Agora esse debate vai pegar fogo.

Na República dos Camarões, o extrato da casca de uma planta da família do café, chamada Nauclea latifólia, é muito usado no tratamento da dor. Um grupo de cientistas de Camarões se associaram a cientistas franceses e suíços para isolar desses extratos a molécula capaz de combater a dor. Depois de alguns anos de trabalho, a molécula foi isolada e sua atividade analgésica comprovada. Imagino que eles ficaram felizes, haviam descoberto um novo analgésico. O composto purificado foi então analisado com o objetivo de se descobrir sua fórmula química. Aí veio a surpresa. A fórmula química do composto encontrado na casca da Nauclea latifólia era idêntica à formula química do Tramadol, um analgésico poderoso que é usado faz décadas em praticamente todo o mundo.

Se o Tramadol original tivesse sido descoberto a partir da biodiversidade, isso não seria novidade, afinal é bastante comum se descobrirem novas plantas que sintetizam um composto já isolado no passado em alguma outra planta. Mas o Tramadol nunca havia sido encontrado na natureza. Ele foi criado por um cientista que, por volta de 1964, imaginou que moléculas semelhantes à morfina poderiam ter efeitos analgésicos. Com um pedaço de papel, um lápis e muita imaginação, ele desenhou a fórmula química de diversos compostos com estruturas parecidas à morfina, mas muito mais simples. Cada um desses compostos foi sintetizado e testado em animais. Entre os compostos estava o Tramadol. Após muitos testes, o Tramadol foi aprovado para uso humano e, em 1970, chegou ao mercado. Hoje ele é vendido em todo o mundo.

Esse é o primeiro caso de um composto criado e sintetizado pelo homem que é posteriormente encontrado em uma planta em concentrações suficientemente para ter efeitos terapêuticos.

A pergunta que agora incomoda os especialistas em biodiversidade é a seguinte: será que estudando a biodiversidade vamos encontrar muitos casos em que produtos da mente humana vão estar presentes em plantas e animais? E se esse for o caso, qual a maneira mais eficiente de descobrir novos compostos? Explorando a criatividade humana, derivada de nossa cultura, ou investigando a biodiversidade, resultado do processo de seleção natural?

É interessante pensar que a mente de um sofisticado químico alemão produziu um composto idêntico a uma molécula presente na natureza que vem sendo utilizada faz séculos pelas populações nativas da República dos Camarões.

sábado, 21 de setembro de 2013

A lógica do empreendedorismo

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Não existe lógica na arte de empreender. O que existe é uma sucessão de escolhas e consequências, portanto, não há segredos. Não é ciência nem arte, apenas um prática consistente

Jerônimo Mendes, 26 de agosto de 2013
Peter Drucker costumava dizer que empreender não é ciência nem arte, apenas uma prática. De fato, ao ler a história de empreendedores de sucesso, descobre-se que uma boa parte deles não tinha a menor ideia de onde queriam chegar. Sua única certeza era o fato de que queriam empreender de qualquer forma.

Se você leu o clássico Feitas para Durar, de James Collins e Jerry Porras, vai lembrar que das 100 empresas pesquisadas no livro, somente três iniciaram com uma ideia grandiosa: Ford, General Electric (GE) e Johnson & Johnson.

As demais empresas, portanto, 97% delas, segundo os autores, foram iniciadas por muitos empreendedores rotulados como péssimos líderes e desprovidos de qualquer senso de planejamento e gestão. Alguns eram "fora da casinha".

Era o caso de Soichiro Honda, por exemplo, um obstinado, porém um líder de difícil relacionamento, e de Bill Hewlett e Dave Packard, fundadores da HP que iniciaram a empresa sem saber o que ela faria.

A despeito de todas as dificuldades existentes ao longo do caminho, a maioria prosperou, diferente de muitos outros que iniciaram com uma boa ideia, de maneira planejada e os quais, num primeiro momento, sabiam onde queriam chegar.

Era o caso da Texas Instruments, cujas raízes eram fundamentadas num conceito muito bem-sucedido, formada para explorar uma oportunidade tecnológica e mercadológica específica na época, portanto, uma excelente ideia na época.

Com exceção das três primeiras empresas citadas, as demais empresas foram construídas por empreendedores com uma característica imprescindível para quem deseja prosperar no mundo dos negócios: disciplina.

Por experiência, posso afirmar que a maioria dos empreendedores, salvo casos raros como Steve Jobs (Apple) ou Dean Kamen (Segway), não nascem com nada especial ou diferente das demais pessoas. O fato é que, além da disciplina, a maioria deles é dotada de uma capacidade inquestionável de pensar em produtos e serviços que mudam a vida das pessoas ao redor do mundo.

Quantos empreendedores bem-sucedidos você conhece? Selecione e tente avaliar a sua trajetória de sucesso. A maioria começou sem capital, sem projeto, sem produto ou serviço bem definido, a ponto de a gente se perguntar: como é esse cara conseguiu chegar aonde chegou?

Por tudo isso, não há como discordar de Peter Drucker. Tem muito a ver com disciplina, força de vontade e persistência.  O empreendedorismo não segue as regras tradicionais de ensino. Tem a ver com a prática.

A lógica de empreender é que não há lógica a ser seguida. A lógica fica por conta do "se", ou seja, se você planejar, se você persistir, se você estudar, se você tiver foco, se você tiver sorte e assim por diante. Como diria Jeffrey Timmons, estudioso do assunto, o segredo é que não há segredos.
Dessa forma, o empreendedorismo deve ser visto e pensado como uma disciplina. Pode até ser ensinado nas escolas, mas nunca será bem-sucedido se não houver aprendizado de fato, por meio de erros e acertos, escolhas e consequências. Nesse caso, não existe garantia de sucesso.

