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terça-feira, 19 de agosto de 2014

ONU lança contagem regressiva de 500 dias para alcançar os Objetivos de Desenvolvimento do Milênio

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ENVOLVERDE/Ambiente
19/8/2014 - 09h55


por Redação da ONU Brasil
Ban Malala SG UN ONU lança contagem regressiva de 500 dias para alcançar os Objetivos de Desenvolvimento do Milênio

Malala Yousafzai e Ban Ki-moon. Foto: ONU/Mark Garten

Malala Yousafzai se uniu ao secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, nessa segunda-feira (18) para receber mais de 500 jovens do planeta durante a comemoração dos 500 dias de ação até a data limite para alcançar os Objetivos de Desenvolvimento do Milênio, conhecido mundialmente como "ODM".

A jovem paquistanesa, que ficou conhecida mundialmente após ser baleada pelos talibãs dentro de um ônibus escolar por lutar pelo direito das mulheres à educação, e o chefe da ONU responderam perguntas de jovens sobre como eles também podem contribuir para alcançar os objetivos do milênio.

Entre as perguntas enviadas para a ocasião estava a da brasileira Ana Cristina Oliveira, que quis saber como qualquer cidadão pode fazer a diferença. Ban Ki-moon afirmou que todos os jovens são importantes e disse que apenas com os gestos de economizar água ou apagar as luzes ao sair de casa, por exemplo, mais de 1 bilhão de pessoas sem acesso à água ou à energia podem ser beneficiadas.

"As ações realizadas agora salvarão vidas, construirão uma base sólida para o desenvolvimento sustentável muito além de 2015 e ajudarão a estabelecer as bases para a paz e a dignidade humana duradoura", disse o secretário-geral em um evento especial na sede da ONU em Nova York, ressaltando a importância do envolvimento dos jovens nos planos nacionais para obter mais resultados positivos no cumprimento da agenda global.

O conjunto de oito metas foi adotado pelos líderes mundiais no ano 2000, e segundo o secretário-geral, trata-se de um "mapa ambicioso para combater a pobreza, a fome e doenças, proteger o meio ambiente e melhorar a saúde, a educação e o empoderamento feminino".

"Contra as previsões dos cínicos, os ODM têm ajudado a unir, inspirar e transformar", observou Ban. Ele destacou que a pobreza foi reduzida à metade, mais meninas vão à escola, e menos pessoas estão morrendo de malária, tuberculose e outras doenças mortais.

Ban reconheceu que a desigualdade continua a ser um desafio, no entanto, assim como a mortalidade infantil e materna, a educação universal e a sustentabilidade ambiental, mas enfatizou que "este é o momento para os ODM", lembrando que a comunidade internacional tem agora muitas mais ferramentas à sua disposição do que quando as metas foram criadas -desde o alcance cada vez maior de tecnologia até a crescente compreensão do que funciona e do que não.

* Publicado originalmente no site ONU Brasil.

(ONU Brasil)


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domingo, 22 de junho de 2014

Cittaslow: a revolução de gestão pública inspirada no vinho

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segunda-feira, 30 de julho de 2012 (lido em 22/06/2014)

Caras e caros amigas, amigos, alunas e alunos.

Há muito venho me questionando sobre este nosso frenesi do sucesso em que entramos a partir da revolução industrial e que vem num crescendo que não sabemos hoje até onde iremos e que tem causado o esgotamento dos recursos do planeta em ritmo cada vez mais rápido, do "desenvolvimento", do consumo, de ser o primeiro, pois o segundo é "perdedor", me perguntando: O que é ter sucesso? Ser competente? Porque sempre mais, mais rápido, ter mais, "administrar" o tempo para que possamos fazer mais em menos tempo e isso sempre me incomodou profundamente.

Desde que conheci o movimento slowfood através de meu amigo Fabio Sicilia, chef e restauranteur em Belém, e a ideia do ócio criativo de de Biasi, me perguntei se esta ideia não poderia ser estendida a outras esferas da vida humana. Viver para sentir o sabor das coisas, o perfume, embeber-se da vida, ou CURTIR, como no Facebook. Esta entrevista que se segue mostra que existe um caminho, que não estou só nestes questionamentos e que, efetivamente, pode haver uma saída para sermos felizes antes de termos nos desgastado durante toda a vida, sem saboreá-la, para a aproveitarmos apenas quando não tivermos mais tempo e saúde para isso.

Não penso em um retrocesso da vida, retorno ao primitivo, ou da economia, da ciência, olho sempre para frente e vejo como um desafio para criar novos caminhos que permitam que vivamos todos, os mais rápidos e os mais lentos, sem culpa, felizes. Acredito, ao contrário do que diz na entrevista, que esta ideia também pode ser aplicada a cidades maiores. Por que a qualidade de vida tem de ficar restrita a pequenas comunidades?

Vamos colocar nossa inventividade, empreendedorismo, competência, para resolver essa equação: Desenvolver a sociedade sem destruir o planeta, nossa sanidade, e sermos felizes.
 

Paolo Saturnini foi presidente nacional da Associazzione Cittá Del Vino, que reúne as cidades italianas produtoras de vinhos e é um especialista sobre chiantis. É autor dos livros "Vini da mangiare", com 200 receitas de uso do vinho na culinária, e "Giallo in cucina", sobre o uso do açafrão, em parceria com Marco Mazzoni, produtor de açafrão.


Saturnini foi prefeito de Greve in Chianti, pequena e charmosa cidade da Toscana italiana entre 1995 e 2004, re-eleito duas vezes, e em seu primeiro mandato foi mentor e primeiro presidente do Movimento Cittaslow, a mais revolucionária proposta de desenvolvimento urbano sustentável, nascida em 1999 em Greve já está sendo aplicada em cerca de 150 cidades de 25 países. As memórias sobre seu território e o Cittaslow foram registradas por ele no livro "L'armonia Del Chianti – riflessioni su una terra in bilico" (em tradução livre, "A harmonia de Chianti – reflexões sobre uma terra em equilíbrio").
 O Cittaslow, uma proposta simples e genial, nasceu numa mesa de restaurante, inspirada em uma taça de vinho, como me disse Saturnini nesta entrevista: "Tive a idéia de expandir o conceito de "lentidão" proposto pelo movimento Slow Food – focado na qualidade, integridade e prazer do que se come - para a cidade inteira, porque nas casas de Greve comemos sempre com prazer e alegria e o vinho - o mais poderoso ícone da "slow food" - é parte quotidiana de nossos hábitos alimentares."


Com 59 anos, atualmente Saturnini é presidente honorário e presidente do Conselho Garantidor de Qualidade da organização e continua em Greve in Chianti onde é empresário do setor imobiliário, de onde sai apenas para fazer palestras sobre vinho ou sobre o Movimento Cittaslow.

Como todo bom apaixonado por vinhos, é um excelente companheiro para um jantar com vinhos chianti. Pois foi num jantar assim, de quase 3 horas, que Paolo Saturnini me recebeu, em fins de abril no restaurante La Piazza Del Vino, em Florença, na Itália, para me conceder esta entrevista exclusiva sobre a gênese e o desenvolvimento do Movimento Cittaslow.


Tudo o que um repórter exigiria: uma excelente conversa com uma fonte riquíssima: Paolo é o de casaco escuro

O Movimento Cittaslow propõe a melhora da qualidade de vida dos cidadãos a partir de propostas vinculadas ao território, ao meio ambiente, ao respeito cultural e ao uso de novas tecnologias usando como "arma" o protagonismo comunitário. Simples na concepção, nasceu inspirada no Movimento Slow Food e se propaga em cidades pequenas, evitando que cometam os  mesmos erros das cidades que crescem sem controle. Como diz Saturnini, cidades pequenas devem preservar; cidades grandes precisam revolucionar – e não sabem como. O Brasil tem 5.017 municípios com menos de 50.000 habitantes e pode criar centenas de Cidades Lentas salvando do caos urbano 65,2 milhões de brasileiros. Esta reportagem procura mostrar o caminho. Para saber mais acesse http://www.cittaslow.org


O Movimento incentiva o desenvolvimento de profissões baseadas no talento individual


Ruschel:
Como nasceu a proposta de Cittaslow?



Saturnini:
A idéia nasceu em 1999, logo após o Congresso Mundial do Slow Food em Orvieto, na Itália, do qual eu havia participado. Como prefeito estava preocupado para resolver um dilema: como permitir que Greve in Chianti pudesse continuar a receber cada vez mais turistas sem perder a identidade e seus valores culturais, parte fundamental do que atraía os turistas, e ao mesmo tempo compartilhar os benefícios para toda a comunidade, e não apenas para alguns poucos? E melhorar a qualidade do produto turístico, a solução de qualquer destino turístico sob pressão de volume, não era possível, porque nosso turismo já era de alta qualidade.



A praça principal de Greve in Chianti

Foi quando tive a ideia de expandir o conceito de "lentidão" proposto pelo movimento Slow Food – focado na qualidade, integridade e prazer do que se come - para a cidade inteira. Afinal, nas casas de Greve comemos sempre com prazer e alegria e o vinho - talvez o mais poderoso ícone da "slow food" - é parte quotidiana de nossos hábitos alimentares. Na verdade, pensei inicialmente na possibilidade de estender o princípio da "lentidão" também para outras coisas além da comida, e com isso sensibilizar pessoas que ainda não tinham abraçado a causa do Slow Food. Pensei que se tivesse o apoio de prefeitos e instituições municipais que representam dezenas de milhares de homens e mulheres, poderia facilitar a implementação dos objetivos do movimento Slow Food mais rapidamente. Parecia uma boa ideia: bastava pedir aos políticos, em primeiro lugar, mas também para as pessoas da cidade como um todo, um ato de vontade: a vontade de ser parte de um projeto estratégico importante, o projeto do Slow Food.

Ruschel:
Como são as relações da Cittaslow com o Slow Food?

Paolo:
As organizações estão intimamente relacionadas, no sentido de que Cittaslow faz parte do Slow Food através de um representante nacional, e o presidente da Cittaslow faz parte do Conselho de Governadores do Slow Food na Itália.


 Gastronomia local é a base do desenvolvimento com qualidade de vida e respeito à cultura dos moradores e ao território

Ruschel:
Quem foram os promotores iniciais da ideia?
 

Paolo:
O Município de Greve in Chianti, juntamente com as cidades de Orvieto, Bra, Positano e com o Movimento Slow Food.

Ruschel:
Qual a ideia básica do Movimento Cittaslow?

Paolo:
O objetivo é melhorar a qualidade de vida dos cidadãos a partir de propostas vinculadas ao território, ao meio ambiente, ao protagonismo comunitário e ao uso de novas tecnologias. O inimigo é o estresse, a pressão de valores não naturais, a perda de referências, a pressa. Tudo isto gera má qualidade de vida. Em pequenas comunidades como Greve in Chianti as pessoas estão vinculadas ao território: elas nascem, crescem, moram e trabalham em fazendas, casas, ruas e bairros. Conhecem cada árvore, cada casa. Vivem no território do município, um espaço que deve ser seu e que deve ser fonte de harmonia e prosperidade. E este ambiente deve ser respeitado e valorizado, e não envenenado como é a tendência no que se refere ao meio ambiente. Queremos valorizar o território e não apenas ocupá-lo.
A bandeira do Cittaslow já tremula em 25 países como aqui em Sokndal, na Noruega



Ruschel:
E como esta "valorização do território" se manifesta na prática?

Paolo:
Para aderir à rede, os municípios candidatos devem ter até 50.000 habitantes e atender a diversos compromissos, entre os quais:
·      A política de planejamento deve servir para melhorar o território, e não apenas para ocupá-lo

·      Devem implementar uma política ambiental baseada na promoção da recuperação e reciclagem de resíduos, quando não for possível evitá-los

·      Devem usar os avanços tecnológicos para melhorar a qualidade ambiental e de áreas urbanas

·      Devem promover a produção e utilização de produtos alimentícios obtidos de maneira natural e ambientalmente respeitosos, excluindo os produtos transgênicos

·      Devem entender que o fortalecimento da produção local deve estar ligada ao território: agricultores e moradores tradicionais devem preservar suas mais antigas tradições, mesmo quando é incentivado o relacionamento entre consumidores e produtores

·      Devem implementar, quando necessário,  políticas e serviços públicos de defesa de grupos geralmente excluídos

·      Devem promover a hospitalidade respeitosa e a convivência harmoniosa entre os moradores e turistas, sem exploração, mas com valorização

Devem mobilizar e educar a consciência
dos residentes e dos operadores turísticos sobre o que significa viver em uma cidade lenta e suas implicações, com especial atenção para a sensibilização dos jovens, através de planos de formação específicos.

 Greve in Chianti recebe milhares de turistas na noite de Natal
  
Ruschel:
Você pode dar exemplos práticos?

Paolo:
Sim, posso dar alguns exemplos do que foi conquistado em Greve in Chianti.

Um está relacionado ao planejamento urbano, onde, para assegurar o desenvolvimento sustentável na minha comunidade, reduzimos drasticamente a previsão de novos edifícios, tanto residenciais como para atividades produtivas. Reduzimos o limite de 250.000 metros cúbicos construtivos de leis anteriores e aprovamos um novo plano diretor que colocou em primeiro lugar o aproveitamento das áreas existentes, e apenas como último recurso, a construção de um novo edifício. Outro exemplo é o do comércio, onde, como em qualquer cidade você tem lojas com áreas de autoatendimento, mas o morador prefere o comércio tradicional, contribuindo para a preservação de uma importante base econômica, social e cultural. Outro exemplo é o do turismo, onde, em face de forte crescimento da demanda, incentivamos o surgimento de pequenos hotéis derivados da reutilização de edifícios existentes, em vez de recorrer à construção de complexos hoteleiros de grande porte. Também associamos a qualidade e a origem de alimentos produzidos localmente à educação, educação alimentar e educação ambiental, incentivando o uso de merendas ligadas ao território e à cultura. Um último exemplo é o da paisagem agrícola, onde, com o apoio de enólogos, adotamos padrões e práticas para a criação de novos vinhedos com técnicas mais respeitosas em relação ao solo e a paisagem.

quinta-feira, 19 de junho de 2014

Alzheimer

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Como eu estou me preparando para ter Alzheimer.