Nesse sentido, o conselho de Raúl Candeloro foi uma benção para mim: "pare de falar de empreendedorismo e comece a praticar o que você diz nas aulas, nos artigos e também nas palestras".

Aos 50 anos de idade, estou fazendo o que já deveria ter feito há quase dez anos, ao ser demitido de uma grande empresa. De certa forma, estou empurrando a minha vaquinha morro abaixo para enfrentar um novo desafio, sem a menor certeza de que vai dar certo e com a enorme esperança de que vai dar certo.

Pense nisso e empreenda mais e melhor!

Sobre o autor

Jerônimo Mendes
Administrador, Coach, Professor Universitário e Palestrante, apaixonado por Empreendedorismo. Mestre em Organizações e Desenvolvimento Local pela UNIFAE. Livros Publicados: Empreendedorismo para Jovens (Atlas) Manual do Empreendedor (Atlas) Oh, Mundo Cãoporativo! (Qualitymark) Benditas Muletas (Vozes) Encontro das Estrelas (Canção Nova) Benditas Muletas (Nueva Palavra, México).

segunda-feira, 26 de agosto de 2013

Dez atitudes para conquistar a infelicidade no trabalho

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Não é tão fácil ser feliz no trabalho. Porém, você pode sofrer bem menos quando dá o melhor de si e adota um discurso mais positivo, coerente com a sua maneira de ver o futuro. Mude seu discurso, mude seus hábitos

Jerônimo Mendes, 8 de julho de 2013
Segundo Albert Ellis, psicólogo norte-americano e autor do best seller Como conquistar a sua própria felicidade, o ser humano é incurável. Em síntese, somos passíveis de erros e sujeitos a pensamentos e atitudes derrotistas, motivo pelo qual manter-se otimista é um desafio permanente.

De fato, entra ano e sai ano, algumas pessoas simplesmente não querem evoluir. Elas continuam adotando o mesmo comportamento retrógrado do século passado, apesar de tantos cursos, treinamentos e toda literatura disponível para quem deseja crescer no campo pessoal e profissional.

Nesse sentido, embora as empresas contribuam muito para elevar ou destruir o moral dos empregados, penso que a felicidade ou infelicidade depende muito dos modelos mentais de cada ser humano em particular – padrão de pensamento, discurso, atitudes.
Por essas e outras razões, fica bem mais fácil distinguir os otimistas dos pessimistas, os perdedores dos vencedores, os que fazem acontecer dos que esperam acontecer. O seu discurso, decorrente do seu modelo mental estabelecido há anos, faz toda diferença no mercado de trabalho e na sua vida pessoal.

Em vez de pensar sobre o que fazer, sugiro que você reflita sobre o que não fazer para se tornar mais feliz no ambiente de trabalho. Mudar passa por uma questão de escolha, não porque a empresa quer que você faça e sim pelo fato de que não existe outra maneira de se tornar mais produtivo e feliz.

Como observador permanente do comportamento das pessoas no mundo corporativo, aqui estão as dez atitudes (negativas) – comportamentos, padrões, escolhas – dos profissionais que desejam conquistar a infelicidade no trabalho:

1.  Preocupar-se o tempo todo com o salário dos outros;
2.  Manter o discurso negativo e a postura do contra;
3.  Fazer corpo mole e acreditar que um dia a coisa muda;
4.  Formar panelinhas e forças de coalizão;
5.  Trabalhar feito alienado como se não existisse vida fora do trabalho;
6.  Conspirar contra o chefe e os companheiros de trabalho;
7.  Ter medo de trabalhar com pessoas melhores do que você;
8.  Buscar reconhecimento sem fazer nada para mudar a situação atual;
9.  Sofrer com o que outros pensam ou deixam de pensar a seu respeito;
10.Começar a segunda pensando na sexta. Será que você está no lugar errado?

Quer fazer um bom exercício? Avalie uma por uma e tente pensar o contrário. Veja como é difícil mudar o seu próprio modelo mental estabelecido. É a sua mente reptiliana em ação.

Na prática, significa dizer o seguinte: se você, como dono, empreendedor, diretor ou gerente pensa dessa maneira, o que dizer para os seus empregados ou para aqueles colaboradores que já não colaboram tanto?

Vai demitir um por um? Bobagem. Você pode substituir todos, mas o ambiente ao seu redor permanecerá nocivo enquanto você, que tem o poder na mente ou mesmo no cargo, não mudar a si mesmo.

Quando o discurso é negativo, pessimista, contrário a tudo o que a empresa precisa, a energia dissipada para mudar o ambiente é maior. Você se desgasta sem necessidade, conspira facilmente, perde o foco nas coisas que precisam ser levadas em consideração e, na maioria das vezes, sai da linha.

Quer conquistar a felicidade no trabalho? Basta fazer o contrário, porém, isso ainda vai demorar o tempo necessário que você precisa para mudar o seu discurso, as suas ações, as suas atitudes. Quanto mais tempo levar, mais irritação, injúria, fofoca e sofrimento.

É fácil ser feliz no trabalho? Claro que não! Sem hipocrisia! Porém, você pode sofrer bem menos quando dá o melhor de si e adota um discurso mais positivo, coerente com a sua maneira de ver o futuro. Entretanto, se você acredita que não tem futuro na empresa ou que a empresa não tem futuro, por que é que você continua nela?

Pense nisso e seja um empreendedor de si mesmo.