Como eu estou me preparando para ter Alzheimer Como eu estou me preparando para ter Alzheimer
Como eu estou me preparando para ter Alzheimer
Eu gostaria de falar sobre meu pai. Meu pai tem Alzheimer. Ele começou a ter sintomas há cerca de 12 anos, e foi diagnosticado oficialmente em 2005. Agora ele está muito doente. Precisa de ajuda para comer, precisa de ajuda para se vestir, ele não sabe direito onde está ou em que dia estamos, e tem sido muito difícil. Meu pai foi meu herói e meu guia por grande parte da minha vida, e eu passei a última década assistindo-o desaparecer.
Meu pai não está sozinho. Há cerca de 35 milhões de pessoas no mundo com algum tipo de demência, e espera-se que até 2030 esse número dobre para 70 milhões. É muita gente. A doença nos assusta. Os rostos confusos e as mãos trêmulas das pessoas que têm demência, o grande número de pessoas que têm a doença, tudo isso nos assusta. E por causa desse medo, tendemos a fazer uma de duas coisas: Nós negamos: "Não sou eu, não tem nada a ver comigo, nunca vai acontecer comigo". Ou, nós decidimos que iremos prevenir a demência, e nunca acontecerá com a gente porque iremos fazer tudo certo e ela não nos pegará. Eu estou procurando uma terceira maneira: estou me preparando para ter Alzheimer.

Prevenir é bom e estou fazendo as coisas que podem ser feitas para prevenir o Alzheimer.Eu estou comendo direito, estou me exercitando todos os dias, estou mantendo minha mente ocupada, isso é o que a pesquisa diz que você deve fazer. Mas a pesquisa também mostra que não há nada que irá proteger você cem por cento. Se o monstro quer você, o monstro irá pegá-lo. Isso foi o que aconteceu com meu pai. Meu pai era um professor universitário bilíngue. Seus hobbies eram xadrez, cartas e escrever artigos. Ele teve demência mesmo assim. Se o monstro quer você, o monstro irá pegá-lo. 

Especialmente se você é como eu, porque o Alzheimer tende a se repetir em família. Portanto, eu estou me preparando para ter Alzheimer.

Baseada no que aprendi cuidando do meu pai e pesquisando o que é viver com demência, estou focada em três coisas na minha preparação: estou mudando o que eu faço por diversão, estou trabalhando para construir minha força física, e – essa é difícil – estou tentando me tornar uma pessoa melhor. Vamos começar com os hobbies. Quando você tem demência, fica mais difícil se divertir. Você não pode ter longas conversas com os velhos amigos, porque você não sabe quem eles são. É confuso assistir televisão, e geralmente muito assustador. E ler é simplesmente impossível. Quando você cuida de alguém com demência, e recebe um treinamento, eles o treinam a envolvê-los em atividades que lhes são familiares, que envolvam a prática, sem um final planejado. Com meu pai, isso acabou sendo deixá-lo preencher formulários. Ele era professor universitário em uma universidade estadual ; ele sabe lidar com documentos. Ele assina o nome em cada linha, checa todos os espaços, coloca números onde acha que deveriam haver números. Mas isso me fez pensar, o que meus cuidadores fariam comigo? Eu sou filha do meu pai. Eu leio, escrevo, penso muito sobre saúde de uma forma geral, eles me dariam jornais acadêmicos para eu rabiscar nas margens? Eles me dariam tabelas e gráficos para que eu pudesse colorir? Então tenho tentado aprender coisas que são práticas. Eu sempre gostei de desenhar, então estou desenhando ainda mais, mesmo que eu seja muito ruim.Estou aprendendo um pouco de origami. Consigo fazer uma caixa muito legal. E estou ensinando a mim mesma a tricotar, até agora consigo tricotar algo redondo.

Mas, sabem, não importa se sou boa nisso. O que importa é que minhas mãos sabem como fazer. Porque quanto mais coisas são familiares, mais coisas minhas mãos sabem como fazer, mais coisas com as quais eu posso ser feliz e ocupada quando meu cérebro não estiver mais no comando. Eles dizem que as pessoas que estão envolvidas em atividades são mais felizes, é mais fácil para os cuidadores e pode até desacelerar o desenvolvimento da doença. Tudo isso parece uma vitória para mim. Eu quero ser tão feliz quanto puder pelo máximo de tempo possível. Muitas pessoas não sabem que Alzheimer na verdade tem sintomas físicos, assim como cognitivos. Você perde o senso de equilíbro,tem tremores musculares, e isso leva as pessoas a se movimentarem menos. Elas têm medo de andar por aí. Têm medo de se movimentar. Então eu estou fazendo atividades que irão construir meu senso de equilíbrio. Estou fazendo yoga e tai chi para melhorar meu equilíbrio, então quando eu começar a perdê-lo, eu ainda serei apta a me mover. Estou fazendo levantamento de peso, assim eu tenho força muscular então quando eu começar a murchar, terei mais tempo para continuar me movendo por aí.

Finalmente, a terceira coisa. Estou tentando me tornar uma pessoa melhor. Meu pai era gentil e amável antes de ter Alzheimer e ele é gentil e amável agora. Eu o vi perder sua inteligência, senso de humor e conhecimentos de língua, mas eu também vi isso: ele me ama, ama meus filhos, ama meu irmão e minha mãe e seus cuidadores. E esse amor faz com que queiramos estar em volta dele, mesmo agora. Mesmo quando é tão difícil. Quando você leva embora tudo o que ele já aprendeu neste mundo, seu coração despido ainda brilha. Eu nunca fui tão gentil como meu pai e nunca fui tão amável. E o que eu preciso agora é aprender a ser como ele. Preciso de um coração tão puro que, se for atingido pela demência, ele sobreviverá.

Eu não quero ter a doença de Alzheimer. O que eu quero é a cura nos próximos 20 anos, rápido o bastante para me proteger. Mas se ela vier para mim, eu estarei pronta.

Alanna Shaikh – Expert em saúde global, gerente sênior com vasta experiência na gestão de sistemas de saúde, HIV e saúde materna e infantil.
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domingo, 15 de junho de 2014

Mais dicas sobre apresentações

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8 hábitos que podem arruinar suas apresentações

Mesmo a melhor apresentação pode virar um fracasso caso o orador cometa alguma dessas gafes

Redação, Administradores.com, 11 de junho de 2014, às 10h00

Thinkstock




O colaborador do site Inc. Geoffrey James, após ler um artigo sobre erros de apresentações que os vendedores cometem frequentemente na frente dos clientes, escrito pela consultora de vendas Colleen Francis, percebeu que muitos dos itens listados se aplicam a todos os tipos de apresentações.

Para conscientizar as pessoas sobre o perigo desses corriqueiros lapsos, que muitas vezes passam despercebidos, o autor enumerou 8 hábitos que podem arruinar até as melhores apresentações. Veja se você já sofreu com algum deles e saiba o que fazer para consertar tais falhas:

1. Começar com uma desculpa
O hábito: você está atrasado, não tem o material necessário ou seu equipamento está quebrado. A desculpa já antecede os problemas de sua apresentação.
Por que é um erro: um pedido de desculpas no começo da reunião gera uma impressão negativa e faz você parecer uma vítima. Ninguém quer fazer negócios com uma vítima.
O que fazer no lugar: inicie a apresentação com uma observação otimista, como se nada estivesse errado, para demonstrar que você mantém a calma sob pressão - o oposto de ser uma vítima.

2. Pedir mais tempo
O hábito: você acha que tem pouco tempo para repassar as principais informações e pede mais.

Por que é um erro: se falta tempo devido a um atraso seu, você está sendo ainda mais indelicado, e se é porque sua apresentação é longa, bem, sua apresentação deve ser sintetizada. 

O que fazer no lugar: se você estiver atrasado, finalize a apresentação na hora marcada e, se ela está grande, lembre-se de que ser prolixo não é uma qualidade.

3. Apressar os slides
O hábito: você tem pouco tempo para finalizar sua apresentação, mas falta ainda a metade dos slides, então você começa a passá-los apressadamente.
Por que é um erro: geralmente isso acontece quando os slides iniciais desencadearam discussões, então você se adianta para que o público mantenha-se calado até o fim da apresentação.

O que fazer no lugar: adapte o restante do Power Point para o assunto que foi debatido, pois claramente é o que importa para seus espectadores.

4. Criar desculpas pessoais
O hábito: você diminui as expectativas do público ao pedir desculpas antecipadamente pelo seu desempenho (ex.: "estou exausto"; "cheguei em casa tarde ontem").
Por que é um erro: na verdade, essa desculpa é para si próprio, para você não se sentir tão mal caso falhe. Além disso, ninguém gosta de ouvir os outros se lamentarem por seus problemas.

O que fazer: mostre-se entusiasmado, independente de como estiver se sentindo. Esteja inteiramente presente e se esforce para dar o máximo de si.

5. Ler slides
O hábito: os slides mostram o que você pensa a respeito de determinado assunto. Em vez de explicar sua linha de raciocínio, você lê os slides em voz alta.

Por que é um erro: se você está fazendo uma apresentação para pessoas que sabem ler, você será entediante.

O que fazer: faça dos slides indicadores visuais para os pontos que você está expondo, em vez de uma versão escrita ou resumo de tais pontos.

6. Virar as costas
O hábito: você fica se virando para ler os slides ou então abaixando a cabeça para ler suas anotações.

Por que é um erro: você está agravando o hábito 5, com falta de profissionalismo.
O que fazer: foque no público e olhe para ele enquanto se apresenta.

7. Falar muito rápido
O hábito: você tem muito material para compartilhar, então fala rápido para dar tempo de apresentar tudo.

Por que é um erro: a partir do momento que você precisa falar com rapidez, sua apresentação está maior do que deveria. Além disso, você vai parecer nervoso.

O que fazer no lugar: diminua a apresentação para não ter que se preocupar com o tempo. Caso você esteja falando rápido por nervosismo, escreva "CALMA" em cada página de suas anotações.

8. Inquietação
O hábito: você remexe as anotações, olha para o relógio, começa a se coçar, passa a mão no cabelo etc.

Por que é um erro: você vai tirar a atenção do público da apresentação e ao fazer isso, tornará o conteúdo que está passando desinteressante e menos eficaz.

O que fazer no lugar: quando for ensaiar a apresentação, ensaie sua performance e o que fazer com as mãos - ensaie o suficiente até que os tiques nervosos desapareçam.

quinta-feira, 15 de maio de 2014

Gibis na alfabetização

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Ensino Fundamental
Maio/2014
Sala de aula | Edição 205

Linguagem visual e características lúdicas fazem das histórias em quadrinhos bons instrumentos para a alfabetização, mas nem sempre eles foram bem vistos dentro da escola.

Rodnei Corsini
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Ilustração: Maro Barbosa
As histórias em quadrinhos contribuem para despertar o interesse pela leitura e pela escrita nas crianças e para sistematizar a alfabetização. Como as HQs em geral unem palavra e imagem, elas contemplam tanto alunos que já leem fluentemente quanto os que estão iniciando, pois conseguem deduzir o significado da história observando os desenhos. A curiosidade em saber o que está escrito dentro dos balões cria o gosto pela leitura e, assim, os gibis podem ter grande eficácia nas aulas de alfabetização.

Se hoje essa visão é consagrada entre professores e pesquisadores, nem sempre foi assim. Os quadrinhos usados atualmente em sala de aula eram vistos como concorrentes dos livros de alfabetização, entendidos, portanto, como uma distração prejudicial ao aprendizado. "Os quadrinhos apareceram com mais frequência dentro da escola a partir da metade do século passado. Primeiro, porque quase não existiam. Segundo, porque havia esse preconceito contra eles", diz Maria Angela Barbato Carneiro, professora titular do Departamento de Fundamentos da Educação e coordenadora do Núcleo de Cultura e Pesquisas do Brincar da Faculdade de Educação da PUC-SP.

Falta de hábito
Maria Angela acredita que, dentro da escola, os professores ainda usam predominantemente muitos materiais mais tradicionais, como é o caso do livro didático, em detrimento de outros recursos. "Penso que o professor não está habituado com outros procedimentos – como um jornal, uma revista –, e o fato de não estar habituado não lhe traz segurança", diz. Outro ponto que pode inibir a presença das HQs na alfabetização é o entendimento de que os gibis são meros passatempos e, por isso, serem deixados de lado por conta da crença de que eles serão lidos pelas crianças em casa de todo modo.


Lucinea Rezende, professora do Departamento de Educação da Universidade Estadual de Londrina (UEL-PR), que desenvolve e orienta trabalhos na área de formação de leitores, concorda que ainda que se tenha avançado bastante na direção de usar múltiplas formas de leitura em sala de aula, fugindo do monopólio do livro didático, ainda se está voltado predominantemente para o texto escrito. "Todos os gêneros que empregam outras linguagens entram devagarinho nas salas de aula", diz.

Os benefícios da história em quadrinhos para a educação, em particular no ensino fundamental e na alfabetização, são oficialmente reconhecidos. As HQs fazem parte do Programa Nacional Biblioteca da Escola (PNBE), que possibilita a professores e alunos o acesso a obras distribuídas em escolas públicas. Os Parâmetros Curriculares Nacionais (PCNs) também incentivam o uso de quadrinhos e indicam que nas bibliotecas é necessário que estejam à disposição dos alunos textos dos mais variados gêneros (livros de contos, romances, jornais, quadrinhos, entre outros). O PCN lista ainda a HQ como um gênero adequado para o trabalho com a linguagem escrita.

"Alguns professores olham para a HQ e veem algo distante. Assim não têm entusiasmo, não conseguem comentar sobre aquilo com os alunos", acredita José Felipe da Silva, professor de Libras (Linguagem Brasileira de Sinais) da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN) – a disciplina é oferecida a diversos cursos de graduação na Universidade. Ex-professor do ensino fundamental e colecionador de HQs, Felipe da Silva afirma que os quadrinhos foram um impulso para ele mesmo se alfabetizar quando criança. Na escola em que dava aula, na rede municipal de Natal, costumava fazer exposições com revistas e bonecos dos personagens das HQs para atrair a atenção dos alunos.

Imaginação e fantasia
Luciana Begatini Silvério, professora de pós-graduação na área de educação, lembra ainda que o PCN pede que o leitor seja formado como alguém capaz de ler, compreender e interagir com a leitura – entendida não só por meio de palavras e frases, mas, também, por diferentes tipos de linguagem. Com os quadrinhos, a criança em fase de alfabetização que ainda não domina a leitura e a escrita do alfabeto consegue fazer uma leitura competente com o recurso das imagens. "Além disso, a criança precisa muito ser formada no concreto. E nas HQs, os recursos de imagens, expressões dos personagens, letras, metáforas visuais ajudam a ter maior compreensão do que ela está lendo", afirma.


Entre os elementos que se reconhecem como mais atrativos para as crianças nas histórias em quadrinhos estão aspectos lúdicos, como cores, onomatopeias, personagens e traços. Na dissertação de mestrado de Luciana Begatini Silvério, defendida em 2012 – orientada por Lucinea Rezende, na UEL –, ela fez uma pesquisa de campo com professores e alunos da rede municipal da cidade Primeiro de Maio, no Paraná. A pesquisa não foi feita com alunos em alfabetização e, sim, com estudantes do segundo ciclo do EF. Dos 58 alunos participantes, 30 listaram as HQs entre seus gêneros de leitura preferidos. E três, apenas, afirmaram não gostar de HQs (dois deles alegaram que os quadrinhos são para serem lidos em casa).

Luciana Novello, professora do 1o ano do EF no Colégio Ofélia Fonseca, em São Paulo, destaca justamente o caráter lúdico como um dos elementos de atratividade dos quadrinhos. "As histórias em geral são divertidas, somadas ao colorido das imagens. E temos gibis com histórias bem curtas, de uma página, e para a criança ler fica uma leitura mais prazerosa", diz. Além disso, a professora afirma que, entre seus alunos, o gibi já faz parte do cotidiano fora da escola: por isso, a familiaridade com os personagens por si só já desperta o interesse das crianças.

Os quadrinhos podem, ainda, ser trabalhados com as crianças em idade de alfabetização em relação com o brincar – como, por exemplo, uma forma de trabalhar a imaginação, o "faz de conta". "Alguns quadrinhos fazem parte da literatura infantil, e a literatura infantil se alia à brincadeira justamente através do simbólico, da fantasia. Quando você permite que atuem a imaginação e a fantasia da criança é possível que isso faça parte das atividades lúdicas", diz Maria Angela Barbato Carneiro.

Corrigindo a Mônica
Professor da Escola Polo Municipal Venita Ribeiro Marques, em Aral Moreira (MS), Gilson Matoso considera a HQ uma das melhores maneiras para chamar a atenção das crianças. Pós-graduado em Mídias na Educação pela Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS), ele costuma aliar o trabalho com os quadrinhos a datas especiais – como as festas juninas. E, no segundo ano do EF, trabalha também a gramática. Personagens conhecidos das HQs da Turma da Mônica, de Mauricio de Sousa, o Cebolinha troca o "R" pelo "L" e o Chico Bento tem o registro da sua fala acaipirada, com erros ortográficos. "Fazemos exercícios em que corrigimos algumas palavras dos personagens, passando para a norma culta", diz Matoso.


Antes de o aluno desenvolver a leitura das palavras e dos desenhos em si – como personagens e cenários – há outros elementos típicos das HQs que as crianças aprendem a ler e a interpretar. "O texto está ali, não podemos ignorá-lo, mas mesmo que as palavras escritas sejam estranhas para o aluno, ele vai fazer a leitura visual­ da narrativa e vai entender que aquilo pode ser uma fala, um grito", diz José Felipe da Silva.

A leitura do texto em si é facilitada ainda por conta do tipo de letra normalmente grafada dentro dos balões, que é a letra em bastão. Como na maior parte das escolas, a professora Luciana Novello explica que no Colégio Ofélia Fonseca a letra bastão é usada desde o ensino infantil até o primeiro ano, quando é introduzida então a letra cursiva, entre o final do primeiro ano e o segundo ano do EF.

Lucinea Rezende, da UEL, afirma que é importante ainda ter como premissa o tratamento da leitura como algo a ser construído continuamente. Ela ressalta que isso é válido não somente na alfabetização e no ensino fundamental, mas até mesmo na universidade. "Alguns estudantes gostam de ler, outros, não – ou porque não puderam ou porque não se interessaram suficientemente. Nesse caso, a gente precisa usar todos os recursos possíveis: se a criança já lê HQ, o que a escola pode fazer para a criança ler melhor, explorar outras possibilidades?", questiona. A professora e pesquisadora defende que a escola deve trabalhar, sempre, com uma boa multiplicidade de textos, incluindo as HQs.

Além disso, Lucinea lembra que os alunos acabam desenvolvendo gostos por diferentes tipos de leitura. Por isso, a escola precisa se apropriar de todos os recursos possíveis. "Precisamos pensar ainda o que o professor está almejando quando trabalha a leitura. Quanto à HQ, por exemplo, o que se consegue ver nesse gênero literário? Pensamos na palavra, na imagem, nos personagens?". A reflexão sobre os materiais usados pelos educadores deve levar em conta, afirma Lucinea, não somente questões da linguagem, mas também, de fundo social das narrativas. "É a partir dessa compreensão que se devem usar as HQs na alfabetização. Alfabetizar é trazer para o mundo da escrita, dos números, para que o aluno possa dialogar e interagir com o mundo", explica.

Produção do texto
Com as HQs pode-se ainda propor a construção de histórias. "Para a produção de texto os alunos em geral gostam muito dos quadrinhos, por conta do desenho. É uma boa ferramenta para a sequência didática, em que é preciso ter um resultado final da produção deles", diz Gilson Matoso.


Além de desenhar, pode-se tra­balhar com o texto produzido sobre histórias já feitas, com os ba­lões em branco. "Nesse caso o objetivo não é pensar em inventar a história, mas na escrita, na língua", diz Luciana Novello, do Ofélia Fonseca. "No 1o ano, a principal ideia do uso do gibi é a aquisição de leitura e escrita. E, eventualmente, um trabalho com arte e ilustrações", completa.

A professora afirma que os gibis são trabalhados em aula como um gênero textual. Em momentos de leitura planejada, cada aluno escolhe um exemplar para ler – seja ela leitura convencional (fluente) ou não. "Também se lê em dupla, um leitor mais fluente com outro menos fluente", explica.

Gêneros e interdisciplinaridade
O quadrinho é um gênero em si mesmo, mas, dentro dele, há subgêneros – como romances adaptados e até reportagens em forma de HQ, o que se torna uma vantagem para apresentar outros gêneros de narrativa. "Claro que é preferível ampliar a leitura dos gêneros para outros textos, não somente os quadrinhos. Mas é importante que o professor apresente uma diversidade de gêneros de HQ", diz José Felipe da Silva, da UFRN.

Além dos gêneros, as diferentes temáticas dos quadrinhos também são um elemento importante em sala de aula – e podem ser trabalhadas tanto com crianças em idade de alfabetização quanto com as maiores. "O foco de minha pesquisa foi buscar a interface entre HQ e a literatura, mas há outros aspectos transversais também, como noções de higiene, temas culturais e históricos", diz Luciana Begatini Silvério.

Se na alfabetização os quadrinhos podem atrair a atenção das crianças para ler e escrever, nessa mesma fase as HQs podem servir como suporte ou tema para desenvolver outras habilidades – como adivinhas. "Existem também várias atividades que podem ser feitas com a linguagem dos quadrinhos, como noções abstratas de química. Pensamos no Asterix e na sua poção mágica, por exemplo, à qual podemos relacionar uma receita – um suco de laranja – e fazer essa brincadeira", diz Maria Angela Barbato Carneiro, da PUC-SP.

Acesso à alimentação é uma questão de direito humano, e não só de política pública

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Sociedade
14/5/2014 - 12h45

Acesso à alimentação é uma questão de direito humano, e não só de política pública


por Luciano Gallas e Patrícia Fachin, para o IHU On-Line
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"Os órgãos de Estado ainda tendem a fazer uma diferenciação, de modo que os direitos civis e políticos acabem tendo, na prática, uma maior exigibilidade do que os direitos sociais", pontua o Procurador Regional da República do Rio Grande do Sul Paulo Leivas.
O arcabouço legal que garante o acesso à alimentação adequada já existe e é garantido pela Constituição Federal brasileira. Contudo, o Brasil precisa de "instrumentos mais claros e específicos para a exigibilidade desse direito", avalia Paulo Leivas em entrevista concedida à IHU On-Line pessoalmente. A preocupação está relacionada com o fato de que as pessoas não sabem a que órgãos recorrer quando se encontram em uma situação de insegurança alimentar ou de violação do direito à alimentação. Segundo ele, "existem órgãos que protegem os direitos humanos em geral, como o próprio Ministério Público, órgãos de Direitos Humanos em âmbito federal e estadual, mas são órgãos gerais. Talvez o que esteja faltando é um órgão específico para a proteção e a realização do direito à alimentação em cada esfera de governo: na esfera federal, nas esferas estaduais e nas esferas municipais".

Ações como essa, entretanto, demandam que as autoridades assumam e reconheçam "que a alimentação é um direito humano, não é uma questão só de política pública; isso significa que, se as pessoas não têm acesso à alimentação, um direito está sendo violado", acentua.

Para Leivas, o debate democrático perpassa a resolução de questões como a fome e o acesso à alimentação. "Não é possível existir uma verdadeira democracia se existem pessoas que não têm acesso a uma alimentação adequada ou vivem em uma situação de miséria. Esse tipo de situação é incongruente, é incompatível com uma democracia", frisa.

Paulo Leivas é graduado em Ciências Jurídicas e Sociais pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul – UFRGS, mestre e doutor em Direito pela mesma instituição. Atualmente leciona no Curso de Mestrado em Direitos Humanos da UNIRITTER e é membro do Ministério Público Federal, onde exerce o cargo de Procurador Regional da República, com atuação na 4ª Região. Também é coordenador do Núcleo de Apoio Operacional (NAOP) da 4ª Região da Procuradoria Federal dos Direitos do Cidadão.

Paulo 300x236 Acesso à alimentação é uma questão de direito humano, e não só de política pública
Confira a entrevista:

IHU On-Line – O Brasil dispõe de um suficiente aparato legal para a garantia do direito a uma alimentação adequada e nutritiva?
Paulo Leivas - Sim, a resposta é afirmativa. O Brasil possui diversos instrumentos normativos que garantem o direito à alimentação adequada, tanto porque o Brasil é signatário e incorporou, ao Direito brasileiro, Tratados Internacionais de Direitos Humanos que dispõem sobre o direito à alimentação, como também porque o Brasil reconhece na legislação interna esse direito, por meio de uma lei específica chamada Lei da Segurança Alimentar. Em nível constitucional, no ano de 2010 o Direito Humano à Alimentação foi acrescentado ao hall dos direitos sociais e direitos fundamentais sociais.

IHU On-Line – O senhor citou a Lei de Segurança Alimentar. Quais são, além desta lei, os principais documentos legais que respaldam o acesso a direitos sociais como a saúde e a alimentação?
Paulo Leivas – No caso da saúde existem muitos instrumentos legais e muitas leis que garantem esse direito; a Lei Orgânica da Saúde é a principal. No caso da alimentação, o principal instrumento legal é a Lei de Segurança Alimentar em nível nacional, além das leis específicas estaduais de Segurança Alimentar. O principal instrumento é a Constituição Federal, que incorpora e fala expressamente em direito humano e direito à alimentação.

IHU On-Line – Esse arcabouço legal é suficiente para a garantia do acesso à alimentação adequada?
Paulo Leivas – Existe um arcabouço legal, mas o que precisamos no Brasil são instrumentos mais claros e específicos para a exigibilidade desse direito. Por exemplo, um grupo de indivíduos que se encontra em uma situação de violação do Direto à Alimentação ou de insegurança alimentar, recorre a quem? Que órgãos esse grupo acessa para reivindicar e demandar esse direito? Existem órgãos que protegem os direitos humanos em geral, como o próprio Ministério Público, órgãos de Direitos Humanos em âmbito federal e estadual, mas são órgãos gerais. Talvez o que esteja faltando é um órgão específico para a proteção e a realização do direito à alimentação em cada esfera de governo: na esfera federal, nas esferas estaduais e nas esferas municipais. Para isso, os governantes, as autoridades precisam assumir ou reconhecer que a alimentação é um direito humano, não é uma questão só de política pública; isso significa que, se as pessoas não têm acesso à alimentação, um direito está sendo violado.

IHU On-Line – Esse modelo de uma instituição que atuaria principalmente na questão do direito à alimentação já existe? Há alguma experiência nesse sentido no Brasil ou em termos mundiais?
Paulo Leivas – Não sei se a criação de um órgão específico seja a melhor solução. Talvez uma possibilidade seja a de os órgãos de proteção aos direitos humanos assumirem o papel de trabalhar com direitos humanos.
Existe uma questão cultural de que direitos humanos são tão somente os direitos civis e políticos, os direitos de liberdade, direito de não ser discriminado; esses são os temas com os quais os órgãos de direitos humanos em geral trabalham. Talvez, os órgãos de direitos humanos precisam assumir e reconhecer que os direitos sociais e, principalmente, o direito à alimentação também é um direito humano, e possam, então, trabalhar na visibilidade desses direitos.

IHU On-Line – Você citou os direitos civis. A legislação brasileira faz distinção entre direitos humanos, direitos fundamentais e direitos sociais?
Paulo Leivas – Explicitamente, não faz. O principal instrumento normativo que temos é a Constituição Federal de 1988. Embora ela trate dos direitos sociais em um artigo separado dos direitos civis e dos direitos políticos, em nenhum momento é possível encontrar na Constituição qualquer tratamento diferenciado entre tais direitos. Mas de que forma esses direitos são trabalhados na prática é outra história, porque os governos, os órgãos de Estado ainda tendem a fazer essa diferenciação, de modo que os direitos civis e políticos acabem tendo, na prática, uma maior exigibilidade do que os direitos sociais.

IHU On-Line – De que forma o direito a uma alimentação adequada está relacionado com a democracia?
Paulo Leivas – Não é possível existir uma verdadeira democracia se existem pessoas que não têm acesso a uma alimentação adequada ou vivem em uma situação de miséria. Esse tipo de situação é incongruente, é incompatível com uma democracia. Por isso, o conceito de democracia material não é uma questão só de garantia e de participação política. Ele implica em condições ou — usando a palavra de Amartya Sen [1] — na capacidade de exercício dessa democracia, e isso pressupõe cidadãos com acesso à alimentação adequada.

NOTA:
[1] Amartya Sen (1933): economista indiano. Foi laureado com o Prêmio de Ciências Econômicas em Memória de Alfred Nobel de 1998, pelas suas contribuições à teoria da decisão social e do "welfare state". Sua maior contribuição é mostrar que o desenvolvimento de um país está essencialmente ligado às oportunidades que ele oferece à população de fazer escolhas e exercer sua cidadania. E isso inclui não apenas a garantia dos direitos sociais básicos, como saúde e educação, mas também segurança, liberdade, habitação e cultura.
* Colaborou: Suélen Farias.
**Publicado originalmente no site IHU On-Line.

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Sociedade
14/5/2014 - 10h54

por Martin Denoun e Geoffroy Valadon*
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Possuir ou Partilhar? | Envolverde

Espalham-se pelo mundo serviços de compartilhamento de casas, quartos, carros, outros objetos. Novo modelo de negócio? Ou sinais de pós-capitalismo?

"Na casa de cada um de nós existe um problema ambiental com potencial econômico. Temos vários objetos que não utilizamos: uma furadeira dormindo no armário que não será usada por mais de 13 minutos, em média, durante toda a vida; um DVD já sem uso ocupando espaço, a câmera que atrai mais poeira que luz, mas também o carro que usamos solitariamente menos de uma hora por dia ou o apartamento vazio durante todo o verão. A lista é longa. E representa uma quantidade impressionante de dinheiro, assim como de lixo futuro."

Este é, essencialmente, o argumento de teóricos do consumo colaborativo. Pois, como sustenta com um grande sorriso Rachel Botsman (1), uma de suas lideranças, "você precisa do buraco, não da broca; da projeção, não do DVD; da viagem, não do carro!"…
Jeremy Rifkin foi quem diagnosticou a transição de uma era da propriedade para uma "era do acesso" (2), na qual a dimensão simbólica dos objetos diminui em benefício de sua dimensão funcional: um carro costumava ser elemento de status que justificava sua compra para além do uso, enquanto agora os consumidores começam a alugar o seu veículo.

Hoje, os jovens propõem alugar seus próprios carros ou casas. Se isso causa desespero a muitos empresários de transportes ou hotelaria, outros veem com esperança esse desapego com relação aos objetos de consumo. Plataformas de troca possibilitam uma melhor alocação de recursos; elas atomizam a oferta, eliminam intermediários e facilitam a reciclagem. Ao fazer isso, corroem monopólios, provocam redução de preços e trazem novos recursos aos consumidores. Estes serão levados a comprar bens de qualidade, mais duráveis, incentivando a indústria a abandonar a obsolescência programada. Seduzido por menores preços e pela conveniência dessas relações pessoa-a-pessoa (P2P, peer to peer), eles contribuem para a redução de resíduos. A imprensa internacional, do New York Times ao Le Monde, passando pelo Economist, já fala em "revolução do consumo."

Um passe de mágica
Os partidários do consumo colaborativo estão frequentemente entre os desiludidos com o "desenvolvimento sustentável". Contudo, embora reprovem a superficialidade deste conceito, não costumam criticá-lo mais acidamente. Citando especialmente Rifkin, nunca evocam a ecologia política. Mencionam de bom grado Mohandas Gandhi: "Há atualmente na Terra recursos suficientes para atender às necessidades de todos, mas eles não serão jamais suficientes para satisfazer os desejos de posse de alguns (3)." Isso não os impede de manifestar uma espécie de desdém com relação aos adeptos do decrescimento e ativistas ambientais em geral, percebidos como utopistas marginais e sobrepolitizados.
"Foi em 2008 que batemos contra a parede. Juntos, a Mãe Natureza e o mercado disseram 'basta'. Bem sabemos que uma economia baseada no hiperconsumo é um esquema Ponzi (4), um castelo de cartas", argumentou Botsman numa conferência TED (Tecnologia, Entretenimento e Design) (5).

De acordo com ela a crise, ao fazer com que as pessoas se esforçassem para sobreviver, teria causado uma explosão de criatividade e confiança mútua que supostamente detonou o fenômeno do consumo colaborativo (6).

Mais e mais sites propõem a troca ou aluguel de bens "adormecidos" e caros: máquina de lavar roupa, roupas de marca, objetos high-tech, equipamento de camping, mas também meios de transporte (carro, moto, barco) ou espaços físicos (adega, estacionamento, sala etc). O movimento chega a ser quase uma poupança: ao invés de deixá-la inerte numa conta, as pessoas a compartilham, escapando dos bancos (7).

Na área de transportes, o uso compartilhado de automóveis consiste em dividir o custo de um trajeto; uma espécie de carona organizada e contributiva, que permite, por exemplo, viajar de Lyon a Paris por 30 euros, contra 60 euros da passagem de trem, e conhecer pessoas novas durante o trajeto. Diversos sites que propõem esse serviço surgiram na França nos anos 2000. Isso levou à evolução típica das startups da internet: uma luta para estabelecer-se como referência de gratuidade, para, uma vez alcançada essa posição, impor aos usuários uma comissão de 12% "para maior segurança". O número um francês, Covoiturage.fr, transformou-se em BlaBlaCar para embarcar na conquista do mercado europeu, e seu equivalente alemão, Carpooling, chegou à França. Enquanto os co-usuários habituais, enfurecidos pelo escorregão mercantil do site francês, lançaram a plataforma colaborativa e gratuita Covoiturage-libre.fr [algo como "Coautomóvel-livre"].

A partilha de carros reflete também um avanço cultural e ecológico. Plataformas como Drivy possibilitam a locação de veículos entre indivíduos, muito embora os atores dominantes do mercado sejam ainda empresas flexibilizadas (aluguel por minuto e self-service), que têm sua própria frota. A redução anunciada no número de veículos é relativa, portanto. Mesmo a frota Autolib', criada pela prefeitura de Paris com o grupo Bolloré e inspirada no Vélib' [para compartilhamento de bicicletas], substitui transporte, mais do que elimina carros (8).

No que diz respeito à hotelaria, a internet também favoreceu o impulso das trocas entre particulares. Vários sites (9) permitem contatar uma multidão de anfitriões dispostos a receber pessoas em suas casas por algumas noites, gratuitamente – e isso em quase todos os países. Mas o fenômeno do momento é o "bed and breakfast" informal e cidadão e seu líder indiscutível, Airbnb. Ele permite passar a noite em Atenas ou Marselha e vai mimá-lo com um generoso café da manhã "opcional" por um preço inferior ao de um hotel. Um quarto vazio em sua casa ou mesmo seu próprio apartamento, quando sair de férias, pode tornar-se uma fonte de renda. Em poucas palavras: "Airbnb: viaje como ser humano". Na imprensa econômica, contudo, o serviço mostra uma outra face. Ele orgulha-se de capturar mais de 10% do valor pago ao anfitrião, e ver o volume de negócios, de US$ 180 milhões em 2012, aumentar tão rápido quanto a capitalização na Bolsa, de quase US$ 2 bilhões.
compartilhamento2 Possuir ou Partilhar?
Em cartum, o duplo sentido da nova tendência…

"A riqueza está mais no uso que na posse – Aristóteles", proclama a empresa de uso compartilhado de carros City Car Club. Mas, visto mais de perto, o desapego da posse diagnosticado por Rifkin não parece incluir o desapego do consumo: se no passado o sonho era possuir uma Ferrari, o de hoje é dirigir uma. E, se as vendas diminuem, aumentam os aluguéis. Esta "era do acesso" revela uma mutação das formas de consumo ligada a uma mudança logística: a circulação de bens e habilidades pessoais por meio de interfaces eficientes da web. Longe de assustar-se, as empresas veem nesta diluição um potencial de novas operações, nas quais elas serão os intermediários remunerados.

De um lado, isso possibilita aumentar a base de consumidores: quem não tinha meios para comprar um objeto caro pode agora alugá-lo. De outro, a comercialização estende-se à esfera doméstica e aos serviços entre particulares: o quarto de um amigo ou um assento no carro podem ser oferecidos para alugar, bem como uma mãozinha no encanamento ou no inglês. Podemos também antecipar o mesmo efeito do setor de energia, no qual a redução de gastos resultante de avanços tecnológicos leva ao aumento no consumo (10): a renda que uma pessoa ganha com o aluguel do seu projetor vai incentivá-la a gastar mais.
No entanto, existem novas práticas que irão reverter o consumismo. São muito diversas: os couchsurfers (literalmente, "surfistas de sofá") permitem que desconhecidos durmam gratuitamente em suas casas ou desfrutem de sua hospitalidade. Os usuários do Recupe.net ou do Freecycle.org preferem doar a jogar fora objetos que não têm mais utilidade. Nos sistemas locais de trocas (SEL, na sigla em francês), as pessoas oferecem suas competências em base igualitária: uma hora de jardinagem vale uma hora de encanamento ou design. Em associações para a manutenção de uma agricultura camponesa (AMAP, na sigla em francês), cada um assume o compromisso de abastecer-se por um ano com o mesmo agricultor local, com quem pode desenvolver um relacionamento, e participar voluntariamente da distribuição semanal de legumes. Esse compromisso relativamente obrigatório reflete uma abordagem que vai além da simples ação de consumo, que consiste em "escolher com a carteira".

Qual o ponto em comum entre esses projetos associativos e as empresas da distribuição C2C — de consumidor para consumidor? Comparemos os "surfistas de sofá" e os clientes do Airbnb: para os primeiros, o essencial reside no relacionamento com as pessoas, sendo o conforto secundário; para os segundos, é o inverso. Os critérios de avaliação são, portanto, sensivelmente diferentes: a atração do Airbnb, além do preço, está na limpeza do local e sua proximidade com o centro turístico, enquanto que no Couchsurfing.org, além da gratuidade, há a convivência com o anfitrião. Da mesma forma, plataformas tais como Taskrabbit.com oferecem troca de serviços entre particulares que pagam, enquanto que os SEL baseiam-se na doação.

Em textos destinados ao grande público, os promotores do consumo colaborativo citam frequentemente iniciativas associativas para vangloriar-se do aspecto "social" e "ecológico" dessa "revolução". Essas menções desaparecem quando falam na imprensa de negócios. Na verdade, só podemos juntar essas duas abordagens sob o mesmo rótulo, de "economia do compartilhamento", se levarmos em conta a forma dessas relações e minimizarmos as lógicas, muito diferentes, que as alimentam.

Essa combinação, que culmina no passe de mágica que consiste em traduzir compartilhar por alugar, é largamente encorajada por aqueles que procuram tirar vantagem do fenômeno. Por meio de um subterfúgio semelhante ao greenwashing ("lavagem verde de imagem"), projetos tipo AMAP são utilizados como garantia. Quem não leva em conta os valores sociais subjacentes a esses projetos participa, assim, de uma espécie de "lavagem colaborativa" (collaborative washing). As pessoas que oferecem seu teto, sua mesa ou seu tempo a desconhecidos geralmente se caracterizam, na verdade, pela busca de práticas igualitárias e ecológicas – o que as aproxima ainda mais de cooperativas de consumo e produção e de plataformas de troca C2C.

Essa dualidade coincide com muitas outras: a que separa o "desenvolvimento sustentável" da ecologia política, ou ainda o movimento do software de código aberto – que promove a colaboração de todos para melhorar o software – e o de software livre – que promove a liberdade dos usuários a partir de uma perspectiva política. A distinção feita por Richard Stallman, um dos pais do software livre, poderia ser estendida a cada um desses domínios: "O primeiro é uma metodologia de desenvolvimento; o segundo, um movimento social (11)".

*Animadores do coletivo La Rotative, www.larotative.org

Notas
(1) Cf. Rachel Botsman et Roo Rogers, What's Mine Is Yours: How Collaborative Consumption Is Changing the Way We Live, HarperCollins, Londres, 2011; Lisa Gansky, The Mesh: Why the Future of Business Is Sharing, Portfolio Penguin, New York, 2010. Na França, www.ouishare.net/fr; www.consocollaborative.com, por exemplo.
(2) Jeremy Rifkin, L'Age de l'accès. La nouvelle culture du capitalisme, La Découverte, coll. «Poche-Essais», Paris, 2005 (1re éd.: 2000).
(3) Citado em Anne-Sophie Novel e Stéphane Riot, Vive la corévolution! Pour une société collaborative, Alternatives, coll. «Manifestô», Paris, 2012.
(4) Esquema fraudulento, lançado em 1920 por Charles Ponzi, de remunerar os investidores através de solicitação constante de novos colaboradores. Ler Ibrahim Warde, «Ponzi, ou le secret des pyramides», Le Monde diplomatique, agosto 2009.
(5) «Rachel Botsman: à propos de la consommation collaborative», mai 2010, www.ted.com
(6) Ler Mona Chollet, «Yoga du rire et colliers de nouilles», Le Monde diplomatique, agosto 2009.
(7) Zopa, Prosper e Lending Club são as principais plataformas, nos Estados Unidos. Na França, uma outra associação para empréstimo, a FriendsClear, tem parceria com o Crédit Agricole.
(8) «"On a raté l'objectif. Autolib' ne supprime pas de voitures"», L'interconnexion n'est plus assurée, 26 mars 2013, http://transports.blog. lemonde.fr
(9) Couchsurfing.org, Hospitalityclub.org e Bewelcome.org, especialmente. Este último reúne os desapontamentos dos dois primeiros
(10) Ler Cédric Gossart, «Quand les technologies vertes poussent à la consommation», Le Monde diplomatique, julho 2010.
(11) Richard Stallman, «Pourquoi l'"open source" passe à côté du problème que soulève le logiciel libre», www.gnu.org
* Tradução: Inês Castilho.
** Publicado originalmente no Le Monde Diplomatique francês e retirado do site Outras Palavras.